2.5.05

... e o civismo a 100%

Lê-se nos jormais de hoje que Jorge Sampaio anda na estrada e vai assistir a uma aula teórica.

Mas devia também assistir a uma aula prática. Ora veja-se:

Em tempos que já lá vão, houve um instrutor e um examinador que me deram como "apto para conduzir " - mesmo um Ferrari, se o apanhasse à mão. No entanto, eu nunca tinha guiado de noite, nem com chuva, nem com nevoeiro... nem a mais de 40 à hora.

E, segundo há pouco foi divulgado, hoje em dia as aulas são dadas como há 50 anos, e os 21 parques que foram feitos para ensinar a conduzir como deve ser... estão parados!!

-oOo-

Há algum tempo fui até Espanha de carro.

Estava com algum receio, pois ia fazer uma viagem grande e não conhecia estradas nem hábitos de condução. Procurei informar-me: «Tenha cuidado!» rezava, com candura inesperada, o texto de um guia turístico. «Os espanhóis guiam muito mal!».

E foi assim que, com o coração nas mãos, corri esse país de Norte a Sul. Mas, para minha máxima surpresa (acreditem ou não), ao fim de oito dias e 1500 km por montes, vales, aldeias e cidades, ainda não tinha visto um único acidente!

«Não pode ser!» - pensava eu de regresso a Portugal e à vista de Badajoz - «Nem um gajo estampado?!».

Pois foi nessa altura que vi o que já parecia já impossível:

Um carro de rodas para o ar, acabadinho de capotar! Parei e corri para ele. Esperava-me uma das maiores surpresas da minha vida:

Saindo de lá de dentro, um pouco tonto mas ileso, o meu vizinho e amigo Manuel de Sousa, que fora nesse dia a Badajoz comprar caramelos e encher o depósito!

--

«Diário Digital» de 2 Maio 2005.

Adaptação de um texto enviado para o Expresso em 1998 (e ainda actual!)

2 Comments:

Blogger Pólux said...

Deliciosa descrição, caro Medina Ribeiro. Não para o seu amigo, certamente.(sorriso)

Quanto ao presidente Sampaio, parece que se fez à estrada, e, em escassas dezenas de quilómetros - tantas as que medeiam entre Lisboa e Santarém -, viu tantas irregularidades que decidiu tomar posição sobre a matéria (camuflagem da GNR).

Longe vão os dias em que se limitava a dar comendas. Deixo-lhe aqui uns versos que fiz na altura:



O Grão – Mestre



Já Sampaio aparelha, acolhedor,
Com rútila cruz de colar pendente,
Um novo aspirante a comendador,
P’los altos feitos do nobre valent.
Perto,Guterres louva com fervor,
mas alguém ao lado diz quase silente
Que são já novecentos os senhores
Que Jorge elevou a comendadores.


Ao medalhar o Nobel camarada,
Cedeu a Saramago o Grão Colar
Da Ordem de Sant’Iago e Espada,
Que só a reis e presidentes deve honrar.
Desobrigou-se bem de tal maçada,
Dizendo que a Lei teria que mudar.
Nesse dia, já cansado e ofegante
Faixou dezenas de Ordens do Infante.


Chovem cruzes, oficiais, cavaleiros
E Ordens de Cristo, Avis, Torre-e-Espada,
P’ra militares, políticos, banqueiros,
Dos quais pouco se ouviu falar ou nada.
Agora, dos lusos são os primeiros,
E ostentam na peitaça engalanada
Brilhantes símbolos de heróicos feitos,
E são aclamados, saem satisfeitos.


Por serem mais as comendas que os feitos,
Negou João Soares tal distinção;
Tengarrinha abdicou de iguais preitos,
E Jorge Silva ao outro Jorge disse não,
Por estar banalizada nos efeitos
Tão elevada mercê da Nação.
Mas se crescerem assim os negadores,
Como viveremos sem comendadores?


– É a vida! – diz Jorge – paciência!
Também Mário abusou de tais favores
E ninguém negou benevolência.
Continuarei sempre a dar louvores
Enquanto estiver na presidência,
E fá-lo-ei com todos os rigores.
Esta simples regra de igualdade,
Mais que justa, brota da liberdade.


Abraço,

Pedro Couto

2 de maio de 2005 às 15:06  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Parabéns, caríssimo!

Poesia de Cinco Estrelas!!

Um abraço
do
CMR

2 de maio de 2005 às 18:02  

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