18.5.13

O artista acabou, o "reality show" continua

Por Ferreira Fernandes
DAVID Beckham anunciou o fim da carreira e a semana ficou histórica. Estamos a falar de um dos 538 melhores jogadores do futebol mundial. Não pensem que é pouco, se o tamanho da crónica permitisse alinhava aqui o nome de outros 538 futebolistas maravilhosos, de quem nunca ouviram falar. Eu nunca tinha ouvido falar de Andrade, o uruguaio das Olimpíadas de 1924, e Eduardo Galeano - esse, o único o melhor cronista mundial de futebol - garante que ele era maravilhoso. Colocar Beckham entre os 538 melhores do mais universal dos desportos é uma homenagem. E entre os futebolistas com tatuagens, Beckham talvez tenha sido um dos 97 melhores da História. Não esquecer, ainda, que a sua mulher, Victoria, foi umas das cinco maiores Spice Girls de sempre. Ontem, o Times de Londres publicou uma foto do casal com os três filhos rapazes, estes posando já como Beckhamzinhos, cientes de serem três dos quatro maiores filhos de David Beckham de sempre (há ainda Harper, menina, que não aparece na foto). Tim Crow disse: "Na sua geração, houve Beckham e depois todos os outros." Crow sabe, foi ele que organizou a campanha do Manchester United, em 2002, em que a cara de Beckham foi usada para se venderem 1,6 milhões de lâminas de barbear no Japão, em quatro semanas. 
Andrade morreu na miséria em Montevideu. Se Beckham acaba com uma boa reforma graças às lâminas, ainda bem. Mas eu, sinceramente, gostava era de vê-lo a marcar livres. 
«DN» de 18 Mai 13

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17.5.13

O Governo Quântico

Por Carlos Fiolhais
EM 1935 o físico austríaco Erwin Schroedinger exibiu as dificuldades conceptuais da teoria quântica, então recente, criando um paradoxo que ficou conhecido por “gato de Schroedinger”. De que dificuldades se trata? Nessa teoria, que governa o comportamento do mundo microscópico, um estado de um sistema pode ser uma sobreposição ou mistura de dois estados possíveis, mas opostos. Contudo, quando se efectua uma observação, encontra-se, não o estado de mistura, mas sim um ou outro dos estados opostos. Só podemos a priori conhecer probabilidades de obter um estado ou outro. No exemplo de Schroedinger, o gato está fechado dentro de uma caixa e um dispositivo quântico pode matá-lo. Antes de abrirmos a caixa, o gato está numa sobreposição de vivo e morto. Mas, quando a abrimos, verificamos que o gato está vivo ou morto e não as duas coisas ao mesmo tempo. Schroedinger interrogou-se sobre esse mistério quântico: como pode um gato estar vivo e morto ao mesmo tempo?

O actual governo de Portugal é quântico, quer dizer, parece-se com o gato de Schroedinger. Se não observarmos está entre o vivo e o morto. Assim uma espécie de zombie. Quando o observamos está, por vezes, vivo e, noutras vezes, morto. Numas ocasiões está a seguir fielmente o que diz a troika - o governo está vivo – e noutras ocasiões protesta contra os “senhores da troika” – e está morto. Olhamos para Vítor Gaspar, ministro de Estado e das Finanças – e o governo está vivo; mas olhamos para Paulo Portas, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – e o governo está morto. Portas esclareceu que uma coligação não é uma fusão. Pois não: é uma confusão.

Esta característica quântica do governo levanta uma questão semelhante à de Schroedinger em relação ao seu gato: como pode um governo estar vivo e morto ao mesmo tempo? Se aceitarmos a ideia de sobreposição de contrários, estará mais vivo do que morto ou mais morto do que vivo? Nos últimos tempos, está, sem dúvida, mais morto do que vivo. Luís Marques Guedes, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, referiu-se por um lapso que é revelador, ao seu colega Paulo Portas como “líder do principal partido da oposição”. O governo tem a oposição dentro de si, enquanto a oposição cá fora, apesar de ruidosa, é inofensiva.

Lili Caneças afirmou um dia, numa frase que ficou célebre, que “estar vivo é o contrário de estar morto”. Ora isto é sabedoria clássica, ultrapassada pela sabedoria quântica. Não foram os portugueses que descobriram a teoria quântica, mas existem, na nossa língua, expressões quânticas como estar “mais morto do que vivo”, o que, de facto, significa, estar mais vivo do que morto, embora por pouco, isto é, às portas da morte. Também dizemos “mais para lá do que para cá” para descrever o mesmo tipo de situação. Temos, portanto, um lado quântico em nós que vai além do nosso lado Lili Caneças. Mesmo o fado cantado por Amália Rodrigues, “É ou não é”, que, a avaliar pelo título parece clássico, pois não há justaposição de opostos, é afinal quântico a avaliar pelo final do refrão, que contém uma reviravolta surpreendente: “Digam lá se é assim ou não é?/ Ai, não, não é! / Digam lá se é assim ou não é?/ Ai, não, não é! Pois é!”

Pois é. A lógica quântica não é fácil de perceber. Como é que um governo pode diminuir as pensões aos reformados da função pública e, ao mesmo tempo, garantir o pagamento integral das mesmas pensões? O porta-voz do “maior partido da oposição”, João Almeida, tentou explicar a confusão. Mas tudo ficou ainda mais confuso: ele tem a "profunda convicção de que a medida nunca será aplicada", pois "o cenário de ela ser aplicada seria contrariar uma decisão do Conselho de Ministros". Acontece que a extraordinária medida de aumentar a austeridade dos depauperados pensionistas foi mesmo aprovada em Conselho de Ministros (extraordinário) e enviada à troika para garantir o pagamento da próxima tranche do empréstimo. Mas mais: sabemos, por  Vítor Gaspar, que o referido corte será aplicado em caso de “absoluta necessidade”, coisa que  não nos tem faltado. Por um lado, há a “absoluta convicção” do porta-voz e, por outro, a ”absoluta necessidade” do ministro. Vamos ver se ganha a convicção ou a necessidade. Aceitam-se apostas.

O que falta hoje ao governo? Obviamente um rumo claro. Mais austeridade ou crescimento económico? Mais miséria ou sensibilidade social? O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que tem estado do lado de Vítor Gaspar, não pôs na ordem Paulo Portas quando este, com evidente quebra do dever de lealdade, se demarcou publicamente de um documento aprovado em Conselho de Ministros. Passos Coelho perdeu uma boa oportunidade de afirmar a sua autoridade face à oposição interna. E um governo sem liderança só pode andar ao acaso, não podendo nós adivinhar para onde vai. 
«Público» de 15 Mai 13

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É mau terem partido. E péssimo voltarem

Por Ferreira Fernandes
ÀS VEZES, a ferida dolorosa não deixa ver chegar uma doença mortal - no dia em que temos um panarício não nos apetece ir fazer análises ao cancro do cólon. As manchetes só sobre crise económica tapam-nos a mecha a ir para o paiol. Já ouviu falar dos belgas na Síria? Jovens de Bruxelas e Antuérpia partem para a guerra santa. Segundo a universidade londrina King"s College, há 500 europeus na Síria a combater. Desses, diz o jornal Le Monde, 300 são belgas. Depois da cerveja e chocolates, a outra especialidade: ser mobilizado pela Al-Qaeda. De facto, os combatentes belgas vão para a brigada Al-Nosra, o principal grupo djihadista sírio. Termo de comparação: aquele Abu Sakkar que arrancou o coração de um soldado governamental e o trincou (há vídeo) é só chefe da brigada Al-Farouq, que é perseguida pelos da Al-Nosra por serem moderados. 
Os emigrantes muçulmanos belgas estão desolados com a facilidade de recrutamento dos seus filhos em Bruxelas - é conhecido o caso de dois rapazes de 14 e 16 que partiram. Esses pais, naturalmente, anseiam pelo regresso. Ora, isso não será uma boa notícia para todos. A Argélia ganhou uma guerra civil com os seus jovens regressados do Afeganistão. Desta vez, não serão só jovens combatentes que partiram de cabeça quente e voltarão com ela a ferver. É que voltam para o coração da Europa, para o Estado e nação mais frágeis da União. Junte-se a isso a demografia: em 2030, Bruxelas tem maioria muçulmana. 
«DN» de 17 Mai 13

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Nesta enfiada de carros, vê-se um que está estacionado de forma "diferente" dos outros todos. 
Sabendo-se que é o único com matrícula estrangeira, pergunta-se: 
Será o único que está bem, ou o único que está mal
Ou, colocando a questão de outra forma: qual das imagens é a original e qual é a espelhada?

16.5.13

«Dito & Feito»

Por José António Lima
A COMUNICAÇÃO de Paulo Portas ao país, no passado domingo, a propósito dos novos cortes na despesa do Estado, foi um prodígio de encenação política e malabarismo partidário. O líder do CDS presenteou-nos com mais uma originalidade – a de os ministros virem cá para fora relatar as posições que se tomam em Conselho de Ministros – e aproveitou para desancar na inflexibilidade da troika visando, de facto, atingir a insensibilidade de Vítor Gaspar.
Mas o objectivo central desta intervenção de Portas era o de aparecer aos portugueses, e em particular à larga fatia de idosos da base eleitoral do CDS, como o ‘polícia bom’, com preocupações sociais e de soberania nacional, em contraste com os ‘polícias maus’ deste Governo de cortes e austeridade (Passos e Gaspar, claro). Por isso, a propósito da «TSU dos pensionistas», como lhe chamou, o ministro Portas enfatizou: «Num país em que grande parte da pobreza está nos mais velhos, o primeiro-ministro sabe e creio que essa é a fronteira que não posso deixar passar». Muito comovente e conveniente.
Acontece, porém, que enquanto o líder do CDS se mostrava muito indignado com os 436 milhões de euros que o Estado ia retirar em 2014 aos pensionistas da Segurança Social (tendo já o compromisso de Passos de haver margem de recuo desta medida) já não revelava qualquer incómodo com os 740 milhões de euros que o Governo decidiu cortar em 2014 a outros pensionistas, os da Caixa Geral de Aposentações.
Portas diz querer «uma sociedade que não descarte os mais velhos», mas parece haver velhos – os pensionistas públicos da CGA – mais descartáveis que outros, na óptica do CDS. Os cerca de 3 milhões de reformados da Segurança Social, que iriam perder em média 146 euros por ano com a ‘TSU dos pensionistas’, nem pensar! – estão para cá da fronteira delimitada por Portas. Mas os 600 mil aposentados da CGA, que vão ficar em média sem 1.226 euros anuais (oito vezes mais do que a taxa que tanto transtornou Portas), não incomodam o líder do CDS, que acha tal medida «inevitável» e «satisfatória». Mesmo que ela implique «uma espécie de cisma grisalho» dos pensionistas públicos.
Percebe-se que 3 milhões são muitos mais do que 600 mil e que, por ironias eleitorais, uma das pastas de ministros do CDS é precisamente a da Segurança Social. Mas a duplicidade de fronteiras de Portas, para pensionistas públicos e não públicos, roça a demagogia e o descaramento. Vá lá, desta vez não pôs António Pires de Lima a falar por ele.
«SOL» de 10 Mai 13

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Apontamentos de Sintra/Lisboa

A avaliar pelo que aqui se pode ver (fotos acabadas de tirar na Vila Velha de Sintra), Fernando Seara parece estar à altura de, tal como pretende, substituir António Costa em Lisboa - não só no que toca à repressão aos pinta-paredes, como na escolha criteriosa da colocação de outdoors publicitários...

O Caso do Salário Mínimo Nacional (*) Diz que não disse o que dissera que disse

Por Antunes Ferreira 
CHEIRA-ME que já obtivemos mais um recorde mundial. Nada, não se trata de Atletismo, nem se cita o Carlos Lopes, a Rosa Mota, a Neide Gomes, o Fernando Mamede, o Nelson Évora: poucos, mas bons. Estamos a falar de Política que neste caso é Pulhítica: Coelho & sus muchachos, apoiados e treinados pelo sôr Silva, alcançaram o recorde mundial de desmentidos e contradições.
Creio não ser necessário apresentar exemplos tão quotidianos eles são; há porém, uma circunstância temporal que possui o maior relevo; ora bem, vejamos. 
Passos do Coelho disse na Assembleia Nacional, perdão, da República, que o Governo encara a hipótese de baixar o salário mínimo nacional; não disse; disse apenas que, em rigor, o mais sensato até poderia ser a descida do salário mínimo nacional para facilitar a criação de emprego, invocando o exemplo da Irlanda. Contudo - acrescentou Passos Coelho - o Governo já afastou esse cenário. Citando aqui algumas ideias mestras de João Lemos Esteves na sua «Politicoesfera» que publica no Expresso. Continuo a utilizar Lemos Esteves, mesmo sem lhe pedir licença.
Repare-se: depois desta frase desastrosa de Passos Coelho, foi o próprio Primeiro-ministro que, no estrangeiro, teve de dar explicações sobre o que pretendia dizer. Passos Coelho a explicar e a comentar Passos Coelho. Quem se fragiliza politicamente? Passos Coelho, o chefe de Governo. Como é que um Governo pode ter sucesso assim? Fácil: não pode! Este Governo resume-se a Passos Coelho: ninguém se entende -Paula Teixeira da Cruz dá recados aos seus colegas de Governo publicamente, os ministros dão informações contraditórias sobre a mesma matéria -, todos dão os seus palpites pessoais e ninguém aparece para explicar as medidas do Governo. Só mesmo Passos Coelho - e mal. Um Governo assim aguenta até 2015? Bem pode vir Luís Marques Mendes proclamar que o Governo tem todas as condições para ganhar as legislativas - só mesmo alguém que se dá muito bem com Miguel Relvas (que é a sua fonte para os seus comentários) pode acreditar em tal coisa...
Entretanto Eduardo Catroga, o gestor que representou o PSD nas negociações do famigerado «memorando de entendimento» afirmou que «o mais acertado é o congelamento.
Catroga em declarações à Rádio Renascença, precisou que «A opção de congelar salários, num quadro destes, parece-me uma opção perfeitamente defensável». Mas só «numa situação muito extrema é que se pode admitir que o Estado sequer pondere essa variável [corte nos salários e pensões]».Para ele, o essencial é racionalizar estruturas e cortar ineficiências. «Não tocar nos salários e nas pensões», reforçou.
Interrogado quanto a uma eventual redução do salário mínimo nacional - uma tema polémico que agitou as marés entre Passos Coelho e António José Seguro esta semana no Parlamento - Catroga apenas disse: «Aconselho o Governo a não se debruçar sobre o tema».
«As empresas que podem pagar mais que o salário mínimo nacional pagam e devem continuar a pagar. O Estado não deve imiscuir-se nas discussões de política salarial das empresas. As empresas que pode pagar, pagam, as que não podem pagar, não pagam. Agora admitir que o Estado tem que dar diretivas às empresas, isso é uma visão ultrapassada», frisou. Mais: Catroga não acredita que «a troika se meta nisso», já que a medida faz parte apenas «da esfera empresarial». Mas «que a troika se meta na política salarial da função pública, eu percebo, na medida em que está a financiar um Estado falido», apontou. 
Ora bem, se um Executivo diz ao pequeno-almoço que algo é branco, ao almoço assegura que é negro, ao jantar afirma que é cinzento e à ceia diz que é assim-assim e quiçá, de novo, um branco esbranquiçado, e uma/um ministra/o desmente o que um outro ministro e vem depois alegar que não disse o que disse e o queria dizer era que… está o caldo, o caldeirão, a tripé e o carvão todos entornados. 
Por isso, termino como comecei: o campeonato mundial da Pulhítica já cá canta!
(*com a minha homenagem ao Erle Stanley Gardner)

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A loucura em estado sólido!

Por Helena Matos 
PSD e CDS chumbam projecto que obriga os alunos a estudar a Constituição. PS pode dividir-se e esquerda vota a favor. O parlamento debate hoje se a Constituição deve ser ou não estudada nas escolas e o mais certo é a proposta ser inviabilizada com os votos contra do PSD e do CDS. O presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Fernando Negrão, defende, em declarações ao i, que “os alunos não devem ter nenhum contacto com esta Constituição”, já que faz mais sentido terem contacto com o conhecimento de “conteúdos de direito constitucional” que não estejam vinculados a ideais “de direita, nem de esquerda”. 
Esta posição do PSD e do CDS é mais do que um disparate: é um símbolo da areia que lhes preenche o lugar das convicções. Incapazes de defenderem uma alteração à Constituição optam por impedir o seu estudo. Por acaso essa atitude impede que essa Constituição condicione avida dos meninos que não a devem ler como se fosse um livro pornográfico? Esta ideia de que os alunos só devem estudar aquilo em que se revêem é perfeitamente totalitária e mais parece saída da cabeça do BE. Em Portugal existiu uma disciplina de Organização Política e Administrativa da Nação a que se seguiu a Introdução à Política. Em ambas os textos estudados eram de forte conteúdo político mas o mínimo que se espera é que os estudantes consigam ler criticamente os textos que estudam e que conheçam o texto fundamental do sistema que os rege. Se o texto não é aquele que devia ser mudem-no.
Blasfemias.Net

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"Que las hay, las hay", as maldições...

Por Ferreira Fernandes
SOU INCRÉU de tudo que não apalpe - mas não sou burro. Às sete, é de vez. Está bem, acredito na maldição! Mas se é para entrar nessa de benzeduras e dentes de alho, então muda tudo. O nome passa a ser Sport Lisboa e Mau Olhado. Levamos a Viena uma umbanda de fama de Salvador da Baía - e ela será a última coisa brasileira que se contrata -, vai-se à campa de Béla Guttmann e evoca-se Ogum e Santa Bárbara. Todos os anos, uma delegação com dois jogadores das finais de Berna e Amesterdão (a longínqua, a boa) vai ao cemitério de Viena com a oferenda de uma garrafa de aguardente para acalmar o espírito do deitador do enguiço: "Nem daqui a cem anos, o Benfica volta...." OK, aceitamos a maldição e vivemos com ela. O estádio será rebatizado Terreiro da Luz. Regar o relvado só com sangue de galinhas devidamente sacrificadas... 
Por outro lado, tenta-se reviver o passado glorioso até ao pormenor. Lembrem-se: Maurício Vieira de Brito, o presidente das duas glórias de antigamente, não tinha bigode. E treinadores, só húngaros e carecas. Jogadores não é com vídeos que se contratam, é pedindo BI: transmontano ou alentejano, mesmo coxo, contrata-se. Se o Enzo Pérez quiser continuar encarnado, que fale primeiro com a Presidente dele e se ela abdicar de alguma soberania (mudar o nome de Buenos Aires para Lourenço Marques, por exemplo), prolonga-se-lhe o contrato. 
A tática é essa: respeitar a maldição e aguentar. Só faltam 49 anos.
«DN» de 16 Mai 13

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Apontamentos de Lisboa

Aqui, no Hospital da Luz, os utentes têm de tirar senha por 2 vezes: quando chegam (obviamente) e mais tarde, para pagarem. Como os respectivos números vão aparecendo nos diversos écrãs, alguns privilegiados têm direito a uma bizarra sessão de ginástica cervical: são os que ficam de frente para o monitor avariado e que, a cada sinal sonoro (associado à mudança dos números afixados), viram -  e todos a um tempo! - o pescoço para um dos écrãs que esteja a funcionar. 
Parece uma experiência de Pavlov mas, como ninguém protesta, deve fazer parte da terapia.

Cenas do segundo quartel do século XX (Crónica)

Por C. Barroco Esperança
A 5.ª CLASSE do ensino primário, uma conquista da 1.ª República contra o analfabetismo herdado da monarquia, que o salazarismo havia de reduzir a três, foi um avanço cuja dimensão importa recordar quando, de novo, se pretendem aprofundar as desigualdades.
Foi com a 5.ª classe que o meu pai viajou para Lamego, uma das raras cidades que tinha um colégio, dirigido pelo padre João, onde, em regime de internato, era possível cursar os sete anos de escolaridade que faltava percorrer até à universidade. (...)
Texto integral [aqui]

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15.5.13

Apontamentos de Lisboa

Sala de espera do Hospital da Luz
Sugestão gastronómica ou conselho médico?

Revelado o terceiro segredo de Cavaco

Por Ferreira Fernandes
ANDAVAM Aníbal e Maria a passear o rebanho, não na Cova de Iria, mas no Poço de Boliqueime, quando viram dois clarões como se fossem relâmpagos. Nesse momento, viram em cima de uma azinheira uma Senhora vestida de branco e mais brilhante do que o Sol. Que disse: "Não tenhais medo." E Maria: "Donde é Vossemecê?" O rebanho não se surpreendeu, já se habituara a ver Maria muito afoita de conversa. O Aníbal é que não percebia nada, porque enquanto a prima via, ouvia e falava com a Senhora, ele só via mas não ouvia. A primita segredou-lhe ao ouvido e então ele virou-se para o rebanho [leitor, por favor, leia os telexes da Lusa para ver que não é o cronista que endoidou] e disse: "Penso que a sétima avaliação foi uma inspiração da Nossa Senhora de Fátima. É o que a minha mulher diz." O rebanho ficou espantado: 
1) porque não sabia que os primos se tinham casado; 
2) porque aquilo era a primeira aparição e não a sétima avaliação; 
3) não entendia como a Angela Merkel (os rebanhos são muito prosaicos e o que veem, veem) se aguentava em cima da pequena azinheira. 
Havia um quarto espanto: como é que o Aníbal para confirmar que pensa, diz o que a Maria lhe diz? Mas o rebanho estava era preocupado com os cortes - em tempos de troika, até os três pastorinhos passam a dois - e com aquele "não tenhais medo" da gorda da azinheira que lhes cheirava a ameaça. Ruminava, o rebanho: isto nem com o Milagre do Sol em Outubro vai lá... 
«DN» de 15 Mai 13
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NOTA (CMR): a notícia a que esta crónica se refere pode ser lida, p. ex., [aqui].

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Apontamentos de Lisboa

O caixote vazio com o lixo ao pé não tem nada de novo. A curiosidade está no pormenor do jornal, ali posto para não sujar o pavimento. De facto, civismo é outra coisa!

A perfídia anda por aí

Por Baptista-Bastos
NA HISTÓRIA da democracia portuguesa nunca tão poucos fizeram tão mal a tantos. Ao mesmo tempo que a cègada política transforma as nossas monumentais perplexidades numa exasperada interrogação: que mais nos irá acontecer? O rol de indignidades é extenso e não deixa de aumentar: mentiras, omissões, faltas à palavra e aos compromissos, desprezo por todos nós, ocultação de factos e de decisões, por aí fora. Este fim-de-semana, Paulo Portas continuou a não contradizer a natureza do seu carácter, que se distingue pelo ambíguo e pela duplicidade. Denegou o que, uma semana antes, grave e sumptuoso, afirmara: não toleraria a aplicação de uma taxa às pensões e às reformas.
Ele sempre foi assim: pensa a política como um jogo de pertenças múltiplas, e os políticos não devem ser julgados através de padrões morais. As circunstâncias é que determinam, explicam e justificam os seus actos e as suas condutas. Segundo Paulo Portas, a democracia não se esgota na forma jurídico-política, e enriquece-se com a criatividade e a inventiva dos seus actores. O sentido da honra possui um valor supérfluo.
Estas confusões parecem ter adquirido carta de alforria, tendo em conta a naturalidade com que são encaradas. Há qualquer coisa de errado e de contagioso que excede o funcionamento processual da democracia. Quando um Governo, este, opera decisões que, de antemão, sabe serem anticonstitucionais, inscreve-se numa erosão endémica, que devia combater como norma fundamental da sua própria estrutura. As coisas, porém, não são assim. E se Paulo Portas intruja e desdiz-se, Passos Coelho não faz melhor do que seguir a banalidade que já pertence aos novos campos de intervenção política. Este Governo não é uma nódoa; é uma chaga pestilenta.
Quando, pressurosamente, o dr. Cavaco, coitado, fala em pós-troika, devia, sim, preocupar-se com as mazelas morais deixadas por esta gente equívoca, incompetente, grosseira e indecorosa, cujas relações com a democracia e os seus exigentes mecanismos são nulas e perigosas. Mas ele, infelizmente, não vê, na democracia outra coisa senão um objecto de ódio, de despeito e de sobranceria.
Vai reunir-se, segunda-feira, o Conselho de Estado; e a crer no que numerosos dos seus componentes têm dito e escrito deste Executivo, não se vê razões para que a reunião seja pacífica, e o seu presidente contrarie os impugnadores desta política celerada, continuando a sustentar o nosso infortúnio. É verdade que a arrogância de Belém atinge os limites do insuportável; porém, não há "interesse nacional" (expressão que oculta todas as vilanias) que justifique o conjunto de infâmias que nos têm atingido nos últimos dois anos.
A coligação deixou de o ser há muito tempo. É um conjunto mal remendado de interesses, e um concentrado de servilismo a conveniências estrangeiras. A palavra perfídia anda perto.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico
«DN» de 15 Mai 13

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14.5.13

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Sugestões de leitura

Os livros cujas capas aqui se mostram podem ser pedidos ao autor (p.medina.ribeiro@gmail.com) que os enviará, com dedicatória, pelo preço, respectivamente, de 12€ e 14€ (os PVP são 13,02€ e 15,90€).

O horror podia ter dado mais jeito

Por Ferreira Fernandes
FAZIAM roupa para a Inditext (Zara), a H&M, a C&A... Marcas daquelas comuns, que não ligamos ao luxo. Fossem elas Louis Vuitton, aqueles homem e mulher mortos sob o pó, e os seus 1100 companheiros de desgraça do edifício Rhana Plaza, em Daca, teriam sido um bocadinho mais abusados. Não nos chegaria vê-los mortos no lugar do trabalho, mortos pela miséria do seu país, mortos pela cupidez empresarial, local e internacional, e ainda teríamos aquela cerejinha com que alimentamos melhor as indignações. À caliça sufocante e ao peso do cimento rebentado contrastávamos a caxemira, o merino e as etiquetas das lojas da rua do Faubourg Saint-Honoré, e, então, explodíamos: como ousam estes vampiros do luxo! Mas não, as marcas são daquelas que nós usamos e, até, em rotação que um niquinho de consciência nos diz ser exagerado... 
Algum complexo de culpa deve ter havido para que, três semanas depois do desastre, terem sido mais as manifestações no Bangladesh contra as condições de trabalho (apesar de estarem tão habituados a sofrer e calar) do que na América e na Europa, habitualmente tão dadas ao protesto solidário. Só que este geralmente é feito mais contra alguém (quem nos está em cima) do que a favor dos oprimidos (que são mero pretexto). Desta vez, tendo sido as "nossas" marcas culpadas, sentimo-nos um pouco cúmplices. Ainda bem, não houve o folclore que só serve para diminuir o valor das causas. 
«DN» de 14 Mai 13

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13.5.13

Os pinta-paredes (58)


O grafito de baixo será um insulto ou uma assinatura?

Pergunta de algibeira

Alguém sabe o que significa esta palavra?
(A resposta será aqui dada, em 'actualização', com recurso a outras imagens)
.
Actualização:
Sintra, largo junto ao Palácio da Vila

Portas é uma fronteira aberta

Por Ferreira Fernandes
HÁ DIAS, acerca da taxa sobre pensões, Paulo Portas foi claro: "Esta é a fronteira que eu não posso deixar passar!" Dita com o ponto de exclamação que não admite recuo, posto por aqueles seus olhos coruscantes, queixo levantado e dedo em riste. Nem sei como ele não se inspirou no Churchill que tanto aprecia: "Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas, suor e népias de taxa sobre pensões." Em todo o caso, informou cabalmente Passos da sua posição: "O primeiro-ministro sabe e creio ter compreendido." Homem de muita fé, Paulo Portas: Passos saber não quer dizer que tenha compreendido... A prova é que o Governo reuniu-se ontem com urgência (a moda atual é fechar as dos hospitais e abrir a dos ministros) para dizer que, afinal, a taxa sobre as pensões mantém-se. O lado negativo é que a taxa fica, o positivo é que Portas ganha nova base social de apoio, além dos feirantes e agricultores. 
Depois do que aconteceu ao "esta é a fronteira que eu não posso deixar passar", ele tornou-se campeão dos contrabandistas: "Portas como guarda fronteiriço é que nos dava um jeitaço." E o melhor é que ele teve esta vitória sem fazer nenhuma cedência. Na reunião do Governo - e com os seus olhos coruscantes, queixo levantado e dedo em riste -, Portas conseguiu que a tal taxa só possa ser usada "como solução de último recurso." Ora, ninguém está a ver este Governo a deitar mão a soluções de último recurso, pois não?
«DN» de 13 Mai 13

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12.5.13

O verdadeiro "É igual ao litro"... de água

Bairro de S. Miguel, 11 Mai 13
A EPAL gaba-se (e com razão) de ter criado tecnologia inovadora para detectar fugas de água na sua rede. Infelizmente, parece que ainda ninguém descobriu um método de detectar casos como este, por sinal  frequentes em Lisboa: o funcionário encarregado da rega do jardim (a cargo da J. F. de Alvalade) deixa uma das bocas de rega virada ao contrário. E assim ficou, escorrendo a água pelo passeio e pelas faixas de rodagem.
Mas a gente paga tudo - quer a água, quer o ordenado destes artistas (os que fazem e os que deixam fazer)...

Textura das rochas magmáticas

Por A. M. Galopim de Carvalho
TEXTURA é uma expressão de uso corrente trazida para as ciências da Terra. Oriunda do latim texere (tecer) alude à união das partes de um corpo, como seja a trama de um tecido, a pasta de um papel ou o granulado de um aglomerado de cortiça.
Numa imagem com pretensões de estilo, os minerais integram uma linguagem que permite decifrar aspectos importantes da história das rochas que os contêm e, por via destas, da história da Terra.(...)
Texto integral [aqui]

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Luz - Cemitério Judeu, Jerusalém 2012

Fotografias de António BarretoAPPh
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Mais propriamente, o cemitério do Monte das Oliveiras. Diz a tradição judaica que será neste cemitério que, aquando da chegada do Messias, começarão as primeiras ressurreições. Os enterrados aqui terão assim as primeiras oportunidades... Várias foram as tentativas de vandalizar este cemitério, como por exemplo o túmulo de Menahem Begin. Neste cemitério, vi pela primeira vez as pedrinhas colocadas em cima das pedras tumulares. Fiquei intrigado. As respostas mais plausíveis que encontrei diziam que as pedras eram sinais de homenagem ou recordação, mas que, ao contrário das flores que murcham em poucos dias, estas pedrinhas duram para sempre. Ainda não tive a oportunidade de confirmar com gente sábia, mas pareceu-me ser razão verosímil e suficiente para a tradição. Verifiquei ainda que, nos cemitérios muçulmanos e cristãos de Jerusalém, também havia pedrinhas por cima dos túmulos. Fiquei comovido. Havia, pelo menos durante a morte, alguma unidade, alguma comunidade entre os três povos ou as três religiões. (2012)

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Que alívio, já há oportunismo!

Por Ferreira Fernandes
NO VERÃO passado, Passos Coelho disse: "Que se lixem as eleições, o que o interessa é Portugal." Cada um tem a sua própria ideia de Portugal e nessa matéria pensamos como para tudo o resto: não venham cá com os vossos factos que eu tenho as minhas ideias... Por isso as eleições são úteis, obrigam cada cabecinha política a adaptar-se ao que a maioria pensa. Passos dizer - ele, que já sabia no verão passado que não estava a fazer o que prometera nas eleições anteriores - que se estava a lixar para as eleições seguintes significava dar-se todo um mandato para fazer o que lhe der na real gana. Indiferente aos votos de antes e indiferente ao que os votos lhe diriam depois. Para um político em democracia era liberdade a mais. Até os seus correligionários começaram a espernear contra tanta indiferença para com a vontade geral. A PSD Berta Cabral demarcou-se. ("Alguém acha que me pareço com o dr. Passos Coelho?") O aliado Paulo Portas opôs-se publicamente à taxa das pensões. E, agora, o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Abreu Amorim correu com Gaspar ("o tempo político dele terminou"). Talvez tudo oportunismo, Cabral e Amorim falaram como candidatos a eleições e Portas não quer que o CDS seja arrastado no desastre das autárquicas. Seja, mas é bom sinal. Respeito pelo voto nem que seja por medo é bom. Mau é a indiferença dos iluminados (e não estou a falar do básico Passo Coelho, mas do seu guru coisíssima nenhuma). 
«DN» de 12 Mai 13

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11.5.13

Apontamentos de Lisboa

A política nacional sempre foi pródiga em ideias que estão "em cima da mesa" e outras que são "metidas na gaveta" - como se o país fosse uma gigantesca loja de mobílias.
Assim, há que reconhecer o faro empresarial deste meu vizinho... e desejar-lhe felicidades para o negócio!

O sindicalista com falta de fé nos seus

Por Ferreira Fernandes
O FERNANDO, meu amigo de juventude, ganhava a vida a cantar mal. Em Grenoble, França, ele entrava nos restaurantes e assassinava uma canção de Brassens. Ao fim, perguntava: "Querem outra?" Gente de bom gosto implorava: "Surtout, pas!" (Nem pensar!) E ele estendia o chapéu para que os francos pingassem. "Ou me dás dinheiro, ou..." é um exercício a que os ingleses chamam blackmail, os americanos racket, os sicilianos pizzo, estilos diferentes de extorsão iguais à atuação do meu amigo. Só que a arte do Fernando era também uma lição de etimologia: a palavra chantagem vem do francês chanter, cantar. 
Há dias, Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, quis mostrar-nos que o "ou, ou..." podia ser uma aula de análise social. Assustado com a austeridade, Ralha disse recear que ela diminua a capacidade de resistência dos homens do fisco. Esses funcionários lidando com processos de milhões de euros, o sindicalista avisou: "Depauperar pessoas [os trabalhadores dos impostos] com este poder é sempre um perigo." É, há quem possa cair na tentação... E cortar salários aos enfermeiros pode levar algum a envenenar o familiar de um ministro. E um sargento depauperado pode lançar bombas... 
O porém é este: isso, com crise ou não, será sempre obra dum bandido. Os outros têm um linha, a que podemos chamar honra, que nunca ultrapassarão. O meu amigo Fernando, por exemplo, nunca cantou a segunda canção. 
«DN» de 11 Mai 13

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10.5.13

A malta do "É igual ao litro"

Sintra dá o seu contributo...
Actualização (14 Mai 13):
já foi corrigido

De Mao a Piao acabou na milionária

Por Ferreira Fernandes
DIZIA Mao: "A revolução não é um convite para jantar." Duas gerações depois, Kong Tungmei, 41 anos, neta de Mao Tse-Tung, é a 242.ª pessoa mais rica da China. Jantar já não rima com revolução, mas com caviar e bordéus Petrus. Quando ela nasceu, Mao emprestou-lhe o nome, Tung, acrescentado de "mei", que quer dizer "flor da ameixoeira". Ser a 242.ª pessoa mais rica da lisboeta freguesia da Ameixoeira, com população de 11 863 almas, não prometia grande coisa. Mas Kong Tungmei nasceu na China, país de 1344 milhões pessoas, onde ser a 242.ª mais rica significa 819 milhões de euros (em Portugal só Soares dos Santos e Américo Amorim têm mais). Enquanto dava nome poético à neta, Mao também fazia pela vida.
O seu O Pequeno Livro Vermelho, de onde tirei a frase desta crónica, era já o livro mais publicado do mundo, depois da Bíblia. Além de 427 citações enigmáticas (outra, ao acaso: "A bosta de boi é mais útil que os dogmas"), muito estudadas então pelos filósofos europeus, o livrinho tinha duas páginas de prefácio assinadas pelo braço direito de Mao, Lin Piao. Este, em 1971, tentou matá-lo, e foi morto. No ano seguinte, quando Kong Tungmei nasceu, era perigoso para um chinês ser apanhado com O Pequeno Livro Vermelho sem as duas páginas de Lin Piao arrancadas.
A questão é: se Kong Tungmei tinha de acabar como um qualquer herdeiro Rockfeller III, mais valia ter-se poupado estas tolices e Mao ter enriquecido com os direitos de autor. 
«DN» de Mai 13

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9.5.13

Infantilização

Por Helena Matos
O BEBÉ-adulto tema do meu artigo de hoje no no DE
Nas críticas aos exames que agora começam encontramos uma sociedade cujas famílias já acham que é obrigação do Estado transportar-lhes os filhos para tudo o que tenha a ver com a escola – se não fosse a crise ainda teríamos o direito ao transporte escolar para a festa de aniversário! – ou que se chocam muito porque se pede aos seus filhos que assinem um papel onde declaram que não têm consigo telemóveis nem qualquer outro equipamento de comunicação. Esta infantilização das crianças e dos jovens gerou uns perturbantes bebés adultos que aos 18 anos ainda vão à consulta de pediatria, pois a idade pediátrica estende-se agora até aos 18 anos, onde entre imagens de ursinhos e cegonhas recordarão as ressacas dos festivais de Verão ou as histórias macabras sobre as crescentes agressões nas escolas, como a sucedida recentemente na EB 2/3 Ruy Luís Gomes, no Laranjeiro, em Almada, em que uma aluna foi violada por cinco colegas. Ou que, numa versão mais crescida, continuam a beber e a divertir-se enquanto um seu colega foi assassinado. Se Marlon Correia tivesse morrido, não na sequência de um assalto, mas sim numa fuga à polícia os seus colegas estariam muito provavelmente hoje de luto e vivendo uma forte indignação. Assim foi apenas um azar e a festa com muita cerveja vai prosseguir.
Blasfémias.Net

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«Dito & Feito»

Por José António Lima
ANTÓNIO José Seguro foi ao Congresso do PS «pedir com clareza aos portugueses uma maioria absoluta para governar». Quando ainda faltam dois anos e meio para as próximas legislativas? Está a contar com eleições antecipadas? Mas não está nas suas mãos provocá-las.
Quanto muito, estará nas de Paulo Portas, que pode romper a coligação. Qual o sentido, então, de pedir agora uma imaterializável maioria? Iludir os militantes e, de caminho, iludir-se a si próprio? Mostrar que é capaz de chegar ao mesmo patamar eleitoral de Sócrates?
Podem parecer devaneios próprios de um líder incapaz de sair da adolescência política, mas são mais do que isso. São todo um estilo de fazer oposição: o de prometer – sempre «com toda a clareza» – o que não tem meios de fazer cumprir.
Vejamos. Nas suas propostas para acabar com a austeridade, o líder do PS acena com uma moratória no pagamento dos juros da dívida até 2020. Coisa que está fora do seu alcance. São os financiadores da troika que decidem se e quando flexibilizam, ou não, os prazos de pagamento. Seguro propõe, também, abater 6 mil milhões de euros da dívida pública retirados ao BCE e a lucros que este terá feito com a dívida portuguesa. É outra quimera que não tem hipótese de concretizar. E não parece que seja capaz de intimidar Mario Draghi com ameaças ou pedindo adiamentos «com muita clareza».
Já para fomentar o crescimento económico e o emprego, o secretário-geral do PS propõe-se redireccionar para a economia 3 mil milhões do empréstimo da troika não utilizados pela banca. Como é óbvio, não tem meios de impor tal coisa. Além de que Bruxelas e o FMI já antes fizeram saber que isso não é possível. O líder socialista sugere, também, reduzir o rácio da banca de 10% para 9%, libertando 4,5 mil milhões de crédito para as empresas. Decisão que, mais uma vez, não depende dele. Mas do Banco de Portugal, do Comité de Basileia da Supervisão, do BCE e de outros.
Seguro tornou-se um especialista de falinhas mansas nesta arte de anunciar o que não está nas suas mãos cumprir. Desde eleições antecipadas a moratórias e perdões de dívida. Só lhe falta prometer que, se chegar ao Governo, Portugal irá descobrir petróleo na costa alentejana e gás natural no litoral algarvio. Resolvendo, num ápice, todos os problemas do país. 
«SOL» de 3 Mai 13

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Fotos de hoje, enviadas pelo leitor José Monteiro...

A vingança serve-se fria

Por Ferreira Fernandes
SE A ALMA de Tamerlan Tsarnaev, o das panelas de pressão, já encontrou as virgens a que tem direito, o corpo continua enregelado na câmara frigorífica de uma empresa funerária de Boston. Não há cemitério americano que o queira. É uma situação insólita num país que gosta de expor tudo que cause curiosidade, incluindo os seus horrores. 
Um dia, passando por Ashland, Kentucky, cidadezinha que eu julgava desprovida de interesse, dei com um cartaz à beira da estrada: "Aqui foi o lar de Charles Manson, o célebre assassino." A casa era triste e havia uma pilha com jornais amarelecidos que contavam a vida e obra do guru da seita que matou à facada a atriz Sharon Tate numa noite de 1969, em Los Angeles. Manson ainda continua na prisão de Corcoran, na Califórnia, mas quando se libertar desta vida há de ter direito a uma campa pública. Lee Harvey Oswald, o assassino de John Kennedy, está num cemitério de Fort Worth, Texas, o gangster Al Capone repousa sob uma pedra negra orgulhosamente de pé, no cemitério de Hillside, nos arredores da sua querida Chicago, o assaltante de bancos John Dillinger tem o nome com letras esculpidas em mármore rosa, em Indianápolis... 
O radical islâmico Tsarnaev é que não consegue os seus cinco palmos de terra, como se a América tivesse compreendido que este é um tipo de inimigo interno que não deve alimentar folclores. Não sou eu, farto de tirar os sapatos nos aeroportos, que o vou defender. 
«DN» de 9 Mai 13

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(Des)apontamentos de Lisboa

Não seria razoável que aqueles que fazem o que em cima se vê ajudassem a pagar o que em baixo se mostra?

Crime, pecado e laicidade

Por C. Barroco Esperança
OS MEUS leitores não precisam  de explicações sobre a origem etimológica das palavras «ética» e «moral», conforme a origem, grega ou latina. A moral, por muito que nos doa, é a ciência dos costumes.
O homem é hoje mais tolerante do que o das cavernas e os sedentários mais clementes do que os nómadas. Não é por acaso que os deuses, criados em épocas recuadas, trazem a marca genética das tribos patriarcais que os conceberam. (...)
Texto integral [aqui]

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8.5.13

(Des)apontamentos de Lisboa

Um arrumador de carros indica, a quem precise de ajuda, que ali há lugares vagos... Ao vê-lo, a malta prefere estacionar em 2ª fila, e depois vem a EMEL e multa...
Está tudo muito bem pensado!

Grande ou de rastos sabe bem vê-lo

Por Ferreira Fernandes
AGORA que há vídeos devíamos aproveitar mais José Mourinho. Ele é o género de tipo que traz para a cara as jogadas frias que prepara. Tão centrado está nele próprio que nem repara quanto se expõe: nos dias ganhadores tem cara para se publicar, sem retoques, em capa de revista de moda; nos dias perdedores parece que lhe faz falta um jornal enrolado na mão para indicar, por uma moedinha, um lugar de estacionamento. Nunca ele foi tão ganhador (tão Julien Sorel, em O Vermelho e o Negro, a entrar em Paris) como quando, vindo da sua primeira Champions, chegou ao Chelsea, o seu primeiro clube milionário. Sorel disse a frase emblemática da ambição jovem: "À nous deux, Paris!" (agora é só connosco, Paris...); Mourinho traduziu-se assim: "Sou The Special One"... 
Nunca ele foi tão perdedor como agora, no maior clube do mundo, o Real Madrid, com um balanço medíocre: três anos e uma só terminação, um campeonato, e nenhuma taluda, nem uma Champions. Vê-se-lhe na barba por fazer e olheiras que é também esse o seu balanço. Até a fealdade interior ele expõe: permite-se desprezar publicamente os seus jogadores (Cristiano, Pepe...), enquanto cuida cupidamente de sair do clube sem pagar a indemnização acordada. 
Devíamos aproveitar e olhar mais José Mourinho. Ele dá-se-nos na grandeza e na miséria. E nós podemos admirá-lo ou gostar de o ver de rastos sem que isso nos belisque a consciência. Nada como um egoísta para praticarmos nele o cinismo. 
«DN» de 6 mai 13

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Então e a cedilha?!

O poder como manigância

Por Baptista-Bastos
GRAVES e concentrados comentadores do óbvio precipitaram-se, entusiasmadíssimos, no discurso proferido pelo dr. Paulo Portas, domingo, acentuando o carácter "contundente" (disse um) do texto e a "notória divergência" (acentuou outro) com afirmações do dr. Passos Coelho, proferidas na sexta-feira anterior. A confusão, o despautério e o vazio de ideias grassam, infrenes, na Imprensa e nas televisões. Nem um anotador do facto revelou que o dr. Portas ocupara meia hora das televisões e do nosso pasmo para dizer rigorosamente nada. Melhor: para reafirmar a sua fé e a sua esperança, por igual intactas, no primeiro-ministro e nas suas sábias decisões. A fim de salvar as aparências, anunciou que defendera, com denodo e compaixão, os pobres pensionistas, aos quais, mercê dessa sua obstinação cristã, já não seria extorquida nem um cêntimo da reforma. E que, por sua intervenção, a idade limite para o trabalho não seria fixada em 67 anos, mas sim 65 e meio.
A encenação, organizada logo a seguir à fatal sexta-feira, com atabales e tubas, atingia o clímax. Até ontem, a algazarra não parou, atribuindo às declarações do dr. Portas uma distintiva aura de coragem e de espírito cristão-democrata. Quanto ao discurso, que ele leu, circunspecto e apoiado em gesticulação adequada, é um monumento de hipocrisia, com as preposições no lugar certo e a retórica que desconhece a ética e oculta um significante vazio. O engenho dele para o excesso, divertido, mas apenas convincente para otários e simpatizantes de jornalismo, é bem superior ao de Passos, desprovido de qualquer resquício de talento, tanto nesta como em outras matérias.
Portas percebe muito bem que o Governo está nas vascas da agonia. Mas não quer, por investimento político, dar-lhe o abanão final; como não deseja parecer o espeque que sustenta o edifício em ruínas. Diz umas coisas que agradam a tolos e confundem qualquer princípio de explicação racional das coisas. Espera, espera, com a certeza de que o tempo causará o que ele, agora, recusa praticar. Sempre soube regular as paixões e os interesses, combinando ambos com uma intuição que não admite regras, e que o torna no grande sobrevivente da política portuguesa.
Recorde-se a traquinada ao Marcelo Rebelo de Sousa, ou a urdidura que o fez trepar a presidente do CDS-PP, armadilhando o desventurado Manuel Monteiro, sua criação pessoal. Portas e Marcelo equivalem-se, na negligência moral e no tripúdio das mais elementares normas sociais de convivência. Como é um manipulador quase imparável e um sedutor sempre insatisfeito, os malabarismos deste género de política regalam-no e empolgam os que de ele se aproximam. Porém, compreende que o seu tempo está a chegar ao fim. Esta ambiguidade de carácter faz parte das suas autodefesas.
«DN» de 8 Mai 13

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7.5.13

«Um outro Van Dog» ou «Um cão e três perguntas»

Na semana passada recebi esta visita - aproveitando-se da minha ausência, saltou o muro, entrou, tomou conta das instalações e, agora, não se quer ir embora (e nem sequer o consigo meter no carro para ir à vacina)!
Pergunto:
Alguém sabe a raça do animal (se é que tem alguma...)?
Alguém o quer adoptar?
Alguém conhece um local, nos arredores de Sintra, onde eu o possa deixar durante uns 2 ou 3 dias por mês sem ter de pagar uma fortuna?
Clicar na imagem para a ampliar

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Está-nos no sangue, a corrupção

Por Ferreira Fernandes
PRIMO, mulher ou filho, a relação familiar pode variar, mas a etimologia de nepotismo é como a prova do algodão: a origem da palavra é "nipote", que em italiano quer dizer sobrinho. O nepotismo é de país do Sul, evidentemente. Cola-se--nos aos costumes, a todos PIGS - tugas, macarronis, coños e outros comedores de iogurte com pepino picado -, gente mediterrânica que começa a corrupção logo lá em casa. Sabem como termina a Carta de Pêro Vaz de Caminha ao Rei, depois do achamento do Brasil? A pedir um favor para o genro! E depois não queremos os alemães a dar-nos lições... 
Agora, mais uma região europeia do Sul, palco de nepotismo. Há 15 dias, o líder parlamentar de um partido do Governo demitiu-se do cargo, depois de se saber que empregava a mulher como sua secretária há 23 anos, com salário mensal de 5500 euros pago pelo Parlamento. Na semana passada, o presidente da comissão parlamentar de Finanças, do mesmo partido, também se demitiu: tinha há dez anos como assalariados, pagos pelo Parlamento, a mulher e os dois filhos. Estes, quando começaram a mamar dos dinheiros públicos, tinham 13 e 14 anos. Apesar de se terem demitido dos cargos de direção, os dois políticos continuam deputados. 
No Sul pode haver muito défice, mas não de falta de vergonha. 
Ah, já me esquecia, a região europeia de que falo é a Baviera, no Sul da Alemanha. E os deputados, Georg Schmid e Georg Winter, são da CSU, da coligação de Angela Merkel. 
«DN» de 7 Mai 13

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5.5.13

PEDOLOGIA - Uma caminhada de dois séculos

Por A. M. Galopim de Carvalho
VEM de longe o interesse do Homem pelos solos. Desde que se sedentarizou e iniciou o cultivo da terra, que esta entidade passou a ser para ele um bem do maior interesse e o seu conhecimento não parou de crescer, em especial na vertente mais ligada ao uso agrícola. No entanto, foi só no início do século XIX que o solo passou a figurar entre as preocupações científicas. Data de 1809 a primeira abordagem a esta temática apresentada pelo botânico alemão Albrecht Daniel Thaer (1752-1828), considerado um dos fundadores da agronomia. Os solos foram, então, classificados em função das suas características físicas (expressas, sobretudo, pela cor e pela textura) e composicionais, em especial, a presença ou ausência de carbonatos e de matéria orgânica. Outras propostas de sistematização do conhecimento científico dos solos ficaram testemunhados em várias classificações desenvolvidas na Alemanha, ao longo do século XIX, quase todas amarradas à composição litológica do substrato, como é, entre as mais divulgadas, a de Ferdinand Freiherr von Richthofen (1833-1905).(...)
Texto integral [aqui]

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Bola para a frente

Por Alberto Gonçalves 
OS CANAIS noticiosos passaram a noite a transmitir o oposto de uma notícia. Com repórteres nas saídas do Estádio da Luz e na rotunda do Marquês de Pombal, perguntou-se centenas de vezes a adeptos benfiquistas se tinham gostado da vitória do Benfica. A expectativa face às respostas fazia tremer o espectador. Além disso, as respostas possuíam enorme importância em si mesmas: nos dias que correm, não me lembro de nada tão essencial para o futuro colectivo quanto um clube da bola eliminar uns turcos e atingir a final de um torneio europeu. Aliás, houve um inquiridor ou um inquirido que ressalvou exactamente o facto de o triunfo no campo compensar o que sucede fora dele. Isto é, perante a crise, valem-nos as alegrias do futebol.
É um raciocínio possível. E, principalmente, uma solução viável. Em lugar de tentarmos, pelos vistos em vão, controlar o défice, estancar o desemprego e, em suma, salvar a pátria, basta que o Estado invista tudo na produção de equipas imbatíveis, capazes de monopolizar as conquistas de torneios internacionais e manter uma população falida sob euforia permanente. Afinal, que interessa o T2 por pagar se o emblema do nosso coração só nos dá felicidade? E que interessariam o aumento de impostos, a redução dos subsídios e o carácter irreformável da máquina pública se o Benfica e o Porto e o Sporting e o Braga e o Sacavenense humilhassem adversários estrangeiros semana sim, semana não? 
Quando se diz que o povo não aguenta mais sacrifícios, subestima-se o povo. Após o desafio com o Fenerbahçe (?), um cartaz empunhado por devotos rezava: "Benfica, se jogasses no céu morreria para te ver". Sacrifícios? Ai aguenta, aguenta, incluindo o último. E o penúltimo, que é ouvir o treinador dos populares "encarnados", hoje elevado a alturas celestiais, proferir a já imortal frase: "Fomos uma equipa que éramos melhores." Portugal também foi um país que éramos fantásticos. Foi. Éramos. A exactidão linguística é, como a bola, fundamental. 
«DN» de 5 Mai 13 (parte)

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4.5.13

Apontamentos de Lisboa

Com a melhor das intenções, um vizinho meu resolveu criar uma página no Facebook para alertar a autarquia para os casos dos buracos na via-pública - ver [aqui].
Vale a pena perguntar se os funcionários camarários não andam nas ruas da cidade. E também vale a pena passar pelos locais referidos, e ver qual é a realidade depois da denúncia feita.
A única coisa que não vale a pena é ter estas situações em consideração aquando das eleições autárquicas - há casos lá documentados que mostram tristes realidades com muitos anos de idade...

O primo da amiga da tia do vizinho

Há uns anos, um cidadão português (maior e vacinado) teve problemas com a Justiça. Pois um jornal tablóide achou que o importante era dar-nos conta de que era "filho de Leonor Beleza" e, não contente com isso, a foto que apresentava na 1.ª página era da mãe e não do acusado!
Mais recentemente, um blogue muito conhecido atacava sistematicamente Alfredo Barroso chamando-lhe "o sobrinho" - por ser sobrinho de Mário Soares, o que nem sequer é verdade, pois esse parentesco apenas existe por afinidade.
Onde eu quero chegar é que esta forma de atacar uma pessoa através dos actos ou das ideias de um parente é pouco digna (para não dizer intelectualmente desonesta), mas é ultrapassada (neste caso, em ridículo) por esta "notícia". 
São coisas assim que fazem com que eu deixe de comprar certos jornais e de frequentar certos blogues.

3.5.13

O regabofe nacional…

Por Antunes Ferreira
ESTAMOS em pleno regabofe nacional. Esta é a maior crise que este triste País desde a de 1385 até à de 1640 e depois 1755, e ainda depois as invasões napoleónicas, a que se seguiram as disputas entre liberais e miguelistas, não contando com o regicídio que originaria o 5 de Outubro, para terminar com a ditadura salazarista acompanhada pelo último estertor marcelista. E agora atinge-se o cume da parvoíce, da parolice, do crime.

Já nem quero falar de casos escabrosos como o do Relvas que se intitulava licenciado, apesar de ter feito uma meia cadeira ou coisa que o valha. Esse já passou, ou melhor não passou; o anedotário a propósito do fulano está repleto. A última que me foi enviada resumo-a rapidamente.

Relvas, como a todos acontece, chegou às portas do Céu. S. Pedro foi recebe-lo: olha o nosso amigo Relvas. Estávamos ansiosos à sua espera. Você um gajo porreiro, tirou um curso superior com 4 anos. Olhe amigo Relvas posso dizer que o que realmente você é, é um intelectual. E o Relvas um tanto enfiado: pois… Nós temos um lugar próprio só para intelectuais, mas mesmo intelectuais escolhidos a dedo. São apenas quinze. Vou leva-lo lá.

O Relvas ficava portanto e como rigorosa excepção com o 16. No fim-de-semana, como sempre fazia, S. Pedro foi dar uma volta pelo Céu para ver se estava tudo bem… E quando passou pelos 16 intelectuais viu o Relvas a conversar com outro intelectual. S. Pedro, curioso, pôs-se a escutar. E o outro senhor: meu caro amigo, eu não quero de modo nenhum criticá-lo. Quero somente aconselhá-lo; e o Relvas, faça favor. Mas, parecia-lhe que esse senhor tinha uma face especial; parecia-lhe um chinês, um japonês, um coreano, mas ficou à espera que o outro intelectual lhe dissesse alguma coisa.

Este disse-lhe então: são três as razões que me levam, apenas, a dar-lhe um conselho. A primeira, as Epistolas não são as mulheres dos Apóstolos. A segunda, um galão não é um galo grande, é um copo de leite com café, e que se toma normalmente ao pequeno-almoço. A terceira, e aí o dito senhor agarra Relvas pelas bandas da túnica e berra: Ó seu filho da p… Eu não me chamo Pafúncio! Eu chamo-me Confúcio!

Esta é uma triste imagem do Portugal que se vai à vela. Piores, há muitas outras desde o (des)Governo até ao apelidado de Presidente da República (?) que, depois de ter dito muitas e continuadas asneiras, na Assembleia da  República fez um discurso a propósito do 25 de Abril que só veio provar que o homem está doente, muito doente, muitíssimo doente! Até os cravos que ornamentavam a mesa da Presidência do Parlamento caíram!...

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Pergunta de algibeira

Átrio da estação de Metro do Campo Grande, em Lisboa- 29 Abr 13
Alguém sabe para que servirá isto? (Haverá uma actualização, mostrando um equipamento semelhante, noutro local da cidade) 
*
Actualização:
Esta outra foto (da mesma maquineta ou de uma gémea?) foi tirada em Junho de 2008, no átrio das chegadas do Aeroporto de Lisboa. Na altura, andei de roda da 'coisa' para tentar perceber para que é que servia e, já agora, se funcionava... Népias.