10.10.19

Os juízes e a política

Por C. Barroco Esperança

Quando um juiz sugere que a normal substituição da PGR, terminado o mandato, se deve a processos relacionados com a Justiça, entra no domínio da especulação e da ofensa aos detentores dos mais altos cargos da República, o PR e o PM.
A substituição da Dr.ª Joana Marques Vidal, pois é a esta que expressamente um juiz se refere, sabendo, como tinha obrigação de saber, pela ampla divulgação da comunicação social, que a própria considerava único o mandato, como referiu no Boletim da Ordem dos Advogados e reiterou numa conferência em Cuba, era pacífica.
Aliás, o constitucionalista Marcelo Rebelo de Sousa, muito antes de ser PR considerou, depois do prolongamento do mandato de PGR, que passava a ser único, embora a lei o não referisse de forma explícita.
E foi assim que a atual PGR, por proposta do PM e concordância do PR foi nomeada.
Ignora-se o que leva um juiz, cujas funções exigem ponderação, a fazer eco das atoardas da direita, com objetivos de luta partidária contra o Governo, ferindo titulares dos mais elevados cargos da República e que os ocupam com legitimidade do sufrágio popular.
insinuação do juiz Bártolo, injusta e gratuita, durante o interrogatório ao ex-ministro da defesa Azeredo Lopes, que Joana Marques Vidal não foi reconduzida na PGR devido a pressões da Polícia Judiciária Militar junto do Governo e de Belém, não honra quem a profere e lesa o respeito que é devido a um juiz, por ter faltado ao respeito que deve ao PR e ao PM.
A falta de escrutínio do poder judicial leva a afirmações deste jaez e à impunidade que lhes está associada.
Depois de terem recorrido à greve, caso exótico de membros de um órgão de soberania, os Tribunais, e de poderem ascender a vencimento superior ao de PM, fica a impressão, certamente errada, de que o que separa a democracia de uma República de Juízes é uma questão de tempo ou de oportunidade.
Espero que a interpretação dos jornais I e Expresso esteja errada, pois os Tribunais são o último reduto da legalidade democrática, mas, a ser legítima, não é com juízes assim.
Com semelhantes afirmações pode pensar-se injustamente que era razoável a especulação maliciosa de que a constituição de arguidos do caso Tancos, em plena campanha eleitoral, visava objetivos políticos.
Ponte Europa / Sorumbático  

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5 Comments:

Blogger Força Força Camarada Vasco said...

é uma canalha corporativa muito bem paga que não presta contas a ninguém

10 de outubro de 2019 às 11:17  
Blogger 500 said...

Pode pensar-se, pode...

10 de outubro de 2019 às 17:55  
Blogger José Batista said...

No caso dos juízes há ainda outro benefício corporativo ilegítimo face aos outros cidadãos: a sua reforma assume à partida o valor do último vencimento.

11 de outubro de 2019 às 22:38  
Blogger Carlos Esperança said...

José Batista:

A reforma é igual ao vencimento dos que estão em funções, quer para os procuradores (MP) quer para os juízes.

Os jubilados vão em janeiro ser aumentados. Os conselheiros ganharão mais do que o presidente da AR e do que o PM.

12 de outubro de 2019 às 01:11  
Blogger Ilha da lua said...

Pena,que estas privilegiadas remunerações não se reflictam na eficiência e na produtividade desta classe

12 de outubro de 2019 às 18:58  

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