31.12.10

Despedida de um líder a sério

Por Ferreira Fernandes

DENTRO de horas, Lula vira ex-Lula. É pena, são tão raros os que comandam bem. Não, não falo só dos dois mandatos presidenciais. Falo também do líder operário e sindical que no virar da ditadura militar soube ser aquele responsável que já era antes de surpreender os ignorantes de Wall Street que tremiam com um "vermelho" no Palácio da Planalto. Lula não comia criancinhas ao pequeno-almoço em Brasília (2003-2010) mas também já não o fazia nos tempos (1978-90) em que ajudou, sabendo liderar, os operários de São Paulo a não cair na baderna quando o Brasil não funcionava de todo. Nesse tempo ele já era de sentar e discutir. Vão dizer: até de mais! Sim, lá de arranjinhos ele sabe, vejam só os escândalos do PT e aliados... Indesmentível. Mas aquele sentar e discutir também serviu para nos últimos oito anos o Brasil parecer um ascensor social de sentido único, subindo. Fruto do Presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso? Também, mas os ascensores também se param e se lhe inverte o sentido. E este acelerou, subindo. Deixem falar os protagonistas: ontem, as sondagens davam 87% de brasileiros satisfeitos com Lula. Sim, também há números assim em outras partes do mundo - mas em nenhuma com os jornais e televisões livres de criticar (e nenhum grande grupo de comunicação brasileiro é pró-Lula). Na hora da despedida ele disse: "Dei conta do recado." E deu.

«DN» de 31 Dez 10

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Chamem a polícia! (Mas para quê?)

ESTAS fotos fazem parte de uma sequência de três. Quem se propõe adivinhar o que é que a 3ª documenta?
Uma 'dica': A cena está relacionada com o chamado "Local B", referido [aqui].

Actualização: a resposta, como se indica em comentário, pode ser vista [aqui].

Europeus, que bom!

Por Alice Vieira

DESCULPEM lá mas eu, se fosse americana, tinha-me sentido muito ofendida por um cão me ter desejado bom ano.
De certeza que toda a gente viu na televisão, passou em todos os canais, com direito a repetições: Barak Obama e a mulher, em duo natalício, mandavam os seus votos de Boas Festas a todo o povo americano. Em nome de ambos,”e também de Malia, e de Sasha” — e vai a Sra. Obama, sorridente, e acrescenta: “e de Bo!” O que o marido reafirma, evidentemente : “e de Bo!”
Bo é o cão da família Obama. Cão de Água português, como toda a gente sabe, o que faz com que tenhamos um infiltrado na Casa Branca. (...)

Texto integral [aqui]

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Trágico balanço

UM TRÁGICO balanço, o do presente ano de guerra civil nas estradas. Mas, no mundo de fantasia em que vivem o MAI e a ANSR, está tudo "no melhor dos mundos" (como diria o Cândido, o de Voltaire, ao ser lançado para a fogueira de um auto-da-fé no Rossio lisboeta).

Semanário O SOL
30/12/10
«PROVAVELMENTE este ano vai encerrar com mil mortos». A previsão é de José Trigoso, director-geral da Prevenção Rodovíária Portuguesa, referindo-se ao novo método de contagem da sinistralidade (‘mortos a 30 dias’), que entrou em vigor este ano e vai permitir saber quantas vítimas perdem a vida já nos hospitais, após o acidente.
Só até 21 de Dezembro, note-se, já morreram 725 pessoas, mais cinco do que em igual período de 2009. (...)

Texto integral [aqui]

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30.12.10

No blogue-arquivo Humor Antigo iniciou-se hoje a publicação das anedotas ilustradas do Almanach Bertrand de 1916

Euro ou novo escudo?

Por João Duque

QUANDO EM 1998 nos preparávamos para aderir ao euro participei em inúmeras reuniões de trabalho para prever as consequências e questões práticas dessa adesão. Para além das questões legais que se colocavam, os detractores de tanto tempo consumido em reuniões e demais preparações sumariavam todo o esforço à "questão dos arredondamentos". Isto é, para além de leis que obrigavam a que nenhum devedor se furtasse ao pagamento de dívidas em escudos (moeda que ia desaparecer, podendo invocar-se que não se poderia entregar o que já não existia), as questões resumiam-se a muito trabalho de computação para preparar os sistemas às novas unidades monetárias, à educação para a nova moeda, e aos arredondamentos (para que contas iriam verter todos os arredondamentos feitos em milhões de contas). (...)

Texto integral [aqui]

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Horrores da Guerra civil de Espanha

Por C. Barroco Esperança

ENTRE 1936 e 1939 a ferocidade atingiu proporções incríveis na guerra civil espanhola. A demência e o ódio misturaram-se numa orgia de sangue e crueldade.
Não houve santos em qualquer dos lados da barricada, apesar da onda de canonizações que os dois últimos pontificados promoveram, numa insensata decisão que acirrou ódios antigos e trouxe à memória a cumplicidade da Igreja católica, que nem os seus padres poupou, quando se tratava de assassinar adversários.
Texto integral
[aqui]

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29.12.10

Por Baptista-Bastos

VENS juntar-te a nós e, em si mesma, a tua vinda é já um acto de comovente beleza. Há muito que te esperávamos, provindo dessa interminável sequência na qual se tecem os fios da nossa condição. As coisas não estão boas, por aqui. Mas os tormentos que nos assolam não calam a voz das nossas esperanças. Vem, menino. Pertences a uma estirpe que acendeu o seu lume em muitos campos alheios e fez um leito de nações num concerto de poesia que dura há séculos. Que quer, rigorosamente, dizer isto? Que o parágrafo das nossas vidas tem sido extenso e que, no encontro com os outros, alargámos os laços da nossa pessoal intimidade. (...)
Texto integral [aqui]

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PARA se perceber porque é que está aqui esta foto (tirada anteontem) e poder relacioná-la com a notícia que a antecede, é preciso, antes de mais, ver o que se documenta [aqui].
Repare-se, então, como foi corrigido o erro lá indicado: dos 3 ecopontos que bloqueavam a saída de emergência do Centro Comercial foram retirados 2, mantendo-se - precisamente! - o mais "estorvativo". O conjunto é completado com dois troncos-de-cone em betão maciço, e o logótipo da autarquia continua bem visível, para que não restem dúvidas a quem se deve a maravilha.

A notícia de ontem do "i" está, pois, perfeitamente justificada. Com uma ressalva: há por lá funcionários que deviam ter 365 dias de tolerância de ponto, por ano - e ainda mais um, nos bissextos.

«Dito & Feito»

Por José António Lima

NUMA DAS MUITAS entrevistas que José Sócrates vem dando, a cada dia mais crente nas virtudes da propaganda, o primeiro-ministro contesta que o Governo tenha falhado, ultimamente, todas as suas previsões. «Em 2009, temos um défice de 9,3% - que aumentámos de 2,7%, salvo erro -, mas há uma boa razão: é que tivemos a maior crise internacional dos últimos 80 anos», alega Sócrates.
Ora, esta justificação é apenas uma parte da verdade. Pois foram razões nacionais (a crise do nosso crónico endividamento, o despesismo do Estado e a falta de competitividade da economia) que levaram o défice português para valores bem acima da maioria dos parceiros da UE - e o nosso PIB para valores bem na cauda da lista europeia. (...)

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28.12.10

O Menino Jesus

Por Maria Filomena Mónica

QUANDO a minha mãe morreu, deixou-me um Menino Jesus. Depois de alguma hesitação sobre o seu destino, segui o conselho das minhas netas e coloquei-o ao lado da árvore de Natal. Devido à composição da família moderna, com segundos e terceiros casamentos, tal é o número de avós que as criancinhas têm de visitar que, cá em casa, a Consoada tende a prolongar-se até aos Reis. Assim, em vez de apenas ser exibido um ou dois dias, o Menino fica na sala até o último embrulho desaparecer. Não tive outro remédio que não fosse o de me habituar à sua presença. (...)

Texto integral [aqui]

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FOI actualizado o arquivo Humor Antigo, e afixadas as últimas 6 anedotas correspondentes ao ano de 1920. Para o anunciar, escolheu-se esta, que vem bem a propósito de um problema que, recentemente, muito afligiu os portugueses...

Newton e o Homem Aranha

Por Nuno Crato

QUEM É mais conhecido? Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua, ou Marylin Monroe, a actriz com mais sucesso em Hollywood? Quem é mais popular? O Homem Aranha ou o Rato Mickey? Há tempos, esta questão podia entreter-nos em animados debates. Hoje, basta ir ao Google, digitar os nomes e contar o número de ocorrências. Claro que há alguns cuidados a ter, por exemplo restringir-nos a páginas escritas numa determinada língua ou escrever “Mickey Mouse” e “Spyder Man”, se nos centrarmos no idioma original destes dois. Se, contudo, quisermos saber quem era mais popular nos anos 1970, já o Google de pouco nos serve. (...)
Texto integral [aqui]

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27.12.10

Apontamentos de uma cidade sem uma gota de auto-estima

Av. Sacadura Cabral e Av. Guerra Junqueiro.
Em Lisboa, evidentemente

Sapatinhos

Por João Paulo Guerra

O MENINO a quem o Governo tirou este ano o abono de família, sem que ele compreenda porquê, não teve nada no sapatinho que deixou esquecido, como quem não quer a coisa, junto à chaminé. Os filhos do casal desempregado que perdeu o subsídio de desemprego também não. A filharada de mãe solteira e só a quem retiraram o rendimento social de reinserção, que já não esperava nada, ainda teve menos: este ano teve fome. As crianças da família endividada foram para a cama mais cedo, surpreendidas e desenganadas quanto à generosidade do Pai Natal. O pai ainda esteve para ceder mais uma vez ao canto de sereia de quem lhe oferecia crédito à socapa no corredor de um centro comercial. Mas arrepiou caminho a tempo. Os filhos do casal que fechou a lojeca por não aguentar o pagamento da renda fizeram a consoada ao meio-dia: foram almoçar à cantina da escola, que se mantém aberta nas férias para ajudar os mais aflitos, onde se cruzou com a prole do par que vive com um salário mínimo.

O filho único do casal que vence vinte e oito salários mínimos, mais cartões de crédito, carros, combustível e despesas de representação foi passar o Natal a Londres com os pais, para se habituar à língua tal qual se fala e à cidade, para cujos arredores vai estudar no próximo ano lectivo. A filha do empreendedor de sucesso tão súbito como inexplicável olhou com enfado para a chave do carro desportivo topo de gama que os pais lhe deixaram nas dobras do guardanapo na ceia de Natal. A mulher olhou distraidamente para a jóia faiscante que o marido lhe ofereceu e o marido nem sequer teve tempo para desembrulhar a prenda da mulher porque o toque do telefone lhe soava a milhões. O ‘boy' ofereceu ao padrinho um emblema do partido cravejado de brilhantes.
«DE» de 27 Dez 10

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Ida às sortes

Por A.M.Galopim de Carvalho

COMO todo e qualquer cidadão nacional, fui às sortes logo que completei os dezoito anos, corria o ano de 1949. Ir às sortes, como se dizia, era ser chamado à inspecção militar. Aquela maneira de dizer vinha do facto de os mancebos apurados para todo o serviço, quase sempre em número superior ao pretendido para efeitos de incorporação nas forças armadas, poderem tirar, à sorte, o ficarem ou não livres de o cumprir. Ser considerado inapto para servir a bandeira, era uma marca de menoridade física que não nos agradava. O bom era ser apurado na inspecção médica e, depois, sair-lhe em sorte a dispensa. (...)
Texto integral [aqui]

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26.12.10

E é isto a companhia…

Por Antunes Ferreira

ATRASADO, mas presente. Este é um tempo muito especial, em que ainda se fala de solidariedade, de família e do bem. Um tanto repetitivo, se querem que vos diga. Aliás, já disse, sem pedido vosso, muito menos sem curar de saber se queriam que vos dissesse o que disse. Adaptando: é Natal, não parece mal. Ou plagiando mesmo: É Natal ninguém leva a mal.
Estou farto de jingle bells e de adeste fidelis. Estou cheio de peru e de rabanadas. Já não suporto pinheiros de plástico made in China, muito menos bolas coloridas igualmente de plástico e outrossim made in China. De prendas falsas e de falsas prendas. E, juro pela minha virgindade (20 de Setembro de 1941) que, apesar da época, não vi o debate televisivo entre os Srs. Silva e Moura. Basta de tanto sofrer.
Com se justifica, este é um texto curto, e atrasado, que o Carlos Medina Ribeiro me releve da falta e desta tentativa canhestra de remedeio. Apenas uma brevíssima estória natalícia. Que talvez conheçam, por se tratar de anedota calina. Mas, correndo o risco, ela aqui vai.:

Quando os pastores com as suas ovelhinhas chegaram junto da manjedoura, interrogaram-se, face ao curro e à vaca que a ladeavam: e é isto a companhia de Jesus?
Desde Ignácio de Loyolla que os jesuítas não gostam dela. Mas é o que se pode arranjar.
Mesmo assim, Festas mais ou menos Boas.

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Luz - Manif, Santiago do Chile, 1971

Fotografias de António Barreto- APPh

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Neste ano, festejava-se o primeiro aniversário de eleição de Salvador Alllende... os perigos eram muito e imensos. Como se viu dois anos depois. Todos os partidos de esquerda juntos (PC, PS, MAPU, Partido Radical, etc.) somavam um total de 36% dos votos, contra 34 à direita e 30 ao centro democrata-cristão. Como a esquerda se apresentou em coligação (Unidad Popular), o partido do centro, no respeito por uma tradição não escrita, deixou passar o governo de esquerda. Com uma legitimidade tão reduzida, com uma esquerda muito vanguardista e radical, com uma extrema-direita feroz e agressiva e com uma intervenção empenhada da CIA, a experiência chilena acabou como se sabe. Portugal, em 1975, tentou imitar o Chile... Até as canções e os slogans dele herdou. Hoje, ainda há por aí muito boa gente que procura, com governos minoritários e com a “moção de censura construtiva”, governar com reduzida legitimidade...

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Passaporte espanhol é agente português?

Por Ferreira Fernandes

CRISTÓVÃO Colombo será genovês ou alentejano - acasos de nascimento, enfim - mas o certo é que aprendeu a lavrar os oceanos em Lisboa e Porto Santo e isso, saber navegar, vale mais do que mil acasos. Essa medalhazita ninguém nos tira. Ontem, o jornal espanhol El Mundo lutava pela sua medalhazita: quer que se recolham todos os passaportes espanhóis por um crime de lesa-pátria! E esse crime está no reverso do documento que milhares de espanhóis, todos os dias, mostram pelo mundo: desenhado, o mapa da primeira viagem da descoberta da América (1492). O mapa assinala a partida, do Sul de Espanha, a volta pelas ilhas caribenhas e o retorno, aportando algures no meio de Portugal. Isto é, segundo o passaporte espanhol, a viagem da descoberta da América acabou em Portugal. Ora, as coisas passaram-se assim: de Los Palos saíram três naus, Santa Maria (navio almirante), Niña e Pinta, que descobriram terras americanas; ao regressar, a nau Santa Maria afundou, Cristóvão Colombo passou para a Niña, que chegou a Lisboa a 4 de Março de 1493. Mas, na verdade, a Pinta chegara três dias antes a Baiona, na Galiza... São os de Baiona que se mostram mais indignados com o mapa do passaporte. Podíamos argumentar que o que conta é a chegada do navio com o almirante (a Niña). Mas podíamos deixá-los com a taça, e sorrir por, por esta vez, serem outros a correr para a medalhazita.
«DN» de 26 Dez 10

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25.12.10

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24.12.10

NESTA foto, tirada recentemente na rua Marquesa de Alorna, em Lisboa, vê-se qualquer coisa que "não bate certo". O que é?

Boas Frestas em Belém

Por Ferreira Fernandes

SÓCRATES E CAVACO desejaram-se Boas Frestas. Frestas, fendas, fissuras, rachas... Sócrates falou um minuto, Cavaco falou dois minutos (ele agora vale sempre por dois, candidato e Presidente). Sócrates garantiu a Cavaco "fidelidade do Governo aos valores da lealdade". Meter dois conceitos tão similares (fidelidade e lealdade) e em discurso tão curto deveria fazer desconfiar o destinatário. Cavaco respondeu a Sócrates que estes cumprimentos natalícios são "uma tradição a preservar". É insinuar de que daqui a um ano eles poderiam voltar a encontrar-se naquela sala - o que soa a anestesiar a vítima antes da chicotada psicológica. Nestas trocas sibilinas ouviu-se Sócrates a pedir a Cavaco (ele pedia a todos mas era a Cavaco que se dirigia) "empenhamento". Por seu lado, Cavaco deixou cair, e, por duas vezes (já disse: ele, agora, é só em dose dupla), a palavra "responsabilidade". Passou-se tudo no Palácio de Belém, na Sala dos Embaixadores, onde, se não chegou a haver diplomacia de canhoneira, a de florete foi evidente. Cavaco desejou aos ministros "um ano tão próspero quanto possível, tão feliz quanto possível"... Mais agoirento era impossível. No fim, Sócrates convidou Cavaco a fazer a fotografia no meio do Governo, e todos sorriram. Só faltou o ministro das Finanças e faltar as finanças foi a única coisa sincera no meio de tudo isto.
«DN» de 24 Dez 10

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23.12.10

Foi actualizado o arquivo Humor Antigo
correspondente ao ano de 1920

Natal dos simples

Por João Paulo Guerra

SE OS POBRES tivessem um sindicato, uma associação, um lóbi, era o momento, em vésperas do Natal e com uma campanha eleitoral à vista, de exercerem toda a pressão sobre o poder. Como muito bem dizia Manuel António Pina, no JN de ontem, "pobres é o que está a dar". Calcule-se o que seria o Sindicato dos Pobres e Portugueses no Limiar da Pobreza a entregar pré-aviso de greve à figuração nas visitas de Natal e nas acções de campanha eleitoral? E a Federação Nacional dos Desempregados, em parceria com a Associação dos Despedidos Baratos, interporem providências cautelares contra as acções de caridade natalícia e as promessas do poder em geral?! Imagine-se a Sociedade dos Trabalhadores Precários a pendurar recibos verdes, perante as câmaras das televisões, nas árvores de Natal de São Bento e nos presépios de Belém? E a Comunidade dos Sem-Abrigo só aceitar agasalhos e refeições quentes para a consoada da miséria sem a presença de câmaras de televisão? Já vislumbraram a Confraria dos Endividados, Novos Pobres e Desgraçados Afins a desfilar com cartazes reclamando "Nem mais // um cêntimo // no sapatinho do BPN"? E a Intersindical dos Trabalhadores com Cortes Salariais e Pensionistas Congelados montar piquetes para cantar "janeiras" de protesto a cada passo das agendas dos governantes?

Chega-se a esta quadra do ano e a classe política defronta-se com um sério dilema: tem a austeridade mais brutal de sempre na calha mas o Natal, e próximas campanhas eleitorais, agendadas ou previsíveis, impõem algum calor humano, um simulacro de solidariedade, um vago assomo de compaixão. É muito duro. Já o velho Bertolt Brecht perguntava: "Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira são coisas que custam a aprender?"
«DE» de 23 Dez 10

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Cavaco - Passado pouco íntegro na gramática e no civismo

Por C. Barroco Esperança

QUANDO Cavaco era primeiro-ministro e negou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, a cujo heroísmo devia o lugar que ocupava, e atribuiu outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria", julgaram os portugueses que a atitude indigna fosse o corolário da falta de preparação cívica e de cultura democrática.
O conhecimento da ficha da PIDE explica o acto e a perplexidade provocada. É talvez a prova que melhor define o carácter e esclarece as decisões suspeitas. Explicações sobre a ficha da PIDE são tão essenciais como as da eventual conspiração anti-governamental, no caso das escutas de Belém, e as do negócio das acções da SLN, casualmente através de pródigos financiadores da sua primeira campanha eleitoral à PR. (...)

Texto integral [aqui]

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22.12.10

Foi actualizado o arquivo Humor Antigo
correspondente ao ano de 1920

O rebuçado

Por Baptista-Bastos

ÍAMOS, os cinco, nos Restauradores. O dinheiro era pouco e, por isso mesmo, rateado. Fazia frio e éramos felizes. Decidimos, dentro do frio e na nossa felicidade frugal, sentarmo-nos na casa dos sorvetes e comer meia cassata. Antigamente, no tempo do frio, ninguém, em Lisboa, comia gelados, e arrepiávamo-nos quando víamos, nos filmes, miúdos e graúdos a lamber cones de sorvete. Mais tarde, muito mais tarde, em Moscovo, surpreendi o deleite, para mim inaudito, de ver magotes de gente a medir-se com enormes invólucros de plástico repletos de sorvetes de várias cores. Caminhava pelas ruas cheias de neve, na companhia do meu amigo José David Lopes, camarada do Diário de Notícias, e resolvemos beber vodca pelo gargalo de uma garrafa avulsa, acaso como retaliação absurda pela quantidade de pessoas lambedoras de sorvete. (...)

Texto integral [aqui]

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Mãos largas

Por João Paulo Guerra

O ESTADO, pessoa colectiva de direito público, tem umas enormes e largas mãos com que gere os dinheiros públicos e, simultaneamente, caça níqueis nos bolsos privados.

E ao mesmo tempo que as manápulas do Estado vasculham cada cêntimo que os cidadãos auferem ou movimentam, as largas mãos do Estado desfazem-se em benesses para certas freguesias. E então o país ficou agora a saber - através de uma queixa da eurodeputada Ana Gomes à Comissão Europeia - que o contrato para aquisição de uns submarinos pelo Estado português contém uma inimaginável cláusula segundo a qual o preço dos submergíveis se actualiza diariamente. Quer dizer: estamos aqui a escrever ou a ler o jornal, havemos de ir almoçar, ao fim do dia regressamos a casa, convivemos com amigos e família, por fim vamos dormir e o taxímetro do preço dos submarinos não parou nem pára. E foi assim que em nove meses Portugal terá pago um acréscimo de 64 milhões de euros ao fornecedor alemão de submarinos.

Este mesmo Estado, magnânimo de uma banda e tão pouco da outra (como diria o compositor Fausto Bordalo Dias), o Estado que já injectou quatro mil e quinhentos milhões no BPN, prepara-se para injectar mais 500 milhões. E como não há contabilidade que resista a tão largas mãos como são as do Estado, vá de caçar receitas, baixando salários e pensões no país mais mal pago da Europa, aumentando impostos no país com mais aumento de carga fiscal entre os 27 da UE, exterminando prestações sociais, permitindo aumentos de preços acima da inflação no país que está vinte por cento abaixo da média europeia em poder de compra, subvertendo a Constituição da República.

Em Portugal, há portugueses pobres a darem para as caixinhas de esmolas do BPN e dos fornecedores de submarinos.
«DE» de 22 Dez 10

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21.12.10

Abonos

Por João Paulo Guerra

HAJA QUEM
o diga, e di-lo, entre outros, António Horta Osório, do alto da sua autoridade e com a insuspeição de ser um perigoso esquerdista: o dinheiro dos contribuintes não deve ser usado para andar a salvar bancos.

Mas a verdade é que na cena doméstica, a cada novo saque anunciado ao bolso dos contribuintes, como a cada redução de salário ou de pensão, ou a cada extinção de mais um apoio social, lá vem o anúncio de mais uma "esmolinha" para a banca, e particularmente para a banca envolta em suspeitas de delinquência financeira. E é assim que o Estado já terá metido na banca em apuros tanto quanto pensa amealhar com toda a austeridade que vai fazer desabar sobre o comum dos portugueses.

Provavelmente, a esta hora os talibãs do dinheiro e do mercado já estarão a rotular Horta Osório, próximo presidente do intervencionado Lloyds Bank, de ser o novo "banqueiro anarquista". Embora muitos deles conheçam possivelmente tanto sobre o "Banqueiro anarquista" como sobre um tal Fernando Pessoa. Mas a verdade é que muitos daqueles que não têm escrúpulos em criar sempre novas, crescentes e mais dificuldades na vida da imensa maioria da população, e que até pensam que o povinho existe para fazer sacrifícios, também defendem que o Estado, o malfadado Estado, o Monstro, seja o guarda-costas e o seguro de vida dos apuros da banca.

No país onde se assiste ao regateio do aumento do salário mínimo em 83 cêntimos ao dia, quando se anuncia que o aumento dos preços dos transportes públicos atinge o dobro da taxa da inflação prevista, o Governo promoveu mais uma injecção de 500 milhões no BPN. E depois queixa-se que o povo tem a classe política na mesma conta do mixordeiro que rouba no peso e especula no preço.
«DE» de 21 Dez 10

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JÁ CHEGOU a decisão do júri relativa ao vencedor do passatempo que a presente imagem ilustra, e que vai receber um exemplar desse mesmo livro (infelizmente, o único de que disponho).
No entanto, e dado que houve muitas respostas, pedi que fossem indicados mais premiados, o que aguardo que suceda.
Actualização: o livro «E assim aconteceu...» foi atribuído a Luís Bonito. São também premiados: Anamar (com o comentário «O meu homem faz-me falta»), Lau (com «Lágrimas de saudade e/ou Até já») e R. Cunha (com «Que será de mim, só, sem ele?»). Estes três leitores têm agora 24h para escreverem para medina.ribeiro@gmail.com indicando morada para envio de um livro, que poderão escolher da lista que se pode ver [aqui]. NOTA: de preferência, indicar mais do que um.

«Dito & Feito»

Por José António Lima

NA VÉSPERA da cimeira de Bruxelas, onde vai prestar contas à senhora Merkel e restantes parceiros europeus, José Sócrates anunciou um pacote de meia centena de medidas para aumentar a competitividade da economia - das quais, apesar de tão numerosas, pouco ou nada de concreto se sabe.

O que se sabe é que este extenso rol de medidas é o resultado directo das exigências feitas, há uma semana e meia, pelos eurocratas de Bruxelas a Portugal e, em particular, ao agora quase mudo ministro Teixeira dos Santos (que, contrafeito com o papel a que se viu remetido - de ouvir raspanetes nas reuniões europeias e andar a vender a dívida portuguesa porta a porta por esse mundo fora - se auto-impôs uma greve parcial de declarações públicas). O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, pediu a Teixeira dos Santos «novas medidas de consolidação orçamental», o comissário Olli Rehn insistiu com mais passos «nas reformas estruturais, como a da legislação laboral». E o resultado aí está.

Mas o que parece é que este pacote de 50 intenções vagas, conhecendo nós demasiado bem o estilo e as práticas de Sócrates, se destina mais a iludir os seus colegas europeus e a sossegar as suas exigências do que a ter qualquer efeito na competitividade da economia portuguesa.

Ainda assim, há aqui um padrão de comportamento que se repete. Foi também exactamente na véspera de uma importante cimeira europeia, do Ecofin, no final de Setembro, que Sócrates e Teixeira dos Santos anunciaram ao país o terceiro e mais drástico pacote de medidas de austeridade: corte de 5% nos salários da Função Pública, congelamento de pensões e subsídios sociais, aumento do IVA para 23%, etc. E foi também como resultado das crescentes pressões de Bruxelas que esse pacote foi aprovado em Conselho de Ministros.

Ou seja, o Governo, que há muito perdeu a autonomia e a iniciativa das decisões, passou a ser comandado ao ritmo das directivas de Bruxelas. E a aprovar pacotes de medidas em todas as vésperas de reuniões ou cimeiras europeias. Quanto a Sócrates, continua a dar profusas entrevistas, a desmentir a realidade e a vender ilusões. Reduziu-se a uma espécie de marketeer político. Antes de sair de cena.
«SOL» de 17 Dez 10

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Cavaco, Sócrates e os pobres

Por Ferreira Fernandes

NO SÁBADO, José Sócrates condenou quem explora "de forma descarada" a questão da pobreza para retirar dividendos políticos. No domingo, Cavaco Silva, como já estava programado, foi ao casamento de Filipa e Paulo, um ex-sem abrigo. E, na festa, o Presidente fez o rol das vezes em que ele falou da pobreza ao longo do mandato que agora acaba. Está bem de ver o pingue-pongue entre Sócrates e Cavaco, com os pobres a fazer de bola. Com uma diferença: Sócrates bolando mal e Cavaco, não. O próprio dos políticos é surfarem as boas causas, por estas (falo dos políticos que não são homens maus por natureza) mas, já que estão ali, também por eles. Isso é generalizado, como indicam as palavras no sentido do pêlo, as simpatias estudadas, os silêncios prudentes, de todos, incluindo Sócrates e Cavaco. Quem nunca dançou à frente das câmaras como Jerónimo de Sousa que atire a primeira demagogia. Daí que, entre políticos, seja quase sempre errado emprestar oportunismo ao abraçar de causas dos outros. Que se dê de barato que há sinceridade em todos (até porque os não-políticos já descontam o suficiente para não acreditar na sinceridade de nenhum). Se há que criticar seja, pois, a causa. Ora, a que Cavaco abraçou no domingo é impecável. E, aliás, o sr. Paulo, ex-sem-abrigo, com a sua gravata de seda e sorriso radioso, tinha brilho que apagava qualquer exibicionismo circundante.
«DN» de 21 Dez 10

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20.12.10

A FOTO de cima, tirada recentemente na Av. da Forças Armadas, em Lisboa, mostra o passeio do lado Sul "devidamente" obstruído com uma das muitas criações de biomassa espalhadas pela capital. Um pouco mais abaixo, um letreiro da autarquia pede desculpa pela ocupação parcial da via pública. Mas não precisa de se desculpar, pois essa vegetação vale muito dinheiro, e decerto é ali mantida para, um dia, ser vendida - ajudando a recuperar as finanças da Câmara de forma mais prática do que as famigeradas amêijoas do Tejo (lembram-se dessa rábula)?

Carpideiras

Por João Paulo Guerra

QUANDO morre alguém conhecido ergue-se neste país a melopeia do Coro das Carpideiras. E assim, às naturais, justas e amplas manifestações de pesar por parte de muita e boa gente, juntam-se as carpideiras para as quais um morto com qualidade dá sempre jeito para que se ponham em bicos dos pés.

Não há morto que não passe a ser, pelo facto de ter morrido, uma excelente pessoa de raro carácter e um profissional de excepção, enquanto foi vivo. E esta modalidade de panegírico, entoada pelas mais suspeitas silhuetas, tem diversos objectivos. O primeiro é o de atestar que o fulano está morto e não mais atormentará a memória e a consciência - a havê-la - dos que cá ficam bem mais sossegados. A segunda é colar os louvaminheiros às qualidades, ao prestígio e ao auditório do falecido.

E a terceira é exibir a condescendência do autor da louvaminha, caso tenha feito a vida negra ao defunto. E é assim que o sujeito dos elogios fúnebres não é em geral o morto, mas o vivo que com ele terá convivido.

Claro que isto vem a propósito de comentários proferidos por ocasião da morte prematura do jornalista e divulgador cultural Carlos Pinto Coelho, justamente homenageado por muitos que o apreciaram em vida e lamentaram na morte, como também bajulado por vários dos que o tramaram enquanto vivo, ou simplesmente disfarçaram porque é sempre mais cómodo não tomar posição ou nem sequer tomar conhecimento.

Lembro-me que Maria Lamas dizia que desconfiava das homenagens. E que Fernando Lopes Graça dizia, peremptório, "não vou a festas". Eles lá sabiam. Pois se até o turvo ditador de Santa Comba elogiou mestre Aquilino Ribeiro, na hora da sua morte, depois de em vida o ter atirado aos juízes ou lançado directamente para a cadeia!
«DE» de 20 Dez 10

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«No princípio era o magma»...

Por A. M. Galopim de Carvalho

APÓS a acreção do protoplaneta que antecedeu a formação deste maravilhoso corpo planetário que nos deu berço, e na sequência dos processos que determinaram a sua diferenciação como planeta (nomeadamente e em especial, a contracção gravítica e a formação núcleo), a Terra acumulou uma quantidade de calor tal que a converteu numa imensa bola incandescente. (...)

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19.12.10

Quando eles nos deixam

Por Alice Vieira

ENTRO na sala, e é como se tudo faltasse só porque ele falta.
Desde ontem que ando para aqui sem saber o que fazer, abro portas, fecho portas, olho em volta, como se isso chegasse para o fazer voltar a casa.
Foi a primeira vez que passou a noite fora.
E sem aviso.
Ligo às amigas, na tentativa de um consolo, de uma palavra de conforto. Para isso é que se inventaram as amigas.
Nada feito.
Riem-se de mim. Deve ser a isto que se chama “solidariedade feminina”.
“Cinco anos, dizes tu? Aguentou cinco anos? Meu Deus, mas isso é uma eternidade! O meu não aguentou nem dois!
“E o meu? Ao fim de um ano, adeuzinho!” (...)
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Um pedacito de bolo-rei no bico

Por Ferreira Fernandes

JÁ O DISSE, presidenciais a sério em Portugal só no meio das décadas, quando o anterior inquilino é obrigado a largar o Palácio de Belém. Quando calha em princípio de década, como agora, quem está e pode prolongar o contrato de renda por mais cinco anos, fica porque a concorrência é fraca. E a concorrência é fraca porque sabe que ele fica. O mandato é sempre de dez anos, paga-se é em duas prestações. Por isso Soares esperou o fim dos dez anos de Eanes, todos esperaram o fim dos dez de Soares, Cavaco só ousou repetir no fim das duas doses de Sampaio, e a meio de Cavaco temos esta campanha sensaborona por falta de comparência de oposição. Estamos, pois, em pleno intervalo do mesmo filme. Espaireçamos, como se faz nos intervalos. Gostei, também já o disse, da frase de Fernando Nobre: "Já viu uma criança correr atrás de uma galinha para tirar o pedacito de pão que ela levava no bico?", lançou ele a um adversário. É uma bela tirada. Mas, lá está, Nobre é candidato de eleição-intervalo, um amador, e não soube, como devia, repetir a tirada com Cavaco: "Já viu uma criança correr atrás de uma galinha para tirar o pedacito de bolo-rei que ela levava no bico?" Um conselho, porém: não a repita com Alegre. Arriscava-se a ouvir este gabar- -se de ter uma solução para a parábola: ele, o poeta-caçador, dava um tiro na galinha e resolvia o assunto e a fome de todos.
«DN» de 19 Dez 10

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Luz - Lago Titicaca, 1971

Fotografias de António Barreto- APPh

Clicar na imagem, para a ampliar
É um lago mítico. Fica entre a Bolívia e o Peru, a mais ou menos 3.800 metros de altitude, pelo que é certamente um dos lagos mais altos do mundo. É grande, tem cerca de 200 quilómetros de comprimento. E mais de trezentos metros de profundidade... Está povoado de barcos de junco ou de madeira, conduzidos por Índios, ora pescando, trabalhando e transportando as suas mercadorias, ora mostrando-se aos turistas a troco de uma moeda. Agora também há “hydrofoils” para viagens mais confortáveis. Dizem os locais que o lago tem poderes e segredos. E que entidades mágicas e misteriosas habitam as suas margens, as suas pequenas ilhas e, os mais aterradores, as suas profundezas...

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18.12.10

A última lição

Por João Duque

HÁ, NAS UNIVERSIDADES, uma prática comum de solicitar aos professores que se aposentam, a prestação de uma “Última Lição”. É uma aula triste por natureza, porque é suposta ser essa a última lição formal do lente. E é sempre triste quando um professor se despede da sua profissão, haja embora alguns que vêem na sua saída a maior das alegrias...
No caso do professor Ernâni Lopes, que eu saiba, não houve a última lição. No entanto, sem a saber, ele proferiu-a, e de que maneira, ao participar em Junho de 2010, num programa da SIC-Notícias (Plano Inclinado), e em que tive o prazer de partilhar a sua companhia em estúdio. (...)
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«Antes a mais do que a menos...» - devem eles ter pensado

NA RUA da Palma, em Lisboa (em frente ao n.º 294), via-se, até há algum tempo, o que na imagem de cima se documenta. Como habitualmente sucede nestes casos, a PT foi alertada: seria necessário rodar a tampa (quadrada) de 90º. Quem lá foi fazer o trabalho rodou-a de 180º. O resultado vê-se em baixo.

Num quarto de hotel

Por Antunes Ferreira

FAÇAM o favor de me acreditar, o que desde já agradeço: não tenho vontade nenhuma de escrever. E, se eu gosto de o fazer… Porém, há momentos em que uma pessoa nem tem vontade de gostar daquilo que gosta. Este é um deles. Aqui onde me encontro, fora do País para onde voltarei já amanhã, afinal hoje para quem tem a paciência de (ainda) me ler, continuo a sentir o mesmo peso – se não maior – que me caiu em cima na quarta-feira, à noite.
Desculpem-me este desabafo. Talvez ele me ajude a acertar nas teclas do meu portátil, num quarto de hotel que não é a minha casa e por isso um tanto claustrofóbico. Mandei vir o combinado n.º 6 e o empregado do Room Service entregou-mo há uma meia hora. (...)

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17.12.10

Criação da COLT, no Saldanha, em Lisboa
Ver mais [aqui]

Miséria

Por João Paulo Guerra

OS TRABALHADORES empregados vão passar a descontar para a indemnização mais barata que poderão vir a receber quando, mais dia, menos dia, forem despedidos.
Este é o requinte máximo da nova legislação laboral de um governo socialista. E aqui está o verdadeiro socialismo da miséria, como contribuição portuguesa para o ‘stock' das ideologias.
As oferendas ao patronato que, a par de outros "incentivos", poderá agora despedir mais barato e, em última instância, pagando as indemnizações com descontos dos salários dos trabalhadores, é uma das medidas do pacote laboral do PS pós-moderno, uma espécie de pós para um socialismo solúvel. (...)

Texto integral [aqui]

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Um passatempo «Acontece...» muito especial

HÁ POUCOS dias, escrevi ao CPC dizendo-lhe que já estava na altura de ele enviar para o Sorumbático mais uma das suas fotografias solicitando comentários de leitores.
Nunca saberei se estava ou não a tratar disso. O que sei é que em tempos me deu dois exemplares deste seu livro de fotografias, sendo um para mim e outro para entregar a um leitor, como prémio de um dos passatempos que ele tanto apreciava. Eu estava a pensar guardá-lo para o 6.º aniversário do blogue (que ocorrerá muito em breve), mas acho que não fica mal atribuí-lo agora, e em condições semelhantes às que o Carlos gostava de enunciar:
«O livro cuja capa aqui se vê será atribuído ao autor da melhor legenda feita para a fotografia da capa». O passatempo terminará às 20h do próximo dia 20, segunda-feira, podendo cada leitor concorrer com um máximo de duas sugestões.
Actualização: ver resultado [aqui].

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16.12.10

Eis o que escrevi a quente ainda ontem

Por Pedro Barroso

ACABAVA de te enviar um email, meu amigo, quando entrei no Facebook. E descubro que morreste.
Assim de repente, com tudo a acontecer.
Quantos dias e quantas noites bonitas vivemos. Como irmãos, cúmplices e companheiros desta guerra imensa da cultura.
Foste um cavaleiro, Carlos. Um homem que estabeleceu pontes entre esquerda e direita; em nome do sonho e da cultura; sempre.
Agora que tudo estava a relançar-se bem e entusiasmante, o corpo disse não. Ainda não acredito.
Como ter coragem de apagar o teu tm? Como vamos deixar de trocar as brejeirices de eternos epicuros sem maldade? Onde encontrar ouvidos para te enviar as piadas que eu supunha mais inteligentes? Como vamos assim, outra vez, por essa estrada fora?

Merda, Carlos!
Juro. Fazes-me falta!
Fazes-nos tanta falta a todos nós! Já somos tão poucos a pugnar pelo tal país maior...

O último abraço
deste teu grande amigo
Pedro

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O funeral do Carlos Pinto Coelho realizar-se-á amanhã, sexta-feira, pelas 17h30m para o cemitério dos Olivais, onde será cremado às 18h30m

Acontece

Por A. M. Galopim de Carvalho

ACONTECE
a todos. Uns hoje, outros amanhã. Sempre assim foi e assim será. Foi agora a tua vez. Amanhã será a dos que te viram partir. De todos, sem excepção. Dos bons como tu, que fazem falta à sociedade e que nós desejaríamos ter por cá muito mais tempo, e dos outros, incluindo os que não prestam, como aqueles que, estupidamente, te cilindraram na RTP, privando-nos do único e, até hoje, o melhor programa cultural televisivo em Portugal, e aqueles que, afastada a rapaziada que sancionou esse atentado à inteligência, não quiseram ou não souberam ir buscar-te e repor-te no lugar de onde nunca devias ter saído.

O nosso relacionamento, não tendo sido tão intenso e próximo como os que mantiveste com um grande número de amigos e profissionais do sector que foi o teu, pautou-se pela simpatia que o tempo converteu em amizade. Tu e o teu Acontece, atentos a tudo o que de sabor cultural se ia produzindo neste nosso torrão, foram dando visibilidade aos livros que ousei escrever. E foste tu que, há pouco mais de um ano, em Évora, apresentaste o último que dei à estampa. E com que entusiasmo e brilhantismo!

Vais deixar saborosas saudades em muitos dos teus concidadãos e eu sou um deles. É um privilégio póstumo de que nem todas as almas se podem gabar. Mas com a tua, acontece.

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Por Joaquim Letria

O CARLOS
era um dos meus amigos. Foi meu chefe de Redacção na Informação 2, quando dirigi a Informação do Segundo Canal autónomo da RTP, presidido pelo Fernando Lopes e que a AD desmantelou logo que chegou ao poder.
O Carlos foi um excelente jornalista, que eu conhecera no "velho" Diário de Notícias quando os jornais costumavam ter jornalistas de prestígio nas suas redacções.
Quando contribuí com alguns programas para a RTP, o Carlos era o melhor Director de Programas que a RTP tivera. Também no tempo em que havia directores de programas que conheciam a etimologia da palavra qualidade e o significado de Serviço Público, o Carlos foi o melhor director de programas duma estação de TV portuguesa, emparceirando com o Miguel Araújo e o Moniz.

Fiel à sua cultura, à sua experiência e ao seu gosto, criou um programa diário único no panorama do audiovisual português. Produzia-o, editava-o e apresentava-o com paixão quando este regime fez a filha de putice de o varrer prematuramente da RTP.

Visitei-o mais tarde na sua casa de Évora, por mais de uma vez. Vi-o ser condecorado e considerado pelo Governo Francês. Coincidimos em Nova York profissionalmente e divertimo-nos muito nos intervalos. E nunca deixámos de rir e de gostar das coisas que fazíamos, empurrados pela vida.

Carlos, o que te aconteceu agora, todos temos garantido. Não esperamos é por tal coisa tão cedo, Meu malandro, sempre cheio de pressas! Acontece...

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O corpo do Carlos Pinto Coelho estará no Palácio Galveias, em Lisboa, a partir das 20h de hoje.

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Mail urgente para o CPC

Por Miguel Viqueira

Mon Prince!,

A MEIO do jantar ouvi dizer que tinhas morrido: mais uma das tuas, mon Chevalier, que não páras quieto nem no Natal...
Depois desataram a pingar as notícias: nos blogues, nas edições digitais. Claro que comecei a não achar piada à piada e aos poucos, fatalmente, não tive outro remédio senão acreditar primeiro, ir aceitando depois, que afinal se calhar tinhas mesmo morrido!
Duas questões: morreste mesmo?
Segunda: por ordem de quem? Mas isto agora é assim, morre-se sem dizer nada, de "repent", sem passar cartucho a ninguém...?
Mais uma, subsidiária e egoísta, de quem cá tem de ficar, com cara de parvo e um vazio do tamanho da noite: e agora? Com quem vou eu discutir, comentar, admirar, rir, e a quem vou mandar à fava de vez em quando?
Olha, Carlinhos, além de na morte e nos impostos (ter de os pagar...) só acredito noutras duas coisas, ambas por demonstrar empiricamente mas portadoras daquelas certezas certas do coração: acredito na imortalidade do espírito humano (alma ou como queiras chamar-lhe) e em que tudo, mas tudo, nesta vida de cá, é mistério. Mistério que tu agora já desvendaste, como todos nós faremos a seu tempo. Agora que já percebes tudo, já conheces tudo, já desmascaraste tudo, imagino o espanto e as gargalhadas...! A chatice é que não me podes contar! (Não podes mesmo?).
Fica contente pelo que deixas, mon Prince: família, amigos, o teu trabalho de décadas. Nós é que temos de nos agarrar à brocha, agora. Mas, por ti, fá-lo-emos sem pestanejar.
Bem sei que a este mail não vais responder: será o primeiro! E como também sei que gostas destas coisas, deixo-te, enfim, enfim, com um verso do Jorge de Sena que ainda ontem reli:
"O que nos mata é solidão povoada".
Pois é. Como a minha de agora, contigo cá dentro.
E assim acontece!
Até esse dia que tu já sabes qual é!

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Quando o governo matou o «Acontece»

A AFIRMAÇÃO de Morais Sarmento - de que sairia mais barato pagar uma viagem à volta do Mundo aos espectadores do Acontece do que manter o programa vivo - foi um mimo em matéria de "falta-de-chá"; e a primeira coisa quem vem ao espírito é que não se deveria gastar tempo a discutir patacoadas de tal jaez. Mas houve quem se desse ao trabalho de contra-argumentar, multiplicando o número de espectadores do programa pelo preço de uma viagem dessas.

Palpita-me, no entanto, que foi tempo perdido pois, se calhar, o verdadeiro problema está na definição de "volta-ao-mundo": quem se abalançar a fazer uma deverá atravessar os meridianos todos (de preferência à latitude do Equador) percorrendo, pelo menos, os 40076,5 km que ele tem de perímetro.

Ora, alguns pensam que basta cruzar os meridianos independentemente da latitude a que o façam. Se isso fosse verdade, podia considerar-se que alguém dava a volta-ao-mundo (mesmo de trotineta, de patins ou ao pé-coxinho) contornando simplesmente um urso polar que estivesse a hibernar à latitude de 90º. Deve ter sido para uma "volta" dessas que o senhor ministro pediu orçamento e, se assim foi, está tudo explicado e com clareza "meridiana".

Quanto ao urso: de facto, não era necessário para esta explicação, mas acabou por entrar aqui por associação de ideias.
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Texto de CMR, publicado no Expresso em 1 Mar 03 (na secção Carta Branca, com o título «Vai uma voltinha?»), e no DN em 23 de Fev 03, com pequenas diferenças.

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O Carlos

Por Carlos Medina Ribeiro

OS MAIS
assíduos leitores do Sorumbático saberão que este blogue completará 6 anos de idade muito em breve, pois nasceu no dia 5 de Janeiro de 2005.
De início, era só eu quem escrevia, mas foi por pouco tempo: duas semanas depois, já o Carlos publicava nele, como colaborador: a sua primeira crónica, intitulada
Cinco medidas para o Serviço Público de Televisão, ainda se pode ler [aqui] (ver também o comentário lá afixado), continuando a divulgar regularmente as crónicas que então publicava n' A Capital, até ao seu fecho, e ainda textos inéditos.
Mais tarde, começaram a surgir, nomeadamente às terças-feiras, as suas magnificas fotografias, que tirava por todo o mundo, e que faziam as delícias de muitos leitores, nomeadamente quando associadas aos seus passatempos Acontece, sempre com prémios.


O nosso conhecimento remontava a 1999, especialmente na sequência do prefácio que ele havia feito para Jeremias e as Incríveis Consultas do Dr. Reboredo (que esgotou). Por essa altura, teve a amabilidade de me levar aos programas Acontece (na TSF e na RTP), que fizeram esgotar o referido livro e ainda os Operação Jeremias e Jeremias, Consultor. Mais tarde, em 2006, foi também ele quem fez o prefácio de Jeremias dá uma mãozinha - o único, de todos, que ainda é possível encontrar.

Mas foi devido ao Sorumbático que nos conhecemos melhor: os inúmeros mails trocados, as fotografias que tanto interessavam os leitores (e que ele nunca regateava), os almoços que fizemos em conjunto com outros colaboradores do blogue, os livros que ele generosamente oferecia aos leitores (mas fazendo sempre questão do anonimato!)... tudo isso me levou a conhecer de perto - e agora a ter muitas saudades - do Carlos que agora nos deixa.

Adeus, amigo Carlos.

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Carlos Amigo, estamos todos contigo

Por Antunes Ferreira

A ÚLTIMA VEZ que estivemos juntos, lembras-te Carlos?, foi no almoço do aniversário do nosso Sorumbático deste ano. No final, ficámos na chalaça nós os dois, acompanhados pelo nosso «patrão» outro Carlos, o Medina Ribeiro. Lembras-te, estou certo, meu Amigo.

E da primeira vez, penso que também te lembras: eras um puto vindo de Moçambique, conhecemo-nos nas escadas da Faculdade de Direito, era eu já um calmeirão, três anos mais velho do que tu: nomeaste-me teu «padrinho», à revelia, pois claro e ficámos amigos para sempre.
Estivemos juntos em muitas coisas & loisas & aventuras & malandrices. Na TSF, no Acontece, na Mais, eu sei lá em que outros, mas a sério, a sério, no Jornal Novo. Em que privámos, combinámos, colaborámos, conjurámos, inventámos tudo o que fosse impossível. No 31 da Armada (o restaurante), onde durante o dia nasciam quatro revoluções, seis golpes, e outros tantos contra-golpes. Sob o olhar agudo do Artur Portela e o complacente do José Sasportes.
Desses tempos guardo-te, Carlos, numa gaveta muito especial do meu coração, até hoje meio secreta, agora estupidamente vazia. E do tempo em que te lixaram na RTP, em que atiraram com o teu e nosso Acontece pela janela mais infecta. Aventaram, como tu dizes, alentejano por escolha e devoção.

Estou para aqui a debitar prosa sem saber exactamente o que é esta paridela. Só tenho uma safa: tu estás uma vez mais e sempre comigo. A notícia que o Medina Ribeiro me deu pelo telefone não existe, nunca existiu, nunca existirá. Porque tu não mereces que outra coisa seja. Estás por cá, a rir-te como sempre, com o Cartão da Alegria no bolso do casaco – e cheio de vontade de o exibires.
Um tipo bué da fixe, como dizem os meus netos e, sabe-lo bem, eu também. Bastava isso para sermos amigos em todos os momentos: nos bons, mas, especialmente, nos maus.

Carlos Amigo, estamos todos contigo.

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A laicidade como condição de sobrevivência

Por C. Barroco Esperança

A LUTA partidária dos países democráticos, com a consequente necessidade de caça ao voto, tem levado os Estados laicos a uma estranha cumplicidade com as religiões, não se limitando a garantir a liberdade de culto – como é seu dever –, mas subordinando-se aos interesses da religião dominante.
A globalização trouxe consigo a possibilidade de expansão de todos os credos à escala mundial, aspiração que os apóstolos acalentavam, sem contarem com concorrência. Na Europa os cristãos ortodoxos procuram manter privilégios ancestrais e conquistar os países da ex-URSS; o Vaticano pretende opor um dique ao Islão e atrair os anglicanos enquanto combate o secularismo e a laicidade; as seitas evangélicas desejam penetrar no mercado enquanto o Islão, ressentido com o seu atraso e o fracasso da civilização árabe, procura islamizar o mundo nem que seja à bomba. (...)
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15.12.10

Na terra das Leis-da-Treta

NA AV. ROMA, em Lisboa, um cego é conduzido por uma idosa no meio dos habituais obstáculos que proliferam nos passeios da zona. A impotência (ou completa insensibilidade?) dos poderes públicos perante estas situações já é impossível de qualificar. Acresce a triste constatação de que a foto, apesar de ter sido tirada há um par de dias, poderia ser dos tempos de qualquer gestão autárquica - de Kruz Abecassis para cá.

No Reino do Absurdo

HÁ CERTAS notícias que, isoladas, já dão que pensar mas, quando vêm acompanhadas por outras, se tornam verdadeiramente intrigantes. Atente-se nestas duas, ambas do «JN» de hoje:
Se passar numa unidade de saúde e não pagar a taxa moderadora, leva com uma multa de €100 (repare-se que se trata de uma multa e não de juros de mora, o que teria alguma lógica).
No entanto, se for espanhol e passar numa ex-SCUT sem pagar, não lhe acontecerá nada - como, aliás, aqui se previu desde 2007, pois não é de crer que as concessionárias tenham acesso às moradas dos infractores - e, mesmo que tivessem, haja mecanismos para forçar o pagamento em falta. Aliás, o mais certo é que suceda o mesmo com os veículos de todos os países estrangeiros (e não só os de Espanha).

Esta é a tira n.º 200 - PARABÉNS!

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A encruzilhada

Por Baptista-Bastos

A AD, nas suas variantes e máscaras, foi sempre um equívoco. Por inconsistência ideológica, pela insatisfação dos seus próceres, cuja ânsia de poder sobrelevava as urgências nacionais, e pela obstinação absurda de que não encontrariam resistência. É um empreendimento que pretendia assegurar a continuidade -não se sabe bem de quê. Porque a História deixara de ser o que fora, e a crença na renovação de uma convergência de direita, que os seus entusiastas procuravam inocular ao "projecto", constituía uma espécie de sobressalto emocional. Todas estas ligações não só foram inúteis como se revelaram perigosas. (...)

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14.12.10

?!

Conveniências

Por João Paulo Guerra

AS REVELAÇÕES do WikiLeaks estão a permitir que o Mundo, em lugar de se ver na imagem retocada das suas vaidades e interesses, se observe para lá do espelho deformado pelas conveniências. É como se o Mundo, de repente, tivesse tomado um soro da verdade que o impedisse de mentir ou de dizer apenas semi-verdades convenientes, como se a diplomacia tirasse as luvas brancas das praxes, como se os políticos tivessem ficado coagidos à sinceridade. E não estamos a falar de conversas escutadas atrás das portas. As revelações do WikiLeaks correspondem a documentos escritos e autenticados da administração norte-americana onde as coisas se designam pelos nomes e não com palavras maquilhadas pela oportunidade ou o interesse.

E é assim que ficamos a saber que, na óptica do «amigo americano», determinado político português é de facto considerado «um amigo» e outro um «teimoso». Ou que um terceiro influenciou decisões de Estado, relativas à permanência de tropas no Afeganistão, pelo facto de não lhe terem dado a importância de uma recepção na sala oval. Ou ainda – soube-se ontem e pasme-se – que um banqueiro português se terá proposto espiar para os americanos as finanças de certo país.

E se isto é assim à reduzidíssima escala portuguesa, calcule-se o chinfrim que vai a nível mundial. Claro que já andam pessoas e instituições a tramarem apertar o pescoço a este intempestivo Wikileaks, o mensageiro que está a deitar por terra toda uma cultura de fingimento, e toda uma prática de impostura, com que o Mundo disfarça as reais intenções e pensamentos dos seus líderes.

Os documentos divulgados pelo Wikileaks estão a minar o primado da hipocrisia na relação entre os grandes do Mundo como entre os estados. E ainda a procissão vai no adro.
«DE» de 14 Dez 10

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Debate de chacha num país de Leis-da-Treta

VAI por aí uma grande discussão entre elementos da PSP e das Câmaras Municipais de Lisboa e Porto por causa das atribuições no controle do trânsito e do estacionamento.
Embora sem ter sido convidado, a minha contribuição para o debate (como parte interessada) consiste em divulgar estas 3 fotos (tiradas com pouco tempo de intervalo e no mesmo local) e desafiar os leitores a responderem às seguintes questões:


O que é que fizeram estes fiscais da EMEL? E os agentes da Polícia Municipal? E a Divisão de Trânsito da PSP?

13.12.10

Passadeira de peões na Rua Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa.
Mais uma imagem para a galeria de horrores - [aqui]

Passatempo-relâmpago de 13 Dez 10

O LIVRO cuja capa aqui se vê será atribuído a quem primeiro responder à questão que adiante se coloca, a propósito de um famoso episódio da Peregrinação. O passatempo surge por associação de ideias com a actual peregrinação do nosso Ministro das Finanças à China para vender a nova especiaria lusitana: dívida...
IA FERNÃO Mendes Pinto a caminho da China para vender pimenta quando o seu navio foi apanhado por uma violenta tempestade. Face a esse perigo, a tripulação reagiu de duas formas diferentes: os marinheiros chineses construíram uma jangada; por seu lado, «os portugueses rezaram fervorosamente». O que fizeram os portugueses quando chegaram à conclusão de que as rezas não os salvariam?
Actualização (18h50m): a resposta certa já foi dada, como se pode ver [aqui].

Os ralhos do Pai do Céu

Por A. M. Galopim de Carvalho

QUANDO o tempo escurecia e ficava com «ares de trovoada», ou quando, distantes ainda, se abriam os clarões dos relâmpagos ou se ouvia o ribombar longínquo e arrastado dos trovões, a minha avó entrava em grande e angustiada agitação. Já não parava quieta, fechando portas e janelas, correndo cortinados, dizendo baixinho:

– Está a ralhar o Pai do Céu! Valha-nos Santa Bárbara! Valha-nos São Jerónimo!

E rezava, nervosa, bichanando em surdina, percorrendo a casa, de mãos junto à boca, com os dedos entrelaçados e crispados, persignando-se apressadamente a cada relâmpago e a cada estrondo.

- «São Jerónimo se alevantou, seu sapatinho calçou»... (...)
Texto integral [aqui]

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12.12.10

Luz - Douro, Vinhas, 2009

Fotografias de António Barreto- APPh

Clicar na imagem para a ampliar
Esta imagem tem o condão de mostrar dois tipos de vinhas distintos e muito recentes, com menos de vinte anos: patamares com apenas dois “bardos” e “vinha ao alto”. Na região, especialistas, agrónomos, enólogos, lavradores e outros técnicos procuram, há décadas, os métodos mais adequados à produção da vinha, tentando facilitar a mecanização, manter ou melhorar a qualidade, tornar o cultivo e a vindima mais acessíveis e económicos, preservar a ecologia e as condições naturais, evitar a erosão dos solos... Não é fácil. E às vezes são objectivos contraditórios. Mas vai-se progredindo. Devagar...

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Alguém viu e quer comentar?

Relembrando...

«DN» de 27 de Maio de 2005 (Enviado por Bernardo Moura)

Mau sinal...

EM TEMPOS, da fachada deste prédio na Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, caíam bocados do revestimento em cima de quem passava! Ao fim de anos e anos com o passeio interdito e sem que ninguém fizesse nada (imagens de cima), a obra de reparação lá se fez, e as grades colocadas pela CML, que impediam a circulação dos peões pelo passeio, foram retiradas.
Tudo bem. Mas o que significa, então, o sinal de perigo que lá continua?
DE FACTO, se houver erros no PC (?), o ideal é que estejam todos concertados... (Anúncio no Facebook)

«Dito & Feito»

Por José António Lima

A CRISE actual da economia portuguesa não é um cisne negro nem um relâmpago no céu azul, não é uma ocorrência surpreendente.

A crise identificada no início de 2007 - dependência do endividamento, insuficiência de competitividade, excesso de intervencionismo do Estado, preferência pelos sectores de bens não transaccionáveis, etc. - prosseguiu os seus efeitos acumulando factores de agravamento (impossibilidade de crescimento das receitas do Estado e incapacidade para limitar o crescimento da despesa do Estado, acentuada com o envelhecimento demográfico, com o desemprego e com o constrangimento crescente do pagamento dos encargos financeiros do endividamento, interno e externo) até ao momento em que emerge a crise económica mundial. (...)
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11.12.10

?!

Lisboa - FNAC do Chiado

O nosso teste

Por Rui Tavares

O PROBLEMA é quando o segredo se torna a regra e não a exceção, como demonstram os documentos até agora divulgados pela wikileaks.
“Vastos ataques por parte de uma China que tem medo da internet”. Este era o título do New York Times na passada sexta-feira.
No seu contexto, vale tudo o que se tem dito nos últimos dias sobre a wikileaks, cujos documentos — ironicamente — o New York Times usava para narrar a repressão chinesa, em 2009, contra o Google.
Nesse mesmo dia um poderoso senador americano exigia que todas as companhias do seu país cessassem contactos com a wikileaks. Extraordinariamente, elas obedeceram. (...)

Texto integral [aqui]

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