18.2.21

A absolvição de Trump é uma tragédia para a democracia

Por C. B. Esperança

A absolvição no Senado, onde eram necessários 2/3 dos senadores para a condenação, foi trágica para a democracia.

Não bastaram quatro anos de pregação do ódio, de afronta às instituições democráticas, de rutura com acordos internacionais assinados pelo Estado americano e as tropelias do homem sem ética, sem coerência, sem sentido de Estado e em permanente conflito com a verdade.

Viu condenar os amigos na duvidosa eleição que o levou à presidência, por perjúrio na trama russa no resultado eleitoral, assistiu à permanente debandada dos seus mais fiéis servidores quando um módico de dignidade os assaltou e manteve-se cobarde e mitómano durante todo o mandato no persistente abuso dos poderes presidenciais e na obstinada manutenção no poder para desacreditar e destruir a democracia.

Perdidas as eleições fez tentativas grosseiras para se manter no poder, desde pressionar um governador para lhe inventar uns milhares de votos até ao falhado golpe de Estado no assalto ao capitólio, dirigido por ele através dos média e das redes sociais. Quis que a eleição ignorasse as urnas, primeiro por fraude, depois pelos tribunais. 

No Supremo nomeou 3 juízes vitalícios, dois deles de forma insólita, o primeiro porque o Partido Republicano impediu Obama de o nomear por estar a cerca de 1 ano do fim do mandato e a última quando ele próprio já estava em campanha eleitoral.     

A instigações do assalto ao Capitólio e as cinco mortes ficaram impunes por cobardia de senadores que perderam a dignidade com medo de com da vingança dos eleitores de Trump nas suas reeleições.

Trump acabou a indultar os crimes dos seus amigos e familiares e acabou ele próprio absolvido no Senado que manchou a sua dignidade e a das instituições democráticas dos EUA, num péssimo exemplo para o mundo.  

O Partido Republicano, hoje dominado por seitas e organizações de extrema-direita não foi sempre menos democrático do que o seu rival, era apenas mais liberal na economia. Hoje, tão mal frequentado, é cada vez menos recomendável.

Joe Biden, no curto espaço do seu mandato, tem cumprido de forma digna as promessas que fez, sendo-lhe difícil restaurar a autoridade moral perdida e a confiança dos países onde o Estado de Direito define as democracias.

Ponte Europa /  Sorumbático 

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4 Comments:

Blogger JM said...

Tragédia para a democracia era se fosse condenado com provas adulteradas pelos democratas, como bem tentaram, o partido democrata a mostrar sua ética habitual.
O discurso de ódio foi uma constante do partido democrata muito mais do que dos republicanos e isso é facilmente verificável.
A influência russa foi comprovada em tribunal ser uma invenção já cozinhada nos meandros cliton como uma possível estratégia de um futuro impechement ainda antes das eleições se realizarem.
É uma vergonha para a América, mas ninguem de boa fé pode deixar de ter dúvidas nos resultados eleitorais americanos onde se consegue votar morto ou quando são encontrados no lixo sacos de boletins de votos e um só candidato.
Conforme ficou mais do que provado no julgamento quem durante 4 anos com crescente intensidade instigou violência e agressão foi sem duvida o partido democrata. Os cinco mortos do capitolio são todos apoiantes de Trump e estavam lá muitos Antifa, falta ainda explicar o porquê de Pellosi não deixar a guarda nacional montar a defesa que os serviços de informação aconselhavam.
Será bom descer à terra olhar a realidade sem os óculos do enviesamento esquerdófilo e perceber que há culpas de ambos os lados, mas os democratas foram os activos e os republicanos reactivos.

19 de fevereiro de 2021 às 07:23  
Blogger Carlos Esperança said...

JM

Obrigado pela lição de História que recebi.

Sempre pensei que Trump fosse um idiota perigoso.

19 de fevereiro de 2021 às 12:17  
Blogger José Batista said...

Um texto da mais clara lisura e rectidão. Felicito-o CBE.
JB

19 de fevereiro de 2021 às 16:42  
Blogger Carlos Esperança said...

Obrigado pela solidariedade, José Batista. Não é a opinião de JM, mas ganhamos 2 a 1. Um abraço.

20 de fevereiro de 2021 às 17:01  

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