15.12.14

Coelho no País das Maravilhas




«“Alice no País das Maravilhas” da autoria de Charles Lutwidge Dodgson foi publicada  em 4 de Julho de 1865.O seu pseudónimo de Lewis Carroll ficou para a História. É uma das obras mais célebres do género literário nonsense. O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai numa toca de coelho que a transporta para um lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas, revelando uma lógica do absurda característica dos sonhos
(Wikipédia)
Por Antunes Ferreira
Passos Coelho é o heterónimo da  Alice no País das Maravilhas. As palavras dele no último debate quinzenal no Parlamento são de outra galáxia, o que pode significar que o “nosso chefe” continua nas nuvens. Recordo-me da classificação das nuvens quanto ao aspecto delas, que me foi ensinada pela minha professora da quarta classe (ainda a havia e duraria ao longo dos anos) a Dona Clélia Marques directora e proprietária da Escola Mouzinho da Silveira. Não garanto a exactidão dos nomes mas eram mais ou menos assim: Cumuliformes e cumulonimbiformes são nuvens de desenvolvimento vertical, em grande extensão; surgem isoladas; dão origem a precipitação forte, em pancadas e localizadas.
Coelho optou pelo balanço da situação económica do país para iniciar a sua intervenção e a dado momento afirmou que para 2015 existe “uma perspectiva mais positiva e esperançosa para todos os portugueses”. E garantiu que a recuperação da economia portuguesa está a ser feita de forma “sustentável e saudável, quer do lado da procura interna, quer o do investimento!”. As oposições – não há só uma - saltaram à estacada, aproveitando o jargão usado pelo primeiro-ministro “Quem não se lixou, deste feita, foi o mexilhão”.
Para Coelho, os portugueses estão (quase) a entrar no País das Maravilhas. Salvaguardou obviamente as desigualdades na população e o desemprego, ainda que de forma reticente. Se não o fizesse, do descalabro passava à anedota (que é). Admitiu que os “portugueses ainda passam sérias dificuldades”. Mas, logo de seguida disse que via ainda “uma trajectória de desendividamento progressivo” e o emprego “a crescer de uma forma muito sustentada”, apesar de admitir “níveis muito elevados” de desemprego. Em que ficamos? Deixe-se de tretas e de contradições senhor Coelho: o desemprego está a diminuir ou está a aumentar?
Quando a privatização da TAP veio à baila, Coelho teve uma afirmação de se lhe tirar o chapéu, uma dicotomia falaciosa. Evidentemente usando termos correctos politicamente reafirmou que a transportadora aérea nacional era uma espécie de tudo ou nada; se é privada safamo-nos; se não é estamos tramados… Isto porque a famigerada Troika quando lhe mandou privatizar a TAP sabia que sem ela os valores da receita das privatizações iam por água abaixo. Ou viver sem a TAP, ou morrer com ela…
Mas no jantar de Natal da distrital do PS/Porto, António Costa referiu-se aos vários "momentos de fantasia" que Pedro Passos Coelho teve, nesta sexta-feira, no debate quinzenal na Assembleia da República, considerando que o primeiro destes relacionou-se com a privatização da TAP. "Ao contrário do que disse o primeiro-ministro, o que estava no memorando de entendimento com a Troika não era a previsão de uma privatização a 100% da TAP. Não, o que estava no memorando de entendimento era que a TAP só seria privatizada parcialmente e nunca na sua totalidade",
Na opinião do secretário-geral do PS, era tarde para evocar o memorando de entendimento, porque este também dizia que a meta prevista para as privatizações era de 5,5 mil milhões de euros e que, "neste momento, o Estado já privatizou mais de 8 mil milhões de euros, bastante mais do que era a meta prevista no memorando". Donde, e ainda segundo Costa, "não é necessário privatizar a TAP, porque o objectivo aí previsto já foi alcançado e, por isso, o melhor que tem a fazer é não vender a TAP e manter esse activo estratégico para o país", declarou.
Ainda segundo António Costa, houve um segundo "momento de fantasia" do debate parlamentar de ontem: foi quando o primeiro-ministro anunciou que Portugal está a recuperar de forma "sustentada e saudável". E acrescentou que "a dívida, ao longo destes anos, aumentou 54 mil milhões de euros, 30 pontos percentuais. Ou seja, temos hoje uma dívida ainda maior do que a dívida alta que já tínhamos quando este Governo iniciou funções. Onde é que está a sustentabilidade que o Governo vê neste processo?”
Por estes apontamentos colhidos da comunicação social faço uma pergunto que creio ser razoável: digam-me, por favor, se Coelho vive ou não vive no País das Maravilhas. Para mim, vive; mas sem o relógio
A expressão utilizada por Passos no fim-de-semana passado foi aproveitada pela oposição que criticou o discurso “esperançoso” do governo no debate quinzenal
No último debate quinzenal deste ano, o primeiro-ministro escolheu o balanço da situação económica do país para a sua intervenção e concluiu que para 20115 existe “uma perspectiva mais positiva e esperançosa para todos os portugueses”. E garantiu que a recuperação da economia portuguesa está a ser feita de forma “sustentável e saudável, quer do lado da procura interna, quero do investimento!”. Mas na oposição os ataques foram quase em uníssono, aproveitando uma expressão recentemente usada por Passos: “Quem se lixou foi mesmo o mexilhão.”
O chefe do executivo voltou aos quinzenais dois meses depois (estes debates foram interrompidos devidos aos trabalhos sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano) e repetiu que os últimos dados do Banco de Portugal e do INE mostram que se “mantém a tendência de crescimento”, argumentando que o investimento feito até aqui está a ser dirigido para “o sector transaccionável e não está a ser transformado em betão ou colocado na economia protegida”. Além disso, Passos vê ainda “uma trajectória de desendividamento progressivo” e o emprego “a crescer de uma forma muito sustentada”, apesar de admitir “níveis muito elevados” de desemprego.
Um balanço contrariado pela oposição. Pelo PS, Ferro Rodrigues foi o primeiro a contestá-lo, recorrendo ao que Passos disse nos últimos dias - “desta vez quem se lixou não foi o mexilhão”. O adágio, explicou Passos no debate, foi usado “para dizer que nesta crise todos fomos chamados a contribuir”. Mas Ferro enumerou os efeitos com os cortes em subsídios sociais, “o desemprego de longa duração”, o aumento de trabalhadores precários, “os desempregados que emigraram” para concluir de forma repetida: “Na sua linguagem marítima trata-se de mexilhão ou lagosta, senhor primeiro-ministro?”
Para o líder parlamentar socialista, a análise de Passos teve um “registo de negação, irrealismo e de efabulação”. E acrescentou que o governo está “em trânsito de uma estratégia neoliberal, para uma estratégia neopopulista”, ouvindo Passos atirar de volta: “Não arrancámos com neoliberalismo, mas com o Memorando de entendimento negociado pelo PS.”
Mas no PCP, Jerónimo de Sousa também atacou Passos pelo mesmo flanco, atirando à “insensibilidade social” do governo: “Quem era pobre, pobre ficou e quem se lixou foram os que não sendo pobres, passaram a ser?
É destes que fala senhor primeiro-ministro?“. E o líder comunista ainda se indignou com a análise económica deixada pelo chefe do executivo: “Não venha com o argumento que estamos melhor que a Grécia, até pode dizer que estamos melhor que o Biafra, mas é isso que o consola, senhor primeiro-ministro?”.  E Passos defendeu-se garantindo não estar a ignorar os “portugueses que ainda passam sérias dificuldades”.
Já Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, aproveitou a expressão mais repetida neste debate quinzenal para acusar o executivo de favorecer os poderosos. “Quando estão em causa os novos donos disto tudo, abandona logo o mexilhão”, acusou a deputada bloquista.

Etiquetas:

14.12.14

Luz - Alhambra, Andaluzia, Espanha

Clicar na imagem para a ampliar
Localizado à margem da parte mais conhecida e original do Alhambra, este é um edifício imponente e pesado, talvez sem graça exterior aparente. Mas o trabalho da pedra é impressionante. Não conheço o nome ou o termo técnico para estas paredes e para este género de “almofadas”, mas este é um estilo de obra em pedra frequente em países de origens e tradições hispânicas. É curioso que também em móveis de madeira se possa encontrar uma estética parecida com esta. (2008)

Etiquetas:

Nos anos 30, em Évora

Por A. M. Galopim de Carvalho
A ESCOLA de São Mamede, onde andei há mais de 70 anos, era mal iluminada, muito fria e húmida no Inverno. Só tinha rapazes, alguns deles descalços. Entre estes havia os que traziam um pedaço de cortiça para não porem os pés no chão gelado. Nesse tempo as escolas eram separadas; rapazes de um lado, raparigas de outro. Nada de misturas. O regime era demasiado conservador e repressivo, seguidor de uma igreja retrógrada. Nas paredes, além dos retratos de Salazar, o Presidente do Conselho, de Carmona, o Presidente da República, e do crucifixo, havia uma série de quadros demonstrativos dos progressos trazidos à Pátria, pelo recém criado Estado Novo, todos eles intitulados “A Lição de Salazar”. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

12.12.14

Raios partam…

Por Pedro Barroso
Um amigo do Sócrates, ao que parece, comprou-lhe as casas da mãe acima do preço e ofereceu-lhe uma casa de 3 milhões de euros no bairro mais chique de Paris – o XVI ème, em nome dos velhos tempos de escola.
Um amigo do Ricardo DDT deu-lhe uma prenda de 14 milhões como lembrança de uns negociozitos em Angola
O Sr. Aníbal de Belém soube por amigos, com devida antecedência, que o BPN ia “género” fechar para balanço e lucrou umas centenas de milhares em acções, levantadas à pressa, enquanto elas ainda valiam qualquer coisa
Dizem que o sr Loureiro, de Aguiar da Beira, comprou umas ilhas em Cabo Verde, uns resorts de luxo – coisitas assim…- mas tudo também com uns donativos de amigos por identificar;
o Duarte Lima ganhou uns milhões num negócio com outros amigos nuns terrenos perto do Tagus Parque, em Oeiras
O Portas foi visto, - dizem pessoas maldosas...- de óculos, respirador e barbatanas, a ir passar fins-de-semana ao Bugio com um batiscafo de bolso que recebeu duns amigos alemães, como pequena comissão, na compra de dois submarinos de tamanho inteiro.
O Vara, mais pobre, coitado, esse só recebeu umas canastras de peixe do armador Godinho - mas ao preço a que o robalo está, mesmo assim …
Uma coisa eu sinto, sinceramente,
Lamentavelmente,
ESTOU MUITO DESILUDIDO COM OS MEUS AMIGOS!

Etiquetas:

11.12.14

Malala, o Islão, o obscurantismo e a violência

Por C. Barroco Esperança
A decadência da civilização árabe trouxe o histerismo religioso e o acréscimo de crimes sectários, num crescendo de demência que contaminou os países não árabes que o Islão intoxicou, como o Irão ou a Turquia, esta como um presidente, Erdogan, que mantém o injusto e paradoxal epíteto de «muçulmano moderado», apesar das provas dadas.
Esta quarta-feira, Malala Yousafzai, recebeu o prémio Nobel da Paz. A menina baleada por um talibã, porque defendeu o direito à educação, não é apenas a heroína descoberta pela comunicação social, é a sobrevivente de milhões de meninas transacionadas aos 9 anos para casamentos que reproduzem a prática pedófila do Profeta, casado com uma de 6, e cuja consumação matrimonial, segundo a tradição islâmica, se verificou aos 9. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

7.12.14

Luz - Muralhas de Sacsayhuamán (ou Sacsahuamán), Cuzco, Peru.

Clicar na imagem para a ampliar
Estas muralhas são maravilhosas. Infelizmente, representam apenas uma muito pequena parte do original mandado construir nos séculos XIV e XV para defender a capital do Império Inca. Quando os espanhóis chegaram e conquistaram, retiraram a maior parte da pedra a fim de construir edifícios e desenvolver a cidade. O que fizeram. Na verdade, um número importante das construções, a começar pelos edifícios públicos, monumentos e Igrejas ainda hoje a uso, é feito com pedra saída daqui para as fundações e os muros até ao primeiro andar. Ainda hoje não se conhece tudo destas muralhas. Eram militares, mas também de armazenamento de alimentos e outros bens. As pedras gigantescas foram cortadas e juntas com uma absoluta precisão: em muitos sítios não cabe uma faca ou uma folha de papel entre dois pedregulhos. Não se sabe como foram talhadas as pedras, nem como foram transportadas até aqui. Estas muralhas ficam a um ou dois quilómetros a Norte de Cuzco. Apesar da subida, chega-se lá facilmente a pé. Foi o que fiz, mal aterrei na cidade. Estava de tal maneira eufórico com a minha primeira estadia em Cuzco (antes, Iquitos e Lima, uns dias depois, Machu Pichu e o lago Titicaca, lugares que me encantavam desde a adolescência…), que nem tomei as precauções indispensáveis. Dada a altitude, era necessário começar a andar devagar, prever um dia para me habituar, não beber cerveja, tomar uns comprimidos de Coramina glicose, comer pouco, dormir… Ora, mal desci do avião, fui ver as muralhas, passei lá quase um dia, andei a correr atrás dos lamas, bebi o que encontrei, incluindo uma aguardente inca horrorosa… Nessa noite, fui para a cama com uma dor horrenda em todo o corpo, um estouro na cabeça e as articulações a gemer… O médico das urgências sorriu, disse entre dentes qualquer coisa como “estes parvos destes turistas…”, deu-me os medicamentos habituais e mandou-me descansar um dia. Foi o que fiz e não voltei a repetir a graça. (1971)

Etiquetas:

CANTE ALENTEJANO


Por A. M- Galopim de Carvalho
A DECLARAÇÃO do Cante Alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade foi aprovada pelo Comité Intergovernamental da UNESCO,  em Paris, no passado dia 27 de Novembro. Logo após a feliz decisão, as vozes dos cantadores do Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa fizeram-se ouvir nos espaços da nobre Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura na capital francesa. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

6.12.14

Quem se lixa é o mexilhão


Por Antunes Ferreira
“AO CONTRÁRIO do que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (...) desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais, disso não há dívida", afirmou Coelho, em Braga ao encerrar um seminário sobre Economia Social, organizados pela União de Misericórdias de Portugal. A notícia é do Correio da Manha, ups, com til e afigura-se-me muito interessante.

Coelho, aparentemente, interessa-se por ditados, o que não é exactamente por diktats. Desta feita escolheu o exemplo do “quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão” para o negar peremptoriamente afirmando sem pejo que “(…) desta vez todos contribuíram e contribuiu quem tinha mais” Se fora Portas a fazer tal afirmação teria dito que ela era irrevogável; mas para o chefe do (des)Governo “disso não há dúvidas”. O trocadilho fácil que eu queria evitar, saiu-me: Mas há dívidas…

Num contexto gravíssimo como é este que estamos a viver quotidianamente, o (des)Executivo não pára de dar arrotos de importância. É a Dona Maria Luís que afirma convictamente que todos os que se pronunciam negativamente sobre o OE 2015 estão errados; o único que está certo é o gangue em que está inserida. É Portas quem quer voltar atrás (honny soit…) no (des)feriado de 1 de Dezembro, enquanto o nosso primeiro diz que nem penar, talvez daqui a cinco anos.

No meio da salganhada há até quem diga que a coligação está uma outra vez em risco, o que me cheira a reprise, desta feita quiçá irrevogável. As frases e as palavras que as constituem estão cada vez mais prostituídas; mas, infelizmente não são só elas: é o país que se transformou num bordel que vive num pântano lamacento e mal cheiroso. E eu que também sou gente – ainda que, por vezes não pareça – cito também um dito popular. Deus manda ser bom, mas não manda ser parvo.

É, bem vistas as coisas, disso que se trata: os membros deste (des)Governo querem fazer de nós parvos. E se calhar somos: parvos e péssimos (o mau não chega), agachados ou inclinados como se devem fazer as vénias. E sofredores. E pacientes: E sem coluna vertebral. Sá assim se podem qualificar os portugueses (que também sou); se fôssemos de outro jaez, as coisas não estavam assim, plácidas e serenas.

Basta vermos as reportagens televisivas sobre a Grécia e os Estados Unidos (e são apenas dois exemplos dum pot-pourri generalizado) para compreendermos que somos uns bananas, o que para mim é não só desagradável, não é só irritante – é criminoso. E não me venham com Aljubarrota e com os Descobrimentos, com os conjurados do João Pinto Ribeiro, ou seja com o “passado glorioso”.

Porque a verdade é que o Dom Sebastião nunca voltou do nevoeiro montando um cavalo branco; porque a verdade é que Sidónio Pais o Presidente-Rei mal chegou ao poder foi assassinado; porque a verdade é que Oliveira Salazar não era eterno: uma conspícua cadeira tornou-o num imbecil que julgava que os ridículos conselhos de ministros eram verdadeiros e não uma encenação burlesca e dramática.

Coelho enveredou pelos adágios populares – a opção é dele – mas podia ter usado termos mais politicamente correctos. O povo também usa o termo mexilhão, mas muitas vezes não usa que é este que se lixa: usa a palavra de calão que não é “trama”, mas que é exactamente a mesma coisa.

Para mal dos nossos pecados (os meus são muitos, mas vivo excelentemente com eles…), quem não se sente, não é filho de boa gente; e pelo andar da carruagem coelho nem se sente. No tempo da outra senhora havia uma quadra popular que dizia:

Dos dois Antónios

de que Lisboa desfruta

Um é filho da Sé;

E o outro… não é…

Etiquetas:

4.12.14

A harmonia do caos e a reflexão caótica da harmonia

Por C. Barroco Esperança
É difícil estabelecer com rigor quando se foge por medo ou se tem medo por ter fugido. O mundo foge dos problemas como o cristianismo diz do demónio em relação à cruz. A fome e as alterações climáticas são guerras silenciosas que alastram na clandestinidade, perante o silêncio dos poderosos e o modelo único que Reagan, Thatcher e João Paulo II nos legaram.
É estranho que os dois primeiros desfrutem de sólida reputação mundial e o último de grande prestígio celestial. Foram três aliados cuja saudade coletiva lembra a síndrome de Estocolmo em que os reféns se comovem com os carcereiros. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

2.12.14

A malta do "é igual ao litro"

1.12.14

1º de Dezembro

Por A. M. Galopim de Carvalho

NESSES anos, há pouco mais de sete décadas, não adivinhávamos que, para vergonha dos portugueses, um punhado de nossos concidadãos, alheados da História e avessos à cultura, decretassem e promulgassem o fim deste feriado e o do 5 de Outubro, duas celebrações nacionais tão importantes como a dos “cravos” na nossa geração.
O texto que se segue consta do meu livro “FORA DE PORTAS, Memória e Reflexões”, Âncora Editora, 2008. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

30.11.14

Luz - Uma parede que quase fala, Portimão, Algarve

Clicar na imagem para a ampliar 
Aqui temos uma parede quase a merecer honras de arqueologia. Só a Internet permite perceber alguns destes acrónimos. JAPBA é, pelas dimensões, o primeiro e mais importante. Trata-se da Junta Autónoma dos Portos do Barlavento Algarvio, com o seu orgulhoso Posto de Fiscalização, cuja sede deve ter sido em Portimão. Não posso afirmar que perdi muitas horas, mas dediquei algum tempo a tentar perceber o que tinha acontecido a esta JAPBA. Só sei que ainda vivia em 1995, pois Cavaco Silva e Mário Soares assinaram então uma lei que lhe dava poderes para concessionar actividades a terceiros. Depois disso, é o silêncio dos túmulos! O P.E., depois de investigação, servia para garantir que se tratava de “Património do Estado”. O PS é o Partido Socialista. E o Partido Comunista Português é o PCP. O anúncio ao comício a realizar em Portimão refere um importante dirigente da altura do PCP, Octávio Pato. A misteriosa LUA visível na parede, quase atrás da cabeça do senhor da esquerda é uma sigla diminuída. Na verdade, trata-se da LUAR, Liga de Unidade e Acção Revolucionária, grupo político dirigido e fundado, entre outros, por Hermínio da Palma Inácio e que ainda hoje se recorda por ter, antes de 25 de Abril de 1974, levado a cabo um audacioso assalto aos cofres do Banco de Portugal da Figueira da Foz. A Exposição Anti-colonial que se anuncia deveria ser o que diz ser, não parece ter deixado recordações conhecidas. (1974)

Etiquetas:

DOMÍNIOS MORFOSSEDIMENTARES DE TRANSIÇÃO NA INTERFACE TERRA–MAR (5)

Lagunas 
Por A. M. Galopim de Carvalho
PARA ALÉM dos estuários e dos deltas, as lagunas, representam um outro tipo de ambientes na interface terra-mar. Referidas também por bacias parálicas , são corpos de água, geralmente pouco profundos, parcialmente fechados ao mar por uma barreira que pode ser de areia (as mais comuns), recifal nos (litorais intertropicais) ou, mais raramente, rochosa. A comunicação com o mar, temporária ou permanente, é feita através de vaus que, no caso das barreiras arenosas, podem fechar e abrir ou migrar para um lado ou para outro.(...)
Texto integral [http://sopasdepedra.blogspot.com/2014/11/dominios-morfossedimentares-de_30.html]

Etiquetas:

27.11.14

O deputado Miguel Macedo em seu labirinto

Por C. Barroco Esperança
O ex-ministro Miguel Macedo, que tão depressa ocupou o lugar de deputado a que tinha direito, em temos penais só responderá perante a Justiça, e se for solicitado, mas deve ao país uma explicação, politicamente mais pertinente, depois de ter resistido ao escândalo dos serviços secretos em 2012.
A coincidência das relações pessoais e nomeações, onde o azar lhe bateu à porta, podem deixar suspeitas no cidadão comum, que deve interrogar-se sobre a ocorrência do atraso na nomeação de um alto funcionário para a China onde deveria fiscalizar a atribuição de vistos dourados, e a que o próprio Governo teria pedido urgência. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

24.11.14

Dor e consternação ou nem isso

Por Pedro Barroso
SOU INSUSPEITO, creio. Nunca amei Passos Coelho e considero, em quase tudo o que este governo tem feito, que representa um insulto e roubo permanente, perigoso, despudorado e progressivo aos funcionários públicos, aos reformados, aos mais desfavorecidos.
Mas este episódio da detenção de Sócrates levanta lebres de todas as já previsíveis tocas. E espanta outras na mais disparada correria - procurando novos mimetismos. Que pândega. Até "dor e consternação" como dizem Lacão e Vieira (sic) !!! Oh meu muito pequenino Deus!! Senti isso quando morreu o Zeca, a Amália, o Solnado, o Salgueiro Maia. Isso sim. Dor e consternação?! Serão coisas que esta gente sente? Não. São coisas que esta gente diz. Ou tem de dizer, pois "obeissance oblige".
Sócrates foi dos mais desejados primeiros-ministros. Por defeito. De facto, Santana Lopes, - o play boy que quer ser, ao que parece, Presidente, nem que seja no mais recôndito secreto de si mesmo...- caíra; por colapso de birras, indigência mental e uma espécie de governação de vídeo game barato, adolescente, leia-se mesmo, humorística. Fora breve o consulado. Não houve paciência para tanta barraca seguida e saiu por uma porta muito pequena, bem adequada à envergadura anã de tão estranho e inefável mandato.
Sócrates apareceu então, quase como o "desejado". O salvador possível dos anéis, talvez já só dos dedos. Mas breve, o círculo de mesmismo se instalou. Breve se percebeu que ali havia rato, - pois nem gato ousaria dizer. O estilo, a crispação, a vaidade pessoal, as decisões, a mentira da licenciatura, o nebuloso passado como "assinador barato" de projectos dos outros, as luvas quase óbvias mas nunca provadas dos Freeport e quejandas epopeias.
O afundamento geral das finanças do país. E ele a dizer que não a tudo. E nós a vermos que sim. E o país a submergir dia a dia. Enfim.
Nunca odiei tanto um PM como tal putativo "salvador"; já então exangue e autista, culminando no ódio que em mim ferveu no seu 2º mandato. A contracorrente da Cultura, da Lógica, da correcção, dos bons costumes, do bom senso, do equilíbrio, da responsabilidade governativa.
Só, portanto, por cega obediência seguidista hoje alguém pode alimentar tamanha dor.
Politico - perdoe-me discordar, senhor PM actual e gestor dos tais anéis que foram...- é mais coisa menos coisa, isto mesmo. O que hoje é, amanhã não sabemos. E, de logro em logro, de má gestão em descalabro maior, lá definhou o povo, desde Manuel, o venturoso. E desde Abril de 74 que queimamos lenha já ardida trinta vezes no lume de uma esperança que morreu. E o património de homens públicos que possuímos para mostrar ao mundo é o que está à vista nos últimos dias:
- Directores do SIS que ajudam, ao que parece, a limpar escutas a pedido de amigalhaços?! Directores do SEF afinal mais interessados em montar negócio de imobiliário em comércios de nos pôr os olhos em bico?! Presidentes dos próprios registos e notariados que se venderão (ou não, até prova em contrário, claro... mas...) fabricando tolerâncias suspeitas, ostentando lucros, comissões, usando influências para enriquecer despudoradamente?!
O país afinal é governado assim? E não se mexe também, já agora, com aqueles que souberam de antemão o descalabro do BES e venderam as suas acções rapidamente, as tais que, dias depois, nada valeriam?
Que curtimenta vestem, de que tecido são feitos, afinal, os salgados donos disto tudo? Que imagem exportamos de um país que deu mundos ao Mundo? Peço desculpa mas... Não se pode mesmo ser... Sei lá... Suíço? Norueguês? Talvez até... Turco?

Etiquetas:

23.11.14

Luz - Tourém, Trás-os-Montes

Clicar na imagem para a ampliar 
Aldeia perto da fronteira entre Portugal e Espanha. Fronteira, aliás, praticamente inexistente hoje. Não longe de Montalegre e do Gerez. Por ali andei, há quase quarenta anos. Esta formidável debulhadora deveria ser o símbolo de maior modernidade e de mais avançada tecnologia existente na aldeia. O cereal que se debulha aqui é centeio, típico de solos pobres, de climas frios e de cultivo em sequeiro. Ao fundo da eira, quase imperceptíveis, podem-se identificar um ou dois espigueiros, aqueles “armazéns” de granito e madeira que protegiam o cereal, o grão, às vezes uns utensílios ou produtos da horta. Protegiam-se das chuvas, dos fungos e dos ratos. Ainda há gente a viver em Tourém. Mas cada vez menos. E jovens, poucos.(1980)

Etiquetas:

DOMÍNIOS MORFOSSEDIMENTARES DE TRANSIÇÃO NA INTERFACE TERRA-MAR (4) - Estuário do Tejo (conclusão)

Por A. M. Galopim de Carvalho

O ESTUÁRIO do Tejo, como hoje se nos apresenta, sucedeu a uma situação anterior (no Pliocénico) definida como um sistema múltiplo de canais anastomosados, com uma ampla foz na que é hoje península de Setúbal. Este sistema pode mesmo ter tido uma divergência para sul da cadeia da Arrábida, espraiando-se também na planura que é hoje ocupada pelo estuário do Sado. Nesta eventualidade, muito provável, a Arrábida terá sido como que uma ilha a dividir e a separar a drenagem do pré-Tejo em dois ramos divergentes um, a norte, desta jovem montanha e outro, a sul, para o qual convergia, de sul para norte, a drenagem da região não muito diferente da actual bacia do Sado. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

22.11.14

Dos Dourados ao BES

Por Antunes Ferreira

ZANGAM-SE as comadres, dizem-se as verdades. O ditado precisa de adaptação aos dias de hoje e basta um ponto de interrogação no seu final para a coisa estar feita; Zangam-se as comadres, dizem-se as verdades?
A comissão de inquérito parlamentar sobre os infelizes Vistos Gold ainda vai ter de suar as estopinhas durante muito tempo, quiçá a legislatura não chegue. O que, sendo lamentável, não é difícil. Marcelo Caetano dizia nas suas aulas, ouvi-o eu, que em Portugal quando se nomeia uma comissão é muito raro ela chegar ao fim e muito menos a conclusões definitivas. Tinha razão o herdeiro do dr. Salazar? Parece-me que sim, ainda que me tenha chumbado em Direito Administrativo…
Até à data (escrevo na sexta-feira, 21) há uns quantos suspeitos de desonestidade e sobretudo corrupção – activa e/ou passiva – aliadas a trocas de influências, manejos políticos, e quejandos, em prisão preventiva; mais precisamente cinco. São pessoas importantes, actores e decisores políticos a um nível muito alto. A Polícia Judiciária fez (e faz) buscas domiciliárias, a locais de trabalho, a tudo cheira mal. Nunca as mãos lhe doam.
Mas tem-se debatido com circunstâncias indescritíveis, como por exemplo computadores de suspeitos absolutamente “limpos” cuja “limpeza” fora mandada fazer por outros suspeitos, aparentemente nos “termos da lei” expressão utilizada mas com muitos sentidos. São considerados “normais”, mas com vírgulas a mais, o que resulta em buracos por entre os quais se foge sinuosamente, mas sempre explicado na base das disposições “nos termos da lei”
Todos sabemos que a corrente parte sempre pelo elo mais fraco; no caso dos sinistros Vistos Dourados, ela quebrou-se por elos mais fortes. Ou, pelo menos, por gente que acreditava que vivia nos cornos da Lua, que se considerava insuspeita de qualquer pecado. Mas, quando a ponta do icebergue apareceu foi o princípio de um afundamento impossível. Ter-se-ão esquecido do caso Titanic, ou nem sequer sabiam dele.
Deste imbróglio parecia não poder-se escapar. Fazia sentido recordar o labirinto de Creta em que reinava o Minotauro que comia todos os que o tentavam eliminar. Julgava-se o misto de corpo de homem e cabeça de touro que era impossível vencê-lo; mas um dia apareceu o herói Teseu que, superando o que Dédalo construíra, eliminou o Monstro. Acabara o impossível…
Porém a comissão de inquérito decidiu ouvir o cidadão que trouxera os Dourados para Portugal, o seja Paulo Portas, que, curiosa coincidência, também é vice- Presidente do Conse,…, perdão, vice primeiro-ministro deste (des)Governo; poderia perfeitamente não ter lá ido, mas num verdadeiro rasgo de urbanidade, solidariedade e patriotismo foi declarar que sim, que os desgraçados Vistos eram muito importantes para trazer investimentos em Portugal.
Se acabassem com eles, os “investidores” iriam “investir” para outros países que também os concedem e acabava-se o investimento para o progresso e desenvolvimento do país e para salvar a construção civil que estava de rastos. Quando ao progresso e desenvolvimento do país estávamos (e estamos) conversados. Já no que respeita à construção civil são outros quinhentos mal réis.

Na verdade os “investidores” dourados vêm comprar a um belo preço imóveis. Dizem que o fazem para lavar dinheiro sujo, desde chineses até angolanos com ucranianos e quiçá russos à mistura. Mas não há provas em “termos legais”. Boa maneira de desenvolver Portugal e alavancar o seu progresso técnico, tecnológico e mais, nos domínios da ciência, da indústria, da agricultura e do berlinde às três covas, principalmente este que é altamente deficitário entre nós.
Lê-se, ouve-se e vê-se o que os órgãos de comunicação benignamente nos ofereceram – pagos – e começa a descobrir-se que os Vistos Gold são uma panaceia universal, no mínimo para Portugal. Nós, os portugueses, andávamos (quase) todos enganados sobre o valor e a bondade deles. Ainda [está para] durar a trabalheira atribuída à comissão parlamentar de inquérito. Só em audições espera-se [que] demorem tanto – ou mais – do que a que [teve] a tarefa de investigar a gigantesca fraude do Espírito Santo (não me refiro ao da Santíssima Trindade) que é quase Deus pois está por toda a parte como um polvo tsunâmico com montanhas de tentáculos.
Há quem lhe chame Hidra, por mor das muitas cabeças que fazem parte dele, mas de uma maneira ou doutra está para durar até às calendas – se a PJ deixar ou se deixarem a PJ continuar. A investigar.

Etiquetas:

20.11.14

O Governo e os vistos dourados

Por C. Barroco Esperança
Enquanto Cavaco Silva faz de morto e Passos Coelho de primeiro-ministro, o Governo desintegra-se. Os ministros da Justiça, Educação e Negócios Estrangeiros arrastam-se num barco que perdeu as velas e o leme, à espera que lhe indique o rumo a luz de que o faroleiro não sabe onde fica o interruptor.
A demissão de Miguel Macedo, cuja permanência política era insustentável, o que só o PM não percebia, permitiu um exercício de rara bondade, de sequazes e adversários, a incensar o desapego ao poder e a clarividência do político. Até Soares e Sócrates, num ataque de bonomia, fizeram coro no panegírico ao defunto ministro das polícias (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

18.11.14

Deveres de Consciência

Por Pedro Barroso
...se um simples cidadão vulgaris lineus fizer um degrau, uma janela, uma serventia; se dever uma prestação à Segurança Social, uma mensalidade ao Banco, uma letra do carro; se pisar um risco numa ultrapassagem, atravessar fora da passadeira, cuspir no chão, insultar o governo, o fiscal de finanças; se não tiver as licenças em dia, o boletim preenchido, provisão na conta. 
Se. Não acabaria mais. 
O cidadão é multado, extorquido, esquartejado, perseguido, preso, condenado, chateado, incomodado. 
Percebi. 
Para a próxima, retiro 5000 milhões - o que quer que isso seja, meu deus...- e terei direito uma prestigiosa e colunável Comissão de Inquérito, dúvidas do Banco de Portugal sobre quando intervir e o que fazer, muitos milhões cautelosamente guardados na Suiça ( talvez em Bensafrim, Odelouca, Portelosa do Semicúpio... ). A coisa vai demorar.
Falo ao Oliveira e Costa, que ele sabe do assunto e anda por aí. Mas atenção. Ponho um ar distante e pesaroso. Declaro que fui derrotado pela crise em luta heróica pelo Bem comum. Pela economia nacional. Talvez me ergam uma estátua um dia. Faça-se justiça, claro. Investigue-se - darei toda a minha colaboração. Por minha honra. 
Puxarei de uma cadeira e esperarei sentado. Fumo um charuto caro, bebo um scotch de trinta anos, um porto de cinquenta. Dou uns passeios em jacto privado. Apetece-me ir jantar a Paris, fazer compras, ver os amigos. 
Vou preparando a defesa, ocultando papeladas, apagando factos. Sorrio para mim mesmo, senhorial, devagar. Uso Armani e fragrâncias parfum made para mim. Tudo baratíssimo. Muito acessível. Visto camisas por medida. Seda natural que sou alérgico a porcarias.
Vou à ópera amanhã, sou uma pessoa de bom gosto - aprecio Verdi. 
Talvez  encontre um cidadão menor pelo caminho, mendigando. 
Ver se não me esqueço de lhe dar uma moeda.

Etiquetas:

16.11.14

Luz - S. Petersburgo, Rússia

Clicar na imagem para a ampliar
A primeira vez que tinha estado nesta cidade fora nos anos sessenta. Nem a cidade, nem eu, éramos iguais ao que somos hoje. S. Petersburgo chamava-se então Leninegrado (depois de já ter sido Petrogrado por uns poucos anos), do nome de Lenine, o revolucionário russo, depois chefe do partido comunista da União Soviética, o fundador e primeiro ditador daquele país (tal como havia Estalinegrado, de Estaline, o segundo ditador). Nessa altura, era impensável ver um militar russo, ou soviético, sentado num banco no meio da rua ou de um jardim, com uma lata de cerveja no chão, ao lado de um jovem de T-shirt e mangas à cava, talvez também militar. S Petersburgo, maravilhosa cidade, voltou a ter o nome que tinha desde a origem (foi aliás o Czar Pedro que a fundou no início do século XVIII). Estes dois jovens estão sentados num banco público dos jardins em frente à catedral de Santo Isaac e perto de hotéis famosos, o Astoria e o Angleterre, onde pernoitaram, desde há cem anos, todos os importantes deste mundo, capitalistas ou comunistas, russos ou americanos, militares, políticos e escritores. A catedral de Santo Isaac, acima referida, tem uma história curiosa. Após a revolução, os comunistas decidiram que aquele local deveria ser encerrado ao culto e às trevas. Assim fizeram e transformaram-na, pouco depois, num “Templo do Conhecimento”, apetrechado de um “Pêndulo de Foucault”. O Museu ficou a chamar-se “Museu da História da Religião e do Ateísmo”. Agora, perdeu a vertente “ateísmo” e ganha gradualmente a sua vocação religiosa. (2010)

Etiquetas:

DOMÍNIOS MORFOSSEDIMENTARES DE TRANSIÇÃO NA INTERFACE TERRA–MAR (3)

Por A. M. Galopim de Carvalho
Estuários 
OS ESTUÁRIOS são corpos de água localizados em reentrâncias da costa, coincidentes com as desembocaduras dos rios, nas quais a água do mar penetra e circula segundo um esquema que, em cada caso, se estabelece entre o regime do rio e as marés. É antiga e longa a discussão sobre o que é, exactamente, um estuário, sendo vários os critérios salientados pelos diferentes autores na sua definição. Todavia, uma característica comum a todos eles é a ocorrência de diluição da água do mar em água doce, de jusante para montante, o que não acontece nem nas lagunas nem nas fozes fluviais não estuarinas.(...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

15.11.14

O marido (malcriado) da ministra



Por Antunes Ferreira

Tricas entre jornalistas, como entre outros membros de classes profissionais, são muito frequentes. Normalmente acabam em bem, mas há guerras entre o alecrim e a manjerona que dão que falar e prolongam-se ao longo do tempo. São inevitáveis, se há problemas entre eles, nós, em tempos dirimiam-se à pistola ou à espada, os famosos duelos. Hoje, porém, já ninguém sai à estacada para duelar. Uma boa polémica substituiu a utilização das armas.

No entanto, são raras as vezes em que um jornalista move uma acção contra outro – o que é válido também para uma ou outra – caindo no foro judicial, indo a tribunal, responder ao processo que foi levantado com o contraditório. De resto, com a (in)Justiça que hoje temos por cá, mesmo tendo em conta o famigerado Citius, as acções andam (?) a passos de tartaruga, se não mesmo de caranguejo, deixando passar o tempo para se alcançar a tão ansiada prescrição, o procedimento judicial é mais uma farsa.

Foi tempo em que figura da Justiça era uma dama vendada empunhando na mão direita uma espada e na esquerda uma balança. Neste país da treta, a pobre senhora perdeu a espada e na balança tão pesado é um do pratos  que o outro não consegue o desejado equilíbrio. No primeira cresce o dinheiro e a corrupção, o poder (?) mancomunado com a banca, o tráfico influências de braço dado com as drogas, a traficância mais criminosa, a venda (e compra) de armamento e a prostituição. E fico-me por aqui sob pena de enunciar uma velha lista telefónica que já deu o que tinha a dar.

Além disso a venda – se é que ainda existe – é uma falácia. Mesmo dando de barato que ela ainda tapa os olhos da Justiça, é transparente. Não quero dizer com este quadro que todos os intervenientes nos autos são os proprietários do descalabro  que antes enunciei , no prato mais pesado de uma balança não aferida. Generalizar seria impossível, porque continua a haver juízes, advogados, meirinhos, oficiais de diligências e administrativos que vêm tentando ter as coisas em dia e lutando contra o Citius, plataforma malvada. Penso que na maioria dos casos o profissionalismo, a isenção, a verticalidade, a equidade  vão sobrevivendo.

Vem tudo isto a propósito de uma peixeirada entre dois jornalistas, um dos quais marido de uma ministra. O caso é do conhecimento público, mas aqui o alinhavo. António Albuquerque, marido da ministra das Finanças e ex-jornalista do Diário Económico , foi alvo de um queixa no Ministério Público por ameaças e pressões a um jornalista do mesmo órgão da comunicação social.  Em causa está uma troca de mensagens em que António Albuquerque insulta e ameaça Filipe Alves por causa de um artigo de opinião publicado no jornal.

Na base da troca de sms estava um artigo, publicado na edição de 22 de Setembro do Diário Económico, com o título "O que acontece se o Novo Banco for vendido com prejuízo?", em que Filipe Alves questiona as eventuais consequências para os contribuintes da venda do Novo Banco.  Este passou a receber várias mensagens, que Albuquerque, o autor delas, confirmou ter sido o seu autor. Este saiu despropositadamente em defesa da sua dama Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças.

Entre os “mimos” enviados por António Albuquerque destaco: “Tira a minha mulher da equação ou vou-te aos cornos” ou “Não sabes quem é que eu sou. Metes a minha mulher ao barulho e podes ter a certeza que vais parar ao hospital”. Alves ainda deu um prazo para Albuquerque lhe pedir desculpas da má e educação que usara;  António Albuquerque enviou uma carta ao jornalista a ameaçar com um processo por este ter descoberto a sua morada. Perante as perguntas que órgãos de informação lhe fizeram  Albuquerque confirmou ser o autor das mensagens e recusou pedir desculpas: “Antes ser condenado”.

Por isso Alves avançou com uma queixa junto do Ministério Público. E espera ver o que daí resulta na barra do tribunal, sede própria para a resolução desta estúpida questão. Mas, eu não espero pelo que quer que seja. Tenho a minha opinião – é melhor ter uma (que até pode estar errada) do que não ter nenhuma. Duvido que do caso saia um coelho (sem caixa alta); penso que poderá ser o mons parturiens. Mas também penso que o facto de ser marido da ministra das Finanças não o devia ilibar das ameaças e impropérios que se deu ao luxo de utilizar.

Porém estamos num país que se chama (ainda) Portugal em que os habitantes dele somos nós, os Portugueses, a quem falta energia e sobretudo coragem para afrontar o (des)Governo que nos agride todos os dias. Habituámo-nos a estar agachados perante o poder (?), perdemos a vergonha, copiando os desenvergonhados que saltam entre Belém e S. Bento, passando pelo Terreiro do Paço, pela 5 de Outubro e outros locais também mal-afamados.

Temos aquilo que quisemos quando depositámos os votos nas urnas (permitam-me a salvaguarda, eu não o fiz): Fomos enganados? Fomos. Mas o marido enganado é sempre o último a saber…

Com abortos destes nem escrevi sobre os casos da famigerada legionela ou dos vistos gold. Ficam porém guardados.

Etiquetas:

13.11.14

Trabalhos para casa (TPC) no país do mestre-escola

Por C. Barroco Esperança
Quando Portugal está para a legionela como a Serra Leoa, Libéria e Guiné para o ébola, emergiu de S. Bento o mestre-escola, num rali pelas adegas alentejanas, a mandar fazer trabalhos de casa aos políticos da oposição. 
 Surgiu desenvolto, a censurar gestores da PT, depois de atribuir ao PDG uma das mais altas condecorações do Estado; mandou estudar a Constituição a quem a compreende e defende; e insistiu que há de castigar o país, até ao último dia, com o seu Governo. (...)
Texto integral [aqui]

Etiquetas:

12.11.14

MAIS UM MONUMENTO À GEOLOGIA DOS AÇORES - Editado por Victor Hugo Forjaz



Por A. M. Galopim de Carvalho
DESTA VEZ é o Vulcão dos Capelinhos, na bela Ilha do Faial, surgido do mar perto da costa, no extremo ocidental da ilha, em 1957.
Victor Hugo Forjaz, Professor Catedrático Jubilado  da Universidade dos Açores, foi meu brilhante aluno na Faculdade de Ciências de Lisboa e, terminado curso, meu Assistente.
O editor desta colectânea de artigos versando a Geologia do Faial, em geral, e da sua história vulcânica, em particular, já nos habituou  a estas suas múltiplas,  extensas e valiosas obras.
Nesta agora dada à estampa, sobressaem, entre outros, estudos de geólogos e geógrafos de grande prestígio, com destaque para Frederico Machado, Orlando Ribeiro, Fernando Torre de Assunção, Custódio de Morais, Haroun Tazieff,  Raquel Soeiro de Brito, Correia da Cunha, Georges Zbyszewski,  Júlio Quintino e o próprio editor.
Com 823 páginas e dezenas de figuras (desenhos, esquemas e fotografias) este tem capa de cartão com 32x24x4,8 cm.  
O livro pode ser adquirido via e-mail  <vforjazovga@gmail.com> pelo preço de
12 euros mais portes, estes da ordem dos 10€, visto tratar-se de obra
subsidiada pelo Governo dos Açores e sem direito a lucros financeiros .

Etiquetas:

11.11.14

Autismo

Por Antunes Ferreira
NÃO GOSTO da troika; desta. Não gosto de nenhuma. Mas, por vezes até chego a concordar – muito a contragosto – com alguns procedimentos da “nossa” (?) Nesta última visita, só para ver como andavam e andam as coisas, os membros dela deram um raspanete no (des)Governo dos srs. Coelho, Portas, Crato, Cruz, Marilu et aliud. Que nas anteriores viagens a Lisboa tinham constatado que os membros dessa quadrilha (o termo é meu) eram muito competentes e muito bem mandados e comportados pois cumpriam as ordens que lhe davam, isto é, dava a sr.ª Merkel. Abreviando: que eram muito bons alunos, citação que lembra outros tempos no Cavaquistão.
Desta feita, porém, a roda tão bem oleada, desandou Ao longo de três anos em que todos eram muito amigos e muito abraços e muitos elogios, a visita na passada quarta-feira veio dar para o torto. Os inúmeros e consecutivos elogios, uns quantos “atenção” e recomendações, poucos, a troika a la portuguesa descobriu afinal que quando se ausentara as coisas tinham começado a derrapar, a descer um caminho inclinado, enfim a desandar. Acentue-se: com ela presente com regularidade, os Portugueses precisavam de fiscalização, quer dizer de chicote sem cenoura.
Daí concluiu o trio que em relação aos desafios que a economia portuguesa tem de ganhar, pelos vistos tinha. O (des)Governo abrandara a aceleração metera o travão (quase) a fundo e estava o caldo entornado. O BCE parece ter entrado mudo e saído calado. Mas o Fundo Monetário Internacional, FMI e a Comissão Europeia não se quedaram. Que porque assim, que porque assado, sem eles a mandar em Portugal o jogo não só não valia, nem sequer terminara empatado: era o princípio de uma cabazada isto para usar termos futebolísticos tão do agrado da lusa gente, que até tem o Cristiano Ronaldo e o José Mourinho
Esta foi a primeira de várias monitorizações pós programa que irão continuar a ser feitas até que Portugal pague a maior parte dos seus empréstimos: já se sabia, mas agora foi oficial. A galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha, ou seja, venham os euros que emprestaram acompanhados dos respectivos juros. E não demorem muito. A troika achou que, ao fim de seis meses fora do país, que Portugal já está a ir pelo caminho errado. Para eles, claro, os agiotas que dominam os idiotas que todos nós (ou quase) somos. Foi o prelúdio de umas orelhas de burro; e já não falo nas palmatoadas da menina dos cinco olhos.
Especifico. Washington e Bruxelas apontaram duas áreas em que em seu entender Portugal, ou seja o (des)Governo tem metido mais o pé na poça – o défice e as reformas estruturais. E ambos os pecados resultaram dos (des)governantes terem “deixado de se esforçar”. Mau Maria, a coisa estava mesmo a dar para o torto. E apontaram o caminho a (re)seguir para que os credores dos Portugueses vejam as suas notas a regressar aos respectivos lares, engordando-os, portanto. E nós a emagrecer dia após dia.
E os dois organismos foram apontando o que estava errado em especial no famigerado OE 2015. As previsões do (des)Governo português apontavam para um défice inexplicável. Logo na terça-feira a Comissão tinha avisado que o saldo negativo das contas públicas seria de 3,3% contra o que os (des)governantes apontavam: 2,7% que tinham sido prometidos pelo (des)Executivo (que conseguira alargar os 2,5% inicialmente acordados).
Foi uma verdadeira machadada. Mas faltava o pior; o FMI que fez uma análise semelhante disse que o tal sado negativo não seria de 3,3% mas sim 3,4%. Ora bolas: uma décima a mais ou a menos não é importante, são peanuts. E a ministra Marilu, impávida e serena de cara fechada como é seu hábito, manteve as contas a la portuguesa. Não disse, mas deve ter pensado que “eles” eram umas cavalgaduras e quem sabia da poda era ela. E ponto.
Ao invés da ministra das Finanças (?) os agora dois carrascos consideram que as derrapagens (des)governamentais, ainda por cima nas costas deles, resultaram principalmente do aumento do salário mínimo e de outras medidas que tinham sido tomadas por São Bento. O aumento, diz Bruxelas, “poderá tornar ainda mais difícil a transição para o mercado de trabalho para os grupos mais vulneráveis”; o FMI pinta o quadro com tintas mais negras: a decisão “vai tornar mais difícil para os trabalhadores não qualificados manter e encontrar novos empregos”.
Resumindo: de submissos e cumpridores passámos a despesistas desbragados. E no (des)Governo todos ignoram o recado e assobiam para o lado. No fundo a “receita” dos nossos credores é mais austeridade com a correspondente autoridade: Há quem chame ao procedimento dos que nos (des)governam autismo.

10.11.14

Curiosidades do (M/F) - 6

9.11.14

Luz - Jardim de um palácio na República Democrática Alemã

Fotografias de António Barreto- APPh

Clicar na imagem para a ampliar 
Posso errar e tenho dificuldade em encontrar fontes e vestígios, mas creio tratar-se dos jardins do palácio Sans Souci (ou Sanssouci), em Potsdam, perto de Berlim. O palácio, em estilo Rococó, foi mandado construir por Frederico, o Grande, em meados do século XVIII. Era a sua residência preferida, a tal ponto que exigiu ficar lá enterrado numa campa descaracterizada, coberta por uma laje simples, ao lado das campas onde, sem mais nem menos requintes, ele mandou enterrar os seus cães. Em cima do seu túmulo, há por vezes uma flor e geralmente umas batatas, ao que parece em homenagem ao facto de ter sido ele o seu introdutor na Prússia. Os jardins são monumentais, com árvores, repuxos, pérgulas, vinhas, ramadas e escadarias. Visitei-o durante o período comunista e voltei lá há poucos anos. Esta fotografia data da primeira viagem, ainda nos anos 60/70. Era um domingo, feriado para toda a gente, a começar pelos militares que assim se passeavam com as famílias. Num canto sossegado, as famílias de três militares russos, na altura dizia-se soviéticos, passeiam, convivem e fazem-se fotografar num ambiente de paz e calma. Como se sabe, nesses anos, a Alemanha de Leste estava militarmente ocupada pela União Soviética, enquanto os exércitos aliados dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, ocupavam a Alemanha ocidental. (Ca. 1970)

Etiquetas: