31.10.09

«Os 40 anos da Internet» - Passatempo-relâmpago de 1 Nov 09

COMEMOROU-SE, na semana que agora finda, o 40.º aniversário da Internet. Não pretendendo ficar de fora das festividades, o Sorumbático associa-se a elas atribuindo um exemplar deste livro a quem souber dizer o seu título e nome do/a autor/a.

Atenção, no entanto, ao seguinte: embora o passatempo possa progredir por fases, com letras a pedido, a resposta final (a que dará direito ao prémio) deverá ser dada a uma hora tal que pelo menos 3 dos seus 4 algarismos sejam "UNS" ou "ZEROS". Os comentários só serão possíveis a partir de um determinado momento-surpresa que ocorrerá durante a manhã de domingo.

Actualização: a resposta certa já foi dada, às 11h51m, como se pode confirmar [aqui].

Abaixo o Ruído!

Por Maria Filomena Mónica

A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE considera que o limite de ruído ambiental a partir do qual começam a existir efeitos nocivos para os seres humanos é de 55 decibéis. Vários estudos demonstraram recentemente que metade dos portugueses está exposta a estes níveis de barulho, sendo o trânsito a sua principal fonte, mas não é deste factor que desejo falar mas do tipo de ruído que nos cerca sem que lhe prestemos atenção.

Hoje, raro é o restaurante onde, enquanto almoço, não tenha de suportar música de fundo; não há antecâmara de consultório médico, onde não seja forçada a conviver com doentes falando ao telemóvel; (...)

Texto integral [aqui]

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Remédio santo...

CONTA-SE que o Capitão Cook, conhecedor das virtudes dos citrinos no combate ao terrível escorbuto, ordenou aos seus marinheiros que os consumissem - o que, por serem desagradáveis ao paladar, provocou grande contestação.
Simplesmente, como ele era também um bom conhecedor da natureza humana, pouco depois decretou que as frutas existentes a bordo seriam apenas para os oficiais. Seguiu-se o que ele esperava: uma revolta da tripulação, exigindo o fim desse privilégio!
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Transpondo esta pequena estória para os dias de hoje: é bem possível que o estabelecimento de grupos prioritários para serem vacinados contra a Gripe A venha a ter o efeito do «também quero!» sobre muitas pessoas que, à partida, a recusariam...

A Face Descoberta

Por Antunes Ferreira

DIZ-SE POR AÍ que este País já não tem ponta por que se lhe pegue; outros, um tanto mais radicais, afirmam mesmo que Portugal já não tem remédio. E citam-se exemplos os mais diversos para justificar tais afirmações. Que, como bastas vezes por aqui, não têm face, são fruto desse diz-se de que nós, Portugueses, tanto gostamos e que utilizamos por dá cá aquela palha. É uma das faces nacionais. A outra reside na maneira de respondermos a um simples «como vais?»

De há muito adoptámos o assim, assim. Enquanto por esse Mundo fora, as pessoas andam bem ou andam mal, frontalmente, nós refugiamo-nos nessa vaga referência, que, de resto, não se confina ao eterno assim, assim, antes se reveste de outras fórmulas: nem tanto ao mar, nem tanto à terra, antes assim do que pelo contrário, vai-se indo como se pode, etc. (...)

Texto integral [aqui]

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Lembram-se do PMB?
TERMINA às 20h de hoje o passatempo que pretende premiar o melhor comentário que venha a ser feito ao tema «os comerciantes passam a estar autorizados a taxar os pagamentos feitos com cartões» - v. [aqui]. Actualização: já está indicada, em "actualização", a decisão do júri.

30.10.09

Os atributos do professor

Por Joaquim Letria

UMA NOITE DESTAS liguei a televisão e fiquei fascinado a ver um artista falar como o professor Bambo, ou o Dr. Pemba, a dizer a duas meninas que vem aí uma vacina que é uma maravilha. O cavalheiro irritava-se quando lhe perguntavam alguma coisa e não disse nada do síndroma de Guillain/Barré, mas não perde pela demora, porque vamos ouvir falar muito desta doença.

Fiquei tão fascinado pelos atributos do homem que descobri que o cavalheiro é um poço sem fundo. Imaginem só que me garantiram que ele pode solucionar-nos problemas como os de dinheiro preso nas mãos de outros, partilhas por resolver, problemas no tribunal, desemprego, negócios que andam mal e dívidas.

Mas o Professor não se fica por aqui. Soluciona também esfriamentos sexuais, vícios e filhos desunidos, falta de concentração e desânimos, esgotamentos constantes e pensamentos suicidas. É um homem para todas as ocasiões. Trata de doenças, cura a falta de apetite, atende aumentos ou perdas de peso, pára a queda de cabelo e faz desaparecer os inchaços no corpo.

Não sei quem possa o homem ser. Mas tenho a certeza que dava um excelente director-geral de saúde ou um bom bastonário da Ordem dos Médicos. Ou ficava bem a fazer uma série de 13 programas para a RTP2. Estão a ver o género?

«24 horas» de 30 de Outubro de 2009

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Corrupção – sempre mais

Por Alfredo Barroso

DEPOIS DE LER o que revelam vários jornais sobre a dimensão da «rede tentacular» alegadamente montada por um sucateiro multimilionário, para conseguir ser favorecido na adjudicação dos «negócios» que o enriquecem, sou levado a concluir que, apesar da idade que tenho, continuo a ser demasiado ingénuo: ainda me escandalizo e surpreendo com as proporções que podem atingir a venalidade e a corrupção de certos políticos de meia-tigela e de certos empresários de alto coturno, cuja promiscuidade repugna.

Claro que são todos inocentes até se provar (e se se provar) o contrário. Mas, se partirmos do princípio de que a PJ e o MP não andam a urdir conspirações e cabalas de tal dimensão e tanto detalhe, confirma-se a ideia de que a ganância não tem limites, isto é: quem tudo vai tendo e obtendo, nunca estará satisfeito e há-de querer sempre mais.

NOTAS (CMR): a foto é a que ilustra a notícia no Público online.
Este e outros textos de A.B. estão também afixados no seu blogue Traço Grosso.

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Passatempo-relâmpago de 30 Out 09

COMO já se percebeu, este passatempo (que começará num momento-surpresa) consistirá em identificar o título deste livro, bem assim como o nome do(a) respectivo(a) autor(a). No entanto, como, à custa de dicas, as soluções acabam sempre por surgir, haverá, no fim, algo mais que será preciso fazer para receber o prémio - que, como é natural, será um exemplar da mesma obra.
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Actualização-1: a 1ª fase terminou, com a resposta certa dada às 9h33m. Ver [aqui]. 2ª fase: entrar no blogue DE RERUM NATURA, procurar um post lá afixado recentemente, e indicar, no texto seguinte, qual a data em [....]: «Excerto de um texto do escritor Fialho de Almeida, escrito em [....]». Actualização-2: a resposta certa foi dada às 9h55m, como se pode ver [aqui]. Assim, o livro vai ser enviado a Carluz.

29.10.09

SMS: PQP!

Por Joaquim Letria

SE UM FULANO MANDAR OUTRO, que o despede por SMS, para a “pata que o pôs”, é para onde se deve mandar quem despede por telemóvel. Na Qimonda, a maior empresa de exportação portuguesa que Deus tem, foi assim que agora despediram 455 trabalhadores. Aos restantes, mandaram-nos ver o “site” da empresa para saberem se foram premiados.

Lembram-se quando cá veio o presidente da Qimonda dizer “Esqueçam, não há hipótese nenhuma, vamos lá tratar das indemnizações e fechar o negócio”? Meteu-se nisto o nosso querido governo e o então ministro da Economia, o Pinho dos corninhos, disse que ia trabalhar numa solução. Parece que o Pinho não fez mais nada do que jurar trabalho à Qimonda e aos mineiros de Aljustrel. Uns e outros entregues aos bichos.

Logo a seguir às eleições lá resolveram a Qimonda. Já podiam, então, acabar com a tortura psicológica que a guerra da mentira criou a uma empresa que no princípio do ano de 2009 tinha 2000 trabalhadores.

Entretanto, a Qimonda falou com os funcionários que quer manter em “lay-off” mais seis meses.Os não contactados podem calcular que vão ser despedidos.
É uma lotaria com terminação garantida. Como na Opel . Nomes daqueles a dispensar. Como as listas dos números premiados da Misericórdia.

«24 horas» de29 de Outubro de 2009

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Foi actualizado o arquivo Humor Antigo - Ano de 1939
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OS MAIS velhinhos recordar-se-ão de que, quando a televisão apareceu, as pessoas iam a casa umas das outras para a ver. Alguns anos antes, sucedera o mesmo com a rádio. Uma outra anedota sobre o mesmo tema pode ser vista [aqui].

O Governo menor

Por António Barreto

ESTAVA NOS LIVROS. E nas estrelas, não necessariamente nas de bom agoiro. O governo será minoritário. O PS, seu único responsável, sempre sonhou com este dispositivo. É verdade que prefere ser maioritário, mas, desta maneira, pode oscilar e tentar demonstrar que é a “charneira” do sistema.

Os socialistas sempre encararam com enorme dificuldade a hipótese de um governo de coligação (ou de apoio parlamentar) com o PCP. Há quase quarenta anos que esta exclusão vigora com força de lei. Com duas consequências. A primeira: é uma espécie de seguro de vida da direita. A segunda: ajuda a reforçar o papel central do PS. Esta foi uma das razões que levaram o PS a forjar uma Constituição e uma tradição favoráveis aos governos minoritários. (...)

Texto integral [aqui]

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Saramago e os nossos elbonianos - Passatempo com prémio

Dilbert de visita à terra dos elbonianos
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NA «QUADRATURA DO CÍRCULO» da semana passada abordou-se a polémica gerada pelo mais recente livro de Saramago. Lobo Xavier deu o tom, bem ao estilo português:
«Não o li, não o tenciono ler, mas acho que (...)».
Em seguida, disse alguns lugares-comuns (que, como todos os lugares-comuns, estavam correctíssimos), e juntou algumas palavras sobre o conteúdo do livro (que, como não o leu, não poderiam ser muito acertadas...). Pacheco Pereira e Francisco Assis (manifestamente nas mesmas condições) foram mais cautelosos e ficaram-se pelos lugares-comuns: «o que Saramago diz não é nada de novo, a Bíblia não é para ser levada à letra, a liberdade de expressão é sagrada, etc & tal».
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Ora, em toda esta polémica, parece-me que há uma certa confusão: por um lado, o livro propriamente dito. Por outro, as declarações que o autor fez, em intervenções e entrevistas. Mas o certo é que em breve já ninguém se lembrará destas (repare-se como a discussão tem vindo a morrer), enquanto, ao invés, aquele ficará - independentemente da sua qualidade.

Tendo isso em conta, o desafio que hoje aqui se coloca é o seguinte: dado que não faltam espaços (até neste blogue) para discutir as declarações de Saramago, que tal dedicar este post, exclusivamente, ao livro propriamente dito?

Assim, neste passatempo (de duração maior do que o habitual, pois só terminará às 20h de 5 Nov 09), só serão tidos em conta (para efeitos de prémio) os comentários feitos por quem já tenha lido a obra (ou, pelo menos, parte dela). As capas dos livros-prémio podem ser vistas [aqui]. NOTA: Quem não tenha conta Google/G-Mail poderá enviar os seus comentários para sorumbatico@iol.pt até às 16h de 5 Nov 09.
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Actualização 1- (5 Nov 09 / 20h39m): o prémio é atribuído a Manolo Heredia, que tem agora 24h para escrever para premiosdepassatempos@iol.pt, indicando qual dos livros prefere e morada para envio.
Actualização 2- (8 Nov 09/ 10h40m): decorridas mais de 60h sobre a sua atribuição, o prémio continua a não ser reclamado por quem o ganhou, pelo que vai ser sorteado entre os leitores - ver [aqui].

Saramago, a fé e a liberdade

Por C. Barroco Esperança

A SACRALIZAÇÃO sacralização das crenças é uma forma de totalitarismo que serve de pretexto para amordaçar convicções diferentes e impor a lei do mais forte. Nos países onde funciona a democracia há quem tente os constrangimentos sociais para limitar a liberdade.

A recente polémica em torno do último livro de José Saramago deve fazer-nos reflectir sobre a fé e a liberdade. Que a um crente seja proibido interrogar-se sobre a crença que abraçou é um direito da sua Igreja, mas cabe ao Estado laico garantir-lhe a liberdade de mudar ou, simplesmente, de a abandonar. É aqui que reside a diferença entre teocracias e democracias. A apostasia, crime gravíssimo nos estados confessionais, é um direito inalienável nos estados laicos. (...)

Texto integral [aqui]

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28.10.09

Para descontrair um pouco

ESTA RODA, segura com 3 porcas apenas, recordou-me uma velha anedota. Alguém a quer relembrar aqui, pois decerto haverá quem a não conheça?

A fuga das sardinhas

Por Joaquim Letria

AS MUDANÇAS DO CLIMA estão a roubar-nos os paladares. Se deixarmos de apanhar anchovas no estuário do Guadiana, lá se acabam as “pizzas” e os canapés mais gostosos. Mas, mais preocupante, pode ser a emigração das sardinhas, que os biólogos garantem estar a trocar as nossas águas por outras mais a Norte, onde reencontram a temperatura correcta para a sobrevivência da espécie.

Outra prova da subida da temperatura das nossas águas marítimas reside no aparecimento de colónias de espécies que viajam de paragens exóticas no lastro de navios e aqui se adaptam à temperatura actual da água atlântica onde não sobreviviam antes, quando esta era mais fria. Assim acontece com moluscos que viajaram agarrados aos cascos de navios que nos demandam, provenientes de paragens longínquas, e aqui sobrevivem e se multiplicam em números assinaláveis.

Para além das douradas e robalos de aviário que nos mercados nos impingem, estes peixes multiplicaram-se de tal modo que chegam a surpreender os pescadores desportivos do estuário do Tejo. O biólogo marinho Talhadas dos Santos não tem dúvidas de que a nossa pesca vai ser uma arte diferente em poucos anos. E o nosso paladar, também. Tudo por causa do mar estar a aquecer.

«24 horas» de 28 de Outubro de 2009

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«O que "axa" da taxa?» - Passatempo com prémio

INICIALMENTE, a ideia era apenas chamar a atenção para a gralha (entretanto corrigida - coisa rara!), mas "axo" que o assunto se presta a um passatempo que premeie o melhor comentário que venha a ser feito sobre o tema «os comerciantes passam a estar autorizados a taxar os pagamentos feitos com cartões»
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Assim, e até às 20h de 31 Out 09 (*), sábado, cada leitor poderá concorrer com quantos comentários quiser, sendo os prémios exemplares de Dinheiro Negro (de Ross MacDonald, ed. Visão) e O Caso do Cheque Fatídico (de E. Stanley Gardner, ed. Livros do Brasil).

NOTA: afixaram-se, em comentário, algumas dicas relacionadas com o assunto. A ideia subjacente a elas é que estamos perante um retrocesso. Será? Quem não tenha conta G-Mail poderá enviar os seus comentários para sorumbatico@iol.pt até 30 minutos antes da hora-limite.
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Actualização (31 Out 09/21h41m) - A decisão do júri está afixada no comentário das 21h39m

As luzes e a mariposa

Por Baptista-Bastos

O BOM GOVERNO é aquele cuja acção se não sente. O axioma é bom; mas é um equívoco. Todos os Governos têm a mão pesada; logo, não há Governos bons. Sobretudo para a arraia-miúda. E é esta miuçalha que ainda gosta dos que com ela se preocupam. Acredito que a função da escrita reside nesta modesta epítome. Levo tantos anos de batucar prosa que se desenvolveu fortemente em mim algumas induções rudimentares. Por exemplo: os Governos são todos iguais, com as ligeiras diferenças nascidas dos voos dos seus hábitos. Pragmáticos, dizem. A definição mais acabada de indiferença para com os laços sociais.

Este, agora, é uma mariposa encandeada pelas luzes das câmaras de televisão. Viu-se a esfuziante alegria dos "novos" ministros, limpos e asseados, na passarela da Ajuda, e os grupinhos dos excluídos, ligeiramente acabrunhados, a fazer contraste. (...)

Texto integral [aqui]

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27.10.09

O uísque nasceu nas pirâmides?

Por Ferreira Fernandes

WALTER SCOTT (1771-1832) foi o pai do romance histórico. Se vai aí a palavra "histórico", com todo o respeito pelos factos, vai também "romance", coisa de invenções que podem fervilhar se acontecem na cabeça de um romântico. Escocês até no nome, Scott voltou a repor como moda o kilt, as saias dos escoceses que perduram até hoje. Pensou-se que teria menos sucesso com a lenda que contou em História da Escócia, onde inventou com belos pormenores o encontro medieval de oito condes e 31 barões escoceses que, em manifesto, disseram que a nação escocesa descendia de Scota, filha de faraó.

Todos os povos gostam de pescar longe as suas origens. A Inglaterra pretendia ser filha dilecta da Grécia Antiga e, vai daí, a Escócia de Walter Scott atirou-lhe com o Egipto ainda mais antigo. A lenda ficou entre as brumas, onde se dá bem, até domingo passado.

O egípcio Mohamed Al-Fayed - o dono do londrino Harrod's e pai de Dodi, o companheiro trágico de Lady Di - deu uma entrevista ao Sunday Times. Al-Fayed candidatou-se a presidente duma Escócia independente, com o pretexto a tal teoria da geminação histórica egípcia-escocesa.

Se aparecer uma garrafa de uísque em forma de pirâmide a vender-se nos saldos do Harrod's, a campanha está em marcha.

«DN» de 27 de Outubro de 2009

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Passatempo Calimero de 27 Out 09


ESTE desafio destina-se, de início, apenas aos leitores que não tenham ganho nada nos passatempos que aqui foram propostos desde 27 de Setembro p.p:
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O LIVRO cuja capa se vê à direita é, ao mesmo tempo, pretexto e prémio para este passatempo, pois está em causa saber se o dado está bem representado. A resposta não deverá ser apenas sim ou não, estando a questão colocada com mais clareza [aqui].
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Act.-1: para se poder decidir se a resposta dada por 'Carluz' está certa, pede-se aos leitores que vejam as imagens que se mostram [aqui]. Act.-2: v. o comentário das 15h09m, que parece encerrar o problema - como pode ser confirmado [aqui]. Act.-3: Resultado: v. comentários das 17h54m e das 18h25m.

Craques em falta

Por Joaquim Letria

O DR. MARÇAL GRILO disse em Coimbra, num debate, que é aos pais a quem cabe estabelecer os limites na educação. O antigo ministro da Educação, reconhecido por muitos como um dos melhores titulares daquela pasta, declarou considerar que “os pais são verdadeiramente os responsáveis pela educação dos filhos, não é a escola”.

Marçal Grilo explicou: ”Os pais não dão aulas, mas dão o exemplo e são referências e, principalmente, estabelecem os limites, e isso é o fundamental na educação”.E acrescentou: “o país precisa imenso dos professores” porque estes têm responsabilidades acrescidas no conhecimento e na formação dos alunos, mas é aos pais que cabe estabelecer os limites na educação. ”O país precisa imenso dos professores, educadores, não pode desperdiçá-los, porque têm um papel essencial no apoio aos pais, no ensinar e no dar asas para as crianças e os jovens poderem voar”.

Por seu turno, o Dr. Laborinho Lúcio, antigo e prestigiado ministro da Justiça, manifestou-se no mesmo encontro sobre a Educação como sendo um defensor da “autoridade e da disciplina” na escola, mas como um direito dos alunos e não como “o poder da escola. Precisamos de fazer alguma inversão nesse domínio”, adiantou.

Uma pena termos craques em falta a assistirem às asneiras dos outros.

«24 horas» de 27 de Outubro de 2009

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Vantagens da concorrência

Na A1, no sábado passado (entre Sacavém e a saída para Torres Novas)

26.10.09

O narcisismo de Matosinhos

Por Joaquim Letria

MUITA GENTE DO NORTE, para lá de Matosinhos, está triste e revoltada com o processo de expulsão de Narciso Miranda que o aparelho do Porto do Partido Socialista lhe está a montar. É gente que se lembra do papel determinante do emblemático militante e autarca, a quem a democracia tem dívidas por pagar, Matosinhos tem contas a saldar.

Sabe-se das irregularidades praticadas pelos mandantes regionais e conhecem-se as violações cometidas aos próprios estatutos, invocados para defenestrar o velho militante. Conhecedores do espírito de quem manipula o processo em marcha, cientes do espírito vingativo e do gosto subserviente de alguns, ciosos de apresentar serviço ao Chefe, muitos matosinhenses, em particular os socialistas, pedem uma palavra de Sócrates. Mas bem podem esperar sentados…

O próprio Narciso Miranda por diversas vezes pediu a Sócrates: "Meu caro secretário-geral, diga uma palavra sobre isto! ”Mas o silêncio do chefe é pesado.

Narciso Miranda era um democrata ainda na ditadura. E em democracia muito se expôs e lutou pela qualidade de vida em Matosinhos e pelo bem-estar da sua população.

Durante a travessia do deserto de Narciso, Matosinhos perdeu para Sesimbra o lugar de principal porto piscatório do País.

«24 horas» de 26 de Outubro de 2009

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Passatempo-relâmpago de 26 Out 09

O QUE AQUI se lê são as primeiras palavras de uma receita culinária intercalada num famoso livro policial (o resto pode ser lido aqui). O desafio consiste em dizer qual o nome do autor e o título do livro mas - atenção! - uma coisa de cada vez, para que possa haver duas fases e, portanto, dois prémios (a atribuir a leitores diferentes). Estes serão, respectivamente, um exemplar do livro em causa e um de receitas culinárias.

1ª fase: Qual o nome do autor? Actualização (18h24m): a resposta certa (Manuel Vásquez Montalbán) foi dada por 'Dana_Treller'.

2ª fase: Qual o título do livro em causa?
Actualização (18h29m): a resposta certa (Os Mares do Sul) foi dada por 'Nunormg.'

Como em cima se diz "respectivamente", 'Danna' vai receber um exemplar do livro em causa
e 'Nunormg' vai receber o de receitas.

Só nos faltava mais esta!

Por Maria Filomena Mónica

AO LONGO DOS SÉCULOS, enquanto o adultério feminino era fortemente criticado, o masculino era visto com tolerância, uma posição tanto mais cómica quanto era muitas vezes acompanhada da tese de que as mulheres não tinham prazer na cama, ou, alternativamente, como dizia Proudhon, que haveria dois tipos de mulher, a esposa e a prostituta. Do orgasmo, não queria saber a primeira; a segunda não pensava noutra coisa.

Depois que, em 1970, Germaine Greer publicou The Female Eunuch, o prazer feminino foi afirmado à exaustão. Assustados com tal possibilidade, os homens encolheram. A sua reacção, quer na versão simples quer na recalcada, foi sobretudo visível no macho latino, a que o género português pertence. (...)

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PARA ADQUIRIR um exemplar do livro Contos Anarquistas (ver aqui), autografado pelo autor, bastará enviar um e-mail para maestro.pb'at'gmail.com com indicação de nome e morada. O preço, incluindo portes (para Continente, Açores e Madeira), é de €10. O pagamento será feito, posteriormente, por transferência bancária.

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«Dito & Feito»

Por José António Lima

O PSD TORNOU-SE UM PARTIDO errático e em roda livre. Em poucos dias, vimos dois vice-presidentes da actual e agonizante direcção, Aguiar Branco e Paulo Mota Pinto entrarem em confronto público sobre o preenchimento do cargo de líder parlamentar, com Aguiar Branco a antecipar-se e a ocupar o terreno. Assistimos à inacreditável renúncia de Deus Pinheiro ao mandato de deputado para o qual acabara de ser eleito como cabeça-de-lista por Braga, em sobranceiro desrespeito e menosprezo pelos que o elegeram, pelo prestígio do Parlamento e pela imagem de seriedade do seu partido (depois dos casos António Preto e Helena Lopes da Costa, foi mais uma machadada na tão propalada política de verdade e rectidão de Manuela Ferreira Leite). E fomos, ainda, confrontados com o disparatado fundamentalismo nacionalista e religioso de um eurodeputado do PSD, à margem de qualquer espírito de tolerância social-democrata, a embarcar na promoção involuntária do último livro de Saramago (...)

Texto integral [aqui]

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“Você” na TV

Por A. M. Galopim de Carvalho

TALVEZ, PARA ALGUNS, eu esteja antiquado, o que não admira tendo em conta que percorri o século XX, desde o começo dos anos trinta, e já levo de vencida a primeira década do XXI. Quarenta anos de intenso e muito próximo convívio com gente nova, na Universidade, entre dez e doze mil alunos, arrastaram-me com eles nos caminhos da modernidade, pelo que me conforta acreditar que guardei alguma juventude no que diz respeito ao modo de pensar e agir. Devo acrescentar que meio século de vivência na capital não apagaram as minhas raízes alentejanas.

Não trato por você nem as pessoas mais velhas do que eu nem aquelas que não conheço, tenham elas a idade e a condição sociocultural que tiverem. Foi esta educação que eu e muitos portugueses da minha geração recebemos em casa e na sociedade que nos viu crescer. (...)

Texto integral [aqui]

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Elogio ao grande jornalismo

Por Ferreira Fernandes

HÁ DIAS, CRITIQUEI critiquei uma reportagem do El País. Um jornalista entrara, sozinho, no Morro dos Macacos, favela violenta do Rio de Janeiro. Um polícia tentou dissuadi-lo, ele não ligou, foi morro dentro. Bandidos saíram-lhe ao encontro. Mal os viu (palavras do jornalista), pôs-se de joelhos e a tremer. Foi exclusivamente isso, o seu estado de alma aterrorizada, que narrou na reportagem, intitulada "Jornalista, não tremas que se quiséssemos matar-te já estavas morto". Não lhe critiquei o medo, mas a inépcia.

Ontem, o El País voltou a tratar das favelas, desta vez a sério, numa reportagem de bons repórteres. Bernardo Gutiérrez escreve sobre a violência do Rio ouvindo especialistas que sabem e anónimos que vivem o que se relata. Texto informado e culto, ilustrado (oh quanto!) com fotos do português João Pina, de 29 anos.
Pina esteve em reportagem nas favelas do Rio, em Setembro, para a revista americana New Yorker (trabalho que o El País comprou). Fotografou bandidos a posar com M16 a tiracolo e a jogar matraquilhos sem largar as automáticas FN. Uma convivência que pressupõe um trabalho longo de convencimento - nos antípodas do jornalismo para títulos sensacionais.
Ver, no mesmo palco, o grande jornalismo derrotar o medíocre foi um prazer.

«DN» de 26 de Outubro de 2009

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25.10.09

Noites de Galileu

Por Nuno Crato

EM TODO O MUNDO, entre as noites da passada quinta e a de hoje, muitos milhares ou mesmo milhões de olhos estiveram virados para o céu, numa das mais espectaculares realizações deste Ano Internacional da Astronomia.
Esperemos que hoje, finalmente, não chova e que possamos juntar-nos aos cidadãos de todo o mundo que estão a replicar as observações que Galileu fez há 400 anos. (...)

Texto integral [aqui]

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A crise acabou!

Por António Barreto

“O SOL E O REI não se olham de frente”! Esta frase é atribuída a Luís XIV, o Rei Sol. Não sei se é verdade ou não. Mas a frase encerra conteúdos inesperados. Não se olha, porquê? Queima? Mata? Cega? Deve então fazer-se o quê? Curvar a cabeça? Olhar para o chão? Fechar os olhos? Enterrar a cabeça na areia? Obedecer? Verdade é que os sentimentos que esta frase provoca não são necessariamente os melhores. Medo em vez de curiosidade. Subserviência em vez de respeito.

Qualquer destas consequências tem efeitos medonhos. Não se pode satisfazer a curiosidade. Não é possível resistir, olhar de frente ou reagir. Nem ficar dignamente de cabeça levantada. (...)

Texto integral [aqui]

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TERMINA às 20h de hoje o passatempo relacionado com o livro «Caim», de J. Saramago. Há uma parte de sorte, e uma outra para quem - pelo menos - puder folhear o livro. Ao contrário do que se possa pensar, esta é a mais fácil... - v. [aqui].

«Faca na Liga»

Deitar o estádio abaixo

Por Joaquim Letria

EM AVEIRO há quem pense, a sério, em deitar abaixo o estádio vazio da cidade que Guterres mandou construir entre os 10 que edificou para o campeonato Europeu de Futebol, gastando, ao todo, cerca de 400 milhões de euros.
O estádio de Aveiro, que custou mais de 40 milhões de euros, tal como todos os outros, exige que gastem com ele cerca de 20 milhões de euros todos os anos, o que é incomportável para o orçamento da cidade que suporta o estádio municipal. O poder político socialista de então obrigou o clube aveirense Beira Mar a abandonar o seu estádio Mário Duarte para passar a jogar no Estádio agora ameaçado, onde cerca de 800 a 2500 espectadores se juntam para ver cada jogo do seu clube em casa. Uma vereadora do PSD agora eleita nestas últimas autárquicas já falou em mandar proceder à implosão do estádio que ninguém quer. (...)

Texto integral [aqui]

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Passatempo-relâmpago de 25 Out 09

Av. Roma - Lisboa - 21 Out 09
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O 'RICO-SERVIÇO' que se vê em primeiro plano (alguém duvida que um chimpanzé amestrado faria melhor?) faz lembrar um jogo antigo, com botões, chamado «a pulga». Alguém sabe porquê?

NOTAS: Acerca deste assunto, ver um outro aspecto do problema [aqui]. Para escolher o(s) prémio(s) para este passatempo, procuraram-se livros cujos títulos estivessem, tanto quanto possível, relacionados com o assunto (acabam por funcionar como 'dicas', mas não faz mal...). São eles: O Caso do Brinquedo Mortífero (de S. Gardner) e Morte em Roma (de H. Howard).

Actualização (25 Out 09/21h00m): o passatempo terminou. Ver comentário das 20h59m.

24.10.09

O Psicólogo

Por Alice Vieira

HÁ MUITO TEMPO que não via a Lurdes, minha antiga colega de faculdade.
Daí a gargalhada de ambas quando esbarrámos no café, e lá abancámos diante de uma bica, a pôr a vida em dia.
Saltaram as fotografias da carteira, e o relato fatal das gracinhas infantis.
É então que ela me diz, apontando para a cara risonha do seu neto de três anos, “este até já anda no psicólogo”.
Eu fiquei sem saber o que dizer, tanto mais que a Lurdes falara com um indisfarçável orgulho na voz, assim como se dissesse, “este já anda no judo e é cinturão negro”.
Que eu soubesse não tinha havido revolução de maior na vida da criança, nem pais separados, nem um novo irmão, nem nenhum morto, mas a Lurdes, com um sorriso condescendente, lá explicou que o recurso ao psicólogo se devia ao facto de a criança ir entrar agora pela primeira vez para a escola infantil: “ eventualmente poderá haver um problema de rejeição da escola, e é preciso tratar.” (...)

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Foi actualizado o blogue-arquivo Humor Antigo
Ano de 1939

Entre a Igreja e Saramago - escolho o Bento

Por Antunes Ferreira

ENTRE A IGREJA E SARAMAGO – escolho o Bento. Um momento, por favor: não me estou a referir a Sua Santidade, mas ao Paulo, que dizem treinador do meu clube, o Sporting.

O Caim, figura bíblica desde há muito desprestigiada, por obra e pena do Nobel, voltou às bocas do Mundo, das quais, apesar da sua péssima fama, se tinha ausentado por motivos que não vêm ao caso. Permito-me, ainda assim, uma pequena adenda: os cidadãos, sabe-se lá por que bulas, deixaram de olhar para os Testamentos. Daí, quiçá, em boa parte, esta constatação.

Não é que não se continue a citar o caso do mau irmão – famigerado fratricida lhe chamam alguns mais eruditos ou apessoados – e até mesmo se contem anedotas e se tenham feito versos brejeiros sobre a figura. O pobre Abel, além da sua eliminação, nunca teve a dimensão do irmão maldito. Sempre tem vindo a ser considerado bom, mas simultaneamente o malfadado da cena. (...)

Texto integral [aqui]

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23.10.09

Os azares delas

Por Joaquim Letria

QUANDO EU ERA JOVEM, o aborto era um recurso. Passava-se a vida às escondidas, ela a fazer contas de cabeça para os tais dias bons, ele com o credo na boca, não se tivesse ela enganado. Comprar camisinhas era tão difícil como arranjar estreptomicina sem receita, os preservativos davam a sensibilidade dum pneu Michelin e era um cansaço a chegada da felicidade com ambos a gritarem ”tira, tira!”.

Nesse tempo, o medo era a procriação. Não havia SIDA e as blenorragias não costumavam frequentar as meninas de família. ”Estou grávida, preciso que me pagues um aborto”, diziam elas assustadas, o que era feito apressadamente, mal e porcamente, numa “mulher de virtude”, porque senão vinha a gravidez e era casamento obrigatório ou, noutras circunstâncias, drama de faca e alguidar, antes da inevitável chegada dum anjinho sem culpa dos apetites dos papás de ocasião.

Estes factos adensam a minha estupefacção ao saber, pela Direcção Geral de Saúde, que hoje, em Portugal, há mais de 20 mil mulheres que todos os anos fazem um aborto. Uma médica amiga explicou-me que isto acontece por falta de educação, não por falta de informação. As mulheres sabem tudo, mas queixam-se de azar porque o médico de família receita um aborto, se for preciso. O que é muito diferente dos recursos do tempo em que eu era jovem, em que nem havia pílula do dia seguinte. Hoje, o aborto é uma espécie de joker que sai frequentemente.

«24 horas» de 22 de Outubro de 2009

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INICIOU-SE a afixação, no blogue-arquivo Humor Antigo, do material disponível correspondente ao Ano de 1939- ver [aqui].

«A Quadratura do Circo»

O estranho caso do Presidente gagá

Por Pedro Barroso

OS ASSESSORES NÃO PARAVAM de entrar e sair de forma agitada. Os corredores da Presidência manifestavam uma movimentação tensa e invulgar com os protagonistas a entreolharem-se incomodados.
A intervenção presidencial não fora grande coisa, com efeito. Mais; fora prolixa, repetitiva e ambígua, deixando todos desconfortáveis.
O boato instalara-se - e havia que desfazê-lo de raiz…- de que o Presidente estivesse diminuído no seu entendimento, desse ouvidos a quem não merecia, inventasse perseguições e se dissesse e desdissesse em declarações, embrulhado em justificações absurdas.

Sim; que diabo.
Ele era o Presidente de toda a Nação.
Não tinha que justificar-se, nem lançar suspeitas. Nem sobre as suas fontes de informação, nem sobre a sua capacidade de superar as gafes cometidas pelo seu staff.
Nem sequer dar azo a que declarações vindas da Presidência constituíssem dados mal entendidos pelos jornalistas sobre a própria justeza e precisão das suas palavras.

Zangado com a sua entourage, diz-se que decidiu ele próprio elaborar o discurso, e que apenas foi corrigida uma por outra irregularidade ortográfica que lhe tivesse escapado.
Posto isto, satisfeito que ficou com o seu labor de vários dias, convocou toda a Imprensa e de forma muito clara, apesar da voz trôpega da idade não o ajudar muito, esclareceu qualquer coisa como isto:

Esta nota da Presidência destina-se a notificar a Imprensa.
A Imprensa procurou ultimamente explorar uma nota da Presidência para dar a entender que agimos com má fé ou preconceito contra quem quer que fosse.
Com efeito, aparentemente, não foram dezasseis Barragens que inaugurei este ano, mas dezassete. Não quis de todo ofender ninguém, especialmente a última barragem, que em meu entender, já tendo sido por mim visitada, não era propriamente a última, sendo no entanto mais uma das que visitei, num total de dezassete.
Algumas barragens foram visitadas duas vezes, pelo menos, mas outras ainda mais vezes, o que iria perfazer, feitas as contas, mais de uma vintena.
Contudo, como a penúltima já tinha sido visitada aquando da primeira pedra, não a considerei na altura, pois afinal já fora considerada. No fundo, a décima sexta é portanto a décima sétima, ou antes, a décima sétima é, mais precisamente, a décima sexta.
Só espíritos muito obstinados em não perceber é que insistem em não perceber aquilo que é perfeitamente compreensível, incluindo alguns jornalistas que puseram na minha boca ou na de algum dos meus colaboradores aquilo que nunca se disse.
Passou, com efeito, a informação de que eu inaugurara a décima sexta barragem, tal como referi, alias, no meu discurso, onde, no entanto, facilmente se perceberia que eu queria dizer décima sétima.
A bem da Nação, presta-se este esclarecimento, para que tudo fique esclarecido e nenhuma barragem se sinta diminuída na sua importância.

Era o princípio do fim. Nos idos de setenta, a coisa foi bazófia durante meses.
O Presidente estava efectivamente gagá.
Estórias da História, claro. Nada mais.

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TERMINOU às 20h o passatempo que se propunha premiar, com um exemplar de «Bichos» (de Miguel Torga), o melhor comentário feito à recente portaria que regulamenta o uso de animais nos circos - ver a decisão do júri em 'actualização' - [aqui].

22.10.09

Regras claras

Por Joaquim Letria

FALEI DA NOSSA ÚNICA universidade a aparecer, à tangente, entre as melhores 400 do mundo, o que aumentou o movimento da minha caixa postal. Mas se falar aqui do ensino superior pode ser importante, dar atenção ao ensino médio é importantíssimo.

A nossa escola pública melhor classificada, com 50 provas realizadas, chama-se “Aurélia de Sousa” e é do Porto. A sua directora, Delfina Rodrigues, está orgulhosa pelos resultados obtidos num ano difícil de obras e transições.”Não há aprendizagem sem trabalho regular, esforço e disciplina”, lembra esta professora, ao mesmo tempo que garante que “para cumprir a sua função, uma escola tem de ter regras de funcionamento muito claras e apelar ao rigor, o que pode ser feito com firmeza e afabilidade.”

Os pais também reconhecem:”as notas internas são as notas que eles conseguem nos exames, mais coisa, menos coisa. E uma vez na universidade estão muito mais preparados para aprenderem e tirarem os cursos”. Uma aluna recém chegada explica:”Não estava habituada a estudar. Na minha outra escola não era preciso. A gente chorava um bocadinho e davam-nos nota positiva”.

Pois é! Sem alunos aplicados e bons professores nas escolas médias não há universidades que resistam, por mais que nelas se invista.

«24 horas» de 21 de Outubro de 2009

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Luz - LXXVIII

Fotografias de António Barreto- APPh

Socalcos, vinha e muros
No Douro, perto da Régua, no princípio do Verão, com as folhas verdes da vinha em pleno crescimento. São socalcos antigos, feitos em “pedra seca”. (1979).

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Conselho

Por João Paulo Guerra

Um jornal de referência convidou Santana Lopes para escrever sobre o processo de formação de um governo. Em boa hora o fez e em melhor Santana Lopes aceitou o convite por várias ordens de razões:

1.º PORQUE SANTANA LOPES aparece pouco, o que priva os portugueses de gozar a reflexão de um dos mais destacados filhos da classe política nacional. Desde a noite das autárquicas, em que deambulou rua abaixo, rua acima à porta da sede da candidatura, sempre com as televisões na peugada, Santana Lopes só voltou a falar uma dúzia de vezes para não dizer se vai exercer ou não o mandato de vereador.

2.º Porque Santana Lopes é uma consumada autoridade em matéria de formação de governos. Formou um e tanto bastou para se tornar inesquecível, como foi possível apreciar uma noite destas no Gato Fedorento perante uma antológica edição de sketches com a formação e apresentação do Governo Santana Lopes.

3.º Porque o pensamento de Santana Lopes é um dos maiores vazios na cultura política dos portugueses e não é porque o autor não se esforce por aparecer e dizer coisas. É porque a comunicação nem sempre funciona e os portugueses em geral têm mais que fazer.

4.º Porque, entre outras preciosidades, Santana Lopes dá a José Sócrates um conselho de grande sabedoria, retirado da sua experiência como secretário de Estado do Governo minoritário de Cavaco Silva em 1985-1987: “O traço essencial desse Governo não foi o diálogo mas sim a determinação”.

É assim: o homem pensa, escreve, fala e faz-se luz. Foi preciso Santana Lopes escrever para se entender a génese do tal Governo para dois anos com que sonham e de que falam as oposições. Dois anos ou menos. No exemplo citado, com muita determinação e nada de diálogo, não passou de 18 meses.

«DE» de 21 de Outubro de 2009

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Irão – O ataque aos Guardas da Revolução

Por C. Barroco Esperança

POR QUE MOTIVO não senti a mínima pena ou o mais leve desgosto pelo atentado contra a elite militar de Teerão? Como Guerra Junqueiro, perante o regicídio, “lamento de olhos enxutos a execução” e há, nesta citação contida, uma dissimulação porque senti no feito impiedoso, na demência suicida dos algozes, a execução de uma sentença.

Não vou ao ponto de sentir aquela euforia imbecil que percorreu a rua islâmica quando as Torres de Nova York foram derrubadas. Não sinto aquele regozijo fanático com que na Idade Média se assistia ao churrasco dos hereges ou, ainda agora, nas teocracias se delira com a lapidação de uma adúltera, mas aceito que os agentes do terror teocrático mereçam prematuramente as setenta virgens que os suicidas lhes destinaram, apesar da minha aversão à pena de morte. (...)

Texto integral [aqui]

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21.10.09

«Caim» - Passatempo com prémios


COMO SE DEPREENDE pelos títulos destes livros, foi a mais recente obra de José Saramago que deu origem a este passatempo, em que os leitores são desafiados a adivinhar quantos gramas indica a balança (um número de 4 dígitos, que aqui temporariamente se ocultou). Cada leitor poderá dar uma única resposta.
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Em alternativa, poderão responder à seguinte questão dupla: nas páginas 84 e 123 de «Caim» há, logo nas primeiras linhas, pequenas gralhas (ambas de uma letra). Em que consistem elas?
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O passatempo terminará às 20h do próximo dia 25. Os prémios serão exemplares dos livros que aqui se mostram, mas o conjunto de três volumes de «Histórias das Religiões» só será atribuído como prémio da 1ª fase, e desde que o erro não seja superior a 30 gramas.
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Desafio suplementar (independente dos anteriores): identificar o tema de uma famosa discussão bizantina que vem referida na pág. 17 de «Caim» (20ª linha e seguintes). O prémio, a atribuir a quem primeiro der a resposta certa, será um exemplar de «O Agente de Bizâncio», da Argonauta.

Actualização (25 Out 09/20h05m): ver soluções [aqui]

A Europa das desigualdades

Por Baptista-Bastos

O QUE RESTA da "Europa Social" está a ser destruído, com implacável persistência. Mas, pergunto-me: alguma vez houve "Europa Social", ou tudo não passou de um sonho, alimentado por mentiras, ilusões e fraudes? E cada um dos europeus sabe, rigorosamente, em que consiste a União?
A ideia era boa. No entanto, todos sabemos que a bondade não possui um escalão elevado nos escalões constitutivos da condição humana. Os fundadores alimentavam em si muito de poetas; porém, as estruturas delineadas para a "construção europeia" já continham, difusas, embora, na retórica dos discursos, o princípio de que as nações não eram iguais. (...)

Texto integral [aqui]

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Convite

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Obesos e esfomeados

Por Joaquim Letria

DEVEM TER DADO PELOS FESTEJOS do Dia Mundial da Alimentação na passada sexta-feira, 16 de Outubro. Se a situação não fosse tão trágica, estes festejos dariam vontade de rir. A crise alimentar de 2007 e 2008 foi agravada pela actual crise económica e financeira, o que se está a traduzir numa trágica situação de fome no mundo, que este ano alcançou o número histórico de mais de mil milhões de seres humanos a viverem em situação de fome crónica.

Por outro lado, os programas de ajuda alimentar e a ajuda social diminuiram drasticamente, reduzindo significativamente o acesso aos alimentos dos grupos em situação mais desprotegida. A fome passou a ser a mercadoria dos novos negreiros e de algumas ONG. É um longo processo originado por múltiplas causas, desde o acesso à terra e à água, passando pelas catástrofes naturais e pelos fenómenos climáticos, até alcançar outras não menos importantes como o comércio, a energia, a corrupção, o consumo e a invalidez social.

Depois duma década de fracasso continuado nas políticas supostamente contra a fome, seria necessária uma resposta mais séria e eficaz ao problema, desde logo com o reconhecimento de que a alimentação é um direito humano que deveria ser universal e inviolável. Mas nada nos estimula a acreditar nisso. Na passada sexta-feira, dia mundial da alimentação, a preocupação de políticos, médicos e jornalistas foi a existência no mundo de mil e cem milhões de obesos…
«24 horas» de 21 de Outubro de 2009

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Uma solução 'equilibrada'

A PROIBIÇÃO do uso de animais amestrados nos circos portugueses fez-me lembrar a anedota do jovem que, tendo acabado os seus estudos universitários, se viu irremediavelmente lançado no desemprego.

A certa altura, e já em desespero de causa, lembrou-se de procurar trabalho num circo, onde o empresário lhe disse que, por acaso, estava vago o lugar do equilibrista no arame. E ele lá aceitou, acabando por aprender a difícil arte, após praticar intensivamente, com inúmeras quedas à mistura.
Porém, quando já se sentia apto a actuar em público, foi confrontado com nova surpresa:
entusiasmado com os seus progressos, o empresário introduzira uma exigência: o número teria de ser feito por cima de um grupo de leões esfaimados!

Aterrado com a ideia, mas vendo-se sem escolha possível, o infeliz licenciado fez das tripas coração e aceitou mais esse desafio. Contudo, no dia da estreia, o nervosismo venceu-o a meio do trajecto... e acabou por cair, redondo e com grande estrépito, bem no meio das feras!

E estava já ele, de olhos fechados, a encomendar a alma ao Criador, quando um dos leões se aproximou de mansinho e lhe sussurrou ao ouvido:

- Não tenhas medo, pá, que isto é tudo colegas de curso!

Pobreza

Por João Paulo Guerra
Vá lá que o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza calhou este ano a um sábado. Ao fim-de-semana, com muito mais que fazer que nos chamados dias úteis, passa mais despercebido e incomoda menos as pessoas o falatório sobre indicadores desagradáveis como sejam:
A PREVALÊNCIA DE 18 POR CENTO de pobres (isto é, com rendimentos inferiores a 406 euros mensais) entre a população pobreza; uma tendência acentuada para o agravamento da situação; o facto da grande maioria dos pobres se encontrar em plena idade activa; o facto dos idosos, crianças e jovens constituírem os grupos etários com maior taxa de risco de pobreza; os dados sobre a instituição da desigualdade em Portugal que revelam que 20 por cento da população com maior rendimento recebeu, em 2008, mais de 6 vezes o rendimento dos 20 por cento da população com o rendimento mais baixo; o facto de todos estes dados serem anteriores aos mais recentes e dramáticos indicadores sobre o desemprego em Portugal.

Mas enfim, o fim-de-semana já lá vai, indicadores leva-os o vento e bem basta que alguém se tenha lembrado de timbrar 2010 como o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Para o ano as pessoas dão conta da evolução dos dados, eventualmente dizem-se preocupadas mas, com a crise, há que continuar a fazer sacrifícios. Além disso, para o ano há eleições em Tonga, Catar, Guiné Equatorial, Brasil, Filipinas mas não em Portugal. E as eleições, como toda a gente sabe, são a quadra propícia para dar largas aos instintos filantrópicos dos políticos quanto aos pobrezinhos. De maneira que em função da crise, e perante o quadro político, os pobrezinhos não têm mais que fazer a não ser cumprir o seu destino: tenham paciência.
«DE» de 20 de Outubro de 2009

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20.10.09

Primeiros-ministros e sucessores

Por Joaquim Letria

TEMOS UM NOVO, simpático e dialogante primeiro-ministro indigitado que vem substituir o outro arrogante que aturámos durante quatro anos. Ainda bem. Eu gosto muito deste primeiro–ministro e, aqui para nós, não gostava nada do outro.

É importante um primeiro–ministro assim, humilde, simpático e determinado, como este novo chefe de governo indigitado. Ainda bem que houve eleições e os eleitores puderam mudar as personalidades que estavam no governo. Possibilitaram uma mudança de personalidades, que é sempre boa na condução dos negócios públicos. Esta mudança é muito boa para quem sai, farto de nós, e é óptima para quem fica, como nós, fartos deles e muito felizes de os ver pelas costas.

O nosso simpático e novo primeiro-ministro tem uma herança muito pesada e nada fácil, depois de quatro anos daquele governo horrível e da arrogância do seu antecessor. Toda uma prática e uma política que o indigitado chefe do governo terá grandes dificuldades em contrariar, contornar ou, mesmo, fazer desaparecer.

Resta ver se o nosso regresso às urnas, que muitos vaticinam para relativamente dentro de pouco tempo, terá como resultado a confirmação ou a escolha doutro simpático e dialogante primeiro–ministro. Ou se o descalabro arrastará o regresso do seu antecessor, para mais uma dose de arrogância, incompetência e intolerância. Há quem adore o “quero, posso e mando”.

«24 horas» de 20 de Outubro de 2009

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Relembrando o conto 'Miura' - Passatempo com prémio

O 'SORUMBÁTICO' premiará (com um exemplar de «Bichos», de Torga) o melhor comentário que venha a ser feito relativamente a este assunto (e não necessariamente a esta notícia), desde que também seja abordado o espectáculo das touradas, nomeadamente as 'de morte', em Barrancos - que o Estado Português, por iniciativa de um Presidente da República, tornou legais.

Se for caso disso, poderá até haver dois prémios: um para quem concorde com a nova portaria, e outro para quem dela discorde. Cada leitor poderá concorrer com quantos comentários quiser. O passatempo (desta vez com júri) terminará às 20h do próximo dia 23.

Actualização (23 Out 09/20h46m): O júri decidiu atribuir o prémio a 'Calmeida' (livro «Bichos«) e um outro, suplementar, a 'R. da Cunha' (livro-surpresa). Têm ambos 24h para escreverem para premiosdepassatempos@iol.pt indicando morada para envio.

Cepticismo saudável

Por Nuno Crato

A UNIVERSIDADE COLUMBIA, em Nova Iorque, uma das melhores e mais antigas universidades norte-americanas, lançou há já alguns anos um programa de formação científica para professores do ensino secundário.
É um projecto ambicioso, que aceita apenas 10 a 13 professores por ano, seleccionados entre os muitos candidatos. Paga-lhes cerca de quatro mil euros por Verão e oferece-lhes várias regalias, tais como viagens para participação em conferências, dinheiro para materiais de laboratório e acesso às bases de dados da universidade. No total, os custos por professor ascendem a quase vinte mil euros. (...)

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19.10.09

Passatempo Calimero de 20 Out 09

ESTE DESAFIO destina-se, de início, apenas aos leitores que não tenham ganho nada nos passatempos que aqui foram propostos desde 20 de Setembro p.p. No entanto, se a resposta demorar a surgir, a participação será aberta a todos - depois de uma 'actualização', onde isso venha a ser indicado.
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A questão é dupla: «Qual o título do livro cuja capa aqui se vê?» e «qual o nome do político português (muito criticado, ultimamente) que pratica o desporto referido nesse mesmo título?».
Cada leitor poderá dar uma única resposta. O prémio será um exemplar da mesma obra.

Actualização (11h01m): o leitor Paulo, que está nas condições referidas, deu ambas as respostas certas (embora usando a tradução que a editora ASA escolheu para «Murder on the Links», e que parece ser mais correcta do que a do Círculo de Leitores - ver ambas [aqui]).

«Dito & Feito»

Por José António Lima

SANTANA LOPES queixou-se da transferência de milhares de votos da CDU para o PS, entre os boletins para a eleição das freguesias e os boletins para a escolha do presidente da Câmara, como uma das principais causas para a sua derrota em Lisboa.
É verdade que quase 15 mil eleitores da CDU e mais de 5 mil do BE votaram nos seus partidos para as juntas de freguesia e, ao mesmo tempo, em António Costa na lista para a Câmara. E que, curiosa e coincidentemente, Santana perdeu Lisboa para Costa por menos de 15 mil votos. (...)

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Passatempo-relâmpago de 19 Out 09

UM DETERMINADO acontecimento de que muito se tem falado levou a 'convocar' este dois senhores para um passatempo-relâmpago que terá duas fases. Cada leitor poderá dar apenas uma resposta. Quem ganhar a 1ª fase não deverá concorrer à 2ª.
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1ª fase: quem são eles? Actualização (15h08m): a resposta certa já foi dada.

2ª fase: «Quer o trabalho de um, quer o do outro, sempre estiveram ligados a animais - ver [aqui]. Será que Walt Disney, se fosse vivo, seria
autorizado a continuar a explorar o Pato Donald, o Rato Mickey, e restante bicharada?» Pergunta-se: de que é que estamos a falar quando colocamos essa questão? Actualização (16h10m): o passatempo terminou. Os prémios serão livros de BD (de Walt Disney, evidentemente!)

Uma só universidade

Por Joaquim Letria

PORTUGAL TEM UMA ÚNICA universidade entre as melhores 400 do mundo. É a Universidade de Coimbra, a terceira do universo lusófono, depois das universidades de São Paulo e de Campinas, no Brasil. A Universidade de Coimbra conseguiu ainda subir de 387.º para o 366.º lugar.

Nesta classificação, reconhecida em todo o mundo, a Universidade de Coimbra fica em sexto lugar entre as universidades da península ibérica. Mais nenhuma outra universidade portuguesa mereceu ser escolhida pela sua excelência e pela qualidade do seu ensino.

Professores de Coimbra congratulam-se com este resultado e atribuem o desaparecimento das outras universidades portuguesas “aos cortes do Estado nas finanças do ensino superior”, o que alguns professores estrangeiros não aceitam como razão essencial para a perda de qualidade das universidades portuguesas. Alguns deles proferem mesmo grandes elogios à qualidade da gestão do ministro Mariano Gago.

Henrique Madeira, vice-reitor da Universidade de Coimbra, diz que Coimbra tem conseguido contrariar essa tendência, ainda que não explique como. Universidades britânicas e americanas ocupam os primeiros lugares deste “ranking” e vá lá, mesmo no fundo da tabela sempre temos Coimbra para amostra e satisfação dos doutores e engenheiros.

«24 horas» de 19 de Outubro de 2009

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A «exuberância irracional» está de volta

Por Alfredo Barroso

O JORNAL 24 HORAS noticiava dia 17, em primeira página, que três dos magnatas mais ricos de Portugal já recuperaram boa parte das fortunas que terão perdido com o crash mundial provocado pela falência do Lehman Brothers, em Setembro de 2008.

As quantias obscenas que esses multimilionários lusitanos recuperaram, em meia dúzia de meses de subidas consecutivas na bolsa, e sem levantarem os seus riquíssimos rabos das cadeiras do poder económico e financeiro que detêm, reflectem bem o clima de euforia que voltou a instalar-se artificialmente, com o súbito regresso dos mercados financeiros à «exuberância irracional» de que falava Alan Greenspan há poucos anos.

Poucos dias antes, a 14, em Wall Street, já o índice Dow Jones tinha quebrado a «barreira psicológica» dos 10.000 pontos, confirmando que está a afluir, de novo, muito dinheiro às bolsas de todo o mundo. Dinheiro esse que, infelizmente, não significa mais investimento produtivo criador de empregos e gerador de rendimentos. Pelo contrário, é dinheiro que se destina a inflacionar artificiosamente o valor dos activos já existentes e que apenas aumenta a riqueza de quem possui e de quem transacciona esses activos.

A revista Visão também noticiava há poucos dias que, «desde o início de 2009, o principal índice da Bolsa de Lisboa já subiu quase 40 % e, em relação a Março, quando bateu no fundo, os ganhos elevam-se a cerca de 55 %». Será que os milionários portugueses que estão a recuperar o que perderam vão investir na criação de empregos? Será que um desses milionários vai readmitir os 193 trabalhadores que já despediu?

O regresso da especulação financeira desenfreada, que esteve na origem da crise brutal que ainda estamos a atravessar em todo o mundo, significa que o «capitalismo de casino» está de volta. E o mais escandaloso é que foram gastos milhares de milhões em dinheiros públicos, não só para voltar a estimular a economia, mas também para evitar a bancarrota de inúmeras instituições financeiras privadas. E aquilo a que estamos agora a assistir é uma vergonha: enquanto as grandes fortunas, produto da especulação bolsista, estão a reconstituir-se rapidamente, o desemprego continua a crescer em todo o lado.

O G-20 aprovou uma óptima agenda reformista, mas a verdade é que tarda em reformar as grandes instituições financeiras internacionais e em impor novas regras que permitam um regulação mais rigorosa e eficaz dos fluxos financeiros a nível mundial. Quando acordar será tarde. A exuberância irracional já tomou conta disto outra vez.
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NOTA (CMR): antes de ser afixada no Sorumbático, esta crónica foi-o no blogue do autor, o Traço Grosso, onde recebeu um interessante comentário de Miguel Serras Pereira - ver [aqui].

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"Descida aos Infernos"

Por A. M. Galopim de Carvalho

SEMPRE QUE UMA ROCHA da superfície terrestre, em equilíbrio com as condições ambientais (temperatura, pressão atmosférica relativamente baixas), se afunda na crosta, como se descesse aos infernos, os seus minerais ficam instáveis face aos consequentes aumentos da pressão e da temperatura, dando origem a outros, compatíveis com os novos ambientes.
Neste processo, a rocha em causa, seja ela de que tipo for, sofre uma transformação a que os geólogos chamam metamorfismo (do grego meta, transformação, e morphe, forma) e passa a ser considerada como rocha metamórfica. Porém, se essa descida atingir zonas onde a temperatura ultrapasse os 800º C, condição que determina a fusão, ainda que parcial, da rocha, entra-se no domínio do magmatismo.
(...)

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18.10.09

O País de duas caras

Por António Barreto

EM 2009, TUDO PARECE correr mal. A crise económica e financeira é tremenda. A crise social cresce. A esperança e as expectativas estão no mais baixo. Emprego, consumo, bem-estar e projectos para o futuro: nada é seguro. Os pais receiam pelo futuro dos filhos. Os adultos fazem às contas antecipadas às reformas. Com três eleições seguidas, a situação não se apresenta favorável. Maldição? Pouca sorte? Quase apetece recorrer a causas irracionais! Ou será imperícia e auto-suficiência? Ou um pouco de tudo?

Em 2005, tudo parecia auspicioso. A deserção de Guterres, a fuga de Durão Barroso e o episódio Santana Lopes tinham deixado uma sensação desagradável, que se terá talvez traduzido numa votação excepcional no Partido Socialista e em José Sócrates. Uma maioria inédita foi a recompensa inesperada e ainda imerecida que o novo Primeiro-ministro recebeu de um eleitorado cuja principal vontade era a de castigar outros. Tudo lhe corria de feição. As estrelas brilhavam... (...)

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17.10.09

Passatempo-relâmpago de 17-18 Out 09

POR UM LADO, compreende-se a ideia de José Sócrates de convidar todos os partidos para eventuais coligações (ou acordos parlamentares) mas, por outro, fica no ar uma perplexidade: então, e se algum deles anuísse, tanto lhe fazia que fosse o CDS como o BE?! E, se vários aceitassem, tirava à sorte?!
Como já se percebeu, é essa questão que, independentemente da resposta que possa ter (e dos comentários que possa suscitar), justifica este passatempo-relâmpago: Qual o título (e, já agora, o autor) do policial cuja capa (em parte) aqui se vê?
O prémio será um exemplar da mesma obra, mas as respostas só serão possíveis a partir de uma hora-surpresa. Se, depois disso, a solução tardar, irão sendo desvendadas partes da imagem que inicialmente se ocultaram.

Actualização (18 Out 09/10h25m): a resposta certa já foi dada, como se pode comprovar [aqui].