2.9.08

Um debate corajoso e oportuno

TÊM MAIS DE 65 ANOS. Foram dos melhores profissionais do País. Engenheiros, economistas, técnicos, juristas, jornalistas, arquitectos, almirantes ou médicos. Agora passam os dias em casa, inactivos. Sem problemas financeiros. Mas não têm onde aplicar a sua experiência e sabedoria. Portugal está a desperdiçar uma parte considerável dos seus cidadãos "topo de gama".

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20 Comments:

Blogger TAF said...

Portugal está a desperdiçar uma parte considerável dos seus cidadãos "topo de gama".

Permita-me um comentário um pouco irritado: tretas! Quando se tenta colaborar essas pessoas, quase ninguém se disponibiliza e é sempre tudo muito complicado. Ninguém se quer "expor", há sempre muita "prudência", até "falta de tempo", imagine-se. Aqui no Porto, então, é quase inacreditável o número de oportunidades que se perdem porque há projectos que não avançam por falta de capacidade de investimento de tempo e dinheiro. Se quiser, esteja à vontade para dar o meu contacto a essas pessoas, que eu arranjo-lhes já que fazer: taf@etc.pt, http://porto.taf.net/.

;-)

2 de setembro de 2008 às 10:53  
Blogger TAF said...

Deixe-me dizer mais: quer organizar uma iniciativa de "empreendedorismo social", séria e sustentável, que se destine a aplicar esse potencial adormecido? Eu ofereço-me como parceiro.

2 de setembro de 2008 às 11:05  
Blogger Carlos Pinto Coelho said...

Bingo! Muita gente - comigo incluído - quererá ouvi-lo expor as suas ideias. Porque não vem juntar-se à nossa tertúlia de quinta-feira no Casino da Figueira. A entrada é livre... e a palavra também.

2 de setembro de 2008 às 11:25  
Blogger TAF said...

Quem sabe, quem sabe...
Mas, se eu não puder ir nesse dia e se estiver interessado, aqui fica mais informação: http://taf.net/
;-)

Já tenho vindo a escrever sobre estas coisas desde 2003.

2 de setembro de 2008 às 11:37  
Blogger Unknown said...

Para o CPC: Tanto que temos falado sobre isto! TAF tem, óbvia e infelizmente, razão. O pior é que se fossem só os de mais de 65 que adoptassem esse tipo de atitudes...

2 de setembro de 2008 às 11:41  
Blogger Jorge Oliveira said...

Fui ver o site do leitor TAF, que vi corresponder a Tiago Azevedo Fernandes, mas não tenho o prazer de conhecer. Reparei apenas que algumas opiniões do autor, que li de forma dispersa, me suscitam pontes de concordância.

Todavia, continuo sem perceber onde diabo foi ele encontrar justificação para aquele contundente “tretas!” com que começou por mimosear o post de CPC.

Diz que não consegue encontrar colaboração nos séniores porque ninguém se quer "expor". E diz também que no Porto é quase inacreditável o número de oportunidades que se perdem porque há projectos que não avançam por falta de capacidade de investimento de tempo e dinheiro.

Ah, então o caro TAF quer que os velhotes se exponham e que entrem com tempo e dinheiro ! E acha estranho que ninguém lhe responda ! Já teve muita sorte de o velho Cadilhe responder às críticas que lhe fez ao livro. Mas esse tem um lugarzão bem remunerado, uma boa reforma e as exposições não o afectam.

Em todo o caso, explique lá melhor o que tem para oferecer aos velhotes. Nunca se sabe.

2 de setembro de 2008 às 12:33  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

No caso concreto dos trabalhadores "excedentários" (tipicamente os "velhos >55 anos"), de que as empresas se procuram livrar de há uns anos a esta parte, há dois aspectos que, embora sejam complementares, são diferentes:

Um é o do "dispensado";
Outro é o do "dispensador" - a empresa que empurra esses seniores para fora do mercado de trabalho em que estiveram inseridos durante TODA a vida activa.

TAF coloca a tónica no 1.º aspecto. Quanto a mim, erra o alvo, pois o que está em causa, pelo menos nesta tertúlia, é o 2.º

E a prova (de que não é o 1.º aspecto que está em causa), é o facto de os profissionais referidos (com mais de 65 anos, como se dizno "cartaz"), não andam "à procura de emprego".

Essas pessoas (pelo menos as que conheço - e são MUITAS) saíram com chorudas indemnizações das empresas, recebem reformas de bom nível e têm os netos com que se entreter.
Muitos deles, têm também ocupações mais ou menos interessantes.

A tertúlia, pelo que eu percebo, procura, portanto, ir mais longe: perceber porque é que (e não só por cá) a Sociedade empurra (ou procura fazê-lo) essas pessoas para fora do mercado de trabalho.

2 de setembro de 2008 às 12:44  
Blogger TAF said...

Caro Jorge Oliveira

Aqui vai uma primeira resposta rápida, depois terei todo o gosto em explicar com mais pormenor aquilo que penso.

Na questão das "tretas" se calhar não fui feliz na redacção, pois pode não ser interpretado da forma que eu pretendia. A minha sensação ao ler o post foi a de que os "seniores" se queixariam de que ninguém lhes liga, o que não é verdade. A minha experiência neste campo (que já é alguma...) é que quando se lhes propõe um projecto "a sério", sem ser "para entreter velhinhas com bordados", ninguém está disponível. Então fala-se de dinheiro (quase nada se faz sem financiamento), e nem estão dispostos a arriscar o que não lhes faz falta, nem a ajudar a encontrar fontes alternativas de capital. Lá está: dá trabalho, "expõem-se", "só dá chatices"... Estavam à espera de quê? Que lhes fossem propor um lugar quentinho, ao sol, onde pudessem confortavelmente ser consultados pelos "novatos" para partilharem a sua vasta experiência? ;-)

O que eu proponho não é nada disso: é um verdadeiro trabalho conjunto, reunindo competências complementares independentemente da idade. Não gosto de tratar as pessoas como "velhos", no mau sentido da palavra. Há um potencial de experiência, de saber, (e até económico, porque não?) que pode ser especialmente útil quando completado por parcerias com gente mais nova.

Um exemplo cá no Porto: tantos proprietários com imóveis abandonados no Centro Histórico, à espera que alguém lhes dê mundos e fundos por eles, e tanta gente que saberia bem como os aproveitar e rentabilizar!

2 de setembro de 2008 às 12:53  
Blogger TAF said...

Caro C.M.R.: se essas pessoas não se sentem desaproveitadas e estão bem como estão, então provavelmente a sua dispensa teve alguma justificação... ;-)

Eu de facto coloco a ênfase naquilo em que elas, por sua iniciativa e seu "empreendedorismo", podem contribuir para o desenvolvimento. E apostaria nas parcerias com gente mais nova. Como escrevi acima, complementando competências.

2 de setembro de 2008 às 12:59  
Blogger TAF said...

Continuando a resposta a Jorge Oliveira, eis um exemplo de coisas que se fariam muito melhor e mais depressa se houvesse mais capital próprio e/ou participação na elaboração dos projectos técnicos, em vez de tentar "malabarismos" com apoios estatais e crédito bancário, que são demorados e ficam caros: a reabilitação de uma "ilha" no Centro Histórico do Porto. (Ver também isto e isto.)

Este é apenas um exemplo de pequeníssima dimensão. Tentei antes um outro, de bastante maior dimensão, mas sem sucesso por falta de parceiros. Conheço inúmeras outras oportunidades, em todos os campos (tecnológicos, artísticos, ambiente, agricultura, imobiliário, turismo, etc.), com os mais diversos participantes/promotores.

Terei todo o gosto em enviar informações adicionais, e em trocar ideias sobre o tema. Os meus contactos estão todos em http://taf.net/.

2 de setembro de 2008 às 14:43  
Blogger TAF said...

Ah, isto para não falar no Hypermatrix, noutro campo completamente diferente, mas aí compreende-se porque de facto se trata de algo muito mais exótico. :-)

2 de setembro de 2008 às 14:54  
Blogger Florêncio Cardoso said...

A ideia de que "há por aí muita gente que não quer é trabalhar", é verdadeira, e não é só conversa de taxista.
São normalmente "Profissionais do Desemprego" ou do RSI, que vivem de expedientes, da mendicidade profissional ou de outras actividades. E esse é um assunto que merece ser discutido, evidentemente.

No entanto, pelo que se lê na legenda que acompanha o "cartaz", não esse o universo de pessoas (nem são essas situações) que a tertúlia se propõe discutir.

2 de setembro de 2008 às 15:41  
Blogger Jorge Oliveira said...

Que há muita gente que não quer trabalhar é verdade. Eu conheço vários.

E alguns com mais de 65 anos. Mas não é por isso que os mandam para casa. Muitos deles têm bons empregos, alguns com as tais remunerações obscenas, onde não fazem ponta de um corno. Chegam a sair, por vezes com choruda indemnização, vão para outro lugar igualmente bem remunerado, onde continuam sem fazer nenhum. Passado algum tempo voltam à mesma empresa, para fazer o mesmo, ou seja, nada. Alguns até escrevem artigos para jornais ditos de referência, em que se torna patente a vacuidade da conversa fiada, mas os jornais parece que os apreciam imenso.

Aqueles que são mandados para casa, por vezes com muito menos de 65 anos (acontece já aos 51 anos…) ao abrigo da figura da pré-reforma, são aqueles que se tornam incómodos. Sobretudo por motivos partidários, mas não só. A invejinha e a sacanice também têm lugar. Como o dinheiro que remunera os pré-reformados não sai do bolso de quem os afasta, o expediente tornou-se um maná para liquidar adversários e promover amigos.

Ora, quem faz isto de forma contumaz são as células do Partido Socialista nas empresas e organismos públicos, onde se instalaram com grande eficácia desde há muitos anos. As empresas pseudo-privadas, tipo EDP, REN, Galp, etc onde o governo continua a escolher administradores, essas fazem parte da coutada especial do PS. Compreende-se. Nas pseudo-privadas não só as remunerações dos gestores subiram astronomicamente, como foram criados muitos lugares bem remunerados.

Portanto, ao abordar a questão dos séniores que se encontram mal aproveitados no nosso país, é incontornável falar da praxis do Partido Socialista, o verdadeiro responsável por tal situação.

3 de setembro de 2008 às 10:57  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caro Jorge,

Numa empresa que ambos conhecemos bem demais..., foi dada, em 2001, uma directiva no sentido de empandeirar 300 funcionários - que tanto poderiam ser paquetes como engenheiros de topo!

Os diversos serviços de Recursos Humanos (do Norte e do Sul) desataram, então, a contactar o pessoal mais velho (e, portanto, mais próximo da reforma), acenando-lhes com uma verba que, tipicamente, era "um mês e meio de ordenado por cada ano de casa". No caso dos quadros que tinham carro de serviço, este era também oferecido.

Segundo os ordenados dessa época, a coisa traduzia-se, para quadros intermédios, em valores da ordem dos 18 - 20 mil contos (isentos de IRS), com direito a uma carta que permitia (a quem o quisesse fazer) entrar para o Fundo de Desemprego durante mais de 3 anos.

Passado esse tempo (ou até antes), a pessoa já estava em idade de reforma, com um valor que não era, em geral, de desprezar (pois o último ordenado era o que contava para a média dos tais "melhores 10 dos ultimos 15"), e esse valor era aplicado durante os anos de "desemprego".

Apesar de ninguém ser obrigado a aceitar, conheci inúmeros casos de pessoas que o fizeram - e nenhuma, que eu saiba, se arrependeu até hoje.

Uns arranjaram trabalho como consultores, outros até voltaram a trabalhar para a mesma empresa (a recibos-verdes), outros ainda dedicaram-se a saborear a reforma.

Qualquer pessoa minimamante informada acerca do mundo empresarial sabe perfeitamente que as pessoas desse universo (profissional e etário) não andam à procura de emprego.
Dizer que "elas não querem trabalhar", nem sequer chega a ser insultuoso - é, simplesmente, uma tontice.

3 de setembro de 2008 às 11:43  
Blogger TAF said...

Caro CMR

Vai-me desculpar, mas acho que está a escapar-lhe um ponto aqui. É claro que o universo das pessoas sobre as quais falamos "não anda à procura de emprego". O que uma parte delas andará é, eventualmente, à procura de ser mais útil. Aquelas que apenas gozam a reforma não estão preocupadas por "Portugal as estar a desperdiçar", como diz o post. Esta tertúlia pretenderá arranjar maneira de as obrigar a trabalhar? Se é assim, não vejo como, nem me parece que vá produzir grandes resultados...

Há também, contudo, muitas pessoas qualificadas e com uma reforma confortável que sentem poderiam ser mais úteis, mas não encontram enquadramento adequado. As razões podem ser muitas (próprias ou alheias, não é isso que agora estou a focar). É a essas pessoas, e a quem as poderia enquadrar, que na minha modesta opinião se deveria dirigir a tertúlia.

Às outras é deixá-las sossegadinhas no seu "mundo virtual", como se não fosse urgente ser mais activo e solidário por esse mundo fora, desejar-lhes muitas felicidades e que Deus as perdoe... ;-)

3 de setembro de 2008 às 12:17  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Jorge,

O que referes (o afastamento de pessoas desafectas ao poder político e a sua consequente substituição por "boys" e "girls" amestrados) é verdade, mas é um facto restrito às empresas cuja hierarquia é (no todo ou em parte) designada pelo poder ou pela rapaziada do "centrão".

De facto, o problema é mais vasto (e não é só português):

O empurrar dos mais velhos para fora do mercado de trabalho tem muitos motivos, sendo o principal a ideia de que um jovem pode fazer melhor o trabalho - por menos de metade do preço e, com grande probabilidade, sem vínculo laboral.

Em certos casos (como o das "novas tecnologias", em que os mais velhos sentem dificuldades), isso pode ser válido. E, se o trabalho consistir em jogar futebol ou palmilhar ruas a distribuir publicidade, também.

Noutros casos, passa-se o contrário, pois a experiência sobrepõe-se à juventude: é o caso de um cirurgião, de um jornalista, de um advogado, de um arquitecto, de um juiz, de um projectista de centrais elécticas, p. ex.

É o desprezo por essa evidência que permite que nos deparemos, a toda a hora, com notícias redigidas por jornalistas semi-analfabetos, com empresas do ramo electrotécnico geridas por pessoas que não sabem o que é um kW, com juízes sem qualquer experiência de vida, etc.

Mas agora estou de saída para a Beira-Baixa.

Abraço

CMR

3 de setembro de 2008 às 13:44  
Blogger Jorge Oliveira said...

Medina

Boa viagem para a Beira Baixa. Espero que tenhas internet para poder ler os comentários, pois quero fazer-te três observações :

1) É verdade que o afastamento de pessoas, com recurso à figura da pré-reforma, tem uma maior incidência nas empresas em que o Estado tem participação, seja total (as empresas públicas) seja parcial (as pseudo-privatizadas) e nas quais o Governo tem uma palavra determinante na nomeação das administrações. Mas não é verdade que a responsabilidade seja da rapaziada do "centrão". Não há nisto centrão nenhum. Quem recorre de forma pertinaz ao afastamento de pessoas é a rapaziada do Partido Socialista. Não porque a rapaziada do PSD tenha melhor estofo moral. Mas por uma razão mais simples: a rapaziada do PSD nessas empresas não existe. Não passa de um conjunto disperso, muitos deles de rabo entre as pernas para ver se passam despercebidos. Há muitos anos que os militantes do PSD nessas e noutras empresas foram “embrulhados” numa organização fantasma que dá pelo nome de TSD e que apenas existe para outros fins, que agora seria fastidioso explicar.

2) Não é adequado dizer que os mais velhos são empurrados para fora do mercado de trabalho. São empurrados apenas para fora das tais empresas de que estamos a falar. Todavia, mesmo na pré-reforma, podem arranjar emprego noutra empresa. O que acontece é que, tendo passado uma vida inteira a trabalhar num determinado ramo, as alternativas que lhes podem surgir acabam por cair dentro do mesmo ramo, com elevada probabilidade de virem a encontrar a sua velha empresa e as mesmas pessoas que os afastaram.

3) Nas tais pseudo-empresas em que o PS vai procedendo calmamente aos afastamentos por pré-reforma, o principal motivo do afastamento não é a substituição por pessoas mais novas. De facto, é muito raro observar-se a substituição dos que saiem por pessoas mais novas. A justificação mexe com aspectos estruturais destas empresas. Na verdade, as empresas pseudo-privatizadas têm vindo a mudar muito. Em muitos casos de forma preocupante, mas não detectável por quem desconhece o negócio, por vezes alguns dos próprios administradores, nelas caídos de pára-quedas. Há funções que são esvasiadas de conteúdo e os lugares sobram. É então que entra em acção a peneira socialista : se não dá para todos, que saiam os “outros” e que fiquem os “nossos”. É por isso que, ao mesmo tempo que saiem pessoas com 55 anos para a pré-reforma, ou mesmo 51 anos, em antecipação de pré-reforma, há outras com idade bastante superior que vão continuando ao serviço até à idade da reforma formal. Alguns deles com problemas de saúde que recomendaria a ida para casa. Mas como são fiéis que convem conservar, vão ficando. E nalguns casos, pessoas que são já reformadas mantêm-se ao serviço a recibo verde. A filiação ou simpatia partidária de tais pessoas é fácil de adivinhar.

Tudo isto não passa de uma manifestação da velha pulhice humana, neste caso superiormente organizada.

3 de setembro de 2008 às 17:19  
Blogger TAF said...

Hoje de facto não vou poder ir do Porto à Figueira da Foz, mas o meu interesse mantém-se e a disponibilidade para fazer mais também.

Saudações!

4 de setembro de 2008 às 10:34  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Jorge,

Estou no novo espaço cultural de V. V. Ródão. Uma maravilha, diga-se de passagem! Assim houvesse pessoas na terra para a aproveitar...

Vim aqui fazer os "serviços mínimos" e vou ter de sair dentro de 2 ou 3 minutos.

No que toca ao problema que temos vindo a abordar, o que sei de mais concreto foi o que acompanhei, ao longo dos últimos anos, na empresa onde estive (e que conheceste de perto, mas antes dos "tempos da loucura").

Abraço
CMR

4 de setembro de 2008 às 12:06  
Blogger rui f. said...

CONVERSA DE VELHOS

Carlos Pinto Coelho moderou uma tertúlia no Casino da Figueira para a abordagem do desperdício das competências reformadas: TÊM MAIS DE 65 ANOS. Foram dos melhores profissionais do País. Engenheiros, economistas, técnicos, juristas, jornalistas, arquitectos, almirantes ou médicos. Agora passam os dias em casa, inactivos. Sem problemas financeiros. Mas não têm onde aplicar a sua experiência e sabedoria. Portugal está a desperdiçar uma parte considerável dos seus cidadãos "topo de gama" .
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Fui até lá para ver se a lei da oferta e da procura poderia ser revogada. Afinal continua firme e para durar. Com a oferta de trabalho a superar a procura acontece o inevitável: os preços baixam para o mesmo nível de qualidade. Nos restritos segmentos de postos de trabalho altamente qualificados ou de gestão superior, a competitividade entre os candidatos atinge os níveis mais elevados porque o número daqueles que chegam aos vestíbulos de entrada supera a procura gerada pelo crescimento económico. É, portanto, muito normal que não sobrem lugares vagos para aqueles que, entretanto, se reformaram.
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Considero que se trata de uma situação que pode apoquentar alguns séniores mas não creio que possa ser ultrapassada, ainda que fosse, naqueles casos, socialmente desejável. O voluntariado pode ser uma saída mas o mercado do trabalho não.
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Dos intervenientes no debate, que Carlos Pinto Coelho não alargou à plateia, a intervenção de Vieira da Silva foi, sem dúvida alguma, a mais objectiva (até por ter sido quantificada com alguns números reveladoras da situação em Portugal e na generalidade dos países europeus); Adriano Moreira, com quem o ministro entrou em breve desacordo, colocou a sua intervenção ao nível do "wishfull thinking" num registo popularmente correcto, referindo Winston Churchill e Adenauer como exemplo de duas personalidades que mudaram a história do mundo quando já tinham ultrapassado a idade da reforma.
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Ora acerca da bondade da utilização das competências, quaisquer que sejam as suas idades, ninguém discorda; o que expulsa os mais velhos da vida activa é a inelutável falta de trabalho* para todos. Que pode alterar-se no futuro, apesar da tendência não apontar nesse sentido.
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Além de que muitos reformados não estarão muito interessados em alienar o seu tempo voltando atrás no tempo.
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O resto é conversa de velhos.
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* Entendo por "trabalho" o trabalho por conta de outrem. Na realidade o trabalho por conta própria está totalmente fora das preocupações da tertúlia uma vez que nada impede ninguém de utilizar o seu tempo de reformado com actividades por conta própria ou de voluntariado.

7 de setembro de 2008 às 21:40  

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