27.5.06

Esta dá que pensar

NOS TEMPOS em que, nas escolas, os putos levavam porrada de criar bicho, era frequente os pais pedirem aos professores que não tivessem pena do garoto e lhe dessem tantas reguadas quantas fossem necessárias. Enfim... era a forma que eles tinham de exigir que os putos aprendessem o mais possível...
Anos depois, caiu-se no extremo oposto: um bom professor e uma boa escola são os que deixam passar os putos, independentemente de saberem ou não.
Ora, dado que ainda estamos nesta fase, é de desconfiar desta proposta tão democrática de pôr os pais a avaliar os professores.

12 Comments:

Blogger Bernardo Moura said...

Bem, colocar os pais a avaliar os professores vai ser algo "bonito"(?) de se ver.
Basta recordar alguns episodios de pais, de zonas mais problematicas, que queriam dar umas "sovas" nos professores por estes serem mais "duros" com os alunos.
Não concordo com o método da "estalada" em salas de aula ou seja onde for.
Concordo com repreensões mais duras. Pois têm-se assistido a um aumento galopante de alunos que agridem professores e a única repreensão que têm é serem transferidos para outra escola, não é solução.
Francamente considero que é um dos problemas mais dificeis de resolver na nossa sociedade neste momento.

27 de maio de 2006 às 15:30  
Anonymous Anónimo said...

Considerando o que tenho presenciado recentemente na escola do meu filho, com um encarregado de educação a apoiar o mau comportamento da sua filha perante o professor e a pôr em causa a sua autoridade (quem sai aos seus...), e outro a pressionar a directora de turma para que o seu filho cábula não reprove, há que esperar de tudo.

Manuel Caeiro, Amadora

27 de maio de 2006 às 20:11  
Anonymous Pai said...

Tendo em conta, que na escola secundária que o meu filho frequenta, há um professor que quando os alunos lhe pedem o esclarecimento de uma dúvida responde: isso era o que tu querias! sic.
Tendo em conta que o mesmo professor, já depois de ter entregue os testes corrigidos,
alterou os critérios de avaliação e as notas dos testes, devido a ter sido pressionado pelos pais de uma aluna, que vai ser levada ao colo até ao curso de medicina.
Tendo em conta, o comportamento de outra professora, que afirma em plena reunião com os encarregados de educação, que não lhe interessa que os alunos aprendam ou não, porque o ordenada dela está garantido.
Tendo em conta todas as outras situações, que seria fastidioso repetir, tal como professores estranhamente licenciados em matemática, que nem a matéria que leccionam, dominam.
Tendo em conta, que nem todos podem mudar de escola, porque na sua localidade não há outra.
Tendo em conta que, os pais não são uma cambada de burros, e muitos possuem habilitações académicas superiores ás dos professores, respondam-me lá agora, que os pais não devem ter uma palavra a dizer na avaliação dos professores.
Atenção!! este pedido de resposta não é válido para professores.
Para os professores, respondam-me:
Como avaliariam uma professora do ensino básico, que dá uma bofetada a uma criança de 7 anos, alegando que a criança não estaria a fazer o trabalho suficientemente depressa. Pensem que esta criança era o vosso filho, que, nunca na vida tinha levado uma bofetada.

27 de maio de 2006 às 22:37  
Anonymous Anónimo said...

O que o Pai acima refere são minorias: pais com capacidade para avaliar e professores incompetentes.

27 de maio de 2006 às 23:16  
Anonymous Pai said...

Olhe que não, olhe que não!
Infelizmente.

27 de maio de 2006 às 23:30  
Anonymous Anónimo said...

Temos aqui um "Pai" já a afiar a faca. Remeto para este blog, a propósito do assunto (ver "Passa aí o teste das cruzinhas"):

http://proprivada.blogspot.com/

J. Ferreira

27 de maio de 2006 às 23:36  
Anonymous Zé de Braga said...

Por sugestão aqui colocada lá visitei o blog sugerido.
Sugiro também a todos que o visitem.
Se é esta a ideia que os professores têm dos encarregados de educação, então é verdade que os encarregados de educação não devem avaliar os professores.
Sugiro antes que os professores sejam avaliados por psicólogos e internados quando for caso disso. O único problema é que as escolas vão ficar quase sem professores.

27 de maio de 2006 às 23:58  
Anonymous JC said...

ate pode ser na pior altura, mas pelo menos tem o merito de tentar cativar os pais para se interessarem pela educacao. concerteza ha uns tantos pais ja preocupados e outros que tambem se estarao a borrifar para a escola do seu filho, mas basta alguns despertarem com este processo para apanhar na teia os tais professores "malandros" ou incompetentes. os bons professores nada terao a temer, a nao ser pressao por serem demasiado exigentes nas notas... mas para isso e' que deveriam existir exames nacionais todos os anos para garantir que ha realmente uma aprendizagem e nao a vergonha dos colegios privados com notas inflacionadas.

28 de maio de 2006 às 03:51  
Anonymous Anónimo said...

O maior problema subjacente a estas alterações não é a participação dos pais. São as quotas para a progressão sujeitas a critérios economico-financeiros e um dos outros critérios de avaliação, a saber: taxas de sucesso dos alunos/turmas do docente.O mote da polémica dos pais foi dado por J.Manuel Fernandes no PÚblico de hoje.Ir atrás deste item é desfocar a atenção do que importa: Curricula "novo rico", cargas lectivas e horários de alunos e facilitismosentre outras coisas.

28 de maio de 2006 às 17:25  
Anonymous Anónimo said...

Diz JM Fernandes:"...um passo muito positivo...que pode ajudar a separar o trigo do joio e obrigar os professores a trabalhar mais..."(público 28-05-06). Na coluna do Diz-se pode ler-se:"O jornalismo português entrou num plano inclinado e está envolvido numa teia complexa a exigir boa vontade e reflexão dos jornalistas".
Pois é, Sr. JMF, o senhor devia saber do que fala, em vez de debitar lugares comuns no Editorial
de um jornal como o Público. Trabalhe mais. Informe-se mais.A sua profissão OBRIGA-O a isso!

28 de maio de 2006 às 19:05  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Sendo a Escola um serviço público da maior importância e os professores os seus agentes (devidamente pagos pelos contribuintes) ambos t~em de ser avaliados.

Resta saber por quem, com que critérios, e qual o desfecho.

Em 2001, na empresa onde eu trabalhava, aderiu à moda de "todos avaliam todos", o que, por si só, não tem mal nenhum.

Também neste caso da notícia não há mal nenhum no facto de os pais serem chamados a dar opinião sobre os professores.

-----------

Estarei atento para ver qual será a reacção sindical.
Mas refiro-me à avaliação dos professores (em si mesma) e não a quem a faz e com que critérios (que é outro assunto).

Já que há professores desde o péssimo até ao óptimo, esperemos que defendam a separação do trigo do joio...

29 de maio de 2006 às 16:29  
Anonymous Anónimo said...

Estou a ficar farta da expressão trigo e joio, boa e má moeda, os bons e os maus, etc, etc,
Gostava que me respondessem ao seguinte, curto e grosso: como é que alguém me pode avaliar pelo item "abandono escolar dos meus alunos?" (um dos itens da avaliação do docente, para além de outros tão imbecis como este)
Hipóteses:
1ª-prender o aluno a cadeado?
2ª-dar-lhe parte do meu vencimento?
3ª-prometer trazer um/a striper para a aula?
4ª-ir buscá-lo todos os dias a casa?
Para terminar, gostei da comparação feita pela Ministra entre o médico que dá toda a atenção a um doente grave e o professor que se está lixando para o aluno mais fraco.Sei lá, é gira e inteligente.Com esta passa já ao topo da carreira com Excelente.

29 de maio de 2006 às 23:40  

Enviar um comentário

<< Home