2.5.05

Choc-choc... choc-choc...

Os brasileiros usam muito a expressão «F. não se enxerga» significando que a pessoa em causa não se apercebe do pouco nível que tem ou da triste-figura que faz.

Ora essa frase (que reflecte a dificuldade que esse indivíduo tem para se ver tal como os outros o vêem) é particularmente válida para muitos políticos que vivem completamente isolados da realidade - e estou a pensar nos que nunca andam nos transportes públicos, nos que não sabem o que é ir às 5h da manhã para a fila de um Posto Médico... e coisas assim.

Mas há casos piores: muitos deles (pelo facto de viverem rodeados de assessores, seguranças e "Yes-men"), não se apercebem de quando atingem - ou ultrapassam generosamente - o limiar do ridículo.

Ora veja-se:

Será possível que, depois do CHOQUE e Pavor do Bush, do CHOQUE Fiscal de Durão Barroso, do CHOQUE de Qualificações do Bloco de Esquerda, do CHOQUE de Gestão do PSD, do CHOQUE de Valores do CDS, do CHOQUE Tecnológico do PS e do CHOQUE radical de Luís Filipe Menezes... Marques Mendes não se aperceba de que a gente já se agarra à barriga a rir de cada vez que aparece mais um choque - como foi o caso do CHOQUE Vital, que acaba de propor?!

Vão-me desculpar todos, mas as associações-de-ideias são uma coisa terrível, e a onomatopeia «choque-choque, choque-choque» já só me faz lembrar as úteis e estimáveis chocas... das touradas do Campo Pequeno.

3 Comments:

Blogger Pólux said...

"Portugal não precisa de assumir um choque tecnológico. O fundamental é assumir um choque de gestão"( Santana Lopes, na apresentação do programa eleitoral do PSD para as legislativas de 20 de Fevereiro).
(Sic Online)

Também eu fiquei chocado quando vi fundeada no Tejo a Nau Santaneta. E ainda só lá ia, de ancoradouro, pouco mais de um mês e um dia!


A Nau Santaneta


Lá vem a Nau Santaneta,
Que tem muito que contar!
Ouvi, agora, senhores,
Uma história de pasmar.


Passava de um mês e um dia
Que iam no alto mar;
Pouco sabiam fazer,
Muito queriam gastar.


Acima, acima, gajeiro,
Sobe à torre principal;
Olha se vês nossas gentes,
Ou outras do país real.


Eu não vejo nossas gentes,
Mas outras do país real;
Já vejo três cavaleiros
Com ar pouco social.


Alvíssaras, senhor alvíssaras,
Meu Primeiro genial!
Que eu já vejo nossas gentes,
Neste País ancestral.
Vêm em topos de gama,
E em iates modelo,
Feitos no meu estaleiro
De Viana do Castelo.


Já vejo muitos obreiros,
E gente na rua a gritar;
Nossos nomes em letreiros,
Já não sei no que pensar.


Dizem que estão descontentes,
Sem um emprego e sem lar,
E que o pouco bago que há
está Bagão a abaganhar.


Que hei-de dar-te meu marujo,
Para te recompensar?
Serás ministro de Estado,
Seremos dois a governar.


Terás o teu ministério
e muita gente a chefiar
Dar-te-ei um palacete,
Que tem vistas para o mar;
Dar-te-ei muito dinheiro,
e um Forte para morar.


Obrigado meu Primeiro,
Que meu saber galardoa;
Terei muitos submarinos,
Aviões de guerra genuínos
Voando sobre Lisboa.


Que mais queres, marinheiro,
Deste país mareante?
Dai-me só, ó meu Primeiro,
Um porta-aviões gigante
Do qual serei timoneiro.


Lá vem a Nau Santaneta
que tem muito que contar;
Com um Durão na alheta,
Portas com muita palheta,
Que manda da ré à proa
E também no alto mar,
Eis aqui a Nau da Treta
Que fundeou em Lisboa,
C’um pára-quedista a mandar.
Reformas são p’rá gaveta
O que interessa é a Colecta
Que Bagão abaganhar.




Bom choque, este que aqui nos trouxe, meu caro Medina Ribeiro.

Para poupar espaço no blog, agradeço aqui as suas palavras nos versos “O Grão-Mestre”.


Com um abraço,

Pedro Couto

2 de maio de 2005 às 21:01  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Mais uma vez muito grato pela sua colaboração!

2 de maio de 2005 às 21:11  
Anonymous Anónimo said...

Portugal precisa é de um bom
pára-choques, para limitar os danos
causados pela política.

3 de maio de 2005 às 15:25  

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