6.7.09

FOI actualizado o blogue Arroz Doce, de Joaquim Letria, com a crónica Confidencial do passado fim-de-semana.

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Sete anos depois

Por Alice Vieira

VIVI EM CASCAIS alguns dos melhores anos da minha vida. Anos que me marcaram profundamente: escrevi uma peça para o TEC e acompanhei os ensaios e todo o trabalho do teatro; escrevi um livro sobre a história da vila, que me fez praticamente “viver” meses na lindíssima biblioteca do Museu Castro Guimarães; entrevistei meio mundo para o “DN” ; corri as escolas todas da terra - e ainda tinha tempo para ouvir as histórias que o Sr. António, do bar da Praia da Duquesa, tinha para me contar de manhãzinha, quando eu acabava a volta pelo paredão e a freguesia ainda não tinha chegado.

Lisboa ficava no final da linha do comboio, que eu apanhava às 9 para ir para o jornal, e aonde regressava pelas sete da tarde.

A vila era luminosa, passeava-se pelas suas ruas, havia espaço para as pessoas.

Mas para mim os lugares nunca valem só por si: estão sempre intimamente ligados às pessoas que neles vivem comigo. E eu, que me gabo de ser racional, cabeça fria, pés na terra, a partir do momento em que a minha vida afectiva se desfez — fiquei absolutamente incapaz de voltar à vila.
Há sete anos que não entro naquela casa.

Há sete anos que não entrava em Cascais.

Até ontem. (...)
Texto integral [aqui]

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Pesamos mais na praia do que na montanha

Por A. M. Galopim de Carvalho

TODOS SABEMOS
que a massa de um corpo é a medida da quantidade de matéria nele contida e que o peso desse corpo é a força com que a Terra o atrai. Essa força gravítica, como nos ensinou Newton (1642-1727) e que todos decorámos na escola, é directamente proporcional às massas do planeta e desse corpo e inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa os respectivos centros de gravidade. Uma vez que a Terra não é perfeitamente esférica, uma mesma massa tem pesos diferentes consoante os locais onde se encontra.
Nos pólos, onde o raio do planeta é menor, qualquer corpo pesa mais do que no equador, onde o raio é cerca de 25km mais longo. No cimo do Monte Evereste (8 848m), os corpos pesam menos do que ao nível do mar. São cerca de nove quilómetros de diferença na distância ao centro do planeta. Podemos afirmar, então, que pesamos mais na praia do que na montanha. (...)
Texto integral [aqui]
NOTA (CMR): sugere-se a leitura de um aparente paradoxo que em tempos foi publicado neste blogue - ver [aqui].

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5.7.09

Blogue-Arquivo Humor Antigo - Ano de 1936

Erros seus

Por António Barreto

PARA O FUTURO DA UNIÃO e para as políticas europeias, as últimas eleições não tiveram qualquer importância. Presumia-se, justamente, que também não teriam para Portugal. Engano! Foram decisivas! Desde esse dia, tal como foi dito logo na noite eleitoral, passou a ser oficial que Sócrates não era invencível. O facto parece simples, mas não é. A partir dessa noite, tudo começou a mudar. Fidelidades foram postas em causa. A serenidade desapareceu. O nervosismo cresceu. Em duas semanas, foi o que se viu. Tudo correu mal, até um debate dito do Estado da Nação. Não há nada como os votos! Já muito vinha de trás, caso contrário os resultados eleitorais não teriam sido aqueles. Mas não era visível, nem oficial. Não havia provas. Passou a haver. A comparação é excessiva, mas podemos pensar nas primeiras eleições constituintes de 1975: de um dia para o outro, percebeu-se que os socialistas podiam ganhar, que os partidos democráticos eram largamente maioritários e que os revolucionários eram frágeis e minoritários! (...)

Texto integral [aqui]

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Blogue-arquivo Humor Antigo - Ano de 1936

4.7.09

Sucupira

Por João Paulo Guerra

A discussão sobre o calendário eleitoral prolongou-se no tempo mas, no final, da discussão saiu a luz, porém intermitente. Ou seja, a solução foi aplaudida por todos, o que quer dizer que não agradou propriamente a ninguém.

DISCUTIA-SE A SIMULTANEIDADE ou não das legislativas e autárquicas, apenas com o PSD a preconizar eleições no mesmo dia. A solução rejeitou a simultaneidade mas foi o mais parecido possível com actos eleitorais simultâneos. Os portugueses não vão a votos para legislativas e autárquicas no mesmo dia mas... com duas semanas de diferimento. Quer isto dizer que a campanha eleitoral para as autárquicas começa antes mesmo do apuramento final dos votos das legislativas. Ou seja: entre as legislativas e as autárquicas, ainda não se saberá quem vai encomendar o traçado do TGV mas já se estará a discutir a promessa do túnel ou do chafariz.

Ou, calhando, não vai discutir-se nada disso. Nas europeias arengou-se sobre quase tudo, menos sobre a Europa. E um candidato do partido do Governo, em campanha para Estrasburgo, chegou a pedir maioria absoluta para São Bento. A redução das eleições a meros concursos de promessas ou zaragatas de baixa política é o degrau mais rasteiro da perversão da democracia e da sua essência: a escolha por eleição, votando. Não ganham os credores de mérito e confiança, mas os campeões do zaragateio e os lidadores de aparências. Mais abaixo que isto só a chapelada. Mas até para a chapelada já não falta tudo à desvalida e maltratada democracia portuguesa. O Governo acaba de reconhecer que há pelo menos dois mil eleitores com dupla inscrição nos cadernos eleitorais. É preciso, imperioso e urgente lançar e defender a palavra de ordem: Portugal não será a Sucupira da Europa.

«DE» de 3 de Julho de 2009

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«Acontece...» - Passatempo com prémio

Por Carlos Pinto Coelho

Suponha que esta fotografia foi pensada para um cartaz (publicitário, ou político, ou cultural).
A zona azul servirá para aplicar palavras. Que palavras?

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O vencedor será o mais criativo autor dos dizeres desse cartaz, terminando o passatempo às 20h da próxima terça-feira, dia 7. O prémio será, como habitualmente, um livro.

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Dois pares de cornos

Por Antunes Ferreira

APARENTEMENTE a semana ia andando aos solavancos o que nada tem de especial no País que somos. É certo que o caso tripartido PT/TVI/PSD em que o Presidente da República e o Governo estavam metidos viera agitar um tanto as águas. De igual modo a constituição de Manuel Dias Loureiro como arguido também tivera o picante q.b.

Mas, de repente, os Portugueses – que já não o deviam fazer – espantaram-se com os corninhos do ministro Manuel Pinho. Não dele, esclareço, mas que pretendeu pôr ao deputado comunista Bernardino Soares. A foto insólita, anedótica e inconcebível de um ministro malcriado, saiu nas primeiras páginas dos jornais espanhóis, pelo menos até esta quinta-feira, 2 de Julho, em que escrevo esta crónica. Mas, pelo andar da carruagem, deverá já ter começado a correr o Mundo.

É o mesmo governante da papa Maizena, bem como é o que referiu que a crise já tinha passado – em Portugal, claro, porque no resto do orbe terráqueo não se notara nada, bem pelo contrário. E muitas outras inconveniências a que, agora, se usa chamar gaffes. Pinho pediu, naturalmente, a demissão e Sócrates, que o zurzira em plena sessão parlamentar, aceitou-a de imediato e fez avançar Teixeira dos Santos para a pasta da Economia e da Inovação, mantendo as Finanças e o cargo de Ministro de Estado. O portuense é, agora, um superministro. (...)

Texto integral [aqui]

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Blogue-arquivo Humor Antigo - Ano de 1936

3.7.09

Zona de livre troca

Por Joaquim Letria

FOI DADO UM NOVO PASSO para a melhoria das relações entre os países do mercado comum e os outros da OECE, os quais, uns e outros, deverão interpretar para o bem e para o mal os resultados da Conferência de Estocolmo, os quais poderão ditar o futuro próximo da “Pequena zona de livre-troca”.

Especialistas de sete países europeus, Grã-Bretanha, Suécia, Dinamarca, Noruega, Áustria, Suiça e Portugal estudaram ao longo de 10 dias um plano sueco de desarmamento aduaneiro progressivo entre um certo número de países da OECE. É uma velha ideia.

Quantos países entrariam nesta zona de comércio livre que se deseja criar? A Grã Bretanha e a Suécia defendem abertamente este projecto, no que são acompanhadas pela Suiça e pela Noruega, mas enquanto a Áustria e a Dinamarca têm de pensar na sua dependência dos seis, Portugal tem inúmeros problemas fiscais internos a resolver além de ter de pensar na sua infeliz condição de estado com menos desenvolvimento económico.

O ministro austríaco, no entanto, não gaguejou ao exortar os países membros do mercado comum a dar o passo da criação duma associação multilateral de todos os países membros da OECE que complete o que fizeram com o tratado de Roma. E com mais uns tostões no bolso seríamos todos mais europeus, não é verdade?!

«24 horas» de 3 de Julho de 2009

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E quando é que as pessoas ficarão LIBERTAS destas "coisas"?!
ANTEONTEM (23 dias passados sobre as eleições!), verifiquei que, pelo menos entre Lisboa e Sintra, os outdoors dos partidos continuavam a empestar a paisagem. Não sei a quem é que compete retirá-los, mas sei que já não posso ver a propaganda (com caras ou sem elas) daquela gente.

Já agora: ninguém explicará a essas alminhas que a incúria associada à não-remoção dessa tralha dá uma interessante imagem do respeito que têm pelo povinho?

2.7.09

A Liberdade de Expressão na Universidade do Minho

Por Maria Filomena Mónica

DANIEL LUÍS É ASSISTENTE de Sociologia na Universidade do Minho. Desde há anos que tem um blogue, «Dissidências», onde coloca brincadeiras satíricas, incluindo textos e vídeos. Há dias [Mar 2008], o director do seu departamento, Carlos Estêvão, declarou que o conteúdo do blogue – onde se brincava com a política, a religião e o desporto – era desprestigiante e que, por isso, aquele deveria acabar. O docente acabou por ceder ou, antes, por semi-ceder: continuaria a escrever, mas deixaria de pôr no ar os vídeos, uma vez que os colegas consideravam que «a sua linguagem, imagens e tom jocoso e desrespeitoso» eram atentatórios da dignidade da instituição. (...)

Texto integral [aqui]

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ESTE alemão faria isto na terra dele? Ou será um emigrante português, de visita a Portugal? Comentar, eventualmente, [aqui].
Uma sequência de fotos absurdas, tiradas perto deste local, pode ser vista [aqui].

Ao menos um rascunho

Por Joaquim Letria

SE A CRISE FINANCEIRA internacional não servisse para mais nada, ela cumpre o seu papel de dizer a nós todos que os detentores dos instrumentos de política monetária têm toda a responsabilidade, designadamente a de impedir a desordem financeira.

Pelo menos procuram convencer-nos que algumas intervenções e certas decisões foram tomadas para evitar a contaminação do sistema e a derrocada de certos pilares. No entanto, não é preciso um mestrado para perceber que a política da taxa zero cria graves distorções no mercado da dívida. A intervenção dos bancos centrais estimula os Governos a servirem-se cada vez mais desses instrumentos sem contemplações.

Os patrões dos bancos centrais preferirão privilegiar o crescimento. Mas também é possível que se alcance este objectivo chegando lá por outros caminhos – restabelecendo o sistema financeiro, aumentando as taxas dos depósitos nos Estados Unidos e no Reino Unido e reequilibrando o comércio mundial.

Ben Bernanke, o patrão da Reserva Federal, Jean-Claude Trichet, o patrão do Banco Central Europeu e Mervyn King, o “boss” do Banco de Inglaterra, mesmo ganhando menos do que o nosso Vítor Constâncio, bem podiam preparar o rascunho duma alternativa. Ou não?!

«24 horas» de 2 de Julho de 2009

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Dar pérolas a PORCOS

EM COMPLEMENTO de tão simpática notícia, veja-se [aqui] como alguns dos principais interessados (suponho que será o caso dos moradores...) tratam a zona em causa.

Activismo

Por João Paulo Guerra

Os socialistas andam irritados com Cavaco Silva e acusam já publicamente o Chefe do Estado de “activismo declaratório”.

O MÁXIMO EM QUE LHES POSSO VALER é aconselhá-los a ler mais frequente e atentamente a Coluna Vertebral no Diário Económico para não serem apanhados tão de surpresa. Se tivessem lido, por exemplo, a crónica de 23 de Junho do ano passado, estariam alertados para a eventualidade da carreira Belém - São Bento passar a fazer agulha, ou mesmo transbordo, por São Caetano à Lapa.

Mas o que tem que se lhe diga é a acusação de "activismo declaratório", que é uma fórmula um tanto ou quanto depreciativa que banaliza a chamada magistratura de influência. O Chefe de Estado faz declarações ao país, patenteia, testemunha, manifesta-se, sobre o negócio da PT com a TVI, o adiamento do TGV, a localização do aeroporto e outros assuntos de Estado. O termo activismo tem um sentido de militância, com mais acção que teoria, mais propaganda que doutrina. E o termo declaratório é absolutamente desdenhoso. Declarativo ainda teria alguma dignidade. Mas declaratório rima com falatório, parlatório e parlapatório, enfim é sinónimo de cavaqueira, murmuração, ruído, tagarelice.

Declaratório é um declarativo inconsequente, de quem fala por falar, e não se diz isso de um Chefe do Estado, a menos que se queira dizer.

Outra acusação que socialistas lançam nos jornais contra Cavaco Silva é que o Chefe do Estado andará tentado "pedalar a mesma bicicleta" que o PSD. Mais uma vez só posso aconselhar uma leitura mais assídua desta modesta coluna. Com efeito, em 24 de Abril passado, aqui se avisava que, sendo o ‘tandem', até então, o veículo da coabitação, imediatamente antes ou logo depois das eleições ele poderia dar lugar a um triciclo.

«DE» de 2 de Julho de 2009

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O que se diria...

Por C. Barroco Esperança

SE UM GOVERNO do PS tivesse aberto concurso para dois canais televisivos e, por acaso, fossem atribuídos um a um antigo primeiro-ministro socialista e outro à Maçonaria;

Se um PR, oriundo do PS, vetasse uma lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social, impedindo um pasquim dócil de receber milhões de euros do Governo dos Açores, por exemplo, e outro, de um concelho continental, de sobreviver à custa da Câmara Municipal;

Se Mário Soares, perante uma votação unânime da Assembleia da República bradasse contra a má qualidade da lei e advertisse contra o seu carácter injusto;

Se Sócrates tivesse comprado acções do BPN e realizado interessantes mais valias, ele e o filho mais velho, no mesmo dia, sem que a comunicação social inquirisse como foi definido o valor de acções não cotadas em bolsa, quem era o gestor de conta ou quem os aconselhou, a ele e ao filho, a investir; (...)

Texto integral [aqui]

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Luz - LXIII

Fotografias de António Barreto - APPh

Colombo - palmeiras - Esta imagem tem algo de estranho. A luz e as sombras. O insólito das belas palmeiras dentro de casa. A dimensão das árvores comparadas com as pessoas. Depois, vim a saber (e a apalpar): as palmeiras são falsas! Feitas com materiais verdadeiros, mas descascadas, restauradas, reconstruídas à volta de tubos de ferro e colocadas em vasos de cenário! (2006).

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A festa do livro

Por Joaquim Letria

SE EM PORTUGAL a ignorância edificada pelo ministério da educação durante anos dá frutos, massificando o desinteresse e disseminando a desqualificação, na Europa ocorre precisamente o oposto – o que nos afasta cada vez mais dos países que deveríamos acompanhar.

Nunca cerimónias, feiras, concursos e maratonas dedicadas ao livro e às palavras tiveram tanto interesse e foram tão frequentadas, atraindo centenas de milhares de europeus, entre os quais se destacam os jovens. Em Portugal talvez tenhamos duas a três gerações perdidas até podermos acertar o passo pelo resto da Europa, se quisermos e viermos a trabalhar com afinco. A única dificuldade em todas as manifestações pró-livro na Europa foi a de encontrar lugar sentado.

Foi possível ver Le Clézio lido por Lambert Wilson, Flaubert por Daniel Mesguich e Prevert por Jean Louis Trintignant, enquanto o Cairo, Alexandria e a palavra árabe eram celebradas por conhecidos arquitectos, escritores e arqueólogos que viriam a render-se ao actor Omar Shariff, o herói dessas sessões.

Contadores de histórias, actores, músicos e poetas são cada vez mais utilizados na divulgação do livro e da literatura com um êxito retumbante, não só no centro das cidades mas também na periferia e nos bairros problemáticos. O êxito é estimulante!

Cá também podiam experimentar, em vez de só lá mandarem a polícia.

«24 horas» de 1 de Julho de 2009

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Passatempo-relâmpago - 2 Jul 09

UMA PERVERSA associação de ideias (provocada pelo título da crónica anterior) levou-me a ir buscar à estante dos livros este, do saudoso Inspector Varatojo, cujo subtítulo tapei.
Como toda a gente já percebeu, haverá um prémio (um exemplar do policial Quem Sabe a Verdade?, de Nicolas Freeling) para o primeiro leitor que identificar a parte omitida. No entanto, e como habitualmente sucede quando as questões são fáceis, as respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa que ocorrerá durante o dia de hoje.
.
Actualização: os comentários foram desbloqueados às 13h19m, e a resposta certa apareceu (e em quadruplicado!) 2 minutos depois - ver [aqui]. Resta-me, pois, meter o livro no envelope...

1.7.09

Cavaco e Sócrates ajudam Manuela

Por Alfredo Barroso

A TRÊS MESES DAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES
legislativas, o menos que se pode dizer é que o regime democrático dá sinais de estar com gripe, enquanto os seus actores principais persistem em actuar como vírus. O primeiro-ministro, José Sócrates, continua a dar tiros nos seus próprios pés. A chefe do maior partido da oposição, Manuela Ferreira Leite, insiste em dar largas à sua irritabilidade bacoca, pejada de contradições. O Presidente da República, Cavaco Silva, achou por bem lançar às urtigas o seu dever de isenção.

No tão mediático caso que envolvia a PT, a Prisa e a TVI, o engenheiro Sócrates fez muito mal em negar o conhecimento prévio, afirmando que, apesar da golden share, o Estado não tinha que interferir num negócio entre privados. E ainda fez bastante pior ao rematar o assunto com um erro de palmatória, invocando a golden share para se opor ao negócio. Uma pulsão suicida fê-lo seguir o conselho, no mínimo perverso, que lhe deu o engenheiro João Cravinho em entrevista a Mário Crespo na SIC Notícias.

Neste mesmíssimo caso, também veio mais uma vez ao de cima a irreprimível tendência da drª Manuela Ferreira Leite para uma irritabilidade destrutiva e vazia de conteúdo, típica de quem não mede as afirmações que faz, não sabe a quantas anda, nem tem memória dos erros que cometeu no passado, designadamente enquanto ministra das Finanças. O ódio desta senhora ao engº Sócrates e ao PS cega-a e desmemoria-a.

A chefe do PSD detesta o Estado e adora os privados, mas acabou por incitar à intervenção do Governo na PT, ajudando a dar cabo de um negócio que seria bom para os privados. Esqueceu-se, entretanto, das interferências na PT e na Lusomundo Media, quando era ministra das Finanças do dr. Durão Barroso. A drª Manuela Ferreira Leite tem o carisma de uma ostra e a sensibilidade de um tijolo, mas já se tornou heroína dos órgãos de comunicação social, que ainda há poucas semanas afirmavam que ela era um caso perdido para a política. A perspectiva de ela poder vir a ser chefe do Governo é, no mínimo, preocupante. Mas a memória colectiva é curta: esgota-se em seis meses.

Como se a tanto disparate – de Sócrates e Ferreira Leite – ainda fosse necessário acrescentar uma cereja no topo do bolo, o Presidente da República, Cavaco Silva, não se fez rogado e resolveu lançar às urtigas o seu dever de isenção. Prudentíssimo e distante nos casos do BCP e do BPN (que envolvem alguns ex-membros de Governos seus), não manteve a prudência nem a distância no mediático caso PT/Prisa/TVI, dando um grande encontrão no Governo e uma enorme ajuda à sua ex-ministra da Educação (lembram-se dela?), a pretexto de transparência. Surpreendentemente, Cavaco Silva resolveu ignorar as entidades reguladoras competentes para avaliar a transparência do negócio.

Cada qual à sua maneira, Cavaco e Sócrates ajudam Manuela: um, andando com ela ao colo; o outro, persistindo em cometer sucessivos erros políticos. Qualquer dia já ninguém liga às asneiras e aos disparates constantes da chefe do PSD, promovida de besta a bestial pelos jornais e televisões que temos. Espelho meu, espelho meu…

NOTA (CMR): esta e outras crónicas do mesmo autor estão também afixadas no seu blogue Traço Grosso.

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Passatempo-relâmpago - 1 Jul 09



COMO já se percebeu, o desafio consiste em decifrar estas velhas charadas a que, dantes, chamavam "hieróglifos comprimidos". Claro que haverá um prémio para quem o fizer (um livro policial) mas - atenção! - só se os decifrar todos. Enquanto não houver dicas, cada leitor poderá dar uma única resposta tripla.

Actualização-1: a 3ª já está resolvida ("Ferver em pouca água").
Actualização-2: a 1ª já está resolvida ("Muitos poucos fazem muito").
Actualização-3: a 2ª já está resolvida ("Amor e uma cabana").
.
Actualização final (18h06m): se ninguém se opuser, em vez de 3 livros haverá 4, sendo enviados exemplares de O Funeral Foi o Começo, de Hartley Howard, a 'Mg', Sofia, Joana Luz e 'Dana_Treller'.

Afinal, que quer o PS?

Por Baptista-Bastos

NÃO É DE ESTRANHAR que uma sondagem recente atribua "empate técnico" ao PS e ao PSD, nas legislativas. A prática governamental, nestes últimos anos, é um empreendimento de confronto com sectores sociais decisivos, e uma construção de poder (direi pessoal) que repousa em imprevisíveis decisões individuais. O modelo não se rege por princípios; obedece a reflexos. Chamado de "reformas", foi elogiado pelas faixas mais retrógradas da nossa sociedade. E a sociedade está em fanicos.

Notoriamente, o orgulho de Sócrates foi amolgado com a derrota nas "europeias". Até hoje engole em seco, mas continua a combinar os mesmos elementos modulares que têm feito a sua perdição. Parece que não consegue definir o corpo social português e delimitar as fronteiras entre as classes. Sabe-se que nada tem a ver com "socialismo" como instância histórica, ideológica e ética. Também se sabe que conseguiu domesticar aqueles dos seus camaradas que, tenuemente embora, ainda agitavam as bandeiras de uma específica identidade política. A derrocada de 7 de Junho alarga-se em vergonhosas cumplicidades. Nenhum "socialista" se rebelou. Talvez porque já não haja socialistas. Talvez porque o socialismo nunca existiu. Talvez. Uma única certeza: José Sócrates nunca foi socialista. (...)

Texto integral [aqui]

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Há 90 anos, sabíamos menos sobre o passado

Por Nuno Crato

«EU DIGO-TE, apesar de a história já ser velha quando a ouvi. E o homem que ma contou já não era novo. Tinha na altura 90 anos» — é assim que Crítias começa a explicar a famosa história da Atlântida, relatada por Platão no seu diálogo Timeu. Afirma que o caso tinha sido primeiramente contado a Sólon por um «sacerdote muito velho». E que tudo se tinha passado nove mil anos antes.

Quem tenha lido o célebre diálogo de Platão não terá esquecido estas páginas sugestivas e fantásticas. Um homem velho fala de uma história que em jovem lhe tinha contado um velho, que por sua vez em jovem a tinha ouvido de um outro ainda mais velho. A idade aparece como abonatória da sabedoria e aproxima o evento histórico. Assim é habitualmente na ficção: os idosos estão mais perto do passado.

Mas é absurdo pensar que umas décadas de memória, mesmo que muitas para uma vida humana, possam trazer para mais perto de nós acontecimentos que se teriam passado há centenas ou milhares de anos. (...)

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30.6.09

A hora dos funerais

Por Joaquim Letria

ESTE NOSSO VERÃO está marcado por mortes e funerais. Se entre a variedade de mortes e sua expressão pública se pode escolher, eu prefiro a de Omar Bongo, antigo presidente do Gabão que morreu em Paris e foi enterrado em Libreville depois de velado por centenas de milhares de cidadãos, dezenas de milhares de funcionários, milhares de políticos, dúzias de reis e diversos presidentes entre os quais Sarkozy, Chirac, Giscard D’Estaing, além de primeiros ministros e ministros de muitos países africanos e europeus.

Durante as 24 horas dos quatro dias de luto, uma multidão desfilou na impressionante sala dos banquetes forrada a mármore, liderada pelos seus chefes e patrões, cerimónia transmitida pelas tvs francesas e africanas durante 16 horas por dia.

Por entre vestidos e camisas de florzinhas, e fatinhos tipo delegação olímpica, uma infinidade de T-Shirts, umas agradecendo ”Obrigado camarada pela sua obra imensa”, outras chorando”O vazio é tão grande que jamais será preenchido”.

Cânticos religiosos ou patrióticos completavam o ambiente de dor e nos terraços do palácio presidencial, face ao oceano, pilhas de coroas de flores desembarcadas dos aviões da Air France, da Air Afrique, da SAA da África do Sul esmagavam o ambiente perfumado por incenso queimado em discretas piras. Que Omar Bongo descanse em paz.

«24 horas» de 30 de Junho de 2009

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Alegretes

Por João Paulo Guerra

Metade dos portugueses não usufrui do período total de baixa médica sem ter que fazer grandes restrições ao orçamento familiar. E uma percentagem superior a 13 por cento admite não conseguir comprar todos os medicamentos de que necessita.

OS INDICADORES de privação, agora divulgados, revelam que bastante mais de metade da população tem um orçamento familiar inferior a 900 euros. E apenas 17,5 por cento dos agregados familiares têm rendimentos superiores a 1500 euros. Cerca de 62 por cento dos portugueses não consegue pagar uma semana de férias fora de casa. Os indicadores em referência confirmam que se alargou a exposição à vulnerabilidade, afectando grupos bastante diversos. Ou seja, os portugueses têm empobrecido ainda mais ultimamente com uma política que, já antes da crise, em vez de criar riqueza criava ricos mas, acima de tudo, produzia novos pobres. Muito provavelmente, aos olhos do poder, francamente preocupante é que tenham desaparecido 700 dos 10.400 milionários portugueses.

Para tudo isto, e para além das políticas fundadas na desigualdade, muito contribui um certo atavismo português, enraizado pelo chamado Estado Novo, segundo o qual a riqueza não traz a felicidade e a pobreza é uma fonte de alegria. Pobretes mas alegretes, dizia-se, segundo uma filosofia de vida propagandeada em filmes e canções ligeiras. O próprio sátrapa de Santa Comba apresentava-se cultivando a imagem da humildade e da sovinice, um forreta que criava galinhas e plantava couves na residência de São Bento, para que Dona Maria servisse aos convivas a comidinha dos pés-rapados lá da aldeia.

E ainda perdura. A democracia não ensinou nada aos portugueses. Os pobres são felizes na pobreza e os chico-espertos prosperam por conta de habilidades.

«DE» de 30 de Junho de 2009

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Passatempo «Casa de ferreiro...»

Público de ontem
ESTA CURIOSA rábula remete-nos para um tipo de humor que nunca falha: o polícia que é multado, o vigarista que é vigarizado, etc.
Pergunta com prémio: qual o título do filme dos irmãos Lumière que explora esse filão?
Cada leitor poderá dar uma única resposta. O prémio, a atribuir ao primeiro que der a resposta certa (ou, pelo menos, a pretendida...) será um exemplar do livro cuja capa se pode ver [aqui].
Como a solução é demasiado fácil, introduziu-se a dificuldade que já vai sendo habitual: as respostas só serão possíveis a partir de um determinado momento-surpresa que ocorrerá durante o dia de hoje.
Actualização (18h05m): a resposta certa já foi dada, pelo que o passatempo terminou.
Já agora: o pequeno filme pode ser visto [aqui].

29.6.09

A diversificação

Por Joaquim Letria

ESTAMOS SUJEITOS ao bom e ao mau. Fazemos bem e fazemos mal. Ganhamos aqui e perdemos ali. É a vida, como dizia o outro.

Perdemos a Qimonda e vemos a Auto-Europa a escorregar-nos por entre os dedos. Uma e outra eram as nossas principais exportações. Ganhávamos o pão que amassávamos a fazer as coisinhas dos outros. Neste caso, a montar semi-condutores e automóveis alemães.

Mas se estas exportações já não rendem, temos actividades que até se mostram florescentes e em que somos do melhor que há. É o caso do convite do Supremo Tribunal de Justiça do Brasil a banqueiros e gestores das mais importantes empresas portuguesas para deporem no célebre processo de corrupção “Mensalão”, que engloba ministros e assessores de Lula da Silva, acusados de receberem dinheiros indevidos através de empresas portuguesas.

Também a Comissão de Concorrência da África do Sul veio pedir que a cimenteira portuguesa Cimpor esclarecesse as suas ligações à Afrisam, empresa controlada pela Lafarge e as circunstâncias da posse que ambas apresentam da Pretoria Portland Cement, empresa visitada pelos investigadores que ali fizeram buscas no sentido de esclarecerem o imbróglio que envolve esta empresa portuguesa e uma das suas principais accionistas, a Lafarge.

Estamos a andar para trás!? Nuns sectores, sim. Mas a gente tem muito “know-how” e somos sempre dos melhores naquilo que fazemos. E que bem diversificamos! Em ilícitos e irregularidades, como se vê, já damos cartas.

«24 horas» de 29 de Junho de 2009

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Um desafio muito simples

UMA VEZ colocadas estas 4 cartas em cima de uma mesa, pegar na 2ª e colocá-la em cima da 1ª por forma a tapar apenas uma 'pinta'. Depois, pegar 3ª e colocá-la sobre a 2ª por forma a cobrir, também uma das 5 'pintas'. Finalmente, fazer o mesmo com a 4ª, por forma a tapar uma das 'pintas' da 3ª.
Em princípio, uma vez isso feito, as três primeiras cartas ficarão com - apenas - 4 'pintas' visíveis, mas a última carta mostrá-las-á todas.
E o desafio que se coloca é: como dispor as 4 cartas por forma a que todas elas mostrem apenas 4 'pintas'?
NOTA: Se alguém quiser ilustrar a resposta com uma imagem (desenho ou foto) poderá enviá-la para sorumbatico@iol.pt.

Actualização (18h45m): vários leitores deram a resposta correcta (uns com imagem, outros com "texto"). Ver cinco [aqui].

Delongas

Por João Paulo Guerra

Portugal está muito mais relutante a acolher prisioneiros libertados de Guantanamo, do que esteve em fechar os olhos ou até mesmo permitir o trânsito de voos da CIA com presos sem culpa formada para os campos de concentração americanos.

PELO MENOS 54 VOOS transportaram presos, arrebanhados dos seus países, através de espaço aéreo e território português. As facilidades foram tantas que - sabe-se agora - os carcereiros da CIA até estabeleceram bases de actuação em hotéis de cidades portuguesas, permitindo-se abdicar de elementares normas de secretismo. E talvez para "compensar" a rebaldaria face à ilegalidade e à desumanidade, Portugal encheu-se agora de picuinhas e implicâncias em relação a uma solução justa e humanitária.

Lá no fundo, muito provavelmente, "quem de direito" em Portugal entende mesmo que as pessoas presas por todo o mundo, levadas à força e mantidas sob sequestro em Guantanamo, sem acusação, torturadas e submetidas a toda a espécie de arbitrariedades, violências e vexames são potenciais e perigosos "terroristas", cujo lugar certo seria uma gaiola de aço em Guantanamo. Mas enfim, há que responder às brisas da História dando-se alguns ares. No domínio dos princípios, Portugal declarou-se rapidamente disposto a acolher prisioneiros libertados de Guantanamo.

O pior é quando se chega aos finalmente. São só entraves, dilações, entreténs, faz que anda mas não anda.

Autoridades que jamais assumiram a cumplicidade com a brutalidade dos novíssimos campos de concentração estão agora a delongar os trâmites do processo de acolhimento dos presos libertados. Na verdade, esta é a atitude mais coerente com os antecedentes. Depois de arquivar o crime, nada mais adequado que deixar prescrever a redenção.

«DE» de 29 Junho de 2009

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Ardósia da minha infância

Por A. M. Galopim de Carvalho

PARA ALÉM do granito que conheci ao sentar-me nele, na soleira da porta da casa da minha avó, na rua de Frei Brás, em Évora, a pedra com que privei de perto foi a ardósia, uma espécie de xisto compacto que se deixa laminar permitindo talhar aqueles delgados rectângulos emoldurados, a que chamávamos, simplesmente, pedra, e nos quais as crianças da minha geração aprenderam a escrever as primeiras letras e os primeiros algarismos. Esta mesma ardósia ou lousa, aparada para fazer as vezes de telhas, exportámo-la para Inglaterra com o nome de "soletos", um aportuguesamento popular da palavra inglesa slate, com o mesmo significado. Acrescente-se que na ardósia, que todas a crianças levavam para a escola, se escrevia com lápis da mesma pedra, sendo curioso assinalar que lápis, do latim, lapis, quer dizer, precisamente, pedra. (...)

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28.6.09

Futilidades

Por António Barreto

É EXTRAORDINÁRIA a maneira como, entre nós e desde que os partidos políticos entrem em cena, qualquer pequeno problema de menor importância assume rapidamente as dimensões de catástrofe ou de espectro ameaçador. Ou de grande divisor de razões e sentimentos. Agora, foi a vez das datas das eleições. O que já se disse deixa invejoso um escritor de ficção científica! Partidos, comentadores e analistas multiplicam-se em sofisticadas reflexões acerca das vantagens e dos inconvenientes de 27 Setembro e de 4 e 11 Outubro. O nó da questão era a simultaneidade das eleições autárquicas e legislativas. Questão fútil e sem consequências, mas que teve a capacidade de excitar o condomínio fechado em que se transformou a política nacional. A marcação da data, pelo Presidente da República, pôs termo à discussão. Mas o que foi dito, durante semanas, não desapareceu. E revela o modo como se pensa a democracia.

Um conjunto de argumentos põe em relevo as vantagens partidárias. Se os votos forem separados, ganham uns partidos, se forem no mesmo dia, ganham outros. (...)

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FOI ACTUALIZADO o blogue Arroz Doce, de Joaquim Letria, com a crónica Confidencial deste fim-de-semana.

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Dito & Feito

Por José António Lima

BEM PODE José Sócrates garantir a pés juntos que nada sabia sobre a entrada da PT na TVI e que em nada interfere na linha de informação da televisão dirigida por José Eduardo Moniz. Ninguém o leva a sério.

Não tem o Governo uma golden share na PT? Não se interessou em esclarecer as notícias que vinham há dias nos jornais apontando o negócio da PT com a Media Capital? Não é ele quem, obsessivamente e sem descanso, vem atacando a TVI, desde a insólita declaração no Congresso do PS, passando pela desnorteada entrevista à RTP da «caça ao homem» e acabando na involuntariamente reveladora intervenção no Parlamento, na quarta-feira, em resposta ao CDS: «Está preocupado com alguma coisa? Ou acha que a linha editorial da TVI se deve manter tal como está, não tirarem de lá ninguém?!». Foi o primeiro-ministro no seu melhor. E sem rodeios.

Sócrates tem um conceito restrito e utilitário de liberdade de imprensa e independência da informação. Vê qualquer crítica ao seu desempenho ou à sua pessoa como uma injúria, qualquer apreciação negativa do Governo socialista como uma ofensa, quaisquer factos incómodos e mal esclarecidos do seu passado como calúnias. É a sua lógica, simplista e redutora, mas útil.

E a entourage socratista não tem pruridos nem escrúpulos em utilizar o poder na aplicação desse conceito. Pressionando e condicionando accionistas, receitas de publicidade, financiamentos na banca. Ameaçando com processos judiciais. Sabem-no bem os responsáveis do SOL, do Público ou da TVI.

É o estilo Chávez, o exemplo do seu amigo que vê a democracia como a eternização no poder, e se empenha a fechar televisões e a silenciar vozes incómodas.

O afastamento de Moniz só poderia ser explicado por razões políticas. Porque não há argumentos empresariais que a Media Capital possa invocar contra quem levou a TVI a uma lucrativa e consolidada liderança das audiências. Só faltaria colocarem no seu lugar Emídio Rangel, por agora arrumado numa prateleira televisiva de S. Bento. E que se transformou numa espécie de Augusto Santos Silva de segunda, mais primário na defesa cega de Sócrates e menos fluente na oratória. Aí fechava-se o círculo. E começava o circo.

«SOL» de 26 de Junho de 2009

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27.6.09

Passatempo-relâmpago


AS ELEIÇÕES autárquicas não se efectuarão na mesma data das legislativas; ora, como o voto electrónico é coisa que não anda nem desanda, inúmeras pessoas vão ter de se deslocar centenas de quilómetros para votar - não apenas uma, mas duas vezes, e no espaço de poucos dias.

A pergunta com prémio (um livro policial, para o primeiro leitor que der a resposta certa) é a seguinte:

Qual terá sido a associação de ideias que me levou, no seguimento dessa decisão, a afixar aqui o filme do macaco Gervásio?

Actualização: a resposta certa foi dada no comentário das 19h53m.

Podia ter sido pior

Por Antunes Ferreira

DEIXEM QUE VOS DIGA que estes míseros 14 dias de ausência corresponderam às melhores mini-férias que gozei nos últimos 15 anos. Em cheio, com gente amiga e boa – vai sendo um tanto difícil conciliar estes dois adjectivos – palavras ao correr do descorrer, leitura diversificada, galhofa q.b., de papo para o ar regaladamente, e no respeitante a cómidas e bóbidas, ignorando O Livro de Pantagruel e o Guia Michelin, por absolutamente desnecessários. Um mimo.

Saí – saímos, a Raquel e eu – logo após termos votado, cumprido o ritual do costume, sem grande resultado do procedimento cívico, como depois se constatou, e jurei (ámos) que não ligaríamos peva à política, com uma excepção óbvia: conhecer os resultados das urnas. O que se revelaria quase fatal. Mas, bem diz o Povo, o homem põe e Deus dispõe. Acontece mesmo ao mais pintado, e que fizera esse solene propósito de procedimento. (...)

Texto integral [aqui]

NOTA (CMR): O desenho, da autoria de José Abrantes, foi feito para ilustrar «As Aventuras de Salvador, o Consultor», publicadas na revista Valor.

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