4.5.15

QUANDO OS POLÍTICOS TINHAM MEDO DA TV PURA



Por Joaquim Letria
QUEM TENHA idade para isso recordar-se-á, certamente, da novela da Globo, extraída da obra de Jorge Amado, “Gabriela Cravo e Canela” fazer parar este País.
Até a Assembleia da República, que na época ainda arrastava a qualidade das bancadas da Constituinte, com deputados de grande gabarito e uma mão cheia de excelentes tribunos capazes de conferirem um interessante tempero a um período político fascinante – tudo incomparável com a  deplorável situação actual –parava, ou modificava os horários das suas  sessões para que os deputados pudessem ver a novela e o público não perdesse nem uma coisa nem outra.
Lembrei-me desta história saudosa – da ficção audiovisual e da política nacional – porque a BBC revelou agora no seu site uma história interessante que deve ter valido a vitória dos Trabalhistas de Harold Wilson em 1964,ano em que eu já frequentava Londres com afinco mas ainda lá não morava.
Conta então a BBC no seu website que Harold Wilson se apercebeu de que a BBC se preparava para transmitir, na noite das eleições de 1964, um episódio da “sitcom” “Steptoe and Son”, uma comédia que punha diante dos televisores 26 milhões de britânicos de cada vez que ia para o ar. O chefe dos trabalhistas receou então que o seu eleitorado ficasse em casa para ver a série em vez de se dar ao trabalho de ir às urnas fazer valer o seu voto.
Numa iniciativa até então nunca vista, Wilson foi a casa de “Sir Hugh Greene,o director-geral da BBC, para lhe pedir que não transmitisse aquele episódio naquela noite, mudando o dia e o horário. O então dirigente da BBC interrogou-se, mais tarde, numa entrevista só então conhecida, se a sua aceitação deste pedido não teria custado a vitória dos socialistas e a derrota dos conservadores. Em 1982, Sir Hugh contou este episódio nessa mencionada entrevista, tal como ainda hoje consta dos arquivos da corporação.
Recorda Sir Hugh Greene:
“Wilson fez-se convidado a vir a minha casa para tomar uma bebida. Vinha muito irritado por a BBC ter programado umas repetições de programas e um episódio daquela série coincidir com o dia das eleições. Sugeriu então que isso se destinava a manter os eleitores do Labour afastados das urnas. E chegou a dizer tratar-se duma conspiração contra ele. Respondi-lhe que estava certo de que ele sabia que isso era um disparate e que o que dizia não fazia sentido e claramente disse-lhe que retirava o que dissera e pedia desculpa pelas suas afirmações, ou não valia a pena conversarmos sobre o que quer que fosse. Bebíamos um copo e ficávamos por ali”.
“Wilson pediu desculpa, retirou o que disse e discutimos então o problema. No dia seguinte discuti o assunto com a Direcção da BBC e chegámos facilmente à solução de transmitir o “Steptoe and Son” depois das 21 horas, quando as urnas já estavam encerradas, depois da votação.
Telefonei a Wilson dando-lhe a conhecer a decisão. Disse-me ficar muito agradecido e que essa decisão lhe valeria 20 lugares no Parlamento. Ele viria a ganhar por uma diferença de quatro votos e fiquei a pensar que a minha decisão tivera efeito na história política britânica. Os trabalhistas acabaram assim com 13 anos de Governo conservador através da mais pequena maioria desde 1847”
Esta entrevista de Sir Hugh Greene encontra-se no site da BBC e é um projecto conjunto com a Universidade de Sussex que envolve a digitalização de centenas de horas de entrevistas com políticos britânicos e dirigentes da BBC. Wilson também deu uma entrevista para este projecto, reconhecendo que a BBC havia sido “absolutamente prestável ao Partido Trabalhista. E não deixou de fazer graça, contando que quando Greene lhe perguntara o que queria que transmitisse, lhe respondera:” Uma tragédia grega, de preferência no original”

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3.5.15

2015 - ANO INTERNACIONAL DOS SOLOS

Por A. M. Galopim de Carvalho 
FALANDO DOS SOLOS (14) 
Os solos de Portugal O conhecimento sistemático dos solos de Portugal teve início nos anos cinquenta do século XX com os trabalhos inerentes à elaboração da Carta dos Solos de Portugal na escala de 1:50 000 e da Carta de Capacidade e Uso do Solo, na mesma escala. Destes trabalhos resultou, ainda, uma sistemática dos solos nacionais, editada pelo antigo Serviço de Reconhecimento e de Ordenamento Agrário (SROA), actual Centro Nacional de Reconhecimento e Ordenamento Agrário (CNROA).(...)
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Luz-Rua de Jerusalém.


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Uma qualquer rua, a uma qualquer hora. Há elementos casuais de composição prévia e de ironia posterior. Um sentido proibido. Uma loja chamada TNT. Uma menina de capuchinho vermelho. Três soldados de patrulha fortemente armados. Dois rapazes em conversa e telemóvel. Um lugar da fruta e de gelados Olá… Os soldados e as suas armas são evidentemente o factor perturbador de uma rua qualquer a uma qualquer hora. Mas em Jerusalém, é assim. Entre a paz e a guerra. Estive na cidade poucos dias, mas nunca esquecerei. O peso e a densidade da história. A pluralidade tensa. O significado de tudo, dos palácios aos templos, das pedras às ervas e às árvores. A civilização contemporânea vai-se imiscuindo por entre os vestígios e restos de três ou quatro mil anos de vida e de conflito. Ali percebi que há problemas sem solução, guerras perpétuas e conflitos como modo de vida. O máximo que se poderá conseguir é aprender a viver assim, com conflito, guerra, tensão e rivalidade. Com solução é que não. (2012)

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2.5.15

2015 - ANO INTERNACIONAL DOS SOLOS


FALANDO DOS SOLOS (13) 
Classificação dos solos AS CLASSIFICAÇÕES, ainda que obedecendo a critérios diferentes, escolhidos em função de cada caso, têm como principal propósito ordenar o conhecimento com vista a destacar as relações existentes entre os objectos ou os materiais classificados, e, como fim último, avançar no desconhecido.
De tudo o que tem sido exposto, ficou clara a estreita relação existente entre a génese, a evolução e a natureza dos solos por um lado, e o clima das regiões onde estes ocorrem, por outro.(...) 
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As voltas de um documento

Por Antunes Ferreira
NESTA SEMANA, depois de ter voltado de Goa, um tema muito quente fez uma vez mais com que a confrontação entre o (des)Governo e os partidos que o apoiam (mais o PR…) e o PS se tornasse uma arma de arremesso por parte dos ditos sociais-democratas e centristas e de contra ataque sustentado do Partido Socialista. Foi ela a apresentação das medidas económicas e financeiras elaboradas por um conjunto de 12 “sábios” economistas e juristas liderado por Mário Centeno.
 Os laranjas decidiram entender que essas medidas levariam o país à bancarrota, por serem inexequíveis, pois se elas viessem a ser aplicadas ia por água abaixo tudo que o (des)Governo fizera para salvar Portugal, mesmo contra a vontade dele. E o inefável vice-presidente do PSD, Marco António Costa veio mesmo “decretar” que as medidas do PS deviam ser “auditadas” pelo Parlamento. De topete a afirmação. Onde se vira tal despautério? Só podia ter partido duma tal cabeça.
Marco apresentou ao PS, melhor, ao grupo de economistas e juristas mandatados pelo partido do largo do Rato que elaborara “uma década para Portugal 29 perguntas destinadas segundo o PSD a aclarar pontos do documento que não tinham ficado muito bem apresentados. Era de novo mais uma tentativa de procurar algo que não existia no programa apadrinhado pelos socialistas. O que não esperava o PSD era a prontidão das respostas.
Elas chegaram num documento que tem mais de 20 páginas, ponto por ponto, os economistas representando o PS explicam as ideias do documento. Tendo por base o cenário da Comissão Europeia, os economistas e juristas adiantaram que a sustentabilidade das pensões passa pela unificação das condições de cálculo das pensões para todos os pensionistas.
Entre gráficos e relatórios matemáticos, as dúvidas do PSD mereceram as respostas dos especialistas que trabalharam no documento para o partido Socialista. Segundo os mesmos técnicos, a redução da TSU gerará "melhores pensões" e o fim da sobretaxa criará 15 mil empregos. Até à data em que escrevo este texto não apareceu nenhuma contra-resposta do PSD. A situação pode considerar-se as voltas e reviravoltas de um documento: este.
Entretanto, Coelho afirmou que o país está a fazer um caminho de recuperação "muito sensível", embora a economia deva crescer este ano 1,6%, e advertiu que não devem ser dados "passos maiores" do que a perna. Expressão que demonstrou mais uma vez que no domínio da língua portuguesa, pelo menos, ele próprio é uma autoridade. Dar passos maiores do que a perna terá algum significado? Ou será mais um anacronismo em que Passos é habitual?
A campanha eleitoral – que nem os mais ingénuos duvidam que já tenha começado – ainda não saiu do adro – mas já está em ebulição. O (des)Governo já veio informar que a coligação se manterá para as legislativas de Outubro e que até a candidatura às presidenciais não está fora de questão. É um esforço que PSD e CDS fazem quase em desespero perante a possibilidade dos socialistas ganharem as eleições.
Para Francisco Assis ”(…) O que perturba o PSD é a sua incapacidade de compreender o verdadeiro alcance da inovadora metodologia agora utilizada pelo Partido Socialista. Tal não é de estranhar, já que a história das últimas décadas daquele partido é caracterizada pela dupla e contraditória adesão a soluções de liderança ora pretensiosamente tecnocráticas, ora ostensivamente alheias a qualquer preocupação de estudo rigoroso e fundamentação séria dos programas apresentados ao país. Só assim se percebe esta estapafúrdia insistência em querer auditar em lugar de querer debater. No fundo é ainda um substrato mental antipolítico que influência o comportamento da coligação governamental.“http://s.publico.pt/ps/1694176 
Por seu turno, o secretário-geral do PS, durante o jantar comemorativo do 1º de Maio para o largo do Rato apelou aos militantes socialistas para que se mobilizassem e reanimassem "o espírito" das eleições primárias internas de Setembro, considerando essencial que uma vitória do seu partido ofereça também condições de governabilidade. António Costa deixou um apelo aos militantes socialistas: "Nas eleições primárias mobilizámos mais de 150 mil portugueses que se inscreveram como simpatizantes. "Temos de reanimar, chamá-los de novo e alargar o leque de simpatizantes", disse. Costa foi a seguir directo quanto aos objectivos eleitorais do PS: "Temos de mobilizar o país para podermos ganhar [as eleições] e em condições de podermos governar", declarou.
Os dados já estão lançados e o caminho até Outubro antevê-se que irá decorrer em tempo de procela. Se a coligação (des)governamental atingir o objectivo que persegue, a reeleição, tudo mudará para continuar na mesma. Para o PS é necessária uma nova política, o que estará ao seu alcance: Mas eleições são…eleições e só depois de contados os votos se saberá o resultado delas.
 No entretanto o PCP, O BE e os Verdes continuam a bater forte e consecutivamente nos socialistas ao mesmo tempo que desancam no (des)Governo. É caso para dizer que têm um pé num lado e outro no outro lado. Uma perfeita demonstração de que no aproveitar é que está o ganho.

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30.4.15

Vaticano e terrorismo islâmico

Por C. Barroco Esperança
Na sequência de uma gigantesca operação de combate ao terrorismo, foram detidos, em Itália, 18 suspeitos de planearem um atentado ao Vaticano. Os detidos, de nacionalidade paquistanesa e afegã, estariam ligados à Al-Qaeda.
As detenções, noticiadas no dia 25 de abril p.p., desarticularam uma célula que em 2010 planeou atacar o Vaticano e cujos elementos têm pesado cadastro ao serviço da fé e do terrorismo.
Não há multiculturalismo que resista a grupos de fanáticos, Estado de direito que pactue com terroristas travestidos de imigrantes, delinquentes da fé que não renunciam a impor preconceitos religiosos à sociedade civilizada e democrática que somos.
O Vaticano pode ser uma teocracia negociada entre Mussolini e um papa de turno, mas a sede do catolicismo romano é muito mais do que isso. É o santuário das artes onde se guardam tesouros, local onde o esplendor da arquitetura, pintura e escultura transforma um bairro eclesiástico de 44 hectares em memória da civilização e da cultura mundial.
O Vaticano preserva a Basílica de S. Pedro, a Capela Sistina e os Jardins; abriga o génio de Miguel Ângelo, Rafael, Giotto, Caravaggio e Leonardo da Vinci; guarda memórias das civilizações etrusca, egípcia e grega; é a apoteose do melhor que o espírito humano criou e que sobreviveu a Pio V, inquisidor e santo, avesso à nudez e às heresias, a papas incultos, à erosão do tempo e ao saque das guerras, da época pré-cristã aos nossos dias.
Um atentado contra o Vaticano é uma atrocidade boçal contra a cultura, a civilização e o património da Humanidade. Ali, entre as sotainas e a liturgia, com incenso e água benta, repousa a memória histórica da civilização, o génio dos maiores criadores e o esplendor da memória coletiva europeia e da Humanidade.
O Vaticano é um local de culto, não por ser a sede de uma religião, por ser um museu da cultura greco-romana. Quem ameaça o bairro carregado de arte e de história, não ofende só os crentes, declara guerra à Europa culta, civilizada e democrática.
E não pode haver indulgência.
Ponte Europa / Sorumbático

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26.4.15

ÁGUA DE COCO Os russos faltosos

Por Antunes Ferreira 
“Vêm aí os russos!” era o título duma comédia originária de Hollywood nos anos sessenta. Aqui em Goa já vieram, muitos já cá se instalaram, compraram casas, propriedades e terrenos onde afixaram em inglês e em russo: Proibida a entrada a estrangeiros! Incluindo naturalmente goeses que assim se tornaram “estrangeiros” na sua própria terra! Colvá é disso um mau exemplo: na terra abundam os letreiros em cirílico, desde as lojas de tatuagens até aos restaurantes cujos menus têm listas em inglês e em russo. Para não referir os estabelecimentos de tratamentos aiuvédricos, que se encontram pari passu.
Mas, este ano a cantiga é outra. Russos são poucos, o rublo está de rastos e as sanções impostas pelo Ocidente liderado por Obama. Bem pode Putin, o czar hodierno dizer que a grande Mãe Rússia suporta e suportará as limitações que resultam das restrições que o povo está a sentir na pele e… nos bolsos. A ocupação da Crimeia e o apoio (ainda que “desmentido”, no que quase ninguém acredita…) à guerra fratricida dos ucranianos o que continua a manter o conflito armado que causa cada vez mais mortos, feridos e deslocados, destruições de edifícios e de pessoas, deu como consequência o empobrecimento dos russos
 Diz o povo que “quem não tem dinheiro não tem vícios” – e é bem verdade; no caso particular dos cidadãos russos, “quem não tem divisas não tem férias especialmente em Goa”. E o turismo, como se sabe, é uma das duas fontes fundamentais da economia do Estado mais pequeno da Índia mas que tem (tinha?) o melhor PIB do subcontinente. Mas os réditos estatais também fruto da exploração das minas. Ora estas estão paradas há mais de dois anos à espera de legislação que regule a actividade das legais; as que fugiam aos impostos, ou seja as ilegais estão condenadas.
 Assim toda gente que depende do turismo se queixa da falta de compradores, especialmente dos russos. Desde os choferes de táxis (e até de riquexós) que e são muitos, até aos proprietários das lojas e tendas e empregados do comércio, nomeadamente de souvenirs, todos se lamentam. Obviamente os restaurantes, hotéis, resorts e bares têm as suas receitas drasticamente diminuídas; mas Goa continua a ser um local favorito para o turismo interno: os habitantes de outros estados. Só que não chega.
 Aqui em Colvá temos o nosso condutor especial e quase privativo que, juntamente com os seus três filhos da mesma profissão assegura as nossas deslocações: é o Aleixo Caridade Almeida que fez o sêgundo grau e de quem já falei por várias vezes. O clã Almeida é católico, nas respectivas viaturas há imagens de Cristo, da Senhora de Fátima, e, claro, de São Francisco Xavier. Queixam-se do mesmo mal: a ausência de turistas pelo menos em quantidade muito significativa.
E à volta, em Sernabatim, Benaulim, Majordá, praias lindas, vêm-se muito poucos estrangeiros. E os que se encontram nas ruas que dão acesso à beira-mar são principalmente ingleses e alemães. Eduardo Faleiro, um excelente Amigo dos tempos da Faculdade de Direito, que em 1961 optou pela nacionalidade indiana e foi ministro de Estado das Relações Exteriores e, depois das Finanças, acentua o problema. Militante do Congresso dos Gandhis e por isso opositor do BJP que desde o ano passado é Governo.
Pelas seis da tarde vem buscar-nos no seu carro com condutor ao Ocean Groves, uma magnífica urbanização onde se situa o famoso apartamento (à borla, como já o escrevi por várias vezes) do Francisco Mascarenhas primo/padre da Raquel, para irmos até à praia onde conversamos. Eduardo foi objecto de uma melindrosíssima operação e com o nosso convívio em que relembramos a nossa época de estudantes (aliás ele nasceu em Lisboa…) vai matando o tempo. Está a organizar a sua biblioteca e as horas que está connosco é um verdadeiro refrigério – diz ele. Curiosamente foi contemporâneo da Raquel no Liceu Nacional Afonso de Albuquerque, tendo rumado ambos a Lisboa no mesmo ano 1957. Na beira-mar para onde foram levadas as mesas e as cadeiras dos restaurantes e onde se colocam velas, o espectáculo é inebriante, lindo de morrer. As pessoas vão bebendo os seus copos e conversando, arte por excelência de Goa. O oceano acompanha-as com o marulhar – e nós comungamos a ocasião. Conto as últimas anedotas que o divertem muito, acentuo a minha opinião com o (des)Governo de Portugal e em especial do putativo PR. Eduardo conheceu Cavaco como primeiro-ministro aquando de uma das viagens oficiais que fez ao nosso país. Conto-lhe da incultura do esprito vingativo, das calinadas do autor dos “cidadões” e do “façarei” e ele risse-se. Mas logo acrescenta que não se quer meter – e não se mete – na política portuguesa, o que é natural. Porém há um nome que respeita e admira: Mário Soares que, quando sabe que vou a Goa envia-lhe sempre um abraço de amizade. O pai de Eduardo (defensor da teoria de dois países com a mesma bandeira, a portuguesa) ensinou inglês no Colégio Moderno. Dizem as más línguas que foi o “responsável” pelo macarrónico ou mesmo inexistente do “inglês” de Soares… Eduardo não contesta, solta umas gargalhadas. Para ele a pai da democracia portuguesa é o maior!

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Luz - Um quiosque de jornais, Lapa, Lisboa

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É o quiosque da esquina da rua Borges Carneiro com as ruas da Lapa, dos Navegantes e do Quelhas. Por outras palavras, é o quiosque dos “Quatro Caminhos”. Todos os dias, venho aqui ver as novidades. Todos os dias esta organização zela por mim e faz-me chegar os jornais e revistas. A Maria Irene e o Floriano tratam do negócio e ocupam-se dos clientes como se fossem seus amigos. Declaração de interesses: frequento este quiosque com grande regularidade.

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23.4.15

Conventos, ‘vida’ monástica e liberdade

Por C. Barroco Esperança
As religiões têm casas de reclusão, a pretexto da piedade e da oração, onde encarceram débeis de vontade, fanáticos do divino ou devotos depressivos. Às vezes são as vítimas de famílias que lhes querem confiscar a herança, de coação ou de chantagem. Têm, em regra, uma hierarquia rígida, uma disciplina despótica e um tratamento desumano. Bem sabemos que é para maior glória de Deus e para gozo da Santa Madre Igreja.
Os conventos estão atribuídos a Ordens, consoante as patologias. Uns dedicam-se à contemplação, outros ao silêncio, vários à autoflagelação, quase sempre em acumulação de diversas perversões que, no caso da ICAR, são autorizadas pelo Papa e conduzem em regra o/a fundador/a à canonização.
Admitamos que as vítimas se encarceram de livre vontade, que o desejo do Paraíso as inclina para o masoquismo, que a ociosidade as anula, que a inteligência, a vontade e os sentimentos se consomem na estéril clausura e na violência dos votos. Aceitemos que há seres racionais a crerem que, algures, um deus aprecia a alienação, o sofrimento e a violência. Imaginemos um Deus que se baba de gozo com ambientes concentracionários despoticamente defendidos por madres ou frades ungidos do direito à tirania.
A título de exemplo lembro a Ordem das Carmelitas onde, só a título muito excecional, é permitido falar. E essa magnânima autorização tem fortes grades a proteger qualquer encontro. É nestes ambientes carcerários, privados de nome, de pertences e de memória, que exércitos de inúteis vestidos de forma bizarra se encontram ao serviço do Papa.
Na Irlanda, há anos, o Governo foi constrangido a averiguar o que se passava no campo de concentração «As irmãs de Maria Madalena», tendo fechado a espelunca e libertado as vítimas, condenadas a prisão perpétua pelas próprias famílias, por terem sido mães solteiras ou, apenas, demasiado bonitas, perigosas na sedução dos homens.
Será possível que os Governos democráticos, a quem cabe a defesa da Constituição, o dever de respeitar e fazer respeitar os direitos e liberdades dos cidadãos, se conformem com a renúncia à cidadania e não averiguem se é de livre vontade que bandos de frades e freiras façam de lúgubres conventos o mausoléu da vida?
Ponte Europa Sorumbático

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19.4.15

Luz - O Chef, Lapa, em Lisboa

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É uma formidável loja de “comida pronta”, mas também restaurante, café e casa de chá. Há momentos do dia em que a paz é total, ali se pode ler o jornal, beber o café, descansar ou meditar. É ali que se podem resolver, com mérito e benefício, todos os problemas de refeições fora de horas e de faltas imprevistas no frigorífico. Pode comprar-se e levar para casa, pode comer ali numa mesa a qualquer hora. É uma casa de fidelidades: há pessoas que ali vão, regularmente, há décadas. Há outras que passam quase todos os dias. Há os regulares, a dias certos e a horas exactas. Só falta mesmo dizer que a comida é excelente. Com especial menção para as empadas, os ovos verdes, a massinha chinesa, a massa com camarão, a feijoada, o arroz de pato, os famosos “queques do Chef”… Declaração de interesses: frequento o Chef com grande regularidade.

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2015 - ANO INTERNACIONAL DOS SOLOS

Por A.M. Galopim de Carvalho
FALANDO DOS SOLOS (12) 
Epipédon, o horizonte de diagnóstico 
Não tem havido, entre os autores, concordância na definição dos diversos horizontes do solo. Por um lado, há grande dificuldade (se não mesmo impossibilidade) de generalizar a clássica e demasiado esquemática nomenclatura ABC, à totalidade das situações existentes nas mais variadas latitudes e altitudes terrestres. Assim, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América criou o conceito de horizonte de diagnóstico, usado na descrição e classificação do solo, com muito pouca ou nenhuma correspondência aos definidos nas nomenclaturas mais antigas atrás referidas. Surgiu, então, o conceito de epipédon (do grego epi, por cima, sobre; e pedón, solo.) descrito como um horizonte do solo gerado à superfície, correspondente à parte superior (A), de tonalidade mais escura (em virtude da presença de matéria orgânica), e ou a parte do horizonte eluvial (E).(...)
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18.4.15

Prefácio
Estas Crónicas da Inforfobia devem ser saudadas como um acto de humor, de riso incontido perante as resistências tristemente humanas às mudanças, hoje ao uso dos computadores ou da Internet. O autor fala de dentro da vida das organizações e sabe do que fala. Não dos medos da tecnologia — que o humor justamente ignora — mas das pequeninas fraquezas que toda a tecnologia nova põe a nu: a perda dos poderes miudinhos — o de ser o único a saber, sem partilhar segredos de polichinelo; o de mandar sem controlo; o de privar os outros de informação, logo de liberdade. 
Contra a pequenez medrosa, triste e opressiva, o autor inventou-nos uma sociedade da informação risonha — isto é, nascida do riso e da ironia. 
Se o futuro lhe der razão (oxalá!) o seu livro será, dentro de alguns anos tão incompreensível como hoje é certeiro. É o que sinceramente lhe desejo.
José Mariano Gago
Ministro da Ciência e da Tecnologia
19 de Setembro de 1997
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Esta minha obra só viu a luz do dia graças ao apoio do Mariano Gago, que comprou 500 dos 3000 exs. da edição, além de a ter valorizado com o prefácio que aqui se lê.
O Prof. Galopim, felizmente, escreveu o essencial - aquilo que eu queria aqui escrever sem, no entanto, atinar com as palavras certas.
Um grande abraço, amigo Gago!

JOSÉ MARIANO REBELO PIRES GAGO (1948-2015)

Por A. M. Galopim de Carvalho

QUANDO se chega à minha idade, já o escrevi, o que mais dói é ver partir os amigos e companheiros e olhar para os que resistem e saber que um dia destes nos iremos despedir deles, mais do que se formos nós a transpor essa passagem que todos temos como certa. Mas nestes amigos e companheiros, apenas incluía os da minha geração. Não os que ainda julgamos cheios de vida, como era o Zé Mariano para os amigos. Nestes casos, além dessa dor, há a consciência igualmente dolorosa, da perda de um futuro que no caso deste amigo, era particularmente promissor. Conhecemo-nos, nos anos 80, na Livraria Buchholz, num fim de tarde, em Lisboa, em que falámos de divulgação científica. E ficámos amigos.

Como físico de prestígio, outros mais habilitados do que eu falarão. É dele, como grande impulsionador da investigação científica e paladino da cultura científica, que posso falar com conhecimento de causa.

Em 1987, Mariano Gago, então Presidente da ex-Junta Nacional de Investigação Científica (hoje Fundação para a Ciência e a Tecnologia), lançava o “Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia”, no qual tinha cabimento uma componente dinamizadora das Ciências do Mar apresentada publicamente pelos Profs. Mário Ruivo, da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, Michael Collins, da Universidade de Southampton, R. U., e Michael Vigneaux, da Universidade Bordéus I, França. Na sequência desta iniciativa, João Alveirinho Dias, ao tempo o primeiro e único doutorado em Geologia Marinha, António Ribeiro, meu colega na Faculdade de Ciências de Lisboa, e eu criámos e desenvolvemos um projecto de investigação iniciado como estudo da plataforma continental portuguesa, sediado no Museu Nacional de História Natural.

Foram instituições participantes neste arranque para as Geociências do Mar: o Instituto Hidrográfico, como parceiro principal, o ex-Gabinete para a Pesquisa e Exploração de Petróleo, o ex-Instituto Nacional de Investigação das Pescas, o Departamento de Protecção e Segurança Radiológica do Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial, o Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, os Departamentos de Geologia da Universidade de Évora e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Minho e a ex-Secção Autónoma de Geologia da Universidade Nova de Lisboa.

Este projecto visou, sobretudo, a formação de jovens investigadores na área da Geologia Marinha, a promoção de acções interdisciplinares, a dinamização da cooperação interinstitucional, a optimização do potencial humano e dos recursos e equipamentos existentes nas diversas instituições envolvidas e, ainda, a criação de um corpo nacional de investigação neste domínio, até então, acentue-se, ausente das nossas universidades. Caracterizado por grande informalismo e por um mínimo de burocracia, constituiu um fórum de permuta de ideias e experiências, de discussão de resultados e de interajuda dos seus aderentes. Com o passar do tempo, evoluiu naturalmente para uma rede de investigação, eficaz e igualmente informal, cujos elementos, dispersos, como se disse atrás, são agora os promotores e os responsáveis pelos seus próprios projectos, em que cada um procura as colaborações mais convenientes e nos moldes que entenda estabelecê-las.

Com o indispensável e sempre disponível apoio do Instituto Hidrográfico, ao tempo do Director–Geral, Vice-Almirante José Almeida Costa e dos Comandantes Vidal de Abreu (Chefe da Divisão de Marés e Correntes) e Torres Sobral (Director-Técnico), o grupo inicial deste projecto de investigação (do qual saíram uma dúzia de doutorados em Geologia Marinha), deixou descendentes, ou seja, fez escola que continua a dar frutos, uma realidade que ficará esquecida se ninguém se der ao trabalho de a registar. Com uma primeira geração de investigadores que, de juniores passaram a seniores, vimos singrar a maior parte destes “filhos”, hoje independentes e a trilharem os seus próprios caminhos, o que nos enche de satisfação e orgulho. Actualmente há “netos” que já nem conhecem os “avós”, mas que só existem porque nós, sempre apoiados pelo já então Ministro da Ciência, José Mariano Gago, tivemos a ousadia de iniciar esta viagem e de segurar o leme deste navio, nas primeiras milhas desta gratificante navegação que conduziu, repito, à introdução das geociências do mar nas nossas universidades, designadamente, nas do Algarve, de Aveiro e de Lisboa, onde os mestrados e os doutoramentos se sucedem.

Pessoalmente, perdi um amigo. Entre muitas recordações guardo dele o prefácio que teve a amabilidade de escrever no meu livro “Como Bola Colorida – A Terra, Património da Humanidade” (Âncora Editora, 1907) e gentileza de ter feito a apresentação do “Dicionário de Geologia” (Âncora Editora, 2011), na Reitoria da Universidade de Lisboa, ao tempo do Reitor António Sampaio da Nóvoa.

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ÁGUA DE COCO - Um condutor/“secretário”


Por Antunes Ferreira


Para se atravessar o estuário do Mandovi há duas pontes e o ferryboat. Pangim estende-se modorrento ao lado do rio, lembrando, salvo as devidas proporções, Lisboa namorando o Tejo. Na outra banda não é Cacilhas nem Almada, nem está o Cristo Rei. Encontra-se lá Betim ou seja o local em que os ferreis atracam e outras localidades das quais a mais importante é Porvorim. Cresceu num instante quando lá foram construídos os edifícios do Governo e da Assembleia de Goa. Deste lado, a marginal leva a um local bonito com uma esplanada, a Riviera pertença do hotel do mesmo rio: Mandovi. Foi o primeiro com traço mais moderno construído nos tempos dos portugueses.

A esplanada é ampla e tem numa segunda zona um espaço para recepções, “pequenos” casamentos ou baptizados, aniversários ou primeiras comunhões, ou seja festas para 400 convidados, mais coisa menos coisa. Convém não esquecer que casamentos e baptizados “normais” andam pelas 1.500/2.000 cabeças. Claro que não é toda a gente que se permite organizar celebrações desta dimensão, católica ou sobretudo hindu. É, naturalmente necessário haver posses para isso. Aliás no Estado há mais recintos preparados para tais eventos. Já estive num em Margão, noutro na quinta Valadares e mais um junto de Mapuçá, que hoje se escreve Mapusa mais tem o mesmo som.


Mais uma curiosidade se mo permitem: o concanim não tem acentos nem cês cedilhados. Por isso esta solução. Por exemplo a segunda urbe é Margao e continua a ler-se Margão. De resto o som ão não falta: patrão é patrao e acabou-se. O concanim é uma língua das 72 que existem na Índia. Poderia pensar-se que é um crioulo. Nem pó. Incorporou bastantes palavras portuguesas, algumas com naturais corruptelas. E também se usa o inglês quando se trata de números. Por exemplo, no meio de uma frase em Concanim aparece para mencionar o tempo 12 pm. O que quer dizer meia-noite. Na verdade em português diz-se 12 horas em vez de meio-dia…


Parecendo que não há em Goa muito dinheiro, tem de corrigir-se a ideia: há, principalmente hindus, mas também católicos e uns quantos muçulmanos… Há muitos Mercedes BMW dos modelos mais recentes e caros, há vivendas de sonho com piscinas e courts de ténis. Há hotéis e resorts de preços altos. Verifica-se aqui o drama que percorre todo o subcontinente indiano; uma diferença abissal entre os muito ricos e os muito pobres, acentuando a bipolaridade: os bilionários e os miseráveis. Corram-se as aldeias e veja-se, da estrada, as condições em que vivem os habitantes de casas a cair de podres.


Isto quer dizer, uma outra vez, que entrando numa casa de um hindu trabalhador se pode dar conta do que se viu de fora. O nosso condutor/”secretário” para quem sou o seu padrinho de seu nome Premanand Ankush Pednekar que nos conduz impecavelmente e sem quaisquer problemas – Sir paga no fim… - teve um problema cardíaco. Operado de urgência, foram-lhe colocados baipasses pois tinha seis obstruções por coágulos. Obviamente ainda não pode trabalhar. E sabe-se lá quando. Por isso ao chegarmos ninguém dava conta dele, de tal maneira que cheguei a recear o pior. Felizmente foi encontrado: sossegámos. Ele já é da nossa família…


Apesar da convalescença ter começado cinco ou seis dias antes, naturalmente depois de lhe ter dado alta, quando soube que estávamos em Goa, um cunhado que também é taxista, transportou-o bem como uma irmã dele para nos visitar. E tal era o desejo de o fazer que subiu os três lances da escada que levam ao nosso apartamento. Foi uma cena patética abraçados os três, a Raquel, eu e ele. Enfim, chorámos todos - da emoção. Vinha magro e esquálido com a faixa de cabedal tipo colete pós operação, ligaduras, gazes e etc. Penso que podem imaginar a cena…


Passei-lhe uma descasca por se ter arriscado e disse-lhe que nunca mais o queria ver a subir tantos degraus. Sorriu, um sorriso amarelo, but Sir, aqui não há mas nem senhor, disse-lhe fingindo-me zangado, mas por dentro o meu coração sangrava. Tinha de o dizer. Sentou-se na nossa sala como sempre o fez. Estava triste mas satisfeito por nos ver e conversámos um pouco; a mulher, que há dois anos conhecíamos, tinha abortado aos cinco meses dum menino. E a filha Babita, um amor de criança, bonita e dada, com dois anitos, não podia estar com o pai porque passava o tempo a tentar sentar-se ao colo dele – o que para já não pode ser porque lhe buliria com os elementos de segurança: colete, ligaduras, pensos et aliud. Ela naturalmente ansiosa da ternura do pai que lhe retribui; adora-a.




A irmã tinha ido ao carro buscar dois caixotes de cartão e um saco de viagem que continham todos os nossos pertences (para que quando voltássemos não gastássemos  rupias com compras desnecessárias - versão do Premanand…) que tínhamos deixado para guardar e trouxe tudo tal como havíamos deixado. Mais um engolir na garganta. Foram-se embora levando as prendas que lhes eram destinadas, incluindo a roupinhas de bebé que trazíamos para o filho afinal perdido. Fica para o próximo disse a Raquel um tanto encavacada… (o termo não tem nada que ver com o suposto PR que ocupa o palácio de Belém, sem contrato de arrendamento, por isso sem pagar renda, electricidade, gás e água!) 


Ontem fomos visita-lo a Fattawada – Nerul, onde na House 18 vive acompanhado por duas irmãs pois a esposa tinha ido com a menina para casa dos pais dela. Foi uma festa à nossa chegada. Como tenho andado apoiado numa bengala cedida pelo Zito Menezes - nomeado, para além de médico, nosso anjo da guarda privativo… - uma delas veio esperar-nos à porta do “quintal” afastou um cão que por ali fazia a sesta e ajudou-me gentilmente a descer os degraus de pedra solta que davam para a casa; nesta, outra escada de pedra introduziu-nos na habitação - eu sempre com a ajuda carinhosa da senhora.


Premanand avisado da nossa chegada aguardava-nos com um sorriso de face a face, estava melhor, ganhara quilos, mas mantinha o colete de cabedal com o qual deveria ficar mais uns tempos, dissera-lhe o médico no hospital na última consulta de controlo da evolução do paciente. Luziam-lhe os olhos, e abraçou-nos comovido mas também orgulhoso da nossa visita. Tive de “ordenar” a paragem da emoção; às vezes é difícil tomar decisões, mas elas têm de vir à luz do dia e tão pronto quanto seja possível. Arriscar a recuperação para nos ver era perigoso e podia ter consequências complicadas.


Ali ficámos mais de uma hora; a casa era pouco apresentável, mas a simpatia das pessoas fazia-nos ignora-la; uma das irmãs trouxe-nos dois copos de sumo de manga, umas bolachas e uma ventoinha de pé alto. Quando um pobre nos dá agasalho com calor humano, mesmo que seja pouca a oferta, ela sabe melhor do que um banquete em casa dum rico. O nosso condutor/”secretário” queria voltar a visitar-nos, proibi-o de subir os lances da escada e combinámos que ele esperaria em baixo e depois iríamos almoçar todos. Acordo alcançado, regressámos a casa.


Pelo caminho a Raquel e eu recordámos o jantar de despedida que Premanand e senhora nos tinham oferecido no ano passado. O que, numa sociedade como esta em que as castas continuam a imperar e o elitismo é regra, motivou uns quantos comentários menos elegantes, Um motorista que sempre se sentou à nossa mesa quando saíamos era um tanto, como direi?, desprestigiante para quem permitia e sobretudo convidava; mais a mais um pacló (português branco,,,)


Estava-me, estou-me e estar-me-ei nas tintas para tais ditos. Para mim os homens são todos iguais, com tonalidades de pele diferentes, com olhos mais ou menos oblíquos, de cores diferentes, com cabelos mais crespos ou mais lisos mas com tudo o resto igual, desde os órgãos internos até às unhas dos pés, avultando o coração e o cérebro os mais importantes e paradoxalmente os mais sensíveis. Digam o que digam os falsos comentadores, enquanto não me provarem o contrário continuarei a pensar que vozes de burro não chegam ao Céu. Dando, obviamente, de barato, que ele existe...   

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16.4.15

Todos somos ateus

Por C. Barroco Esperança
Não há a mais leve suspeita ou o menor indício de que Deus exista, nem qualquer sinal de vida da parte dele. No entanto, o ónus da prova cabe a quem afirma a sua existência e, sobretudo, a quem vive disso.
Cada religião considera falsas todas as outras e o deus de cada uma delas, afirmação em que certamente todas têm razão. Os ateus só consideram falsa uma religião mais e mais um deus, o que, no fundo, faz de todos ateus. E não é no sentido grego, em que ateu era o que acreditava nos deuses de uma cidade diferente, é no sentido comum da negação de Deus [com maiúscula para o deus abraâmico] ou de qualquer outro.
Todos somos hoje ateus em relação a Zeus, Osíris ou ao Boi Ápis, como amanhã outros serão em relação a Vishnu, Shiva e Brahma ou ao Pai, Filho e Espírito Santo da trindade cristã. Os deuses de hoje serão os mitos do futuro. Outros serão criados, por necessidade psicológica, para servirem de explicação, por defeito, a todas as dúvidas, e de lenitivo a todos os medos.
A morte, a angústia que desperta, o fim biológico de todos os seres vivos, é o maior dos medos. Deus é o mito bebido no berço, a esperança de outra vida para além da morte, a boia dos náufragos que se habituaram a acreditar desde crianças e se conformaram com a pueril explicação da catequese e se intimidaram com a dúvida. Os constrangimentos sociais ou/e a repressão violenta ao livre-pensamento tem perpetuado mitos milenares.
A crença, em si, não é um perigo nem ameaça, perigoso é o proselitismo, essa demência de quem não se contenta em ter um deus para si e exige que os outros também o adotem e o adorem. A vontade evangelizadora transforma as religiões em detonadoras do ódio e a competição entre elas em rastilho da violência.
A fé, vivida por cada um, é inócua; transformada em veículo coletivo de conquista ou aglutinação de povos, torna-se um instrumento de violência. É por isso que os Estados devem ser neutros, em matéria religiosa, para poderem garantir a liberdade de todos.
Ponte Europa / Sorumbático

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15.4.15

REFLEXÃO À MARGEM DO INQUÉRITO

Por Joaquim Letria
"Tenho andado preocupado com esta situação do BES/GES e as acusações dos lesados de que desconheciam o que estavam a comprar. 
Ora bem, estive a ouvir com toda a atenção Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Costa (do BP), CMVM, etc, e, sinceramente, fiquei esclarecido.
Fiquei a saber que houve uma takeover sobre a PT, o que provocou um downsizing na empresa e impediu o advanced freight.
Sendo assim, o asset allocation baseado num appraisal report, que é o allotment indicado, provocou um average price muito baixo, reduzindo os back to back ao mínimo.
Ora, o bid price provocou um dumping e uma floating rate incomportável com o funding previsto pelos supervisores.
Deixou, pois de existir uma verdadeira hedge, o que levou ao levantamento de hard cash em grande quantidade.
Se considerarmos que o ICVM, ao fim do período estava a deteriorar-se e os pay-out continuavam a baixar, a única solução seria o payable to the bearer de eventuais incomes da empresa.
Voltando um pouco atrás, o pool entre Bes e Ges, fez diminuir drasticamente o portfólio dos clientes, levando inevitavelmente a um revolving credit que abrangeu a maioria dos shareholders de ambas as empresas. 
Como é evidente o pricecut da Rio Forte foi inevitável e a takeover sobre a mesma também. O gross profit baixou significativamente, aumentando o grade period e o bank rate.
Só para terminar e em jeito de conclusão creio que estamos perante uma grande quantidade de filhos da puting, que utilizando a corrupting ao nível central e local, foram delapidanding os recursos do país e continuam em casa riding a situação, deslocando-se de vez em quanding à Assembleia, e fazer de parving o poving em geral. 
Tenho dito.”
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Texto sem autor mas autorizado

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14.4.15

A FORÇA DA TV

Ver o vídeo [aqui]
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Durante anos e anos, todos os 7 extintores da zona de atendimento ao público do Centro de Saúde de Lagos estiveram fora de prazo (desde Setembro de 2010). Para quem tivesse dúvidas, ostentavam, até, etiquetas de REJEITADO (e 3 deles ainda assim estavam na quinta-feira passada)! 
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O "Correio de Lagos" fez eco disso em Fevereiro e Março (com fotos), mas sem qualquer resultado. 
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Agora, e por nossa sugestão (através da página do Facebook Cidadania de Lagos), Joaquim Letria pegou no assunto e resolveu apresentá-lo no programa "A tarde é sua", da TVI, ontem à tarde. 
Para preparar o programa, um jornalista da estação escreveu para a Direcção do Centro de. Saúde e, finalmente, lá resolveram o problema, que já assumia foros de escândalo! 
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Só esta caixa é que, ainda ontem, continuava assim:
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12.4.15

As Pedras e as Palavras

AS PEDRAS e as palavras foram dois universos fulcrais na minha passagem por este mundo. As pedras, modo mais popular de dizer as rochas, com as quais convivi profissionalmente durante mais de meio século, contam-nos a história do nosso planeta. Através dos seus minerais, da textura e de outros atributos falam das causas que lhes deram origem, das condições ambientais (pressão, temperatura, quimismo) em que foram geradas ou transformadas e muitas delas, ainda, da data do seu nascimento.(...)
Texto integral [aqui]

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Luz - Terreiro do Paço, Lisboa

 Clicar na imagem para a ampliar
À espera do autocarro. A imagem é feita a partir do alto do Arco da Rua Augusta, aberto ao público há pouco tempo (talvez um ano…).

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9.4.15

ATENÇÃO ao programa «A Tarde é sua»....

...da próxima segunda-feira, em que Joaquim Letria, por sugestão de Cidadania de Lagos vai falar de um problema já aqui abordado. Será na TVI, a partir das 17h.

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S.N. S. – Os hospitais, as dívidas e as pessoas

Por C. Barroco Esperança
Este Governo, esta maioria e este PR, eles próprios a necessitarem de cuidados especiais de saúde, certos de que não lhes faltarão, apostam na destruição do Serviço Nacional de Saúde. É a bandeira ideológica dos que julgam que o SNS, universal e tendencialmente gratuito, não é um direito mas um bem qualquer, destinado a quem possa pagá-lo. A mais obscena das audácias e a mais vil está na forja de quem assaltou o poder e detém os meios de propaganda. «Os hospitais públicos com dívidas em atraso a fornecedores podem ser impedidos de pagar salários. Esta sanção foi criada pela nova versão da Lei dos Compromissos, publicada a 17 de março em Diário da República, e que prevê que os pagamentos ao pessoal sejam suspensos se não houver dinheiro para pagar despesas assumidas.» – escreve a jornalista Ana Maia (DN, domingo, 5-04-2015, pág. 10). Este Governo exonerou a ética e a legalidade da sua atuação com a cumplicidade do seu PR. A CRP é, tal como o eleitorado, um obstáculo a contornar. Tudo farão para a rever, criando condições para a neutralizar e, se possível, rever. Neste momento não é possível cumprirem a ameaça de não pagarem aos trabalhadores hospitalares. O ministro da Saúde goza a aura da competência e aspira a que os hospitais endividados sejam proibidos de pagar aos funcionários. Desafia a Constituição e entra na chantagem para destruir o SNS dividindo-o entre privados e Misericórdias. Tamanha competência é um misto de propaganda da direita liberal e da unção de uma qualquer prelatura, ambas interessadas no negócio que brota dos destroços a que querem reduzir a mais simbólica conquista de Abril e aquela que mais portugueses beneficiou. O Dr. Paulo Macedo pode babar-se de gozo com o cilício mas tem de ser impedido de o acomodar ao país. Quem, ao serviço do Estado laico, mandou celebrar uma missa para a direção-geral dos Assuntos Fiscais, é capaz de restituir à Providência divina o precoce chamamento das almas, mas não se lhe pode confiar o destino da saúde dos corpos. Restam 113 hospitais públicos quando os privados já somam 107. A agenda ultraliberal está a ser cumprida numa odiosa afronta à saúde dos portugueses. A destruição lenta e obstinada do S.N.S. é um crime silencioso que os portugueses não mereciam. Portugal não é sacristia nem o Governo um grupo de paquetes ao serviço dos interesses  privados. É preciso salvar o que ainda for possível, com outro Governo, outra maioria e outro PR, e retirar aos aparelhos político-administrativos, reduzindo os seus efetivos e sinecuras, os recursos para reparar os rombos do S.N.S. e recuperar a sua eficácia.
Ponte Europa / Sorumbático

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5.4.15

15 - ANO INTERNACIONAL DOS SOLOS

Por A. M. Galopim de Carvalho
FALANDO DOS SOLOS (11)
NA PERSPECTIVA da cartografia pedológica, ou seja, no propósito de delimitar os vários tipos de solo existentes numa dada região, foi criado o conceito de “pédon” (solo, em grego) definido como um solo de determinadas características, com dada espessura média (que pode variar entre alguns centímetros a escassos metros) e ocupando uma certa área. O pédon é normalmente caracterizado pelo perfil pedológico observável em corte vertical entre a superfície e a rocha-mãe, perfil que é definido por uma sucessão de níveis, mais ou menos diferenciados, a que se dá o nome de horizontes do solo. (...)
Texto integral [aqui]

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Como me sinto bem na pele de social-democrata…

Por C. Barroco Esperança
Quando vejo a comunicação social apodar de socialistas cidadãos de direita que um dia usaram o PS na sua promoção, como António Barreto, Henrique Neto, Medina Carreira ou Luís Amado, por exemplo, entendo que haja quem me julgue esquerdista.
Quando vejo o PS a encarar como seus Álvaro Beleza [socialista liberal, uma espécie de vegetariano que almoça leitão à Bairrada e janta chanfana] ou os dois últimos líderes da UGT, João Proença e Carlos Silva, que ninguém me dissuade de que foram infiltrações do PCP para destruírem a central sindical, não me admira que me considerem leninista.
Quando temos um partido, denominado social-democrata, confiscado por um bando de neoliberais, geralmente inaptos, mas obstinados e eficientes a destruírem o que resta do Estado social, era natural que eu próprio duvidasse das minhas convicções.
Quando um partido assume ser do Centro Democrático [e Social!], situando-se na franja mais à direita do eleitorado, tão à direita que, por salubridade, chegou a ser expulso da Internacional Conservadora e Demo-Cristã, onde regressou por nebulosa conveniência e recomendação do PSD, não admira que a incultura política permita a quem é reacionário declarar-se ‘nem de esquerda nem de direita’, sendo seguramente de direita.
Depois admiramo-nos de que o PR, pensando na Constituição que jurou, tartamudeie o aforismo popular «quem mais jura mais mente» e um PM saído das madraça juvenil do mesmo partido, cada vez pior frequentado, seja o paquete dos neoliberais.
O social-democrata que renuncia ao aprofundamento político, económico e social da democracia, deixa de o ser. O que me afasta de alguns que reclamam outros rótulos, de quem me aproximo nas aspirações sociais, é o centralismo-democrático, que repudio.
No jogo de falsos rótulos, há duas posições abomináveis: os que, à direita, se julgam no direito a decidirem quais são os partidos do ‘arco da governação’ e, à esquerda, os que, na sua sobrançaria, se arrogam o direito de atestar a democraticidade de outros partidos.
Dada a iliteracia política, é urgente lembrar a raiz marxista da social-democracia.
Ponte Europa / Sorumbático

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Luz - Depósito de carros eléctricos na Outra Banda, Almada


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Por aqui passei, há vinte ou trinta anos! A estes maravilhosos carros, não sei o que lhes aconteceu. Recordo-me de ter pensado, na altura, que cada carro destes, à espera de destruição e vandalismo, poderia ser recuperado e vendido a cidades e museus que não desprezam os seus carros eléctricos. Naqueles tempos, Lisboa parecia apostada em destruir os carris e as viaturas o mais depressa possível. Era a modernização! Nesses mesmos anos, pela Europa fora, faziam-se esforços loucos para recuperar as linhas similares, em França, na Alemanha, na Suíça… Depois disso, alguma sensatez se desenvolveu nas cabeças dos nossos vereadores, secretários de Estado e Ministros: nem todas as linhas foram destruídas! E já se fala mesmo, hoje, em relançar alguns percursos. Ainda recentemente fiz várias vezes as linhas do 28 e do 25, do princípio ao fim, de ida e volta… Experiência a não perder. Nos percursos onde existem, são estes carros que vou utilizando.

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