23.1.07

Dente azul

A TECNOLOGIA BLUETOOTH tornou-se popular. Começou por ser usada em telemóveis, e foi para eles que foi inventada. Mas revelou-se um sistema simples e fiável para transferir dados a curta distância. De tal forma que se usa hoje para a comunicação entre diversos sistemas electrónicos. Do nome, «bluetooth», ou seja, «dente azul», a tecnologia nada tem. A não ser a cor dos indicadores luminosos dos aparelhos, que é azul. Mas o nome não é arbitrário, foi escolhido pelos seus inventores, engenheiros da Ericsson, em homenagem ao rei viquingue Harald. É que esse rei tinha como cognome «Blatand», o que, na antiga língua viquingue, significava... «dente azul». E esse rei, que viveu no século décimo e introduziu o cristianismo na Escandinávia, foi quem unificou a Dinamarca, a Noruega e a Escândia, actual Suécia.
O logótipo Bluetooth é uma estilização das runas de H e B sobrepostas,
ou seja, as iniciais de Harald Blatland (Bluetooth)
A tecnologia bluetooth pretende também unificar. Só que agora os reinos são os telemóveis, os computadores, os comandos electrónicos e outros sistemas. Para o conseguir, a tecnologia bluetooth utiliza ondas electromagnéticas de alta frequência (2,45 GHz), que não interferem com os aparelhos de rádio nem com os de televisão e que passam sem problemas através das pessoas e das paredes. Os sinais são muito fracos (1 mW contra 3 W em alguns telemóveis), pelo que não apresentam riscos. Os aparelhos reconhecem-se automaticamente uns aos outros e comunicam em segurança. São um prodígio da programação e da criptografia; o que nada tem a ver com os dentes do rei. Nem o nome bluetooth o tem. É que ter «dente azul», para os escandinavos, é uma maneira de dizer «tez morena», tal como o rei Harald parece que tinha. Se calhar, para os suecos, também eu tenho o dente azul.
Adaptado do «Expresso»

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2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Muito interessante!Não conhecia a origem do nome "Bluetooth" e é curiosa.

23 de janeiro de 2007 às 14:25  
Anonymous Anónimo said...

Tal como sucede com as de Alfredo Barroso, estas crónicas de N. C. ganham muito com as ilustrações que, infelizmente, não são colocadas na versão em papel.
Acabam por ser uma mais-valia para o Sorumbático, e ainda bem para ele.

Ed

23 de janeiro de 2007 às 15:31  

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