30.8.08

Barrancos, 2008 - C. M. de hoje
Se não se consegue reprimir um comportamento ilegal, decrete-se que deixa de o ser.
A genial directiva poderia ter vários autores, de quase todos os quadrantes políticos, como podemos ler em «A Barraca de Barrancos», crónica publicada no «Expresso», há seis anos - [v. aqui].

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8 Comments:

Blogger Jorge Oliveira said...

As pessoas de Barrancos deviam acabar com esta tradição bárbara. E o Governo não deveria ter permitido os touros de morte em Barrancos, uma excepção feita à pressa e à medida, que só revela fraqueza do poder central.

30 de agosto de 2008 às 18:08  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Jorge,

Claro que tens razão.
O interesse da crónica de 2002, que refiro, é relembrar que, na altura, TODOS os partidos se vergaram à "tradição", desde o CDS até ao PCP!

A seguir, Fernando Gomes deu o assunto por encerrado com a multa que mandou passar, e 'a cereja em cima do bolo' foi colocada por Jorge Sampaio!

30 de agosto de 2008 às 18:13  
Blogger Manuel Araújo said...

“A grandeza de uma nação e seu progresso ético e moral pode ser medido pela maneira como trata os seus animais”.

M. Gandhi

Assino por baixo.E digo mais, respeito o "fervor" popular, mas considero que é uma tradição nada inteligente, que me faz pensar que estamos em regressão numa sociedade sem valores…

30 de agosto de 2008 às 23:43  
Blogger Maria said...

Quanto a esta filosofia, os holandeses têm outra fase de permeio antes do decreto final: o se referenda ou se arranjam uns estudos que sem margem para duvida cientifica, validem a lei.
Já que o nariz politico referendou a causa privada do aborto, porque não referendar os toiros ?

31 de agosto de 2008 às 02:32  
Blogger Oscar Maximo said...

Se não se consegue reprimir um comportamento ilegal...deverá assim ser feita uma excepção ao chamado crime perfeito e tambem ser alterada a lei da estrada: falar ao telemóvel e não usar cinto deverá ser permido em casos de chuva torrencial.
Comprove a teoria da relatividade, verificando o que dizia o Prof. Dias Agudo (1910): se um fenómeno, o achatamento dum objecto, uma não proibição, é sempre observado e se verifica para TODOS OS EFEITOS, ele é real.

31 de agosto de 2008 às 09:22  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Bem... Espero que tenha ficado claro que a frase que eu meti em itálico é uma crítica à filosofia dos políticos que legalizaram essa barbárie - como, aliás, está bem claro na crónica que escrevi em 2002.

31 de agosto de 2008 às 09:28  
Blogger rage said...

Não consigo compreender como é possível que esteja hoje em vigor algo que torna legal numa zona do país algo que no resto de país é ilegal.

Porventura despenalizar-se-ia a evasão fiscal ou o homicídio? Duvido que fosse feito... porque o fazer por qualquer outro motivo?

Estamos presos a um ciclo de política hipócrita, onde (1) a realidade não se reflecte na lei e (2) a lei não se reflecte na realidade.

Se algo é crime, é crime. Se não o é, não o é.

Se tivéssemos mais de um estado em Portugal, compreender-se-ia. Não é o caso, não se compreende, demonstra falta de coragem política para fazer a coisa certa.

E nem estou a dizer o que entendo ser a coisa certa, apesar de ter uma posição forte sobre este assunto. Mas não é isso que interessa neste caso. O que interessa é que infelizmente somos, no século XXI, uma democracia muito pouco democrática.

1 de setembro de 2008 às 11:18  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

O que vou escrever seguidamente parece ir contra o que defendi.
Mas não:

-
As leis que pretendem corrigir comportamentos têm de estar "à frente" da realidade.
No entanto, quando estão DEMASIADO à frente acabam por ser ineficazes.

Vou dar um exemplo:

Uma proibição de urinar junto às árvores é facilmente acatada nas cidades, porque a maioria da população concordará com ela.
Mas essa mesma proibição não terá grande sorte no campo (ou, mesmo, numa aldeia do interior, como conheço várias).

Em relação a Barrancos, e como digo na crónica de 2002, a população está ainda num estado "civilizacional" (e de sensibilidade) que não consegue "dar o salto" que, aliás, nem sequer compreende. Vai demorar ainda algum tempo, porventura um par de gerações.

Sucederá o mesmo com as touradas vulgares. Não será necessário proibi-las. A sociedade, na sua evolução, chegará lá.

1 de setembro de 2008 às 11:31  

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