31.12.08

Doutores por extenso e espertos como um alho

Por Joaquim Letria
A FUNDAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA tem bolseiros seus a doutorarem-se na Faculdade de Ciências e não paga as bolsas de estudo destes doutorandos. A lei diz que quem não paga os estudos não tem notas na pauta.
Aplicando a lei, a Faculdade de Ciências disse que só marcava provas de doutoramento depois de ver a cor do dinheiro. A Faculdade e a Fundação são do Estado e com a mesma tutela.
Os doutorandos sentem-se reféns. Mas quem lhes resolve o problema são doutores por extenso, maiúsculas e caixa alta, com experiência de vida e sabedores das manhas do Estado! A Fundação Ciência e Tecnologia já está a puxar pelos cordões à bolsa…
Muito mais eficaz do que jogar prestígio académico, peso político e postura moral, bens que só devem ser despejados sobre os ignorantes como eu, que na questão dos Museus da Politécnica, confundi a Reitoria da Universidade com a Faculdade de Ciências onde o nosso querido professor Galopim de Carvalho se jubilou em beleza e hoje apresenta os seus interessantes livros.
«24 Horas» de 31 de Dezembro de 2008

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À atenção dos mais pequenos - Para terminar o ano!

DE ENTRE os livros que o Sorumbático tem para atribuir no seguimento dos passatempos com prémio, há alguns que, por terem sido feitos para um público muito jovem, raramente são escolhidos pelos vencedores - é o caso dos dois livros do Pimpa que se podem ver [aqui].
Dito isso, não é preciso dizer a quem esses serão dedicados, pois não? (Ver esclarecimento no comentário 1).
Actualização (21h58m) a resposta certa acaba de ser dada.

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Quem diz que o comércio tradicional não se renova?

E, no entanto, é preciso sonhar

Por Baptista-Bastos
OLHO LÁ PARA BAIXO e há muitas coisas, vozes, rostos e infâmias oblíquas que já foram. O tempo não mata as dores: adormece-as. Nada é para sempre. Chega-se ao fim do ano e os homens antigos e experimentados sabem que as lembranças adquirem uma simplicidade contrária ao ressentimento. Todavia, foi um áspero, infausto e rude ano, este, que vai embora.
Houve uma época em que, com alvoroço e arfante ansiedade, escrevi: "A esperança tem sempre razão." O sonho andava à solta e eu ainda não aprendera a natureza dos perigos contidos no sonho. Mas havia sempre alguém sorrindo para mim e um horizonte luminoso à nossa espera. Reconheço, com tristeza, que a frase era um pouco imprudente, embora, talvez, nos lavasse moderadamente a alma.
Chegamos a hoje e, num bulício de fé, repetimos os pedidos do ano passado, embalamos os desejos do último dia do último Dezembro, esquecidos de que a doçura e a clemência deixaram, há muito, de nos visitar. E, no entanto, é preciso não esquecer: este mundo seco, desabrido e falho de ternura, é o nosso chão, limitado pela geometria que traçámos, erguido pela greda com a qual o moldámos.
(...)
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30.12.08

País de aluguer

Por Joaquim Letria
A PROPOSTA DE LEI do governo abre a possibilidade de se transformar o mosteiro dos Jerónimos noutro “El Corte Inglês”, o castelo de São Jorge no “Palácio do Rock”, a Torre de Belém numa casa de fados e o Convento de Mafra numa casa de passe.
Podemos, assim, recuperar os castelos do interior e os fortes arruinados da nossa costa. O castelo de Almourol dava uma boa sucursal da “Ille de France”com um restaurante de cozinha francesa, pelo menos com duas estrelas do Michelin.
Não acredito que os nossos governantes não tenham patriotismo, bom gosto e amor pelas nossas coisas. Dariam provas de tudo isso como fazem com as minas de Aljustrel. Quem sabe se, uma vez salva a Qimonda, subsidiadas a Auto Europa e a Citroën, financiada a Siemens, ajudada a Microsoft, o ministro Manuel Pinho não arranja uma produtora de cinema que queira ficar com o Palácio de Queluz. Assim, como assim, até já lá fizeram filmes pornográficos…
«24 Horas» de 30 de Dezembro de 2008

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«Público» online
Que raio de 'português'...

Pândegos & Pândegos

ONTEM À NOITE, na SIC-N, os comentários de António José Teixeira à intervenção do Presidente da República iam sendo interrompidos à medida que, do exterior, chegavam os dos partidos com representação parlamentar.
Primeiro, veio Paulo Rangel, do PSD, que atacou o PS e a aprovação do Estatuto dos Açores (quando a bancada que dirige, além de se ter abstido - mas só agora... -, até impediu que votassem "contra" os deputados que o quiseram fazer).
A seguir, veio António Filipe, do PCP, também se insurgindo contra o mesmo, e tentando explicar-nos porque é que, apesar disso, a sua bancada votara a favor daquilo a que se opunha.
Confesso que já não tive pachorra para esperar pelo que diriam os outros, e vim aqui à estante ver se ainda tinha sobrado algum exemplar do livro «Os Pândegos» - v. [aqui].
Como, de facto, ainda há um, quem se candidata, a troco de um bom comentário, a ganhá-lo? O passatempo termina às 20h de 3 de Janeiro 2009.
Actualização (4 Jan 09/10h05m): o júri gostou dos 3 comentários, e decidiu atribuir o prémio a R. da Cunha, a quem se pede que contacte sorumbatico@iol.pt nas próximas 48h, indicando morada para envio do livro. Obrigado a todos!

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Pandemias e Pânicos

Por Maria Filomena Mónica
SOU UMA LEITORA ÁVIDA de tudo o que a doenças diz respeito. Pela manhã, entretenho-me a anotar os perigos que me confrontam na eventualidade de ter de sair à rua: os pólenes que me fazem espirrar, o CO2 que me impede de respirar, o fumo dos cigarros que me dá cabo dos pulmões. Mesmo quando fechada na minha cave, tal é a panóplia de alimentos supostamente perigosos que não posso estar sossegada. Comer sanduíches de atum fará mal? O vinho tinto será saudável? O sal constituirá um perigo?
Tudo isto é agravado pelas modas que ciclicamente atravessam a Medicina: ainda não tinha seis anos quando, sem razão evidente, me tiraram as amígdalas; aos dez, sem qualquer evidência científica, encheram-me o estômago de óleo de fígado de bacalhau; aos vinte, durante um parto complicado, o obstreta utilizou um par de ventosas posteriormente declaradas perigosas; aos quarenta, os cirurgiões quiseram tirar-me o útero, prática hoje considerada uma mutilação; aos cinquenta, receitaram-me uma pílula para contrariar os efeitos da menopausa, logo contestada por uma parte significativa da comunidade clínica.
Como se isto não bastasse, há agora as pandemias. Quando, há três anos, visitei a Turquia, ia a tremer de medo com a possibilidade de me cruzar com um peru infectado pela «gripe das aves». Uma vez em casa, esqueci o passaroco doente, o que foi fácil, dado o tema ter desaparecido da primeira página dos jornais. Eis que, há dias, a Subdirectora-Geral de Saúde apareceu na televisão para nos avisar que ela, a pandemia, está a chegar e que, provocada pelo vírus H5N1, «tem todo potencial (note-se o termo) para se adaptar aos humanos». A Dra. Graça Freitas anunciou ainda existirem poucos meios de tratamento, pelo que se iriam verificar muitas baixas. Uma pessimista, recordei o número – 60 milhões – de mortes ocorridos durante a chamada gripe espanhola (1918/9). De novo, fiquei apavorada. Isto não pode continuar: os responsáveis pela saúde pública têm de perceber que a sua missão não é assustar os cidadãos, mas protegê-los de perigos reais.
Junho de 2007

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29.12.08

De Humor Antigo - Ano 1929. Clicar na imagem para a ampliar

Curtas-letragens - Prenda de Natal

Por Miguel Viqueira
ALGUÉM ME AVISOU que amanhã era véspera de Natal. Dei comigo a pensar na minha mãe velhinha, nas minhas irmãs, nos miúdos, a sós na humidade da província. Quando pude partir era já noite cerrada, chovia a cântaros, um desses temporais desfeitos que se abatem como a vingar-se de um pecado infame. O trânsito estava impossível, filas intermináveis à saída da cidade, luzes estilhaçadas no vidro em mil gotículas que me toldavam a visão, e subitamente um vulto, negro, espaventoso, que não atropelei por milagre. Estaquei o carro, descortinei um homem de braços abertos à minha frente mandando-me parar, com ar desesperado, e instintivamente abri a porta do passageiro. Antes de que pudesse dizer nada o homem entrava, esbaforido, de aspecto alucinado, ofegante, como a olhar para uma coisa que só ele pudesse ver. Estava tão encharcado que me salpicou quando se deixou cair no assento, o cabelo aciganado a escorrer-lhe pela testa e os olhos, a bichanar algo que me pareceu “que dia, que dia!”. Arrependi-me no mesmo instante mas já não havia nada a fazer, as buzinas protestavam atrás de mim, o trânsito arrancava, seguíamos agora na grande tarasca dos farolins vermelhos.
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A grande fornalha

Por A.M. Galopim de Carvalho
RENÉ DESCARTES, filósofo francês do séc. XVII, via na Terra um pequeno Sol abortado, que arrefeceu e solidificou em superfície, mas mantendo o fogo central. Na mesma época, o jesuíta Athanasius Kircher defendia a existência de um fogo no centro da Terra, que comunicava com reservatórios que, por sua vez, alimentavam os vulcões. Esta ideia de um fogo central, que deu suporte à imagem do Inferno, fora já anunciada, no século V, a.C., pelo filósofo grego Empédocles. No séc. XVIII, Buffon, o grande naturalista francês, seguiu as ideias de Descartes e defendia que era esse calor central que gerava os magmas como os que se viam brotar dos vulcões.
Ao contrário do seu satélite, a Terra conserva, em profundidade, calor suficiente para lhe assegurar a maior parte do seu dinamismo interno. Sendo mais pequena, a Lua arrefeceu a ponto de nela ter cessado toda a actividade magmática, cujas últimas manifestações são as de um vulcanismo extinto há cerca de 3000 milhões de anos. A Terra funciona como uma imensa fornalha, sendo o seu calor interno o somatório do calor que lhe ficou da sua formação como planeta, mais o calor gerado pela radioactividade de certos elementos radioactivos, ao longo dessa enormidade de tempo.
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28.12.08

Gostaria...

Por António Barreto
NÃO VALE A PENA ter esperanças desmedidas para 2009. O ano não é bissexto, o que é bem. Mas tem três eleições, o que é mau. As crises internacionais vão prosseguir, o que tem más consequências. Toda a gente anda de bengala de Estado, incluindo bancos e empresas industriais, financeiros e aforradores, o que obriga a pensar que não há bengalas que cheguem. Já sabemos que o crescimento será negativo ou ridículo; que o défice público aumentará; que o défice externo também; que o emprego diminuirá; e que a pobreza se agravará. São certezas. Esperar o contrário é enganar-se a si próprio. Há, todavia, votos que se podem formular. Os meus são modestos. Não são excessivos, nem irrealistas. Custam pouco dinheiro ou nenhum.
Gostaria que terminassem, de uma vez para sempre, os processos em tribunal que envenenaram o último ano. O da Casa Pia, à cabeça. A Operação Furacão também. Os do futebol, que já ninguém percebe. O da pequena Esmeralda, que afligiu muita gente, mas que tornou todos insensíveis, menos a menina. Os dos bancos, do BCP, do BPP e do BPN, cuja opacidade tem criado as mais sérias suspeitas na opinião pública. E, da economia à corrupção, dezenas de outros que se arrastam e alimentam a impunidade.
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O MAIS RECENTE livro de José Saramago é divertido e interessante. Li-o de uma enfiada. No entanto, quando tropecei na 4ª palavra da 9ª linha da página 227 fiquei perplexo!
Que diabo! Tratar-se-á de uma gralha?! Ou não?
Quem decifra o mistério - a troco, p. ex., de um livro policial da colecção Vampiro?
NOTA: o livro é inspirado num acontecimento verídico: a viagem, em 1551, de Lisboa a Viena, de um elefante indiano enviado por D. João III. Uma semelhante, em 1513, levou um outro elefante a Roma, ao papa Leão X, a mando de D. Manuel I. Algumas páginas da crónica escrita por Damião de Góis, que referem a segunda, podem ser lidas [aqui].

«Acontece...» - Passatempo com prémio

Por Carlos Pinto Coelho


Aqui se deixa um desafio à imaginação de cada um:

E se esta imagem simbolizasse o futuro previsível em 2009?

O passatempo, em que será premiado, com um livro, o melhor comentário, terminará às 20h do próximo dia 31.

NOTA: Esta fotografia, como todas as outras aqui afixadas em posts com o título genérico «ACONTECE...», é da autoria de CPC.

Actualização (1 Jan 09/13h25m): o júri decidiu premiar apenas 'Alex HAL', a quem se pede que, nas próximas 48h, escreva para sorumbatico@iol.pt indicando qual dos livros prefere («Ardabiola» ou «O Incêndio») e morada para envio. Obrigado a todos e Bom Ano!

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A prenda de Natal que recebi dos responsáveis pelo estacionamento em Lisboa

Ao contrário do que possa parecer, o BMW não 'vai a passar' - está apenas 'devidamente' estacionado. Quanto a mim e ao jovem do boné... lá acabámos por conseguir atravessar a rua
POUCO ANTES de tirar esta fotografia, fui à EMEL revalidar o meu dístico de residente. O anterior era gratuito e válido por 3 anos; o actual é pago, e anual. Mas tudo bem; não me importo de fazer a minha parte desde que as pessoas cujo ordenado ajudo a pagar façam a sua. Só que isso, como muito bem sabe quem conhece Lisboa, é do domínio da ficção delirante.
Por sinal, acabar com estas situações era a Promessa n.º 9 do programa de António Costa; entretanto, as coisas só não estão na mesma porque pioraram. Mas, como em tudo há um lado bom, veja-se [aqui] os magníficos prémios que a sua insensibilidade pode proporcionar - incluindo opíparas almoçaradas de lagosta, todos os meses, no Gambrinus!
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Actualização: esta fotografia, juntamente com outras não menos absurdas, está também afixada no blogue O Carmo e a Trindade [aqui], onde um leitor defende o direito de os condutores procederem assim.

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A mansarda e o jardim

Por Nuno Brederode Santos
AJOUJADOS À SERVIDÃO dos fumadores, os "meus" gerontes reúnem-se, pela manhã, na esplanada do café, porque "lá dentro" não se pode fumar. Albardam-se como os índios da reserva, mas sem direito a fogueira comunal. Falo por mim: camisola interior numa fibra mais severa que amianto, camisola lambswhool, casaco, "cachecol" e gabardina. O vento frio corta a direito, em grandes lençóis horizontais que ignoram as lentes dos óculos e libertam lágrimas indesejadas. A mão só sai da luva para brandir a chávena e, mesmo assim, o corpo treme todo, como se levado ao paredão de um pecado ou crime de que não guardo consciência nem memória. Busco refúgio na ideia de que, na véspera do Natal, haverá por certo um stock de temperança e amor pelo desvalido que me irá proteger das culpas que desconheço. E olho para os três jornais que comprei, perguntando-me quantos anos mais resistirei a trazê-los debaixo da camisola. Os vizinhos deram sumiço, acolhidos aos fogos de família do país interior, de onde só voltarão no domingo, carregados de chouriças e azeite "lá de casa". Só mesmo alguns jovens passam, eles e elas na arrogância das camisolinhas de manga curta, a lembrar-nos o que já tivemos e como nos resta merecer os aconchegos da segurança social.
(...)
Texto integral [aqui]

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27.12.08

Por bom caminho... - Passatempo com prémio

ENTRE MUITOS OUTROS, Ferreira Fernandes (em crónica publicada no DN e transcrita aqui), João Gonçalves (no Portugal dos Pequeninos - aqui e aqui) e Carlos Fiolhais (no DE RERUM NATURA - aqui) abordam o caso do jovem que ameaçou uma professora com uma pistola de plástico - um caso que até poderia passar relativamente despercebido não fora a obsessão de 'quem de direito' para "desvalorizar" assuntos deste jaez.
Mas que raio de educadores são esses, que não sabem que a tolerância cega para com os pequenos delitos é o caminho mais certo para os grandes?!
O livro cuja capa aqui se vê será enviado ao autor do melhor comentário que, acerca deste assunto, venha a ser feito até às 20h da próxima terça-feira.
Actualização (31 Dez 08): o júri decidiu atribuir o 1.º prémio a Nuno Dias da Silva e o 2.º a Ritinha". Assim, aquele vai receber o livro indicado, e esta vai receber um livro policial. Ambos têm 48h para escreverem para sorumbatico@iol.pt indicando morada para envio dos livros.

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Dito & Feito

Por José António Lima
JOSÉ SÓCRATES tem a tendência natural de qualquer primeiro-ministro para exagerar os méritos e capacidades do seu Governo. Mas, nas suas mensagens de Natal aos portugueses, a propensão para efabular a realidade começa a ultrapassar os limites do razoável. Há um ano, prometeu para 2008 maior criação de emprego e um aumento histórico do salário mínimo. A crise, as falências e a inflação a 3% não se comoveram com tais promessas. Anteontem, na mensagem natalícia para 2009, foi capaz de assegurar ao país, sem corar, que o Governo «criou as condições para que baixassem os juros à habitação da taxa Euribor». Imaginar-se-á a desempenhar o papel de Jean-Sócrates Trichet? E a descida das taxas de juro do FED para 0,25% também foi por influência sua e do seu Governo? A auto-exaltação já começa a assumir contornos de delírio preocupante.
MAS as contradições de discurso e as alterações de estado de espírito do primeiro-ministro, cada vez mais frequentes, também denotam alguma perturbação e justificam inquietação. No início de Dezembro, Sócrates apareceu a dizer, com um optimismo perplexizante, que em 2009 as famílias portuguesas «vão ganhar poder de compra como não ganhavam há muitos anos». Agora, num acesso de pessimismo repentino, surge a avisar que 2009 será o verdadeiro «Cabo das Tormentas, um ano difícil e exigente». Em que ficamos, afinal? Um ano florescente em poder de compra, mas tormentoso no que respeita ao nível de vida dos portugueses?
O IRREALISMO e a desadequação aos factos do discurso governativo têm a sua expressão máxima no Orçamento do Estado para 2009. Prevê um défice de 2,2% (que o próprio ministro das Finanças já assumiu que chegará aos 3%), um crescimento do PIB de 0,6 (que a OCDE e o FMI calculam em 0,1%, com a recessão à vista na economia portuguesa) ou um desemprego de 7,6% (quando as previsões já apontam para números acima dos 8%). Sócrates diz que é «um Orçamento sério, de contas transparentes e certas».
Tal como afirma, após a afronta política gratuita feita ao Presidente da República com o Estatuto dos Açores, que tem «com o PR uma relação institucional absolutamente impecável». Acreditamos todos. Ao que parece, Cavaco Silva tem uma opinião semelhante sobre o Orçamento para 2009. Absolutamente impecável. Só tem o pequeno problema de previsões lunáticas de receitas e despesas.
«Sol» de 27 de Dezembro de 2008

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Uma história de Natal para os meus amigos

Por Luís Bonito
Caros amigos,
Ainda não vos tinha contado uma história de Natal. Vou fazê-lo agora.
Alguns amigos já sabem que o o meu portátil avariou e foi coisa grave, sem deixar opções, mesmo a um praticante com experiência destas coisas nos pcs.
Foi blackout completo. Portátil sem acesso à bios, sem ecrã! Nada. Nichts!
Felizmente que a garantia tem 2 anos e portanto ainda estava coberto pela dita.
Depois de contactado o vendedor (uma firma tipo Worten, cá do sítio) informaram-me que podiam enviá-lo para reparação, mas que eu também podia online reportar o problema e tratar directamente com o fabricante. Talvez assim fosse mais rápido.
Logo, lá no vendedor fiz o registo da avaria online. No mesmo dia recebi um email com os documentos necessários: etiquetas para o correio expresso DHL e formulário para a reparação.
No dia seguinte, a DHL veio buscar o portátil a casa. Isto foi na 6a-feira, dia 19 de Dezembro.
Pensei que com Natal e Ano Novo isto seria coisa para durar 2 a 3 semanas.
Sou português e alentejano, n' é?
(...)
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O facto e o que é irrelevante

Por Ferreira Fernandes
LEIO UMA NOTÍCIA sobre a aula onde alunos do 11.º ano de escolaridade (tendo à volta de 16, 17 anos) apontaram uma pistola de plástico a uma professora: "Na origem deste caso (...) está um vídeo, com cerca de 30 segundos, filmado com um telemóvel, que mostra um grupo de alunos a ameaçar a professora de Psicologia com uma arma de plástico."
Eu quero fazer uma rectificação: na origem deste caso não está vídeo nenhum, como na origem da queda das Torres Gémeas não estão os filmes, que todos vimos, dos aviões a embater nelas. Na origem deste caso estão alunos a apontar uma pistola de plástico a uma professora.
Faço a rectificação também porque a presidente da Associação de Pais da Escola do Cerco, no Porto, achou necessário informar que não foram os alunos que colocaram o filme no YouTube, mas "alguém que não é amigo deles."
Eu, se fosse da Associação de Pais daquela escola, focalizaria toda a minha atenção no facto maior, aquele que é "a origem deste caso": alunos de 16, 17 anos apontarem uma pistola de plástico a uma professora.
Enquanto estes factos extraordinários forem lavados com água de malvas, continuaremos a ter estes factos extraordinários.
«DN» de 27 de Dezembro de 2008

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«Patos & Tubarões» - Passatempo com prémio

A PROPÓSITO dos recentes escândalos bancários, aqui fica, então, o anunciado passatempo «Patos & Tubarões», cujo prémio será o livro que aqui se mostra, acrescido do policial «O Crime Serve-se Frio», de Frank Gruber - uma escolha feita por motivos que dispensam explicações...
Trata-se de premiar o autor do melhor comentário que venha a ser feito até às 20h de 30 Dez 08 e que inclua as palavras Patos e Tubarões.
Cada leitor pode concorrer as vezes que quiser.
Actualização: o passatempo foi ganho por "anjac", o que, na altura, foi indicado em post à parte. No entanto, já depois de enviado o prémio à vencedora, esse outro post foi actualizado e a referência desapareceu. As minhas desculpas aos outros (e às outras) concorrentes.

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2009? O pintão

Por Antunes Ferreira
O SAFADO JÁ TEM OS PÉS para a cova. Ali, ao virar da esquina, acaba-se. Mas, tal como sempre acontece, chegará outro, a fingir de novo. Raio de coisa. O Povo diz que depois de mim virá quem bom de mim fará. Logo, as perspectivas não são lisonjeiras, muito pelo contrário. Cuidado, pois, gentes. Se até o Sócrates se deu ao cuidado de alertar os Tugas para o que aí vem – mau será. Mau? Péssimo.
Costuma ser por esta época que se faz a avaliação do velhote que esperneia. Costume que, desta feita, é difícil, senão mesmo quase impossível. É o fazes!?!?!? Mesmo sem condições, o Senhor Mário Nogueira não deixa. Porque isto de avaliações já deu o que tinha a dar, FENPROF dixit. Donde, nos estertores deste malfadado e decrépito 2008, não as há para ninguém. Quem sabe se no que se aproxima…
(...)
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De Humor Antigo - Ano 1929. Clicar na imagem para a ampliar

26.12.08

Portugal em Guantanamo

Por Joaquim Letria
PORTUGAL É MUITO POPULAR entre os presos de Guantanamo. A razão dessa popularidade reside na generosa oferta do nosso ministro dos Negócios Estrangeiros que anunciou a disponibilidade de Portugal receber alguns prisioneiros detidos há anos sob a suspeita de terrorismo.
Luísa Clive, defensora dos direitos humanos, disse que “Portugal é um lugar muito popular em Guantanamo nesta altura”. É natural que assim seja, pois muitos dos detidos, que conheciam Portugal apenas como um País de passagem a caminho da tortura e do cativeiro, passam agora a vê-lo como um destino possível.
Também é natural que o nosso ministro da Economia, com o seu optimismo, veja aqui uma oportunidade de negócio, com Portugal cheio de familiares dos detidos e a Al Qaeda a transferir fundos para bancos portugueses para pagar aos seus quadros. Os serviços prisionais até vão aprender árabe e farsi e animação cultural, para desenvolvermos esta nova actividade…
«24 Horas» de 26 de Dezembro de 2008

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A Consciência dos Médicos

Por Maria Filomena Mónica
A PARTIR DO PRÓXIMO DIA 15 DE JULHO [de 2007], os hospitais públicos com serviços de obstetrícia vão ser obrigados a realizar os abortos pedidos por mulheres grávidas até às dez semanas de gestação. Há anos que temos uma lei razoável sobre a chamada Interrupção Voluntária da Gravidez, mas nunca se aplicou porque os médicos portugueses não gostam de o fazer. O Código Disciplinar da respectiva Ordem contém mesmo uma cláusula que pune os que tal pratiquem, uma situação que só se mantém porque quem mais sofre são as mulheres de fracos recursos económicos.
No momento em que escrevo, está a ser impressa em Diário da República a portaria que regulamenta a lei aprovada após a realização do referendo do passado dia 11 de Fevereiro. Ora, que vemos? Os médicos serem repentinamente assaltados por escrúpulos morais: nos dois maiores hospitais do país, 80% dos obstetras declararam-se «objectores de consciência». Quererá isto significar que todos eles consideram que um feto de dez semanas é um ser humano? Não acredito. Nesta matéria, o meu herói é o Dr. Albino Aroso, o qual, há alguns anos, nos veio lembrar que os fetos com menos de um certo peso eram tradicionalmente tratados como lixo descartável sem que algum obstreta a tal se opusesse.
Não é apenas por uma questão de status que os médicos não fazem abortos. A propósito, vale a pena recordar o paralelismo com os dentistas. Há alguns séculos, tirar um dente era um acto praticado por barbeiros, como o aborto o era por parteiras. Ora, hoje não há dentista que se lembre do passado sombrio da sua prática, uma vez que a sua profissão é bem remunerada, o que não acontece com os obstretas dos hospitais públicos. Na minha opinião, só há um remédio para o conflito entre os médicos e a vontade da Nação: o alargamento do «números clausus» das Faculdades de Medicina. Confrontados com a ameaça de desemprego, os clínicos depressa esquecerão os seus problemas morais.
Junho de 2007

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25.12.08

Graduações da fé

Por Joaquim Letria
VOTOS DE CONTINUAÇÃO dumas boas festas! Claro que comemoramos uma data cristã, mas o espírito do Natal é universal. Há, naturalmente, graduações consoante a fé, mas todos os cristãos celebram o nascimento de Cristo.
Porém, há quem se mostre agora mais cristão do que antes. Veja-se, por exemplo, o caso de Tony Blair, o antigo primeiro-ministro inglês que só depois de ter sido corrido do Governo anunciou a sua conversão ao catolicismo.
Numa interessante entrevista à BBC, Blair disse agora que, quando era primeiro-ministro, manteve em segredo a sua fé por recear uma reacção desfavorável do povo britânico e das instituições do próprio País, onde a Rainha é a chefe natural da Igreja Anglicana, além de entender que tendo de enviar tropas para o Iraque, como católico iria contra a mensagem de João Paulo II.
Valha-nos a sinceridade de Blair. Ou a arte de bem fazer entrevistas da BBC.
«24 Horas» de 25 de Dezembro de 2008

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O PR e o Estatuto dos Açores

Por C. Barroco Esperança
VOU REPETIR, PELA ENÉSIMA VEZ, que discordo do Estatuto dos Açores, pelo alargamento das competências legislativas da Região, em detrimento da Assembleia da República, e não me conformo que o Estatuto só possa ser revisto por iniciativa autóctone.
Quem perde competências, e não devia, é a AR e não o PR. Este apenas fica obrigado a ouvir o parlamento regional antes de o dissolver o que, apesar de não fazer sentido, não limita os seus poderes. Apenas o obriga a conceder uma audiência prévia.
Dito isto, não posso deixar passar em claro a pusilanimidade de quem, tendo-se abstido ou votado a favor, acusou o PS de provocar um conflito com o Presidente da República. Não terá sido o contrário? Cavaco colocou-se a jeito e nem um só deputado o apoiou com o seu voto. Quem isolou o PR e lhe infligiu a derrota não foi a maioria parlamentar, foi a totalidade dos deputados da AR numa sessão em que não houve faltas. Nem do seu partido lhe veio um voto que o acompanhasse na desoladora solidão.
(...)
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Luz - XXXVI

Fotografias de António Barreto - APPh

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Janelas escritório Lisnave - Nestas instalações, da Margueira, em Almada, funcionavam os escritórios. Tudo está hoje abandonado. Uma parte das actividades da Lisnave transitou para a antiga Setenave, em Setúbal. Há vários anos que as autoridades nacionais e autárquicas, assim como numerosos grupos privados, estudam o que se deve fazer naqueles locais. (2006).

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24.12.08

Barney

Por Joaquim Letria
BARNEY É O CÃO DOS BUSH e foi o protagonista da mensagem filmada de Boas Festas deste último Natal que aquela família passa na Casa Branca depois de infernizar o Mundo e deixar o planeta na maior crise de que há memória na Idade Moderna, incluindo os dois conflitos mundiais.
Compreende-se que o “marketing” político tenha utilizado o cão para nos dar uma mensagem de amor e de esperança. Era o único capaz disso, lá em casa. Foi quem menos prejudicou a humanidade e quem merece um sorriso de simpatia. O resto é abaixo de cão.
Na mensagem, Barney sonha,pensa e fala e mostra-se com figurões que iam lá a casa, como o inglês Blair, agora católico pintado de fresco. Não consta que Barney tenha atirado sapatos ao pior presidente da História dos EUA. Mas que nos fique a dúvida, ou a esperança, de que tenha roído alguns, quando era cachorro, e que o próximo Natal seja melhor do que este, o que não é difícil.
Feliz Natal a todos!
«24 Horas» de 24 de Dezembro de 2008

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Memória de um Natal

Por Baptista-Bastos
FAZ AGORA ANOS. Eu era um tira-picos na Redacção de O Século. A "universidade", a "catedral", diziam uns e outros. Entre receoso e feliz olhava aqueles homens graves, que escreviam o jornal com a vaidade de quem está a retratar o mundo em corpo 8 redondo. Grandes, extraordinários jornalistas, obscuros e anónimos, que sabiam, oh, se sabiam!, que as páginas impressas eram produto dessa paixão viva como o sangue.
Eu era esgalgado, afirmativo, e queria caber naquela tribo. Por vezes, para "colorir" a notícia, atrevia-me à tolice do adjectivo. Chamavam-me logo: "O menino está a trabalhar num jornal que custa cinco tostões. Não queremos cá Malhoas!" O chefe da Redacção, Acúrsio Pereira, uma lenda da Imprensa. Pequeno, gritador emérito, comentava-se que dormia embrulhado em folhas impressas. Dividia a humanidade em jornalistas e não-jornalistas, sendo O Século a representação do seu império. O Século pertencia à família Pereira da Rosa, mas o jornal era do Acúrsio.
(...)
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23.12.08

Doutores por extenso

Por Joaquim Letria
OXALÁ SE APRENDA CIÊNCIA na Faculdade de Ciências de Lisboa , porque de ética e respeito pelos outros não se aprende grande coisa.
No passado, eram uns concursos duvidosos de que é melhor não falar. Recentemente, é a ignóbil maneira de como o Professor Galopim de Carvalho e outros antigos catedráticos são tratados e os dislates contra o Museu da Ciência. Por fim, é a miserável chantagem de usarem bolseiros como reféns. Ou a Fundação para a Ciência e Tecnologia paga, ou não há defesas de tese de doutoramento para ninguém.
Aprende-se assim que quando se não tem autoridade profissional, nem prestígio académico, nem peso político, nem postura moral, se pode usar inocentes, revelando todo o desprezo que se tem pelos doutorandos e pelo acto de investigar.
Será isto de doutores por extenso, como eles gostam, ou mais próprio de filhos da mãe, com todas as letras?! Sempre ensinam a soletrar…
«24 Horas» de 23 de Dezembro de 2008

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De Humor Antigo - Ano 1929

Ensine-me, por favor!

Por Nuno Crato
NAS ÚLTIMAS SEMANAS, tive de ir algumas vezes a uma rua esconsa do Bairro Alto. Na primeira vez que atravessei a pé o emaranhado de ruas, fiz vários erros. Fui tacteando, e só após algumas voltas dei com o lugar. Da segunda, mal confiado na minha experiência e na minha intuição de lisboeta, voltei a errar e só dei com o sítio após várias tentativas inúteis. À terceira, explicaram-me o caminho das pedras: à esquerda aqui e à direita ali. Não voltei a enganar-me.
As minhas primeiras voltas constituíram uma aprendizagem pela descoberta. Não foram muito eficazes. No final, por instrução directa, memorizei um caminho óptimo e não voltei a falhar. Talvez, se tivesse continuado a procurar às apalpadelas, tivesse conseguido encontrar esse caminho óptimo. Mas o processo teria sido muito ineficiente.
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22.12.08

A minha Bettie

Por Joaquim Letria
FAÇO AQUI ESTA CONFISSÃO, penitenciando-me dos pensamentos pecaminosos para onde aquela mulher me arrastou, na sua inocência.
Encontrava-me com ela debaixo da grande mesa da casa de jantar, em cujas traves escondia as suas fotos em dois números da revista “Beauty Parade” que roubara a um tio. Nem ela imagina os passeios que demos, o carinho com que lhe tirava o resto da roupa e a paixão com que a beijava na boca, como faziam no cinema.
Houve um grande jantar em minha casa e ao esticarem a enorme mesa para lhe acrescentarem uma tábua, descobriram o meu tesouro de fotos de Bettie Page.
Rasgaram-me as revistas, levei duas palmadas e o meu avô perguntou-me se eu queria ficar cego.
Nunca mais vi a menina do Tenessee, nem ouvi o seu doce sotaque, nem li sobre o seu mestrado e desconheci o resto da sua vida, dedicado à família e à religião. Conseguiram separar-nos até a morte trazer de volta a minha Bettie.
«24 Horas» de 22 de Dezembro de 2008

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Estas coisas que se dizem

Por Alice Vieira
- Estas coisas que se dizem…
Ela repete muitas vezes a frase, e as pessoas no café olham para ela, porque ela não pára de dizer a mesma coisa, como se precisasse de ser desculpada, porque o Natal está à porta e ninguém, no seu perfeito juízo, poderia ter dito o que ela disse.
Nos outros dias também não, claro, mas então no Natal, que todos dizem ser tempo de entendimento e de paz, tempo das crianças.
-Desculpa…- murmura baixinho – Não era isso que eu queria dizer… Compro-te um chocolate, queres?
A criança abana a cabeça, não quer chocolate, não quer nada, ou quer o que, pelos vistos, parece ser impossível, que o pai vá com ela à festa da escola . Abana a cabeça e não consegue dizer mais nada porque os seus ouvidos ainda estão cheios da frase de há bocado, tão curta mas que não vai sair tão depressa da sua cabeça, nem entende como a mãe foi capaz de a dizer.
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Malucos do Riso

Por João Paulo Guerra
O PSD começou a apresentar os candidatos às autárquicas de 2009, procurando marcar o terreno a grande distância das eleições.
E UMA das apresentações mais sonantes, capaz de animar o lúgubre cenário político português e em particular da direita portuguesa, foi certamente a do actor dos Malucos do Riso [ver, p. ex., aqui]. Em Portugal sempre se tem manifestado uma chamada “esquerda festiva”, mas a direita é quase por definição azeda, taciturna e rezingona. Mas tem excepções.
Com efeito, o candidato dos Malucos do Riso confirma uma realidade que poderia estar a cair no esquecimento após três anos de laranja amarga: a de que o PSD, quando quer, é um partido danado para a brincadeira, mesmo hilariante, dado a episódios e trapalhadas que aproximam a política mais da comédia que do drama. E nos tempos que correm, para drama bem basta a crise. Portanto, vamos à comédia.
A candidatura PSD dos Malucos do Riso é um desafio a outras forças políticas que, por regra, também não têm graça nenhuma. O desafio de pôr Portugal a rir às gargalhadas com uma verdadeira “Campanha Alegre”, “um riso imenso, trotando, como as tubas de Josué, em torno a cidadelas que decerto não perderam uma só pedra, por que as vejo ainda, direitas, mais altas, da dor torpedo lodo, estirando por cima de nós a sua sombra mimosa”, como terá dito Eça citado por Ramalho.
Espera-se pois a resposta do leque partidário. Avançando o PSD com Malucos do Riso, irá o PS recuperar a Parada da Paródia? Certo é que o desafio eleva a parada a um nível de paródia raramente vivido na política portuguesa. A grande questão é que já antes da crise Portugal era o país europeu mais endividado. Mas – esquerda e direita estarão de acordo – tristezas não pagam dívidas.
«DE» de 19 de Dezembro de 2008.
Conforme combinado com o autor da crónica, será atribuído um exemplar de Os Pândegos ao autor do melhor comentário que venha a ser feito a esta crónica até às 20h da próxima sexta-feira, dia 26.
Actualização (28 Dez 08/14h40m): um dos elementos do júri foi de opinião que o prémio deveria ser atribuído a "anjac". Por sua vez, JPG diz: «Acho que o prémio não deve ser atribuído, por uma simples razão: o texto não se referia ao candidato do PSD de Vila Franca mas ao de Lisboa. Provavelmente o problema foi meu: como alguns governos tive um problema de comunicação».
Assim, e para desempatar, o webmaster pede a "anjac" que, nas próximas 24h, escreva para sorumbatico@iol.pt indicando morada.

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O chão que nos dá o pão

Por A. M. Galopim de Carvalho
FAZENDO A TRANSIÇÃO entre o manto vivo (a vegetação) e o esqueleto mineral do substrato geológico, encontra-se o solo, escreveu em 1960, o Professor J. V. Botelho da Costa. A par da origem e evolução dos seres vivos e das transformações da paisagem devidas à erosão, a origem e evolução dos solos é entendida como um processo geológico próprio da dinâmica externa do planeta, assegurada pela energia radiante oriunda do Sol.
Na grande maioria do casos, para que se forme um solo é necessário que uma rocha exposta à superfície da Terra atinja um grau de alteração meteórica (vulgo apodrecimento), que a desagregue a ponto de permitir a ocupação vegetal e, com ela, todo um cortejo de seres vivos e de matéria orgânica.
Fala-se frequentemente de solo lunar, solo marciano mas, nestes casos, como em muitos outros da linguagem corrente, a palavra solo também quer dizer a superfície do terreno. Solo, do latim solu, significa base, suporte, fundamento, o que está de acordo com os dois sentidos que damos à palavra: o de chão, como base ou suporte material, e o de fundamento ou princípio de uma grande parte dos processos biológicos, isto é, os que têm lugar à superfície das terras emersas.
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21.12.08

OS ÚLTIMOS dois livros oferecidos pela Gradiva (de um total de oito), juntamente com um terceiro, da Terramar, são os prémios para este passatempo "Especial de Natal", promovido pelo Sorumbático em colaboração com o DE RERUM NATURA, e que decorre até às 23h do próximo dia 24 - ver [aqui].

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Tudo como dantes, nada como dantes

Por António Barreto
A TURBULÊNCIA FINANCEIRA que atravessou o mundo e está longe de se dissipar, já provocou a mais completa série de verdades definitivas e sobretudo contraditórias.
Têm de comum o disparate e a inabalável certeza dos seus autores. “Marx tinha razão”; “É o fim do capitalismo”; “Acabou a hegemonia americana”; “Nada será como dantes”; “O Estado tem de tomar conta da economia”; “Vão mudar os padrões de consumo”... Em sentido contrário, também temos: “O capitalismo vai recuperar”; “A iniciativa privada vai ultrapassar a crise”; “Vamos refundar o capitalismo”; “A crise gera novas oportunidades de negócio”; “A União Europeia vai liderar a recuperação das economias”... Sem comentários.
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Esta foto foi tirada ontem. Alguém adivinha onde?

As nossas culpas

Por Nuno Brederode Santos
SE BEM ENTENDI MIGUEL CADILHE, a coisa é esta: a Sociedade Lusa de Negócios perdeu muito com o muito que perdeu o seu Banco Português de Negócios. E este perdeu o que perdeu por má gestão, senão mesmo por gestão criminosa. Por isso – e porque o que a SLN perdeu, perderam-no os seus accionistas – o órgão estatutário máximo da sociedade, que é a sua Assembleia Geral, decidiu-se pela interposição de acções judiciais contra os titulares dos órgãos sociais (anteriores à tomada de posse de Cadilhe) “relativamente aos quais tenham sido ou venham a ser detectadas irregularidades”. Mas Cadilhe vai mais longe, sugerindo aos accionistas que interponham também acções contra o Estado, por erros, insuficiências ou culpas da supervisão da instituição.
Este é o lado jovial da crise que nos atola. Uma tribo mundial de rendidos aos prazeres da vida – e se ela os tem!... – tomou a “mão invisível” de Adam Smith, prendeu-se à letra das palavras e confundiu a ideia de um funcionamento autónomo, harmonioso e automático do mercado com a compreensível ambição de um carteirista num comboio suburbano. (...)
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Alguém decifra isto? (C. C. Feira Nova)

«Acontece» na RTP/Memória

A RTP/Canal Memória acaba de produzir dois documentários sobre o Programa «Acontece» (1994-2003).
Emissões:
1.a - Domingo, 21 Dezembro – 17h15m (Repetição: Terça-feira, dia 23 – 20h30m)
2.a - Domingo, 28 Dezembro – 17h15m (Repetição: Terça-feira, dia 30 – 20h30m)

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20.12.08

Os Jardins dos Vice-Reis: Fronteira

Por António Barreto
(...)
O LIVRO É FORMIDÁVEL pelo que nos revela. Mostra um jardim como produto de uma concepção prévia. A autora chega a falar de “jardim esculpido”, não apenas plantado. Mostra-nos como, num jardim, se descobre o seu autor e, neste, o pintor, o escultor e o arquitecto. Leva-nos pela mão, passo a passo, para nos ajudar a perceber o porquê de um bucho, de uma fonte, do arranjo das eras, do jogo de linhas visuais e da organização tanto telúrica como vegetal. A rega dos Mouros, o desenho italiano, a construção francesa, os motivos orientais e a gesta marítima cruzam-se nestes jardins, acabando por resumir metaforicamente a história e a posição de Portugal no mundo.
Mau grado as influências externas, poderosas, há traços específicos que os portugueses inventaram ou concretizaram. O uso do azulejo, por exemplo. Ou a releitura das influências mouras e orientais, muito antes da grande moda do orientalismo do século XIX ou talvez dos finais do século XVIII. Fronteira é um jardim muito mais antigo que essas modas. Precede-as de dois ou três séculos. Este facto foi para mim surpreendente. Fronteira e mais três jardins (curiosamente todos de Vice-reis) têm quatro ou mais séculos de existência, o que parece ser raro no mundo e pelo menos inesperado em Portugal.
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A impunidade dos banqueiros

Por J. L. Saldanha Sanches
A IMPUNIDADE DOS BANQUEIROS delinquentes, o bloqueio da justiça e em especial do Ministério Público e da polícia estão a gerar clima de desconfiança e de revolta, escreve Mário Soares.
Tem carradas de razão. Mas vale a pena perguntar porquê.
Recordando apenas factos recentes, ainda há pouco estava a Assembleia da República a aprovar um Código do Processo Penal destinado a tornar mais difícil prender seja quem for. Mais uma norma sobre anti-abuso responsabilidade civil do Estado e seu agentes (incluindo os magistrados que parecia ser especialmente destinada a intimidar os juízes). Notícias do bloqueio, eficientemente completado com estas duas medidas.
Foi assim conseguida a difícil tarefa de deixar a justiça ainda pior do que já estava (o que não era fácil): mesmo antes do aumento do crime violento e das derrocadas financeiras provocadas pela crise que revelam crimes.
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A crise no Chiado

Por Antunes Ferreira
É MESMO NA ESQUINA da Rua da Misericórdia com o Camões. Lá está sedeado o negócio do Senhor Muhamad. Disse-me um empregado da pastelaria que ali existe que o cidadão é do Banga não sabe quê. Ou do Bonga, como os sumos. Dada a cor da epiderme do Senhor Muhamad, o seu cabelo negro escorrido e outros dados antropomórficos, tenho para mim que o país em causa deve ser, sim, o Bangladesh.
É uma empresa indiscutivelmente comercial. E sazonal. Passo a explicar. O sujeito é o proprietário de uma carrinha de madeira, rodas tipo pneu de bicicleta, sem motor, sequer mesmo auxiliar. A energia é a do marchante, ainda que pareça não ser muita. Quiçá, a suficiente. Para ser mais exacto, do pedalante. O homem enfiou um barrete – de Pai Natal, dando origem a uma curiosa confrontação entre o vermelho e o branco do gorro e a tez morena carregada do utente.
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19.12.08

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Divertido

Por Joaquim Letria
TIVEMOS UM MINISTRO DA SAÚDE que nos pôs a nascer em ambulâncias ou no estrangeiro e foi “upgrade” por uma ministra que nos põe a morrer em helicópteros.
Não há carros médicos, nem médicos, nem enfermeiros, nem postos, nem hospitais, e o negócio das comunicações dos ex-ministros, mais a impreparação do INEM, a acrescentar à insuficiência dos bombeiros, são sérias contribuições para as nossas tristes figuras nas estatísticas internacionais.
Há ainda a possibilidade de morrermos com o INEM e os bombeiros entretidos no jogo do empurra. Foi assim que um professor morreu em Matosinhos, a 10 minutos do hospital. Mas o pior é morrermos à espera dum carro que não existe. Não seríamos os primeiros. Portugal tem 39 VMER (Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação) que não chegam para nada, principalmente quando a ministra fecha 20 SAPs (Serviços de Atendimento Permanente) duma vez. É difícil nascer, viver e morrer em Portugal. Mas com tanto palhaço, é divertido.
«24 Horas» de 19 de Dezembro de 2008

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RECENTEMENTE, a propósito da crónica em que Alice Vieira se referia a Erico Veríssimo, o Sorumbático promoveu um 'passatempo com prémio' em que desafiava os leitores a escreverem algumas palavras acerca do escritor e da sua obra.
Hoje, deixa-se aqui um desafio semelhante, acerca de Eça de Queirós:
Se o leitor tivesse de recomendar um livro do autor de Os Maias a alguém que nunca tivesse lido nada dele, qual escolheria - e porquê?
O autor da melhor resposta que seja dada até às 20h da próxima quarta-feira, dia 24, receberá um exemplar de um clássico da literatura, à escolha entre vários que, na altura, serão indicados.
Actualização (27 Dez 08 / 10h50m): foi decidido atribuir o prémio a Manuel Pessanha. Obrigado a todos!

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A Quadratura do Circo - Que mais será preciso, Manuel?

Por Pedro Barroso
HÁ MOMENTOS NA VIDA em que, mesmo que não quisermos, ascendemos a um ponto em que já somos mais do que queremos.
Há momentos em que, com efeito, significamos muito para lá do indivíduo - que tão bem conhecemos de o vermos todos os dias ao espelho, pela manhã - e temos de ser nós a avançar. E temos de dar o exemplo duma dignidade acima de nós mesmos.
Há momentos na vida em que somos a vontade que nos amarra ao leme de uma ideia, sobretudo quando um mar português conturbado se declara.
Momentos em que devemos escalar uma escarpa de confiança, mesmo que não tenhamos todo o equipamento e nos falte alguma certeza para o fazermos. Mesmo que seja à revelia do nosso próprio entendimento.
Há momentos em que a vontade tem de estar para lá de nós, num projecto de alma colectiva..Porque é necessário abanar, arejar e ajeitar as coisas. Reconverter, renovar, arriscar o grito. Porque os cinzentos ganharam e tudo mudou.
(...)
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TERMINA às 20h de hoje o passatempo «Acontece...», desta vez a propósito desta fotografia - v. [aqui] .
Actualização (20 Dez 08/12h30m): já estão anunciadoss, em "actualização", os nomes dos 3 vencedores.

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O Meu Cadáver

Por Maria Filomena Mónica
A HISTÓRIA MOSTRA que o uso dos cadáveres é uma questão delicada. Nem é preciso ir tão longe quanto o Egipto do faraó Ptolomeu I para disso termos consciência: basta lembrar o que aconteceu em 1846, quando Costa Cabral legislou sobre enterros, levando o Minho a revoltar-se e o país a uma guerra civil. Importa ainda recordar que, durante séculos, a utilização de cadáveres para experiências médicas foi proibida. No século XVIII, optou-se por usar os corpos dos criminosos executados para dissecação, mas com a proliferação de escolas de Medicina, verificou-se uma falta crónica de material. Nessa altura, ninguém doava o corpo para a Ciência, uma vez que as massas populares, devotas, acreditavam na ressurreição corpórea literal.
Não é fácil determinar o momento preciso em que alguém morre: será quando o coração deixa de bater ou quanto o cérebro paralisa? Só em 1968, depois de os médicos terem determinado que a morte residia no cérebro, os legisladores e os juízes americanos aceitaram o conceito de morte cerebral. Foi então que o coma irreversível se tornou na linha que separa a vida da morte, um facto que abriu as portas à doação de órgãos. O assunto é, como se vê, polémico.
Excepto entre nós. Há cerca de quinze anos, optou-se, em Portugal, pelo princípio do «consentimento presumido», ou seja, o Estado decretou que, ao invés do que sucede nos países de tradição liberal, os cadáveres lhe pertencem. Não gosto da lei por muitas razões, sendo que a principal é o facto de me retirar a possibilidade de ser solidária, uma vez que gostaria de espontaneamente doar os meus órgãos. Como de costume, o Estado preferiu desconfiar de nós. Mais uma razão para lhe pagarmos na mesma moeda. Acabo de fazer o trabalho de casa. Eis o que descobri: em 2006, dos 42 hospitais acreditados para recolha de órgãos, apenas 22 o fizeram; os outros não se deram à maçada. Em suma, não foram os cidadãos a faltar à chamada, mas o poder político.
Junho de 2007

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18.12.08

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Coitado do Rumsfeld…

Por Joaquim Letria
OS SENADO DE WASHINGTON diz que os culpados das torturas, de Abu Ghraib e de Guantanamo são Rumsfeld, o antigo secretário da Defesa, e o general Richard Myers, conselheiro da Casa Branca. De W. Bush, que assinou as leis, permitiu e apadrinhou as vergonhas que Obama procurará, em princípio, desfazer, nem se fala.
O facto de W. Bush ter decretado que os suspeitos de terrorismo estão fora das regras da Convenção de Genebra nem é referido, nem o reconhecimento do recurso à tortura e as violações dos Direitos Humanos nos próprios Estados Unidos.
Recordo-me de políticos e militares de Washington estudarem o filme “A Batalha de Argel”. Ignorava que fosse para estudarem as torturas que Henri Alleg descreve no seu magnífico livro sobre a luta de libertação argelina.
Bush não será julgado pelos crimes que cometeu. Podem os portugueses que o ajudaram, e ele promoveu, ficar descansados. Coitados do Myers e do Rumsfeld…
«24 Horas» de 18 de Dezembro de 2008

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Muleta

Por João Paulo Guerra
O dr. Pedro Passos Coelho acaba de dizer aquilo que eu ando a escrever nesta coluna há meses.
COM UMA DIFERENÇA: o dr. Passos Coelho põe a questão no tempo condicional e eu escrevo no pretérito perfeito e no presente. O dr. Passos Coelho diz “Se…”. Eu escrevo “Já foi… e é”. E falamos de quê? Ora ainda bem que me fazem essa pergunta.
Falamos do espaço do PSD que o PS ocupou, escrevo eu, ou que ocupará se…, escreve o dr. Passos Coelho. “Se o PSD não assumir uma agenda reformista que seja verdadeira alternativa aos socialistas, coloca-se à mercê do PS, não passando de uma muleta deste”, diz o dr. Pedro Passos Coelho. A verdade é que o PS já ocupou o espaço, a agenda, o programa de governo, algumas referências e até aliados do PSD. E que o PSD se tem limitado a ver passar os comboios com os líderes apeados que regressam a penates por falta de material para se assumirem como oposição. O dr. Passos Coelho, aliás, talvez espere ver passar num desses comboios a dra. Manuela Ferreira Leite, que lhe conquistou a liderança do PSD e que parece não saber agora o que fazer com ela.
Mas seria interessante saber o que faria o dr. Passos Coelho como líder da oposição, com o PS a governar no espaço do PSD. Certamente faria melhor do que todos aqueles que não têm conseguido fazer nada. Porque a verdade é que não há nada para fazer no PSD, quando o PS, no governo, faz tudo o que caberia fazer à direita ou, como diz o dr. Passos Coelho, a “uma agenda reformista”. Na revista da política à portuguesa, o PS faz de ‘compère’, dando sequência ao espectáculo, e o PSD de “discípula”. E o que é a “discípula” em relação ao ‘compère’? Uma muleta: dá as deixas para o ‘compère’ brilhar e apaga-se discretamente no momento dos aplausos. Cai o pano.
«DE» de 18 de Dezembro de 2008

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DE VEZ EM QUANDO, embora muito raramente, acontece que os livros aqui atribuídos - no seguimento de passatempos com prémio - não são reclamados por quem os ganha.
Ora, e como há males que vêm por bem, sucedeu isso mesmo com este, da autoria de Joviana Benedito, que agora aparece como prémio para o melhor comentário que venha a ser feito, até às 20h do próximo domingo, à crónica «O execrável 'stôr'» - ver [aqui].
Actualização (21 Dez 08 / 20h17m): foi decidido atribuir o prémio a António Viriato, a quem se pede que, nas próximas 48h, escreva para sorumbatico@iol.pt indicando morada para envio. Obrigado a todos!

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Manuel Alegre e o PS

Por C. Barroco Esperança
NO PERÍODO DE PROFUNDA INCERTEZA económica e previsíveis confrontos sociais o pior que pode acontecer ao país é a paralisação do Governo graças à fragmentação do PS.
É perigoso cavalgar a onda do descontentamento sem projectos políticos alternativos, alimentando ressentimentos em clima de instabilidade social e na ausência de recursos para corresponder a expectativas criadas.
Se a crise tivesse outra origem, a direita estaria a capitalizar o descontentamento. Assim, perante a falência do neoliberalismo, vieram parar à esquerda as esperanças e angústias de parte significativa do eleitorado, como mostram as sondagens. Temo que o PCP, o BE, a Refundação Comunista e os dissidentes do PS, com fortes divergências entre si, unidos apenas por sólidos rancores, em vez de serem alternativa ao PS, por ausência de programa comum e de modelo credível, possam tornar-se aliados objectivos da direita.
(...)
Texto integral [aqui]

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Luz - XXXV

Fotografias de António Barreto - APPh
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Outra vista da vinha dos Cardenhos, na quinta do Crasto. (2007).

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17.12.08

Sapatada

Por João Paulo Guerra
Não conheço o Código Deontológico, o Regulamento da Carteira Profissional e o Regulamento Disciplinar dos Jornalistas do Iraque e assim não sei se atirar sapatos aos conferencistas, durante as conferências de imprensa, faz parte do rol de direitos dos plumitivos da nova Mesopotâmia.
O QUE SEI é que Muntadar al-Zeidi se transformou, de um dia para o outro, num herói de Bagdad e de grande parte do mundo árabe. E é justo que haja um herói jornalista na região do mundo onde mais jornalistas têm morrido nos últimos anos.
O acto pelo qual al-Zeidi se tornou uma figura pública foi atirar a George W. Bush o que tinha mais à mão: não apenas um, mas os dois sapatos. E a verdade é que a destreza manifestada pelo já quase ex-presidente americano mostrou que Bush está habituado a esquivar-se, de sapatos ou de outros meios de expressão usados para mostrar o apreço em que a sua administração é tida no mundo. Mas com a paranóia securitária que vai pelo mundo, não faltará que o acesso a actos públicos passe a ser reservado a pés descalços, para evitar que o arremesso de sapatos, chancas, sandálias, galochas, tamancos ou botifarras, venha a ser um novo meio de expressão política. Sinal dos tempos: dantes os protestos eram de luva branca, agora desceram ao nível do chinelo.
E de facto sabe-se lá que estrago, directo, colateral ou mesmo dano amigo, poderá causar um sapato, ou quem diz um sapato diz uma chuteira ou uma bota cardada? Calhando, eram deste calibre as armas de destruição maciça que tantas e tão iluminadas criaturas viram, ou julgam ter visto, ou ouviram dizer que existiam no Iraque. Com efeito, se toda a questão do Iraque foi abordada e tratada com os pés, porque razão não haveria de acabar à sapatada?
«DE» de 17 de Dezembro de 2008
NOTA (CMR): Um dos muitos vídeos que mostram a referida cena pode ser visto [aqui]

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SUGERE-SE, a quem se deparar com o n.º 666666 no site-meter, que faça um print-screen e envie a imagem para sorumbatico@iol.pt.
Actualização: o número (que agora aqui se afixa) foi obtido por Neusa do Vale que vai receber, como lembrança, um livro - como é habitual nestes casos.

Dizer bem

Por Joaquim Letria
O GOVERNO MARCOU PONTOS, quer se queira quer não, quer se goste, quer não.
Sócrates tem a mania, deixa-se dominar por uma arrogância pouco adulta, tem alguns ministros execráveis e é apoiado por uma cambada que inferniza a vida a gente séria e na qual as pessoas de valor procuram não dar nas vistas.
Também é verdade que tem feito asneiras condenáveis e cometido dislates reprováveis que bem lhes pode custar a maioria absoluta. Mas ao anunciar a próxima concretização da determinação europeia de combater a crise económica, o Governo esteve bem.
O plano económico anunciado pelo primeiro-ministro vai na direcção correcta. Privilegia o emprego, valoriza o investimento, procura melhorar as exportações. O fisco é que fica longe de ajudar o possível. Mas isso é próprio de quem nunca trabalhou com o seu dinheiro e só arriscou o dos outros. De qualquer modo, podia ser pior. Há que reconhecer e dizer bem.
«24 Horas» de 17 de Dezembro de 2008

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Uma Questão de Esquerda e de Direita

Rua Frei Amador Arrais
Av. dos EUA
Av. de Roma
Av. João XXI
COMPREENDE-SE a agitação que por aí vai com o anúncio da candidatura de Santana Lopes a Lisboa porque esse facto permite tirar conclusões acerca do que se passa no PSD. Do lado da esquerda, também reina alguma agitação por causa da 'colagem' de Sá Fernandes ao PS e a António Costa.
Tudo bem; mas falemos de coisas concretas, e tentemos, p. ex., responder à seguinte questão - bastante apropriada para um passatempo com prémio:
Quais, destas fotos, foram tiradas quando a CML era gerida pela "direita" e quais o foram em tempos de "esquerda"?
Cada leitor poderá dar uma única resposta. O primeiro que 'acertar' receberá um exemplar do clássico «Cidade Escaldante», de Chester Himes. Boa sorte!
Actualização (18h06m): o passatempo terminou, ver comentário das 17h12m. Atenção à correcção das 19h28m.

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