24.7.16

PERGUNTA DE ALGIBEIRA 1 - Moedas falsas



Considerem-se 10 sacos com 20 moedas cada um.
Sabe-se que 9 só têm moedas boas (que pesam 10g cada) e 1 só tem moedas falsas (que pesam 11g cada).
Pergunta-se: como descobrir qual é o saco que tem as moedas falsas com uma única pesagem usando uma "balança" como a do desenho (ou, mais correctamente, um "dinamómetro")?
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NOTA: Há muitos problemas deste género, mas com recurso a balanças de pratos: colocando umas quantas moedas num e noutro, vê-se para que lado pende e, com mais ou menos manipulações, chega-se à solução. Mas aqui a balança não é de pratos e só deverá haver UMA pesagem.

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23.7.16

Terrorismo

Por Antunes Ferreira
Numa declaração entre a surpresa e o drama a jornalista Jenette Winter da rádio pública Bavaria afirmou que nunca pensara que o terrorismo chegasse a Munique. Mas chegou. Ontem mesmo. Um tiroteio pôs em pânico as muitas pessoas que se encontravam num centro comercial que fica a cerca de 10 km do centro de Munique, o OEZ - Olympia Einkaufszentrum. Três atiradores disparam sobre os clientes causando pelo menos sete mortos e bastantes feridos
Até ao momento em que escrevo este texto nada mais se sabia sobre a ocorrência criminosa – mais uma – pois as declarações das testemunhas eram muito diversas, o que se compreende, foram foram obtidas logo após o atentado, em momentos que a tensão se conjuga com a adrenalina. A polícia logo falou num acto terrorista que logo de seguida foi, como já é, infelizmente, habitual, pelo Daesh.
O fenómeno do terrorismo cada vez é mais preocupante, mas a pergunta que se coloca é como para-lo. Esse é o busílis da questão; apenas se pode constar que uma  pessoa (neste caso admite-se que tenham sido três) faz mobilizar polícias, normalmente de intervenção, forças militarizadas, forças armadas e até militares reformados aos quais por exemplo foi pedido por François Hollande para colaborarem na segurança.
O terror não respeita fronteiras, países, cidades, muitos centros onde se encontram cidadãos livres. Ontem ainda no Brasil também foram detidas dezasseis pessoas que, alegadamente tinham planeado e organizado atentados durante os Jogos Olímpicos deste ano que vão decorrer no Rio de Janeiro.

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21.7.16

O Conselho de Estado, Portugal e a União Europeia

Por C. Barroco Esperança
Não interessa saber se Cavaco foi ou não favorável a sanções da UE contra Portugal, na reunião do órgão consultivo do PR. É irrelevante o que pensa Cavaco Silva. A política não é um ramo da espeleologia e os fósseis não são o seu objeto de estudo.
 Grave é o acolhimento da comunicação social à reiterada e patética negação dos factos, por Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque. As sanções com que é chantageado este governo referem-se ao falhanço do governo de Passos Coelho no cumprimento de metas de 2014 e 2015. Estes são os factos.
 O que o país não pode esquecer é a dilatação da última legislatura, até ao prazo máximo legal, o que inviabilizava a apresentação oportuna do OE-2016, situação agravada pelas manobras dilatórias para investir o legítimo e atual governo. Não foi culpa exclusiva do notário de Belém, foi responsabilidade do PSD e do CDS, que o impeliram ao patético adiamento, de gravosas consequências para Portugal.
 Quando é preciso desviar atenções da colossal crise financeira dos bancos de Itália (360 mil milhões de euros), da monstruosa dimensão dos problemas do Deutsche Bank e dos imprevisíveis efeitos do Brexit, Portugal e Espanha são, depois da Grécia, fundamentais para disfarçar a crise financeira da UE, em permanente adiamento.
 Vale a pena lembrar uma resposta recente de Jean-Claude Juncker, quando confrontado com sanções à França: “Não há, já que se trata da França” (sic).
 Não me surpreenderia, perante a leveza ética dos atuais dirigentes europeus, executores da estratégia do Partido Popular Europeu, que, depois de terem obtido do PP espanhol um qualquer compromisso (impossível de cumprir, por falta de apoios parlamentares), usem Portugal, cujo governo incomoda, como único bode expiatório.
 E não lhes faltam cúmplices autóctones. 
 Ponte Europa / Sorumbático

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20.7.16

Sem Emenda - As Minhas Fotografias

Torre de Belém, vista da Fundação Champalimaud, Lisboa – Há quase quarenta anos, a Torre de Belém era capa de um excelente livro da autoria de Fernand Braudel, “A Europa”, publicado em Paris. Habituado ao uso nacionalista dos símbolos, fiquei surpreendido. Mas encantado: a Torre é um dos meus monumentos favoritos. Além disso, prefiro-a mil vezes como emblema da Europa. Como evocação portuguesa, é sobretudo prova ou sinal do mais importante contributo de Portugal para a história da humanidade. Aqui está ela, nos tempos actuais, vista do grande auditório da Fundação Champalimaud, através desta maravilhosa janela feita, aparentemente, de uma só peça, um dos mais interessantes “objectos” de arquitectura contemporânea de Lisboa. Com a vantagem de nos deixar ver e contemplar a nossa Torre. Em paz. Sem proclamação deslocada, nem vontade de mobilização para coisa nenhuma. Com a serena calma do testemunho, sem a excitação do protagonista.
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DN, 17 de Julho de 2016

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19.7.16

Sem emenda - Às armas!

Por António Barreto
Aqui estamos, mais uma vez, a bramar “às armas!”. Como sempre. Como noutros séculos. Quando os Portugueses, alguns Portugueses, não encontram desculpas para as suas asneiras, recorrem ao patriotismo. Quando os governantes não sabem resolver os problemas que herdaram ou criaram, entoam hinos. Quando os dirigentes querem escapar, atribuem as responsabilidades ao inimigo externo. Mas sobretudo quando não têm meios nem razão, logo apontam o dedo a um perigo estrangeiro. Já foi a Espanha dos Filipes, já foi a Inglaterra dos Piratas e já foi a França do Terror e de Napoleão. Também já foram os americanos. E os comunistas, russos de preferência. Já foi o petróleo e os dólares. Agora, são os Europeus. Os de Bruxelas, em geral. Os da Alemanha, em particular. Os da direita, da banca e das finanças, mas estrangeiros. São eles os responsáveis pelas nossas dívidas, os causadores das nossas perdas, os obreiros da nossa crise e os culpados das nossas dificuldades!

Em vez de procurar valorizar o que temos, de aproveitar o que sabemos e de organizar a economia; em vez de investir, de diminuir o desperdício e de fazer obra útil; em vez de apenas gastar o que temos, de atrair investimento externo e de trabalhar e poupar; em vez de estudar, de nos governarmos com mais sabedoria e de fazer com que o Estado respeite os cidadãos, em vez disso, procuram as autoridades comover os sentimentos, confundir os espíritos e mobilizar contra alguém, o inimigo, o adversário, a ficção dos que querem mandar em nós, a invenção dos que não respeitam os Portugueses e a fantasia dos que não honram uma nação com oito séculos de história!

António Costa, o seu Governo e os partidos que o apoiam estão envolvidos num processo perigoso que vai acabar mal. Desencadearam uma guerra contra a União. Atiraram-se à Europa. Batem o pé, como gostam de dizer. Levantam a voz ou falam com voz grossa, como prometem em comícios vulgares. Não aceitam a chantagem europeia, declaram em tom marialva. Não estão cá para obedecer à Europa! Garantem que em Portugal são os Portugueses que mandam e não aceitam lições de ninguém!

O Governo recusa mostrar à Comissão um rascunho de orçamento que, aliás, ninguém lhe pediu! Insiste em gastar e distribuir. Não corta na despesa. Contraria a Espanha e o Reino Unido. Critica a Alemanha. Procura aliados na extrema-esquerda, coisa pouca. O Governo não tem meios, nem força interna, nem aliados externos que lhe permitam esta espécie de “baroud d’honneur”, o último combate de uma guerra perdida! De luta simbólica para dar o exemplo. De sacrifício que faça um mártir e nos transforme em heróis! Portugal não tem riqueza, nem recursos, nem capacidade para, sozinho, contrariar as regras da economia europeia e mundial, obter os créditos de que necessita, conseguir os investimentos de que carece. Não se deve cantar mais alto do que a sua garganta. Nem dar passos maiores do que os seus pés. Muito menos cantar de galo, quando não se tem voz nem poleiro. António Costa e o Governo estão a preparar-se para desencadear uma luta para a qual não têm meios, nem força. E nem sequer razão.

É claro que a União Europeia está em apuros e não sabe qual é o seu destino. Há anos que se espera pela crise em que vivemos hoje. A União Europeia está à beira de morrer na praia, como diz o lugar comum. Foi longe de mais e não foi suficientemente longe. Não é equitativa, distingue entre grandes e pequenos. Não é justa, só castiga os fracos. Não é igualitária, segue as directivas alemãs. Longe de mais para dar paz e democracia. De menos para a segurança e a disciplina. Mas nada justifica que o governo português invente uma guerra contra a União. Será sempre uma guerra contra si próprio.
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DN, 17 de Julho de 2016

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18.7.16

CAMINHOS DA MINERALOGIA (2) - Os minerais na Antiguidade


Por A. M. Galopim de Carvalho
É com Teofrasto (372 – 287) que surge o primeiro tratado de mineralogia – As Pedras. A este discípulo de Aristóteles se deve a primeira classificação mineralógica, tendo por base as respectivas utilidades como minérios, pedras preciosas e pigmentos, tendo descrito vários tipos de minerais, sobretudo gemas, e algumas rochas.
Houve, no entanto, um longo caminho percorrido, no domínio do conhecimento das substâncias, das suas natureza e constituição, cujos primórdios se perdem nas civilizações mais antigas.
Os quatro elementos primordiais ou princípios – ar, água, terra e fogo – impropriamente atribuídos a Aristóteles (384 - 322 a.C.), considerados na Grécia antiga com constituintes universais da matéria, são o culminar de uma concepção muito anterior, que se desenvolveu gradualmente até ser formulada em termos mais abrangentes por Empédocles, cerca de 450 a.C., como teoria dos quatro elementos ou das substâncias. Sabemos hoje que o texto referido no lapidário de Aristóteles tem origem na Pérsia, em meados do século IX a.C., de autoria desconhecida. Nesta concepção do mundo coube a este que foi o fundador e mestre do Liceu de Atenas, o mérito de a divulgar e de lhe dar crédito tal que a fez singrar e resistir incólume por mais de dois mil anos. Esta visão, dita aristotélica, teve a aceitação da Igreja Romana, que a adoptou e impôs, a ferro e fogo, no essencial do seu conteúdo, opondo-a tenazmente à teoria atómica, da escola de Mileto (séc. V a.C.). Deve dizer-se que esta outra visão da matéria já tivera por parte dos hindus uma astuciosa antecipação, tendo sido os árabes que a fizeram renascer através das tradições dos autores gregos e latinos, reintroduzindo-a no saber renascentista europeu.
No que se refere aos latinos, Plínio, o Velho (23 – 79 d.C.), uma das vítimas da histórica erupção do Vesúvio, tem lugar de destaque através da sua monumental História Natural, em 37 volumes. Nesta obra monumental o autor retoma Teofrasto e volta a falar de minérios, pigmentos, gemas e também de algumas rochas como o mármore e o basalto.

Neste historial da caminhada da mineralogia, há que dar o devido destaque à alquimia. Chegada através do Egipto, primeiro à Grécia, teve em Roma a protecção de Calígula (12 – 41 d.C.). Nesta escola árabe floresceu a Polypharmacia, actividade alquímica onde se queimava, sublimava, dissolvia e precipitava e que, de mistura com outros procedimentos fantasiosos (à luz do conhecimento actual) deram nascimento, não só à química como à mineralogia.

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Há aqui algo estranho, não há?

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17.7.16

UMA EXPERIÊNCIA A FAZER


Por A. M. Galopim de Carvalho
Todos sabemos como é grande o consumo de batatas fritas na praia, um regalo para as crianças, depois do banho de mar, já instaladas na toalha a secarem ao Sol.
Vá ou não para a praia, faça com os seus filhos ou netos a experiência, simples e particularmente eficaz, inspirada numa apresentada pelos alunos do 6º ano, do Agrupamento de Escolas nº 1 de Serpa, no XI CONGRESSO NACIONAL CIENTISTAS EM ACÇÃO, levado a efeito pelo Centro Ciência Viva de Estremoz, em Abril deste ano.
PROCEDIMENTO:
1 - Corte uma rodela de papel do tamanho da rodela de batata frita (dessas que se compram em sacos, tipo Saloínha) a usar na experiência.
2 - Coloque cada uma das rodelas no seu recipiente (um prato ou um pires, por exemplo).
3 - Pegue fogo à rodela de papel e tome nota do tempo que ela demora a arder, até se apagar a chama.
4 - Proceda de igual maneira com a rodela de batata frita.
5 - Compare os tempos.

CONCLUSÕES:
1 - A batata frita arde durante muito mais tempo porque contém grande quantidade do óleo da fritura.
2 - Ao comermos batatas fritas, seja às rodelas, seja aos palitos, estamos a ingerir grande quantidade de gordura e, o mais grave,…
3 - Essa gordura contém um produto prejudicial à saúde, um aldeído conhecido por propenal ou acroleína, que se forma sempre que o óleo de fritar atinge as temperaturas exigidas nessa confecção.

Boas e felizes férias

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16.7.16

França – mais um massacre

Por Antunes Ferreira
Claro que é impossível pôr um polícia, um gendarme ou um soldado atrás de cada cidadão. Poderá dizer-se que as armas oficiais são um elemento de dissuasão, o que efectivamente é verdade, mas em muitos casos não chega. Depois da brutalidade criminosa que se passou em Nice, mais precisamente na Promenade des Anglais, e que saldou (até à data em que escrevo este texto) por mais de oitenta mortos e cem feridos, metade dos quais em estado grave a França, naturalmente, vive em estado de choque.
A intervenção do Presidente François Hollande foi uma tentativa de aliviar a tensão em que se encontram os seus conterrâneos e não só. Mas, infelizmente não trouxe na verdade nada de novo; de resto, que se esperaria mais? O prolongamento do estado de emergência por mais três meses e o reforço dos elementos de segurança, e a continuação do país no combate ao Daesh no Iraque e na Síria. Apenas um pormenor se destaca entre estas medidas: a convocação de cidadãos antigos militares para participar nessa enorme tentativa de assegurar a segurança. Caso semelhante só é possível encontrar aquando das guerras mundiais.
Ora, esta mortandade horrível aconteceu quando vigorava o estado de emergência e quando os serviços de segurança estavam na rua preparados para possíveis ataques terroristas como os que se verificaram no Charlie Hedbo, no ataque ao supermercado judeu e na carnificina do Bataclan. Sendo assim, o apelo à calma e à serenidade de Hollande é muito importante, mas não impede que permaneça, aliás justificado, o medo dos cidadãos que se perguntam quando será que um novo ataque terrorista se verificará?
É em momentos hediondos como este que o desnorte das pessoas é mais evidente. Já se sabe quem foi o assassino, já se sabem as nacionalidades de muitos dos mortos e dos feridos, incluindo que entre estes últimos há um Português. Perdoem-me a afirmação: este último pormenor pode ser considerado peanuts, quando comparado com a dimensão da tragédia. Com isto não quero dizer que a preocupação com a vida de compatriota é de somenos importância; nada disso. O contrário seria renegar a Pátria que vinha de uma vitória precisamente contra a França no Europeu 2016. O que é que se diga que um não tem nada a ver com outro. Infelizmente as coisas coincidiram, nada mais.
Além disso pergunto-me uma outra vez que é feito da (des)União Europeia em matéria absolutamente necessária de defesa em ocorrências como esta? Trocas de informações entre os países que ainda estão integrados nela? Forças policiais e militares conjuntas, o que quer dizer europeias? A realidade é que os países europeus, sejam ou não participantes na (des)EU, estão impotentes contra estes morticínios horrendos.   
Restam as condolências e as declarações de solidariedade. Até agora na Europa há que registar (e porque oriundos da nossa casa) Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa; Papa Francisco, Theresa May nova primeira-ministra do Reino (des)Unido, Mariano Rajoy, Charles Michel, primeiro-ministro da Bélgica, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu e outros. Fora da Europa, Barak Obama, presidente dos EUA, Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, Michel Temer, presidente em exercício do Brasil, Juan Carlos Varela, presidente do Panamá e outros.
No entanto, todas estas declarações não passam disso mesmo – declarações de intenção. O que pode servir de alguma consolação da França, mas não restitui a vida aos mortos nem a saúde aos feridos.
 
 O grau de ameaça terrorista em Portugal mantém-se moderado, não sofrendo alterações, apesar do ataque de quinta-feira em Nice, anunciou hoje a secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda.
Em comunicado, Helena Fazenda adianta que as forças e serviços de segurança continuam a manter «o reforço da vigilância e segurança em áreas e locais de maior concentração de pessoas».
A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna sublinha que todas as foças e serviços de segurança que integram a Unidade de Coordenação Antiterrorismo «estão a trabalhar em completa articulação e a acompanhar os acontecimentos registados em Nice, mantendo contacto com as suas congéneres e recolhendo todos os dados necessários à sua avaliação».

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