31.5.10

Soltas

Por João Paulo Guerra

Mais do mesmo. Alegadamente para combater a crise, o Governo propõe-se fechar escolas com menos de 20 alunos, enquanto os cortes na Saúde deixam várias urgências em risco de encerrar. Quer isto dizer que a crise vem mesmo a jeito, a propósito e a tempo para que a política de liquidação do ensino e da saúde pública dê mais um passo em frente. Com crise ou sem crise, com esta ou outra crise, antes ou depois da crise, desde os governos de Cavaco Silva até ao de José Sócrates tem sido uma razia nas escolas e nos serviços de saúde mais próximos das pessoas. Mais do mesmo, com ou sem crise. (...)

Texto integral [aqui]

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Pergunta-de-algibeira

HOJE em dia, com o crédito instantâneo pelo telefone e os empréstimos internacionais, ninguém chama nomes feios a quem - pessoa ou nação - gasta mais do que tem. Mas nem sempre foi assim, como se vê neste texto de 1650. Alguém sabe a quem se devem tão sábias palavras ou em que obra é que aparece esta citação?

Acabar com os «ricos» em vez de acabar com os «pobres»

Por Guilherme Valente

O MEU PAI, advogado em Leiria, encarnou o melhor do espírito da República, de que foi militante intrépido. Um liberal social - expressão que encontro para o designar, pelo que dele ainda pude conhecer e, sobretudo, pelo que dele me contaram -, combateu pela democracia e a igualdade social, sofreu, foi preso e deportado. Nunca confundiu as ideias com o carácter das pessoas que as defendiam, respeitou sempre e teve o respeito dos adversários, alguns deles seus grandes amigos. Com a minha Mãe, pessoa humilde, quase sem instrução, mas de fina inteligência e fé, estiveram sempre ao lado dos mais desfavorecidos. Isso mesmo foi gratamente lembrado por Amigos meus num encontro recente na nossa Leiria.
O meu pai matriculou-me na escola de Santo Estêvão, a escola primária frequentada pela gente mais pobre da minha Terra. Nessa escola confirmei o que aprendi com ele, com as suas palavras e o exemplo da sua vida: a inteligência, a generosidade, a lealdade, o sentido de justiça, o espírito de aventura, o sonho, não são qualidades sociais, são qualidades humanas. (...)

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Torcer sem quebrar

Por A. M. Galopim de Carvalho

QUEM TENHA O HÁBITO de olhar as rochas no campo reparou, certamente, que muitas vezes os estratos das rochas sedimentares ou metamórficas se apresentam dobrados e enrugados, exibindo aspectos diversos, mais ou menos afastados do que foi o seu modo de jazida original, isto é, sobrepostos horizontalmente. Observou, ainda, que certas rochas se apresentam finamente laminadas segundo planos paralelos, assumindo xistosidade, um tipo particular de laminação independente da inclinação das camadas, mas que reflecte a direcção do esforço compressivo a que estiveram sujeitas.

Para quem não está preparado, estas ocorrências não deixam de ser intrigantes, sobretudo, habituados que estamos a considerar as rochas como materiais rígidos, quebradiços, e que, como tal, teríamos tendência a considerar indeformáveis, em termos de plasticidade e maleabilidade. (...)
Texto integral [aqui]

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Ricos e pobres

Por Joaquim Letria

É O TRABALHO que aperfeiçoa as pessoas, que lhes justifica a vida e as dignifica moralmente. Um rico deveria ser a consequência natural duma vida produtiva intensa, forjada na poupança, no aforro e na assunção do risco do dinheiro que investe. Por isso, nessa óptica, existe a suspeita, muitas vezes fundada, da procedência ilegítima de qualquer património volumoso que não decorra do sacrifício, da nobreza do sangue ou de reconhecida herança.
Diferenciar os impostos, agravando-os para uns e aligeirando-os para outros, é ter uma visão politicamente torpe, eticamente condenável e fiscalmente inútil da sociedade, é dividir esta entre bons e maus, é justificar os atiradores de mira telescópica que, ao serviço dos bons e dos maus, seleccionam as suas vítimas e as abatem, diferenciadas pela sua escolha cirúrgica.
O volume das recolhas fiscais depende muito mais do multiplicador do que do multiplicando. Por mais que se ordenhe as poucas bolsas mais cheias não se resolve, dessa forma, a insuficiência deficitária e muito menos assim se fomenta a criação de riqueza, se contribui para a criação de emprego ou se liberta o País da pobreza e da miséria que nos envergonha. Principalmente quando há anos se faz essa rábula com ricos que, afinal de contas, não tão ricos como isso.

«24 horas» de 31 Mai 10

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30.5.10

Sócrates e Chico Buarque

Por Ferreira Fernandes

JOSÉ SÓCRATES, em visita ao Brasil, tomou café com Chico Buarque. Os jornais portugueses disseram que o encontro foi a pedido do cantor brasileiro. Mas, horas depois, Chico Buarque de Holanda disse ao jornal Público: "Foi o vosso ministro quem pediu o encontro." Logo, a notícia (encontro de Sócrates com Chico Buarque a pedido deste) é mentira.
Ora aí está uma dessas coisas que podemos tirar a limpo sem precisar de uma comissão parlamentar. Os jornalistas que acompanham a viagem não são tantos assim (cinco?, dez?) que não possam explicar a história comum. Um deles até escreveu "segundo fonte do Gabinete de Sócrates". Agora que há um desmentido rotundo à versão que essa fonte deu, o jornalista pode chegar ao pé dela e exigir uma explicação que deve ser pública. E se a fonte não quiser explicar-se, o jornalista, como houve mentira deliberada, está desobrigado do sigilo e pode contar a história toda. Fico à espera, confiante - o caso é simples e os intervenientes poucos.
Claro que pode sempre haver poeira nos olhos. Previno-vos contra esta: "Chico Buarque mentiu sobre Sócrates." Esta frase é verdadeira, foi o próprio cantor a revelá-la. Em entrevista (em 1998) ao jornalista Geneton Moraes Neto, do jornal O Globo, Chico Buarque disse que contou uma vez em Marrocos que foi substituto de Sócrates (o da selecção canarinha), no Mundial de 82.

«DN» de 30 Maio 10. NOTA (CMR): para se perceber melhor este episódio, ver a notícia do DN, [aqui].

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Luz - Machu Pichu, Peru

Fotografias de António Barreto- APPh

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Mais do que uma das “maravilhas do mundo”, Machu Pichu é uma demonstração do génio humano e do esforço inacreditável que se pode fazer para viver. Construída a 2500 metros de altitude, fica a cerca de 80 km de Cusco, a capital do Império Inca. A sua construção ter-se-á iniciado em 1400, mas a cidade foi abandonada pouco depois, talvez um século mais tarde, com a conquista do Peru pelos espanhóis. Num dos pontos da cidade, uma enorme rocha, levada até lá a força de braço (os Incas não conheciam a roda...), serviria para, um dia, amarrar o Sol, a que se lançaria uma enorme corda! A cidade esteve vários séculos praticamente desconhecida, até ser redescoberta, em 1911, por um arqueólogo e historiador americano Hiram Bingham.

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«Dito & Feito»

Por José António Lima

O INACREDITÁVEL caso de furto de dois gravadores a jornalistas da revista Sábado pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues arrasta-se há mais de três semanas como se nada de grave se tivesse passado. E sejamos claros: em qualquer outra democracia europeia (à excepção, talvez, da peculiar Itália berlusconiana), o famigerado Ricardo Rodrigues não só não teria já qualquer cargo de responsabilidade parlamentar, seja a de vice-presidente de uma bancada ou outro, como teria mesmo, e inapelavelmente, perdido a sua condição de deputado.

Ricardo Rodrigues cometeu um furto em plena Assembleia da República, no desempenho da sua actividade política, atentou de forma flagrante e primária contra o valor constitucional da liberdade de imprensa, abusou com intolerável arrogância do exercício dos seus restritos poderes, ultrapassou os limites da prepotência antidemocrática. Não chega?! (...)

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O Luís Bonito desafia os outros leitores a identificarem os objectos que aqui se vêem, especialmente os três do meio (os ovais e o cilíndrico).

Pedro Quintela Henriques: o melhor

Por Joaquim Letria

A SPORT TV tem o melhor comentador da TV portuguesa. Não é o melhor comentador desportivo, ou de futebol, da TV portuguesa. Nada disso. É o melhor comentador, ponto final!
Refiro-me a Pedro Ricardo Quintela Henriques, de seu nome completo, para que se não confunda com um militar que apita nem com outro que há no futsal. Este fala de futebol e sabe o que diz, além de conhecer sintaxe, ser fluente, não ter conflitos com a gramática, ter experiência do que fala e ser inteligente.
Recordo-me do Pedro Henriques a jogar no Benfica e no Belenenses, no Setúbal e na Académica, nunca o vi jogar no Sta. Clara e creio que não chegou a jogar no FC Porto, embora ali tenha acabado uma carreira que teve a infelicidade de coincidir com períodos menos bons das equipas que conheceu como defesa esquerdo regular e sólido que foi, tendo sido treinado, entre outros, por Manuel José e Mário Wilson, depois de ter feito a sua formação nas escolas do SLB. Bom observador, inteligente e conhecedor do futebol mundial, Pedro Henriques diferencia-se muito do que se vê na TV portuguesa. (...)

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[aqui]

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29.5.10

"Dezenas" também estaria certo...

«DE-online»
NÃO passa pela cabeça de ninguém indicar a distância entre duas cidades em milímetros, nem a capacidade de um cálice em metros cúbicos - e isso porque, evidentemente, a escolha das unidades é feita em função da ordem de grandeza das quantidades em causa. É por isso que, concorde-se ou não com os objectivos da manifestação de hoje (e dando de barato que o número 300 mil também não é credível), este título é, no mínimo, bizarro...

A minha mãe fez anos

Por Alice Vieira

A MINHA MÃE fez anos ontem. Vieram bolinhos de amêndoa e rebuçados de ovo da Confeitaria Nacional, o meu pai foi a Belém comprar pastéis, tirou-se a loiça de Vista Alegre do aparador e, na véspera, a Rosa gastou uma embalagem inteira de Pomada Amor a arear as pratas, para tudo ficar reluzente.

Veio pouca gente, para ela não se cansar: as vizinhas de baixo, e a Dra. Adelaide Cabete, que é médica da minha mãe.

A Dra. Adelaide, como diz a minha avó, que não morre de amores por ela, “enche uma casa”. E quando está muito bem disposta, até canta modas alentejanas, dos seus tempos de juventude em Elvas. (...)

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Não se importam que se importe?


EM TEMPOS, estava um membro do Parlamento inglês - no intervalo de alguma sessão - a tomar o seu chá, quando reparou que a colher que usava para mexer o açúcar era Made in 'não-sei-onde'. Assim que os trabalhos recomeçaram, pediu a palavra e, indignado, perguntou se a indústria nacional já não era capaz de fabricar coisas tão simples.

Claro que nessa altura ainda não havia a invasão de produtos chineses, mas (talvez por causa do título do livro...) foi essa cena da vida inglesa que me veio à lembrança quando reparei no que aqui se documenta (e que é extensivo a muitos outros livros que encontrei à venda por €2 euros - e novos, ainda embrulhados no celofane de origem).

PR defende os «mais desprotegidos»

Por Antunes Ferreira

DE SUA EXCELÊNCIA o Senhor Presidente da República há que esperar tudo, pois já nada nos espanta, muito menos nos elucida. A Constituição confere-lhe o poder para promulgar as leis. Naturalmente ele fá-lo ou deixa de o fazer e não tem de explicar a razão da sua decisão. Concorda, assina; discorda, não assina. É o veto, resumindo.

O Senhor Professor Aníbal Cavaco Silva – que em tempos não muito distantes e enquanto primeiro-ministro, nunca se enganava e raramente tinha dúvidas – entendeu por bem dirigir-se aos Portugueses para esclarecimento da sua posição em relação a problemas magnos. Os quais, naturalmente, se enquadravam na dicotomia anunciada há uns anos, não muito afastados, aliás. (...)

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Pergunta de algibeira

ENQUANTO não chega a decisão do júri relativa ao passatempo «Acontece...» (o que, quando suceder, será anunciado em post próprio), aqui fica uma pergunta de algibeira:
Trata-se de 9 pontos, dispostos como se vê nas imagens, pretendendo-se que sejam todos percorridos por uma linha quebrada. Nos exemplos que aqui se afixam, isso é feito com 5 e com 6 segmentos de recta. O desafio consiste em fazê-lo com 4, apenas.
Embora não haja prémio (pois 'já é velha'), quem quiser pode enviar a solução para medina.ribeiro@gmail.com. O passatempo terminará quando aparecer a resposta certa, que será afixada - com o nome do 1.º leitor que a tenha enviado.

Actualização (14h14m): ver a solução [aqui].
Actualização (30 Mai 10): ver, também, o que JJRoseira enviou - [aqui].

28.5.10

Os valores tão simples da razão

Por Pedro Barroso

O PAÍS VOTA HOJE, ao que parece, o cancelamento do TGV. Depois de ser o progresso e a rede fantasiosa de uma teia cheia de futuros, tornou-se vagamente condicional, para passar a ser hoje, mais que provavelmente, simplesmente pretérito. Ou coisa adiada, indefinida, adiante se saberá.

No Ensino, hoje reconsidera-se o neo-liberalismo, fundado nos super livres direitos do jovem a uma educação aberta, generosa e passiva, pedagogicamente suave, sem peias disciplinares, nem aprendizagens exigentes nem dolorosas. Porque, afinal, se calhar, é preciso repensar e tornar a ensinar, com a responsabilidade de preparar quem vai gerir o futuro.
Isto é, com conhecimento e responsabilidade.

Nas Obras públicas a 3ª travessia do Tejo já foi e deixou de ser várias vezes. Impressionante o papel que se gasta com coisas que são e não são, para talvez renascerem em projecto, cujo, afinal, não se confirma. Não há taco para fazer – calem-se e aguardem por melhores dias. É como eu faço.

Na questão do Aeroporto, o Mundo também mudou, ao que parece. Sorrio com o que sentirão os investidores que apostaram em compras maciças em desertos da Camelândia, território coutado do “jamais”, para, afinal, hoje, muito provavelmente, aquilo continuar simplesmente a ser vinha - e da boa…- e o pessoal do Poceirão continuar a ter tomates!

Sinceramente, gosto. (...)

Texto integral [aqui]

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Apontamentos de Lagos

O género é que está a dar

Por Helena Matos

O GÉNERO ESTÁ para os dias de hoje como o pecado para a titi de A Relíquia queirosiana. A dita senhora via pecado em todo o lado e quase não perdoava ao Deus que tanto adorava ter dividido a humanidade em homens e mulheres, dualidade que estava na origem de todo o mal, segundo a mesma devota e riquíssima senhora.
As novas titis não são proprietárias de meia Lisboa como era a titi de A Relíquia, mas também não vivem mal. Constituem um grupo profissional em franco progresso e bem estabelecido na vida, pois ninguém ousa questionar os seus cargos já que se tal acontece eles logo lançam a excomunhão do reaccionarismo, do preconceito e doutras coisas nefandas sobre quem os questiona. (...)

Texto integral [aqui]

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E agora, Zézinho?

Por Joaquim Letria

O PS, SE PENSA no seu futuro, devia substituir Sócrates o mais depressa possível.
Reparem que não digo para o PS se preocupar com o nosso futuro, mas com o seu. Não é agora que eles iam pensar no que nunca lhes passou pela cabeça.
A razão de ser desta minha advertência relaciona-se com os organismos internacionais que analisam o comportamento das diferentes forças políticas em cada País. No nosso caso, além dessas ainda nos vigiam as instâncias comunitárias europeias.
Enquanto o crédito foi fácil lá fora, lá se ia enganando meio mundo. Mas essa foi teta que já deu mama. Agora, o rei vai nu, toda a gente vê e sabe quem ficou com a roupa.
Por mais que a Europa finja ter assuntos entre mãos ninguém tira os olhos de nós. Nem a maré negra do Obama, ou as dores na Renânia da Ângela Merkel, ou o divórcio do Berlusconi nos valem. Puseram-nos na rua, apontaram para nós e disseram:
-Que todos fiquem a saber! os portugueses são pobres! Ou trabalham, ou fechamos-lhe a loja!
Em Bruxelas, chamaram Sócrates e explicaram-lhe:
-Zézinho, ou pões ordem na casa, que está uma vergonha, ou isto acaba mal!
O problema é que ele não sabe que fazer. Os bancos receberam injecções, as grandes empresas subvenções, os corruptos felicitações e os trabalhadores reduções. Portugal não é para pobres. E agora!?

«24 horas» de 28 Mai 10

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27.5.10

Que formação tem quem faz isto?
E quem deixa fazer não tem vergonha?
TERMINOU às 20h o debate com prémio acerca do flagelo do analfabetismo funcional - ver [aqui]. O resultado será aqui anunciado durante o dia de amanhã, sexta-feira.
.
Actualização (28 Mai 10/18h20m): o júri atribuiu 2 pontos a XR e a Carlos Arinto, e 1 ponto a GMaciel e a Ribas. Pede-se aos 2 primeiros que, nas próximas 24h, escrevam para medina.ribeiro@gmail.com indicando morada. Obrigado a todos/as!

Muleta

Por João Paulo Guerra

O DR. PASSOS Coelho, presidente do PSD, sofre tanto com as dores do partido do Governo que já deve ter-se esquecido que é líder do maior partido da oposição.
(...)
E assim vai a democracia e a perspectiva de alternância em Portugal: o PSD, maior partido da oposição, é a muleta do partido do Governo e o próprio Passos Coelho é a canadiana de José Sócrates. As regras do jogo democrático estão assim viciadas: os adversários, em lugar de jogarem, dançam o tango e o próprio árbitro promove o jogo passivo e o empate a zeros. Por muito menos, do que fez e do que não fez o dr. Passos Coelho em tão curto espaço de tempo, já caíram outros líderes do PSD. (...)

Texto integral [aqui]

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Há algo estranho no que aqui se lê, não há?

Desenganadinhos

Por Joaquim Letria

ANDÁMOS ANOS a fingir que não sabíamos de nada. Quando não podíamos desmentir ou pretender que não era bem assim, fazíamo-nos fortes, dizíamos que já na Monarquia assim ocorrera, que na I República era melhor nem falar, que o Soares já dizia o mesmo, e que o Ernâni Lopes salvara a Pátria.
Medina Carreira e Ferreira Leite eram “A bruxa” e o “Velho do Restelo” e fingíamos confiar que Sócrates estava lá como os guarda-redes, para, em última instância, defender para canto e com grande aparato.
Abanávamos as caudas de satisfação ao escutarmos as vozes dos donos a dizerem que “é verdade que o desemprego subiu, mas comparado com o período homólogo do ano passado, subiu muito menos”, enchíamo-nos de orgulho ao ouvir que “Portugal não é a Grécia”, acrescentávamos logo que “isto não é terceiro mundo, Lisboa não é Mumbai”, batíamos palmas quando nos diziam que “os nossos males não só não cresciam, como até estavam a diminuir”.
Estávamos por tudo e adorávamos que nos mentissem, mesmo com aldrabices tão mal esgalhadas e com diversos figurões a inventarem coisas diferentes para nos dizerem o mesmo.
Éramos como os doentes terminais, desejosos de sermos enganados pelos médicos. Agora fomos à consulta da alemã e ficámos desenganadinhos. Sem apelo nem agravo.

«24 horas» de 27 Mai 10

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Renovando um velho desafio

A já famosa lagosta imortal
PARA acalmar Bruxelas, o Governo anunciou, pela enésima vez, que vai aplicar portagens nas três SCUT da Costa de Prata. E, também pela enésima vez, avançou com uma data: desta feita, é Julho de 2010...

Ora, como estamos em finais de Maio - e continuam a não nos dizer "como é que isso vai ser feito" -, palpita-me que o que se escreveu [aqui] se mantém totalmente válido, estando a lagosta cada vez mais idosa... mas de perfeita saúde!

Assim sendo, retomo o desafio:
quem quer apostar comigo um almoço de lagosta em como, em 1 de Agosto de 2010, as anunciadas portagens 100% electrónicas não estarão a funcionar?
.
NOTA: antes que alguém se precipite, sinto-me no dever de informar que, até hoje, a única pessoa que aceitou a aposta foi o próprio Mário Lino. Nessa altura - já lá vão 2 anos... -, a data em causa era 31 Dez 2008... e ele ainda me deve o correspondente almoço!

A direita portuguesa e o poder

Por C. Barroco Esperança

NÃO PERCEBO a superioridade moral que a direita exibe e, muito menos, a defesa que faz do mérito dos Governos que liderou e das personalidades que gerou.

Quando ataca Guterres – o melhor e mais bem preparado primeiro-ministro da segunda República –, imagino que lhe faltaria coragem para atacar Sousa Franco, se ainda fosse vivo, ministro que equilibrou as contas públicas e a quem se deve a entrada de Portugal no euro. Calculo o que diria o ex-líder do PSD a quem o criticasse, ele que se distinguiu pela competência técnica, rigor, honestidade e mau feitio. (...)

Texto integral [aqui]

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Luz - Luxor, Egipto

Fotografias de António Barreto- APPh

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Colunas decoradas a queimar de sol. E figuras humanas sempre à procura da sombra. (2006)

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26.5.10

Espírito

Por João Paulo Guerra

PORTUGAL tem sina de ser governado com vista para o quintal.
O único país do Mundo e da História governado por um ditador que tinha um galinheiro no ‘bunker' governamental ficou amarrado a esse horizonte mesquinho, rústico e algo patético: a Dona Maria, ministra sem pasta, a verificar com o dedo mindinho se as galinhas tinham ovo, para saber com o que podia contar para equilibrar as finanças. Puro Fellini.

Claro que entretanto os tempos mudaram, como constatou recentemente o actual ocupante, embora não residente, de São Bento. Mudaram neste sentido: agora, os frangos nascem sem cabeça, são embalados sem entranhas e os ovos são postos pelos supermercados em embalagens cartonadas. (...)

Texto integral [aqui]

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O 'ex-libris' de Lagos

Para se ver bem o grau de absurdo desta cena é preciso apreciar as fotografias que a completam - v. [aqui].

As não-notícias

Por Alice Vieira

ÀS VEZES ainda costumo guardar recortes de jornais. Hábitos que ficam…
Eu sei que hoje já poucos lêem jornais.
Jornais a sério, quero eu dizer.
Jornais - para utilizar uma expressão muito na moda e que eu detesto - “em suporte papel”.

Hoje quase toda a gente clica e lê na net - o que não tem nada a ver com o prazer que dá a leitura de um jornal - até porque se perde muita coisa.
E acabei de recortar uma notícia que me apareceu hoje nas páginas centrais do Diário de Notícias. (...)

Texto integral [aqui]

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Pergunta de algibeira

ESTE problema fica aqui apenas por "associação de ideias" (...), não havendo qualquer prémio, dada a sua facilidade. Nota-se, no entanto, que faz parte da grande família de problemas - tão do agrado dos Gregos - que podem ser resolvidos recorrendo, apenas, a um compasso e a uma régua não graduada.
Sugere-se aos leitores que dêem aqui a resposta por escrito (indicando, em comentário, os passos a dar), sendo, mais tarde, apresentada a resolução gráfica.

Actualização: a resposta certa já foi dada. Uma outra resolução pode ser vista [aqui].

Os causadores

Por Joaquim Letria

O JORNAL “PÚBLICO” recordou que em 2000 “The Economist” apresentava Portugal como uma história de sucesso. A nossa economia crescia a 3,5% ao ano, o desemprego estava abaixo dos 5%, os padrões de vida aumentavam com rapidez. Desde o desvario da Expo e do Europeu dos estádios para cá, Portugal definhou, entrou no mais longo abrandamento do crescimento conhecido desde a II Guerra Mundial, continua a empobrecer e hoje, a mesma insuspeita revista, apresenta “Portugal, o novo doente da Europa”.
Esta mudança é real, foi criada em 10 anos de desgovernação e reflecte o pântano em que o outro falava, já em fuga desabrida. Infelizmente, não é uma reformulação de linguagem como aquela que também vivemos.
Já devem ter reparado que fomos abandonados por aquelas expressões vivazes como “refundação do capitalismo”, "controlo do mercado financeiro”, “fim dos paraísos fiscais”, “o fim da História” e tantas outras que animavam o espaço público. Regressámos à “perda de confiança”, “perda de credibilidade”, ”pressão dos mercados internacionais”, “medidas necessárias e inevitáveis”.
Quase sem darmos por isso, a relação causa–efeito inverteu-se por completo. Passaram a ser os funcionários, os pensionistas, os dependentes, os imigrantes, Portugal inteiro, os causadores da crise da economia.

«24 horas» de 26Mai 10

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25.5.10

«Acontece...» - Passatempo com prémio

Por Carlos Pinto Coelho

"Imploração" - O que murmura este homem?
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OS LEITORES do Sorumbático são desafiados a propor uma legenda para esta fotografia, feita numa rua do Recife.
Como sempre, haverá prémios para as participações mais criativas. O prazo termina às 20h da próxima sexta-feira, dia 28, e quem não tenha conta Google-GMail pode enviar as suas participações para sorumbatico@iol.pt.
Actualização (1 Jun 10 / 18h54m): ver post acabado de afixar.

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Quando o exemplo vem de cima.
Ver, [aqui]
, quem são estas pessoas
Av. das Forças Armadas, Lisboa
Situação habitual da faixa BUS, onde não há memória de alguém ter sido incomodado por a utilizar indevidamente
Av. João XXI, Lisboa
Do lado Sul: paragem da Carris no estado que se documenta.
Ao mesmo tempo, do lado Norte...

.
VIEMOS hoje a saber que os preços dos transportes públicos vão subir (3 a 4%) porque dão muito prejuízo. Tudo bem. Mas que tal começarem, antes, por permitir que eles circulem normalmente? E, já agora, porque não poupar rios de dinheiro, pondo a mexer a multidão de incompetentes que são pagos para tratar disso e não o fazem - ou fazem mal e porcamente?

Tango

Por João Paulo Guerra

A CLARIFICAÇÃO da política portuguesa acaba de dar um passo em frente. Seis anos após Durão Barroso ter criado essa figura de linguagem política que consistia em "o país de tanga", José Sócrates acaba de constituir parceiro para o país entrar na fase da "coligação de tango".
(...)
A reacção de Passos Coelho ao convite para dançar de José Sócrates não deixa antever que, neste particular, o par venha a acertar o passo. Veremos o que dão as próximas cenas da "agenda ‘ tanguera'".

Texto integral [aqui]

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TERMINOU às 20h de hoje mais um passatempo da série «quanto indica a balança?», desta vez dedicado ao problema do analfabetismo funcional e cujo prémio será um exemplar do livro cuja capa aqui se mostra - ver [aqui].

Com o intuito de debater as causas e as consequências desse flagelo, está a decorrer um outro passatempo até às 20h de quinta-feira - ver
[aqui].

Actuários

Por Nuno Crato

HÁ ALGUNS ANOS, vi um anúncio de venda de instrumentos de cálculo. Fui visitar um senhor idoso que me conduziu a um escritório forrado de livros e revistas. Manifestei curiosidade pelas revistas — «Mas isso são coisas antigas», disse-me ele, «da minha profissão». Inquiri que profissão seria, mas o senhor não parecia interessado em responder. «É uma coisa que ninguém conhece… actuário.»
«Actuário! Com certeza! É uma pessoa que faz cálculos matemáticos, calcula anuidades, trata de seguros e pensões». O rosto do senhor iluminou-se. Como o saberia eu? Já não sei se então lhe disse, mas a minha mãe fora actuária. Era eu muito pequeno e de volta e meia a casa era invadida por rolos de papel cheios de contas. A máquina Facit, uma máquina de calcular mecânica, moía números e mais números. (...)

Texto integral [aqui]

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'Eduquês', o princípio do fim?

Por Guilherme Valente

DEMORARAM, mas são boas notícias! Afinal o doutor Daniel Sampaio (tem nome e respeito-o) também é um crítico do eduquês (ver Pública, 16/5/10). Apesar de se tratar, como escreve DS, de um grupo de intelectuais, cujo nome não refere, que «'sabem' tudo sobre a escola», da «pressa crítica» que diz terem, do seu «discurso pessimista», do «narcisismo solitário e redutor das suas opiniões», «de se considerarem os únicos que têm razão», DS partilha, afinal, críticas que fazem ao eduquês. E isso é que importante! E vão aparecer mais. Não é novo na História. Pressinto que no final irá restar apenas a doutora Ana Benavente. Um mérito dela, talvez. «Sê tu próprio», exortava-se na Grécia Clássica. (...)

Texto integral
[aqui]

NOTA (CMR): A partir de hoje, Guilherme Valente junta-se ao grupo de "contribuidores" do "Sorumbático".

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Mais uma curiosa redacção - ver [aqui]

Dinheiro inútil e perigoso

Por Joaquim Letria

TENHO UMA GAVETA de dinheiro inútil. São restos de pesetas, francos franceses e suíços, marcos, coroas, liras, rublos da URSS e zlotis que dariam um excelente fim-de-semana prolongado no seu tempo de validade. Agora, vou lá guardar uma nota de 500 euros.
Diz-me um amigo que Londres já não aceita notas de 500 euros. Há diversos governos europeus a discutirem se hão-de tirar essas notas de circulação.
Consideram as autoridades desses países que não há melhor nota para operações fraudulentas do que as de 500 euros. Uma caixa de sapatos cheia de notas de 500 euros pode pagar um suborno por inteiro. Eles lá sabem, ou fizeram as contas.
Assim, se eu pagar uma compra com uma nota de 500 euros logo me perguntarão:
“Onde arranjou esta nota? Quem lhe deu este dinheiro?”
E como o interrogatório não vai parar aqui, não vão acreditar que foi o meu banco que me impingiu uma colecção completa de notas e moedas de euro quando nos despedimos do escudo.
Num ápice, terei à perna os investigadores criminais e os funcionários do fisco, todos muito jovens para se recordarem desta saloiada.
Ponham-se a pau. Ninguém os vai avisar que este dinheiro é perigoso e muitos podem ter caído no golpe da colecção completa. Própria para patos saloios, como eu.

«24 horas» de 25 Mai 10

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ESTE é apenas mais um dos inúmeros casos em que, no mesmo anúncio, nos tratam por "tu" e por "você". Vem bem a propósito do analfabetismo funcional. Ou não?

24.5.10

Tempos assustadores

Por Rui Tavares

ISTO ACONTECEU em apenas uma semana.
Em Portugal temos um governo de bloco central. Na Europa temos um governo económico. Em ambos os casos são governos de facto e não de jure.

E agora, a ironia. Em Portugal, o governo de bloco central não manda, porque quem manda é Bruxelas. E em Bruxelas, o governo económico – aliás, antidemocrático e antifederal – também não manda, porque se limita a reagir “aos mercados”. (...)

Texto integral [aqui]

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O "Analfabetismo Funcional" - Debate com prémio


SÓ TERMINA às 20h de amanhã, terça-feira, o passatempo com prémio da série «quanto indica a balança?» a propósito do analfabetismo funcional - ver [aqui] -, mas os comentários entretanto feitos levaram-me a propor um post exclusivamente dedicado a esse flagelo.
Pede-se, pois, aos leitores interessados em debater aqui o problema que, antes de mais, leiam esses comentários, mas não deixem, também, de observar as imagens que estiveram na origem do passatempo - ver [aqui].
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Os melhores comentários feitos neste post até às 20h do próximo dia 27 serão premiados com exemplares do livro cuja capa aqui se vê. Nada impede que os leitores que já afixaram comentários noutros posts os voltem a colocar aqui. Quem não tenha conta Google-GMail pode enviar as suas contribuições para sorumbatico@iol.pt

Vidas petrificadas

Por A.M. Galopim de Carvalho

NÓS, HUMANOS, e toda a biodiversidade que nos rodeia, somos o resultado de uma longa evolução biológica iniciada há mais de 3800 milhões de anos. Os elos desta evolução, ou seja, os restos de plantas e animais do passado, quase sempre conservados no seio das rochas sedimentares, são os fósseis, designados pelos geólogos pioneiros pelo sugestivo nome de petrificados.
Só a partir do século XVIII o termo fóssil passou a ter o significado que hoje lhe damos. Anteriormente, num tempo em que minerais e pedras se confundiam, fóssil era tudo o que se extraía do subsolo (do latim
fossile, desenterrado). Eram fósseis os minerais, as rochas, os fósseis (no sentido que hoje damos à palavra), os achados pré-históricos e arqueológicos e outras curiosidades, sempre que desenterrados. (...)

Texto integral [aqui]

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CML - O elefante falido

Por Manuel João Ramos

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Refundados e mal pagos

Por Joaquim Letria

QUANDO OS SOCIALISTAS fazem contas, dizem que chegam a um ajustamento responsável, razoável e imprescindível, com o qual, corajosamente, nos vão tirar da fossa onde nos meteram.
Mas depois, com as despesas, enganam-se muito. Estragar a vida dos que menos têm é uma arte própria destes albardeiros da direita, auto - intitulados de “socialistas de rosto humano”.
Aprovados os sucessivos e corrigidos PECs, imposta a lei das finanças que lhes mandaram , o governo desata, então, a aprovar à porta fechada ajustamentos que sacrificam ainda mais os portugueses mas que ajuda os socialistas a fingirem lá fora a imagem de caloteiros cumpridores como os seus camaradas espanhóis e gregos.
Se fosse o Santana Lopes e o Vasco Gonçalves a porem-nos nesta situação e a tratarem-nos assim, muito eu gostaria de ouvir o que diriam em vez desta remoenga em boca-pequena de raivinhas ao Barroso, Guterres e Sócrates.
Quem acredita em gente desta e fica descansado com os negócios dos estádios e do troço Poceirão - Caia?! Quem não vê o verbo empochar, à tripa-forra, o que merece?
Ainda ouvimos uns totós a dizerem que a crise ia reformar o capitalismo. Parece-me que nós é que vamos ser reformados, porque refundados e mal pagos já eles nos deixaram a todos nós.

«24 horas» de 24 Mai 10

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23.5.10

O PROGRAMA Plano Inclinado do passado dia 15, que se pode ver [aqui], teve a particularidade de contar com a presença de três contribuidores do Sorumbático...

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Plágios, cópias e outras fraudes

Por Nuno Crato

CHEGAM-NOS periodicamente notícias sobre fraudes académicas. Fala-se um pouco de perguntas sopradas nos exames — mas quase como se esse comportamento fosse natural —, dá-se alguma importância a trabalhos demasiado inspirados noutros e levanta-se um escândalo quando aparecem teses de doutoramento completamente copiadas, como ainda há pouco se noticiou.

Há uma lógica em tudo isto, ou melhor, há culpas distribuídas a que os docentes e o sistema de ensino não são imunes. Culturalmente, somos propensos a desculpar pequenas fraudes, como as cópias nos testes, que aparecem justificadas pela solidariedade entre colegas. (...)

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Luz - Londres, 1971

Fotografias de António Barreto- APPh

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Jesus Christ superstar! Foi uma das revoluções musicais. Cujas consequências culturais foram muito mais além da música. (1971)

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Mourinho em São Bento, já!

Por Joaquim Letria

O SR. SÓCRATES foi a Espanha misturar-se com os colegas europeus e latino americanos que ali, recebidos pelos príncipes das Astúrias em substituição do rei recém-operado, se reuniram numa cimeira ibero–americana. Ninguém deu grande importância a Sócrates tirando Ângela Merkel que jantou com ele para lhe explicar como e o quê ele tem de corrigir rapidamente, e também para lhe ensinar o trabalho para casa que lhe deu para ele fazer, para adiar a nossa bancarrota. Até os jornalistas não encontraram outro assunto de interesse para interrogar o chefe do governo socialista português que não fosse o que ele acharia que viria a ser o futuro de José Mourinho. Claro que Sócrates elogiou o português mais admirado do planeta e disse uma coisa que não deveria ter dito: "Mourinho poderia vir a ser um bom treinador para o Real Madrid”. (...)

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A CRER em quem me enviou a foto, ela documenta um aspecto de uma parada militar na Ucrânia - mas não é dito se se integra nalguma campanha a favor do serviço militar obrigatório...

22.5.10

Os ungidos

Por João Duque

ESTAVAM OS FILHOS de Israel em fuga do Egipto acampados diante do mar, quando, «ao levantarem os olhos, viram os egípcios que vinham no seu encalço. Foram tomados de espanto e, clamando em alta voz, disseram a Moisés:
"Não havia, porventura, túmulos no Egipto, para que nos conduzisses a morrer no deserto?'
Moisés respondeu ao povo: 'Não temais! Tende ânimo, e vereis a libertação que o Senhor vai operar hoje em vosso favor'.
Moisés estendeu a mão sobre o mar. O Senhor fê-lo recuar com um vento impetuoso vindo do Oriente, que soprou toda a noite. E pôs o mar a seco. As águas dividiram-se e os israelitas desceram a pé enxuto no meio do mar, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e à esquerda». (...)


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Alhos e analfabetos - Passatempo duplo

Já que tanto se fala em cortar despesas, que tal pôr a mexer os idiotas que deixam fazer isto à calçada de Lisboa - nem sequer respeitando o símbolo da cidade?! [*]
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COMO JÁ se percebeu, o que aqui fica é mais um passatempo-de-balança; mas com uma particularidade: quando foi fotografado, o livro sobre analfabetismo funcional estava apoiado nas duas cabeças de alho que à direita se vêem. Além do livro (a atribuir a quem mais se aproxime da resposta certa à pergunta "quanto indica a balança na foto da esquerda?"), haverá um prémio adicional (surpresa) para quem souber dizer onde foi tirada a foto de cima. Cada leitor poderá dar uma única resposta a cada uma das questões, terminando o passatempo às 20h de terça-feira (25 Mai 10).

[*] Uma vez acabado o passatempo, esta foto regressará à interminável colecção de aberrações que se pode ver [aqui].
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Actualização (20h42m): a solução já está disponível [aqui].

... e o mundo continua!

Por Alice Vieira

AFINAL O COMETA chegou, e não aconteceu nada!
O dia 18, que muita gente dizia ser o fim do mundo, foi uma quarta feira igual a todas.
Devo mesmo dizer que foi um dia particularmente calmo, sem bombas, sem rusgas, sem prisões - pelo menos que eu desse por isso.

O meu pai saiu à hora do costume para abrir a livraria, avisando que não esperássemos por ele para jantar, porque possivelmente ia até S. Pedro de Alcântara ou até ao monte de S.Gens, os melhores lugares da cidade para se ver a passagem do fenómeno.

A minha mãe ainda pensou em ir com ele mas depois teve medo que aquilo deitasse para muito tarde - os cometas nunca têm hora certa de chegar… - e a médica está sempre a dizer-lhe que agora tem de dormir muito. (...)

Texto integral [aqui]

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HÁ ALGO estranho no texto do cartaz que se vê na foto (acabada de tirar). O que é? Actualização: a resposta certa já foi dada.

E se fossemos polvos?

Por Antunes Ferreira

ALGUÉM JÁ VIU uma troca de braços? É muito difícil, mas aconteceu aqui mesmo na capital. E por mor de um engano de um cirurgião. Um engano qualquer tem, diz sabiamente o Povo. Quer isto significar que acontece. E que até se pode desculpar, se não for mal intencionado ou fruto do descuido. Do desleixo, para ser mais preciso. Mas, há enganos e enganos.

No dia 12 o Sr. Fernando Costa foi operado a um braço, no Hospital Particular de Lisboa. Até aqui, tudo bem. Só, ao acordar da anestesia geral que lhe tinha sido dada, descobriu, entre o pasmado e o zangadíssimo que o tinham operado ao braço direito. (...)

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21.5.10


ALGUÉM leu o livro e/ou viu o filme e o(s) quer comentar? O trailer está no Youtube, [aqui], mas o código de incorporação não aparece disponível.

Futuro radioso

Por Joaquim Letria

NÃO SÃO AQUELES que criaram esta crise que a vão pagar. Muita gente vai ficar sem poder satisfazer as necessidades básicas da alimentação, habitação, saúde e educação e desta gente ninguém teve a ver com os desvarios, a incompetência e a corrupção que na última década nos tem desgovernado.
Um dia destes vão dizer “olhem as nossas contas públicas tão bem feitinhas”, mas já não há mais nada, porque a economia já deu o berro e o desemprego atirou-nos pela borda fora.
Vamos ficar transformados numa espécie de fábrica gigante da Volkswagen. Claro que nem todos os portugueses que cá fiquem estarão na AutoEuropa a fazer carros. O resto leva os sacos dos tacos de “golf” dos ilustres visitantes do Alqueva ou carrega as espingardas nas coutadas para os nossos distintos turistas.
Então e os nossos bem-amados políticos destes últimos 10 anos? Os raros que precisem de trabalhar, enfiam-se nas civilizações do Sampaio ou eles mete-os nos tuberculosos da ONU ou na fundação do Figo. Outros, vão explorar os pobres refugiados do Guterres. Os que sobrarem, como sempre, têm administrações, bancos e empresas públicas, além de Bruxelas, enquanto houver Barroso. Os que não couberem, vão para a Guiné Bissau ajudar os amigos colombianos. Não se perdem!

«24 horas» de 21 Mai 10

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POR associação de ideias com o anunciado aumentos de impostos, não resisto a deixar aqui uma pergunta-de-algibeira, cuja resposta está longe de ser evidente: continuando a forçar até ultrapassar o limite de resistência, em quantas partes se quebra uma varinha de esparguete como a que se vê na foto?

Actualização: ver um vídeo
[aqui].

Os papa-reformas

Por J.L.Saldanha Sanches

FALA-SE MUITO, nos últimos tempos, em medidas para reduzir o défice. Medidas fiscais, diz-se até, de justiça fiscal.

O aumento do IVA é compreensível e mais justificado do que a redução populista nas cadeiras dos bebés ou nos ginásios, que os consumidores nunca sentiram no bolso. Há pouco tempo foi a aprovação da tributação das mais-valias em IRS para acções detidas há mais de doze meses - medida justa, pois a não tributação era uma singularidade portuguesa. Para as acções alienadas antes da entrada em vigor da lei, a tributação é claramente retroactiva. Mas há na Constituição mais princípios do que o princípio muito tropical da não retroactividade da lei fiscal - e a possibilidade financeira de manter o Estado Social é apenas um deles. (...)

Texto integral [aqui]

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O LEITOR "Mg" enviou-nos estas duas fotografias, que mostram AJJ antes e depois do temporal que recentemente assolou a Madeira. O contraste das atitudes tem alguma graça, mas talvez não faça rir o que se lê no Expresso da semana passada:

As Regiões Autónomas, onde a taxa do IVA tem valores inferiores aos do Continente, vão ser poupadas ao anunciado aumento desse imposto.

Por que motivo quase não se fala disso?! Bem... a menos que não seja verdade...

20.5.10

A Penicilina

Por João Duque

CERTO DIA, ainda criança, estava eu a arder em febre quando se chamou o médico de família. "- Abre a boca e diz ah!" "- Aaaah!", respondi, arreganhando o mais que podia os maxilares. O diagnóstico do dr. Armando Abrantes veio imediato: "- Anginas!"

O enfermeiro foi chamado e começaram as primeiras injecções de um compósito à base de penicilina. Às páginas tantas, comecei a tossir, com as faces mais rubras do que quando ardia em febre. A reacção ao tratamento veio de seguida. Tossi durante 24 horas e quase me passei para o inimigo.

As receitas médicas servem para curar e não para matar. Em economia pretende-se o mesmo efeito. (...)

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Passatempo-relâmpago

EM QUE estabelecimento comercial é que se podem ver estes "pontapés no U"?
A resposta certa já foi dada, como se pode confirmar pelas imagens mais completas, afixadas [aqui].

Rolhas

Por João Paulo Guerra

OS PORTUGUESES, de há uns anos para cá, não se têm dado muito à defesa de causas. A última terá sido por Timor-Leste, no final do século passado, e está por saber se a gigantesca mobilização nacional não teria por lastro um vago sentimento colonial: estavam a mexer em algo que era "nosso". Mas foi bonito de ver. Depois disso, talvez no Euro 2004, com as bandeiras à janela mas com um tiro do grego Charisteas no porta-aviões a afundar as esperanças nacionais. Depois disso, em matéria de causas, cada um governa-se.
Mas eis que The Wall Street Journal levanta a discussão: rolha de cortiça ou de plástico? (...)

Texto integral [aqui]

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Recentemente, na crónica intitulada «Morrer da Cura», referiu-se um determinado vídeo em que aparece José Sócrates a discursar. Trata-se deste, que aqui fica.

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Viva o protectorado!

Por Joaquim Letria

OS MEUS FILHOS não podem dizer que o pai não cuidou do seu futuro. Enquanto o mais velho estudou no Reino Unido, Itália e Estados Unidos, acompanhando o “boom” que o eixo Londres – Washington liderou durante o tempo das vacas gordas, o mais novo aí está a arregaçar as mangas, inteiramente formatado na cultura alemã, muito antes de se prever que Portugal acabaria, como agora, num acabrunhado protectorado de Berlim a que este e outros governos da mesma matriz nos reduziram.
Não me assusta esta nossa dependência. Desde o fim da década de 80 que verdadeiramente não somos uma nação soberana e já que nem assim nos sabemos governar, então que venha quem sabe e tome conta de nós.
O desmazelo deste governo, agora amantizado com o Roger Rabbit laranjinha, vai-nos sair ainda mais caro do que a crise custa aos gregos, mas o povo português não parece existir para outra coisa que não seja pagar ou emigrar.
Pelo menos, presume-se que se deixe de ouvir aos aldrabões, em breve, aquela lenga-lenga de estarmos a ser vítimas de especuladores que nos atacam e de cabalas internacionais gizadas nos Estados Unidos e nos países do Oriente contra o debilitado euro. E nós vamos fazer aquilo em que somos bons: trabalhar mais e ganhar menos.

«24 horas» de 20 Mai 10

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TERMINOU às 20h de ontem o passatempo «Acontece...», desafio colocado aos leitores a propósito desta fotografia - v. [aqui]. A decisão do júri será anunciada neste post, em 'actualização'. Actualização (12h57m): o resultado está em 'comentário', aqui mesmo.

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A história de uma visita papal

Por C. Barroco Esperança

NUM BAIRRO de 44 hectares habitava um cardeal que a idade e o múnus tornaram casto. Na adolescência passou pela juventude hitleriana onde a disciplina o moldou.

Despida a farda, perdida a guerra, vestiu a sotaina onde não faltaram adereços com que a hierarquia o foi adornando. João Paulo II, papa polaco, viu nele o bispo ideal para lhe guiar a Prefeitura da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-santo Ofício).

A idade canónica para a resignação (75 anos) não o removeu das funções. Com o prazo de validade excedido o Papa nomeou-o Decano do Colégio Cardinalício, quiçá grato pela preparação do Catecismo da Igreja Católica de que o havia encarregado. (...)

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Luz - Lisnave, reparação naval

Fotografias de António Barreto- APPh

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Idealizada nos anos sessenta, a pensar no petróleo de Angola, nas rotas de petroleiros pelo Atlântico (quando o Canal do Suez estava fechado) e na escala colossal dos petroleiros (previam-se que ultrapassariam 1 milhão de toneladas!), a Lisnave foi uma verdadeira jóia da Coroa, para utilizar o lugar-comum. Depois, tudo correu mal. Angola ficou independente. O Suez reabriu. Os desastres marítimos, os acidentes ecológicos e as preocupações ambientais obrigaram a construir petroleiros mais pequenos. A famosa doca seca de 1 milhão de toneladas ficou sem uso directo, era necessário colocar vários barcos ao mesmo tempo. A revolução e o radicalismo dos operários da Lisnave ajudaram ao fim. Depois de aventuras estranhas, a Lisnave sobrevive, mas em Setúbal, onde parece ter de novo actividade próspera. Mas ali, na Margueira, sobram os restos de um sonho e de uma ambição desmedida. Creio que não completou vinte anos de actividade. (1980)

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19.5.10

A senhora do pai

Por Alice Vieira

A PRINCÍPIO nem ligou. Sempre que voltava do pai ele não se calava, naquele seu linguajar de bebé, a querer meter o mundo todo nas poucas palavras que o seu vocabulário permitia. Ela sorria, enquanto ia desfazendo a mala de fim de semana, com o Rato Mickey de enormes orelhas estampado bem a meio.
Foi a insistência dele que lhe chamou a atenção. E foi então que, nitidamente, percebeu o que ele dizia: “a senhora do pai.”
Sentou-o ao colo, fez-lhe uma festa no cabelo, tudo com muita calma, e foi murmurando:

- A senhora do pai?
Ele acenou com a cabeça.

- O pai tem uma senhora?
Ele acenou com a cabeça.
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A metáfora e o tango

Por Baptista-Bastos

"NÃO DEI A MÃO AO GOVERNO: dei a mão ao País", disse Pedro Passos Coelho. É uma metáfora sorridente, destinada a justificar o conúbio deste PSD com o PS que por aí penosamente se move. A metáfora é uma forma de encantamento, e a dissimulação do que se não deseja abertamente dizer. Ao pretender salvar a pátria, deprimida e confusa, com um tropo linguístico, Passos coloca Sócrates num lugar errante e subalterno. Por seu turno, este, em Espanha, enche aquele de elogios, utilizando, também, uma metáfora, a do tango, para afirmar, ante uma plateia estupefacta, ter, agora, com quem dançar. Uma cena deprimente. (...)

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