10.10.26

“ANTES DOS CRAVOS” - Lançamento


Por A. M. Galopim de Carvalho

“ANTES DOS CRAVOS” surge num momento em que o panorama político de Portugal deixa muito a desejar, por culpa dos políticos (a quem o poder lhes foi entregue, "de mão beijada", pelos honrados "Capitães") que não souberam entender-se para que se cumprissem as "promessas de Abril". Tudo isto trouxe-me ao presente as minhas memórias como cidadão consciente do mundo à minha volta, digamos a partir dos 15 anos (em 1947). Até 1974, foram 28 anos de privação da liberdade, de vigilância e repressão políticas, receios de tudo e mais alguma coisa. Foi com este conjunto de lembranças de situações vividas e presenciadas a que acrescentei um manancial de elementos retirados criteriosamente da internet, que me sentei frente ao monitor.

Todos os meus leitores e amigos sabem que não sou historiador e que, portanto, me limito a abordar, com o rigor possível, as generalidades. Por outro lado, todos sabemos que conhecer as generalidades é melhor do que passar pelo mundo “de olhos fechados”. Foi isso que me motivou a escrever este livro. Todos os meus leitores e amigos sabem que gosto de ler, aprender e, sobretudo, comunicar o que vou aprendendo. Fui professor durante muitos anos, continuo a sê-lo, à distância, através da internet, e ficou-me o gosto compulsivo de aprender e ensinar. Dizem-me que comunico bem e com simplicidade, que torno fácil o que, à primeira vista, parece difícil, e eu sei que o faço com o mesmo cuidado e atenção com que, como académico, também fiz investigação científica numa área específica da Geologia. 

“ANTES DOS CRAVOS” expressão escolhida para título deste livro, é uma homenagem, a todos, os militares, dos solados aos oficiais superiores, incluídos na feliz e justa expressão “Capitães de Abril”. Este título assenta numa breve história que envolve uma cidadã de Lisboa, Celeste Martins Caeiro (1933-2024), de seu nome, empregada num restaurante da Rua Braamcamp. Este estabelecimento, inaugurado a 25 de Abril de 1973, festejava, nesse dia, um ano de abertura, pelo que a gerência planeara oferecer cravos às habituais e, na Rua do Carmo, com uma imensa coluna de militares armados, envolvidos numa multidão de povo, em êxtase de alegria, que, lenta e festivamente, iam abrindo caminho no sentido do Largo do Carmo. Impressionada e curiosa, perguntou a um dos soldados, o que se es muitas clientes. Em virtude do golpe de militar, o restaurante não abriu e o gerente disse às empregadas que levassem consigo os cravos, já que não poderiam ser distribuídos pelas ditas clientes. Ao regressar a casa, com um braçado de flores, Celeste deparou- stava ali a passar, ao que o militar terá respondido, sorridente, 

— Isto é uma revolução!

Celeste pôs-lhe um cravo no cano da espingarda, operação que repetiu até esgotar todos os que tinha consigo.

Já está disponível no site da Âncora Editora,

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18.9.26

CRISTIANISMO, HUMANISMO, POSITIVISMO E MARXISMO, PONTOS DE APROXIMAÇÃO E DE AFASTAMENTO

 

Por A. M. Galopim de Carvalho


O elitismo académico já teve o seu tempo. Agora é tempo de abordar “todos os saberes” “com toda a humildade e todo o rigor científico”, mas nos níveis de apresentação compatíveis com a generalidade média dos que me seguem, ou seja, “em trajes populares”. Aos mais sabedores, peço que nos ensinem através dos seus comentários.

 

Falemos agora de religiões como importantes sistemas socioculturais, através das quais e de um modo geral, o ser humano tem procurado compreender: a origem e o destino da vida, o sentido da existência, o significado da morte e o que está para além dela; distinguir o bem e o mal e meditar sobre aquilo que considera sagrado ou transcendente. 

As religiões apresentam uma grande diversidade de crenças e práticas. Algumas, como as antigas grega e latina, nas respectivas mitologias, reconhecem várias divindades, outras afirmam a existência de um único Deus e outras, ainda, não colocam um Deus criador no centro da sua tradição.

Entre as principais religiões destacam-se o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo, ditas abraâmicas, que partilham uma origem comum baseada na figura bíblica do patriarca Abraão, reconhecido por todas elas como um patriarca, profeta ou mensageiro de Deus, servindo como o elo espiritual e histórico fundador destas crenças. Destacam-se, ainda, como religiões importantes, o Hinduísmo e o Budismo, sobre as quais poderemos, eventualmente, abordar, mais tarde. Apesar das diferenças profundas entre elas, todas procuram responder a algumas das questões mais profundas do pensamento humano, havendo, em todas, comunidades religiosas, princípios e práticas destinados a orientar a conduta dos respectivos seguidores.

De momento, como anunciei, o meu propósito é debruçar-me sobre o Cristianismo e, em especial, na figura de Jesus Cristo, com particular atenção à tida por verdade histórica, sem, contudo, menosprezar o relato dos textos ditos sagrados, nos seus aspectos culturais. No Cristianismo, o essencial encontra-se na narrativa oficial sobre a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo, na relação com Deus e no apelo ao amor a Deus e ao próximo, tendo a morte e a ressurreição de Jesus como acontecimentos centrais da fé cristã.

São livros sagrados do Cristianismo, o conjunto de todos conhecido como a Bíblia, dividido em Antigo Testamento, profundamente ligado à tradição judaica, contendo textos anteriores ao Cristianismo, e Novo Testamento, que inclui os quatro Evangelhos, os de Mateus, Marcos, Lucas e João, outros escritos sobre as primeiras comunidades cristãs e textos como as cartas atribuídas a Paulo e a outros autores cristãos. Recordemos que o Cristianismo surgiu no século I e tem como figura central Jesus de Nazaré, um precursor do Humanismo. Jesus nasceu em Belém, por volta do ano 3 d.C., no contexto do Judaísmo. Em adulto, com cerca de 30 anos era pregador em Nazaré e, a partir dos primeiros discípulos, depois apóstolos, difundiu a sua doutrina, progressivamente pelo Império Romano, onde se afirmou a partir do século IV, durante o reinado do imperador Constantino, que concedeu liberdade de culto aos cristãos através do Édito de Milão, em 313, tendo-se consolidado como religião oficial do Império durante o reinado do imperador Teodósio I, em 380.

O núcleo da fé cristã é a crença em Deus e em Jesus Cristo como Filho de Deus e Salvador. Segundo a fé cristã, Jesus anunciou o Reino de Deus, ensinou o amor a Deus e ao próximo, o perdão, a misericórdia e a justiça. A sua morte por crucificação e, sobretudo, a crença na sua ressurreição constituem o centro da mensagem cristã. 

Há pontos de aproximação e de afastamento entre o Cristianismo e três outras importantes doutrinas sociais: o Humanismo, o Positivismo e o Marxismo, um tema a desenvolver.

 

Cristianismo versus Humanismo

Começando pela relação do Cristianismo com o Humanismo, ambos defendem a dignidade humana, princípios como a igualdade, o respeito pela vida e a preocupação com os mais vulneráveis. O Humanismo valoriza a autonomia e a liberdade humanas, o Cristianismo também reconhece o livre-arbítrio e a responsabilidade de cada um pelas escolhas que faz. ambos defendem solidariedade e ajuda ao próximo, justiça e preocupação com os outros. Um e outro valorizam o desenvolvimento integral da pessoa humana, procurando, embora por vias e propósitos diferentes, contribuir para o respectivo aperfeiçoamento moral e pessoal. Uma ideia particularmente importante no Cristianismo é o amor. Nos Evangelhos, Jesus associa o amor a Deus ao amor ao próximo. Daí decorrem valores como a dignidade da pessoa, a compaixão, o perdão, a solidariedade e o cuidado pelos mais vulneráveis. O Cristianismo ensina que a relação entre Deus e o ser humano envolve  esperança numa vida que ultrapassa a morte. 

A principal diferença está nos fundamentos. Enquanto para o Cristianismo Deus ocupa o centro de, praticamente tudo (Teocentrismo), o Humanismo, sobretudo nas suas formas seculares (não religiosas), dá maior importância ao ser humano, colocando-o no citado centro (Antropocentrismo), investindo na sua capacidade de construir valores e de dar sentido à vida, deixando Deus e as transcendências para um plano secundário. O Cristianismo baseia-se, principalmente, na fé e nos ensinamentos religiosos, tendo como referência central a Bíblia e a tradição cristã, ao passo que o Humanismo valoriza mais a razão, o pensamento crítico e o conhecimento. O Cristianismo dá grande importância à relação com Deus e à salvação da alma, o Humanismo destaca as capacidades, realizações e desenvolvimento do ser humano na vida terrena. Nesta doutrina ou filosofia pode existir um Humanismo cristão, no qual a dignidade humana é fundamentada em Deus, mas também um Humanismo secular, que prescinde de Deus.

 

Cristianismo versus Marxismo

Entre o Cristianismo e o Marxismo, ambos dão importância às condições de vida dos mais desfavorecidas, embora partam de fundamentos diferentes. Um e outro destacam a solidariedade e a preocupação com o bem comum, criticando e denunciando injustiças sociais, desigualdades, exploração e situações de pobreza. Um e outro podem desenvolver acções destinadas a melhorar as condições de vida das pessoas. No que se refere às diferenças, o Cristianismo baseia-se na fé em Deus e nos ensinamentos de Jesus Cristo, o Marxismo critica, frontalmente a religião. Um pode abordar os problemas sociais, mas relaciona-os com questões morais e espirituais, o outro concentra-se sobretudo nas relações económicas, nas classes sociais e na exploração. O Cristianismo dá relevo a princípios como amor ao próximo, caridade e justiça, o Marxismo defende a luta de classes e a transformação das estruturas económicas e sociais. Em poucas palavras, a principal aproximação encontra-se no plano social, nomeadamente, a preocupação com os pobres, a justiça e a partilha, enquanto o principal afastamento está no plano religioso e filosófico, em que a transcendência e espiritualidade cristãs se opõem ao materialismo do Marxismo.

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Cristianismo versus Positivismo

Entre o Cristianismo e o Positivismo há, igualmente, semelhanças e diferenças. Ambos procuram contribuir para uma sociedade mais organizada e harmoniosa. Uma e outra dão importância à união e à cooperação entre as pessoas e consideram importantes certos princípios morais para orientar o comportamento humano. Relativamente às diferenças, o Cristianismo fundamenta-se na fé em Deus e em Jesus Cristo, o Positivismo rejeita explicações sobrenaturais como fundamento do conhecimento científico. O Cristianismo aceita a fé e a revelação religiosa, o Positivismo considera que o conhecimento válido sobre o mundo deve basear-se na observação, nos factos e no método científico. Um admite uma realidade espiritual e divina, o outro procura explicar os fenómenos através de leis científicas. Finalmente, o Cristianismo procura orientar a relação do ser humano com Deus e a salvação da alma, o Positivismo procura, sobretudo, compreender e organizar a sociedade em termos racionais.

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NOTAS:

Humanismo foi um movimento intelectual e cultural que marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna, com início formal em meados do século XIV, tendo o seu auge durante o Renascimento. Nasceu em Itália, na região da Toscana, no pensamento do poeta e filólogo italiano Francesco Petrarca. (1304-1374), considerado o "Pai do Humanismo". A sua principal característica foi colocar o ser humano e a razão no centro das decisões (Antropocentrismo), rompendo com o Teocentrismo medieval. Inspirados pela Antiguidade Clássica, os humanistas valorizavam o estudo da filosofia, das artes e das ciências gregas e romanas. O Humanismo promoveu o pensamento crítico e o livre-arbítrio, defendendo que o homem é capaz de moldar o seu próprio destino. Além disso, impulsionou uma grande renovação literária e educacional, espalhada rapidamente pela Europa graças à invenção da imprensa.

 

Marxismo é uma doutrina filosófica, económica e política desenvolvida no século XIX, tendo por principais protagonistas os alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), principalmente, entre 1845 e 1846, na obra A Ideologia Alemã. Defende que a história das sociedades é marcada pela luta entre classes sociais, com interesses económicos diferentes. Marx criticava o capitalismo por considerar que os trabalhadores produzem riqueza, mas recebem apenas parte do valor que criam. O marxismo propõe a superação da propriedade privada, dos meios de produção e das divisões de classe. Teve grande influência em movimentos operários, partidos políticos e revoluções ao longo dos séculos XIX e XX.

 

Materialismo - é uma corrente filosófica que afirma que a matéria é a realidade primeira e o fundamento de tudo o que existe no Universo, rejeitando princípios espirituais ou imateriais. Tem raízes na Grécia Antiga no século V a.C. com os filósofos Demócrito e Leucipo (teoria do atomismo). O termo "materialismo" foi introduzido, em 1702, filósofo matemático alemão Gottfried Leibniz (1646-1716).

 

Positivismo - é uma corrente filosófica surgida no século XIX, no pensamento do francês Auguste Comte (1798-1867). Defende que o conhecimento verdadeiro deve basear-se na observação e experimentação científicas. Rejeita as narrativas religiosas e metafísicas. Para os seus seguidores, a sociedade pode ser estudada através de métodos científicos. O positivismo contribuiu para o desenvolvimento da Sociologia como ciência. Teve grande influência no pensamento científico, político e social dos séculos XIX e XX.

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14.9.26

UMA REFLEXÃO EM TORNO DA FÉ


Por A. M. Galopim de Carvalho

A fé é uma das mais antigas e profundas manifestações da experiência humana. Em sentido vulgar, pode entender-se como uma adesão firme a uma ideia, princípio ou verdade, fundada na confiança. No domínio religioso, porém, adquire uma dimensão mais profunda. Não significa apenas aceitar intelectualmente uma determinada verdade, mas confiar, entregar-se e, em muitos casos, orientar a própria existência em função daquilo em que se acredita.

Na linguagem corrente, fé e crença confundem-se. As duas palavras pertencem a campos semânticos próximos, mas não são inteiramente sinónimas. Crença, do latim “credentia”, designa, em termos gerais, o acto de crer, isto é, de aceitar algo como verdadeiro. A fé, do latim “fides”, pode conter essa crença, mas, sobretudo, em contexto religioso, tende a acrescentar-lhe uma dimensão de confiança, entrega e compromisso.

Uma pessoa pode acreditar numa determinada proposição sem que essa convicção transforme a sua maneira de viver. A fé, quando entendida no seu sentido religioso mais pleno, ultrapassa a simples aceitação mental. Envolve o indivíduo e pode influenciar as suas escolhas, os seus valores, os seus comportamentos e a forma como interpreta a existência.

Algo semelhante acontece com os conceitos de crente e fiel. Embora sejam frequentemente utilizados como sinónimos, não exprimem exactamente a mesma ideia. Crente designa, em sentido lato, aquele que crê ou professa determinada religião; fiel pode acentuar, além da crença, a constância, a lealdade e a pertença a uma comunidade ou tradição religiosa. Esta distinção não deve, contudo, ser entendida de maneira rígida, pois, tanto na linguagem corrente como no próprio discurso religioso, os dois vocábulos sobrepõem-se frequentemente.

Uma das mais conhecidas definições bíblicas da fé encontra-se na Epístola aos Hebreus: «Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.» (versículo 11:1). Esta formulação exprime uma característica essencial da fé religiosa, manifestada na confiança naquilo que transcende a verificação imediata dos sentidos. Esta fé começa onde a demonstração deixa de ser suficiente, não necessariamente contra a razão, mas para além daquilo que pode ser comprovado empiricamente.

Do ponto de vista religioso, a fé pode compreender a adesão a determinadas verdades, doutrinas ou princípios fundamentais, bem como a confiança numa realidade divina ou outra transcendente. Todavia, a importância atribuída à fé e a própria maneira de a compreender variam consideravelmente entre as diferentes tradições religiosas. Nem todas as religiões assentam numa profissão de fé ou num conjunto de dogmas comparável ao das grandes religiões monoteístas. Nalgumas tradições, a prática, a disciplina espiritual, a meditação, os ritos, a pertença comunitária ou uma determinada forma de viver podem ocupar um lugar tão importante como a aceitação explícita de determinadas proposições acerca do divino.

Nas religiões em que a fé ocupa uma posição central. Normalmente, não se limita à aceitação de uma doutrina. Implica confiança e compromisso e pode tornar-se uma maneira de compreender o mundo, de enfrentar a incerteza, de interpretar o sofrimento e de conferir sentido à própria existência.

Mas o que acontece no cérebro quando uma pessoa crê, reza ou experimenta aquilo que considera uma presença transcendente? 

É precisamente aqui que começa a investigação no domínio da neurociência. Esta disciplina pode estudar aquilo que acontece no cérebro quando uma pessoa acredita, reza, medita, contempla, participa num ritual ou vive uma experiência que interpreta como religiosa ou espiritual. Não estuda a transcendência, estuda a experiência humana da transcendência.

Do ponto de vista neurocientífico, não é correcto definir fé como um simples «estado funcional do cérebro». A neurociência da religião, que se ocupa do estudo científico das relações entre cérebro, religião e espiritualidade, prefere estudar os aspectos neurobiológicos das crenças, das práticas e das experiências religiosas e espirituais ou, explicitando, prefere estudar os mecanismos celulares, moleculares, genéticos e anatómicos do sistema nervoso que fundamentam, entre outros, o comportamento, as emoções e o conhecimento. 

As experiências religiosas mobilizam diversos sistemas relacionados, por exemplo, com a emoção, a memória, a atenção, a representação do eu e a tomada de decisões. Isto significa que o cérebro religioso não é um cérebro diferente do cérebro não religioso. São os mesmos mecanismos fundamentais da mente humana que participam na amizade, no amor, na memória, na imaginação, na esperança, no medo, na confiança e na relação com os outros, que podem, igualmente, participar na experiência religiosa. Fala-se hoje de neuroteologia para designar um campo mais amplo, situado na intersecção entre a neurociência, a psicologia, a filosofia e a teologia, um campo que nos ultrapassa e que paira entre as elites académicas.

O cérebro humano não funciona como um conjunto de compartimentos independentes. Muitas das suas actividades resultam da cooperação entre diferentes regiões, organizadas em redes cerebrais, entendidas como conjuntos de neurónios interligados em diferentes regiões do cérebro que trabalham juntos para processar informações, emoções e comportamentos.

A investigação tem relacionado diferentes aspectos das experiências religiosas e espirituais com a actividade e interacção de algumas dessas redes, com destaque para as Redes de Modo Padrão, de Saliência e Frontoparietal. São sistemas fundamentais do funcionamento cerebral humano, não se tratando de redes especificamente religiosas,

A Rede de Modo Padrão (Default Mode Network) - participa em processos relacionados com a autorreflexão, a memória autobiográfica, a construção da identidade pessoal e a representação dos estados mentais dos outros. Alguns destes mecanismos participam na chamada «teoria da mente», isto é, na capacidade de imaginar aquilo que outro ser pensa, deseja ou pretende. Processos semelhantes podem participar na maneira como uma pessoa religiosa representa mentalmente uma entidade divina.

A Rede de Saliência (Salience Network) - intervém na identificação daquilo que, entre os inúmeros estímulos internos e externos que recebemos, possui particular relevância para nós. Ajuda, assim, a seleccionar aquilo que merece atenção e a integrar informação emocional, corporal e cognitiva. 

A Rede Executiva Central (Central Executive Network), está relacionada com o controlo cognitivo, a atenção, a tomada de decisões e a avaliação e regulação das nossas representações mentais.

A experiência religiosa resulta, pois, pelo menos em parte, da forma particular como estas e outras redes interagem, quando a pessoa reza, medita, contempla, acredita ou atribui significado religioso a determinada experiência.

Uma nossa aptidão, importante para compreender a relação entre uma experiência religiosa, como é a fé, e o cérebro é a neuroplasticidade, ou plasticidade cerebral, entendida como a capacidade do sistema nervoso para modificar aspectos da sua organização estrutural e funcional em consequência da experiência, da aprendizagem, do treino, dos estímulos ambientais ou de determinadas lesões.

O cérebro não é um órgão absolutamente estático. Pelo contrário, conserva ao longo da vida uma apreciável capacidade de adaptação. Tudo aquilo que praticamos repetidamente, como seja, aprender uma língua, tocar um instrumento, adquirir uma competência profissional, praticar um desporto ou treinar a atenção, pode, em diferentes graus, modificar os circuitos neuronais (relativos aos neurónios - as células fundamentais do sistema nervoso) envolvidos nessa actividade.

As práticas religiosas não constituem, portanto, uma excepção. A oração, a meditação, a contemplação ou determinados rituais, quando praticados regularmente, envolvem repetidamente processos de atenção, memória, emoção, linguagem e comportamento. É, portanto, plausível, e em determinados contextos empiricamente observável, que a prática prolongada produza alterações funcionais e eventualmente estruturais nos sistemas neuronais envolvidos. Não está, porém, demonstrado que a repetição da oração ou de pensamentos religiosos «grave» simplesmente uma crença no cérebro ou crie um circuito nervoso exclusivo da fé. O que se pode afirmar é que as práticas religiosas estão sujeitas aos mesmos princípios gerais de aprendizagem e plasticidade que outras actividades humanas.

A experiência religiosa possui, frequentemente, uma intensa dimensão emocional. Pode ser acompanhada por sentimentos de esperança, confiança, pertença, gratidão, temor, consolação, alegria ou profunda serenidade. Não surpreende, por isso, que alguns estudos tenham encontrado, durante determinadas práticas ou experiências religiosas e espirituais, a participação de sistemas neuroquímicos cerebrais relacionados com a recompensa, a motivação, a vinculação social e a regulação emocional.

Entre os sistemas neuroquímicos estudados, encontram-se os relacionados com a dopamina e outros neurotransmissores envolvidos na recompensa, motivação, emoção e sociabilidade. É, contudo, demasiado simplista, afirmar que a fé liberta neurotransmissores, como a dopamina, a serotonina e a oxitocina. A oração silenciosa, uma cerimónia colectiva, uma experiência mística, a meditação contemplativa e a simples adesão intelectual a uma crença são fenómenos muito diferentes e não podem ser reduzidos a uma única reacção neuroquímica.

Quando uma pessoa contempla uma obra de arte, ama alguém ou escuta uma música que a comove, desenvolve processos eléctricos e químicos no seu cérebro. A neurociência pode observar alterações de actividade cerebral durante a oração, estudar os mecanismos cognitivos envolvidos numa crença ou investigar os processos emocionais associados a uma experiência mística. A actividade cerebral associada à experiência de Deus não constitui, por si só, uma prova da existência de Deus. Mas também não constitui uma prova da sua inexistência.

O cérebro é o mediador essencial de toda a experiência humana consciente. Vemos através dele, recordamos através dele, amamos através dele e também acreditamos através dele. Descobrir os mecanismos cerebrais de uma experiência não basta, portanto, para decidir sobre a realidade ou irrealidade do seu objecto. É, precisamente neste, ponto que a ciência e a fé devem reconhecer os respectivos limites. A ciência procura compreender, através da observação e da experiência, os mecanismos do mundo natural e do próprio ser humano. A fé interroga-se sobre dimensões da existência que, para o crente, ultrapassam aquilo que pode ser demonstrado empiricamente. A fé situa-se no espaço profundamente humano entre aquilo que podemos demonstrar, que podemos compreender, e aquilo em que escolhemos confiar.

Queridos amigos, estou a preparar um texto que vou intitular «Uma reflexão sobre a Fé» Só estou à espera do OK da pessoa mais entendida neste tema, a quem o submeti. Entretanto eis o que reuni sobre

«A fé no sacrifício de Isaque»

Esse episódio está no Génesis (capítulo 22, versículos 1 a 18) e é conhecido como o Sacrifício de Isaque (ou “Amarração de Isaque”, na tradição judaica).

O que é uma passagem bíblica, nota onde Deus testa a fé de Abraão e pede que ele ofereça o filho amado, em holocausto.

Abraão viaja com Isaque, até um altar, no monte Moriá.

Este seu filho segue-o, carregando a lenha.

No altar, quando Abraão pega na faca para sacrificar o filho, um anjo do Senhor impede-o de o fazer.

Deus vê a obediência de Abraão e faz aparecer um carneiro preso nos arbustos, que é sacrificado, em vez de Isaque. O teste foi extremo porque Isaque era o filho da promessa, através da qual Deus havia garantido que Abraão seria pai de uma grande descendência e de uma grande nação.

 

Para os leitores que gostam de saber: 

Os sacrifícios de animais estavam ligados ao Templo de Jerusalém e deixaram de ser realizados após a destruição do Segundo Templo, em 70 d.C. Esta narrativa bíblica pretende demonstrar a confiança total, ou seja, a fé de Abraão na palavra de Deus e é central no judaísmo (onde é designado por Akedá), no cristianismo e no islamismo. 

 

O local do altar, no Monte Moriá, onde, segundo o ritual bíblico do holocausto (olah), o sacrifício teria lugar, é tradicionalmente associado ao local onde, mais tarde, foi construído o Templo de Salomão. No sacrifício, o animal, habitualmente um cordeiro, era morto e depois queimado.

O simbolismo desta narrativa no Cristianismo, em que Isaque é visto como uma "sombra" de Jesus, sendo o filho amado que caminha para o sacrifício, carregando a própria lenha (assim como Jesus carregou a cruz). Nela, o cordeiro, que substitui Isaque no sacrifício, simboliza Jesus e é representado no Cristianismo, como «o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo». 

 

A Epístola aos Hebreus afirma que Abraão obedeceu porque tinha fé em Deus e acreditava que Ele tinha poder para ressuscitar Isaque dos mortos.

 

Esta narrativa da Génesis ajuda a perceber um pormenor importante. Abraão leva consigo três elementos necessários ao sacrifício - a lenha, o fogo e a faca. Mas falta precisamente o elemento principal - a vítima. É por isso que Isaac pergunta: 

- Aqui estão o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?

A presença da lenha torna a ausência do animal ainda mais evidente e prepara a resposta decisiva de Abraão: 

- Deus providenciará o cordeiro»

Na leitura cristã, o facto de Isaac carregar essa mesma lenha, ganha um segundo significado: torna-se uma imagem de Cristo carregando a madeira da cruz.

Na imagem: O Sacrifício de Isaac (1603), de Caravaggio.

 

NotAbraão é uma das figuras mais importantes da Bíblia, sendo considerado o pai do povo de Israel e um exemplo de fé e confiança em Deus. A sua história encontra-se principalmente no livro do Génesis, no Antigo Testamento.

A Epístola aos Hebreus ensina que Jesus Cristo é superior a tudo e é o nosso Sumo Sacerdote perfeito. Pelo seu sacrifício, temos acesso a Deus. O livro incentiva os cristãos a terem fé, perseverar e não abandonar Cristo, mesmo nas dificuldades.

 

 

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25.3.26

VULCANOLOGIA PARA JOVENS EXPLORADORES


Uma pérola no domínio da vulcanologia, ao serviço dos professores e alunos,

Escrita e ilustrada por quem sabe.

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8.12.25

O ESTADO NOVO DE SALAZAR, NA MEMÓRIA DE QUEM O VIVEU

Por A. M. Galopim de Carvalho


Só os portugueses e as portuguesas com mais ou menos 15 anos no dia 25 de Abril de 1974, hoje a rondarem os 65, podem ter memória crítica de algumas particularidades dos últimos estertores do Estado Novo, que viram cair. Rapazes e raparigas com menos idade, ou seja, as crianças desse tempo, talvez se lembrem de um pormenor ou outro. Só a chamada terceira idade, viveu ou sofreu um regime que nos privou de todas as formas de liberdade, torturou muitos de nós, durante quase meio século. Só os mais velhos, com 70, 80 ou mais anos, como é o meu caso, que, no 5 de Abril, somava 43 anos de vida, quase tantos, quantos os da ditadura, viveram e conheceram, em pormenor, a censura e a repressão. Só a “peste grisalha”, na deselegante expressão do deputado Carlos Peixoto do PSD, a quem o Estado garantiu uma pensão, mas, arrumou na prateleira dos esquecidos (leia-se reformados ou pensionistas), conheceu toda essa indignidade, esse sufoco.

Assim sendo, torna-se evidente que a grande maioria dos nossos adultos no activo pouco ou nada sabem de um regime que nos privou de todas as formas de liberdade, torturou muitos de nós, durante quase meio século e que caiu de podre no dia em que os cravos floresceram nas espingardas dos soldados.

É evidente que há excepções. Basta pensar no grande número de livros, dissertações, escritos diversos e outros trabalhos, da autoria de historiadores e outros estudiosos. Mas, também é evidente que o número destes portugueses, representa “uma gota de água” num universo de milhões, a quem a escola, do pós-25 de Abril, deu diplomas, mas não deu cultura.

Nos anos de 1930 e 1940, os das duas primeiras décadas de consolidação do Estado Novo, Portugal viveu em situação de ditadura, distinguindo apoiantes do novo regime e oposicionistas, de entre os quais se evidenciaram, por serem publicamente conhecidos, os que “se metiam na política”, localmente referidos como sendo “os do reviralho”. Eram os da chamada oposição democrática, consentida por Salazar, com destaque para os do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Criado em 1945, foi extinto três anos depois, em virtude do grande apoio popular que registou, agrupando muitos opositores até então isolados, entre os quais muitos intelectuais e profissionais liberais. 

Outros opositores, que quase ninguém conhecia, militando na clandestinidade pelo Partido Comunista, eram activamente perseguidos, primeiro pela PVDE (Política de Vigilância e Defesa do Estado), entre 1933 e 1945, e, depois, pela sua substituta PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado). A estes opositores, os “pides” deitavam-lhes a mão, levavam-nos para Lisboa, onde os interrogavam, brutalizavam, guardando-os depois, pelo tempo que entendessem, e, em alguns casos, assassinavam. Para os localizarem e denunciarem havia os informadores, também referidos por “bufos”, uns conhecidos, outros, não, pelo que se dizia que as mesas dos Cafés, os bancos do jardim, as paredes de todo o lado e até as pedras da caçada tinham olhos e ouvidos.

Para além das restrições à liberdade e da censura, fez-se sentir, também aqui, o decreto 27 003, de 14 de Setembro de 1936, que determinava: «Para admissão a concurso nomeação efectiva ou interina, assalariamento, recondução, promoção ou acesso, comissão de serviço, concessão de diuturnidades e transferência voluntária, em relação aos lugares do estado e serviços autónomos, bem como dos corpos e corporações administrativos, é exigido o seguinte documento com assinatura reconhecida: «Declaro por minha honra que estou integrado na ordem social estabelecida pela Constituição Política de 1933, com activo repúdio do comunismo e de todas as ideias subversivas». E, mais adiante: «Os directores e chefes dos serviços serão demitidos, reformados ou aposentados compulsivamente sempre que algum dos respectivos funcionários ou empregados professe doutrinas subversivas, e se verifique que não usaram da sua autoridade ou não informaram superiormente».

Embora na letra da Constituição de 1933, figurasse o princípio da igualdade entre cidadãos perante a lei, o Estado Novo considerava a mulher como mãe, dona-de-casa e, em quase tudo, submissa ao marido. A lei portuguesa de então, designava o marido como chefe de família, sendo reservado à mulher o governo da casa, o que se traduzia pela imposição dos trabalhos domésticos como obrigação, não tendo os mesmos direitos na educação dos filhos. Não tinha direito de voto, não podia ascender a determinadas chefias nem exercer cargos na magistratura, na diplomacia e na política. Sendo casadas, as nossas mulheres perdiam o direito a intervir nas suas propriedades, não podiam viajar para fora do país sem autorização dos maridos e não podiam trabalhar sem autorização destes. O marido podia dirigir-se ao empregador declarar não autorizar a mulher a trabalhar, o que implicava o seu imediato despedimento.

Em muitos hospitais as enfermeiras podiam ser impedidas de casar. Se casassem, podiam ser obrigadas a abandonar a profissão. As professoras tinham de pedir autorização para casar, o que só era permitido se o noivo satisfizesse determinadas condições, autorização publicada e em Diário da República O divórcio era proibido, devido ao acordo estabelecido com a Concordata de 1940, numa submissão do Estado à Igreja Católica. Assim, todas as crianças nascidas de uma nova relação, posterior casamento, eram consideradas ilegítimas, não podendo ter o nome do pai, ou seja, o do companheiro.

Na orientação ideológica antiliberal e de cariz católica do ditador, a existência da mulher confundia-se com a da família, estando-lhe reservado o espaço doméstico. A Obra das Mães pela Educação Nacional, organização feminina do Estado Novo, criada em 1936, tinha por objetivo “estimular a acção educativa da família e assegurar a cooperação entre esta e a escola nos termos da Constituição” de 1933. 

Nascida em 1912, como suplemento feminino do jornal “O Século” a revista semanal “Mulher – Modas & Bordados” dirigida nos primeiros tempos a uma pretensa elite feminina, fornecia-lhe conselhos nos domínios da moda, da culinária, das boas-maneiras e da beleza. Mostrou, porém, alguma preocupação de valorização da mulher, testemunhada pela publicação regular de sonetos da grande poetisa alentejana, Florbela Espanca (1894-1930), uma das primeiras mulheres a frequentar o Liceu Masculino André de Gouveia, onde permaneceu até 1912. Foi, porém, com Maria Lamas (1893-1983), opositora ao regime e feminista, na direcção desta revista que a luta contra a secundarização da mulher se fez sentir, não só em Évora, onde tinha ligações familiares, como no país. 

Depois de duas décadas de confronto com o liberalismo e o republicanismo, a chamada pax salazarista proporcionou à Igreja (grandemente afectada durante a Primeira República) um terreno propício à sua reimplantação e reestruturação interna. Nestes propósitos, assumiu papel fundamental o então Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977), dirigindo a Igreja Católica Portuguesa durante o Estado Novo. Elevado ao cardinalato, em 1929, pelo Papa Pio XI, foi amigo íntimo e companheiro de Salazar (militante católico nos tempos da Primeira República), no Centro Académico da Democracia Cristã, em Coimbra. 

Com a subida de Salazar ao poder, o cardeal Cerejeira pôde garantir, à Igreja, potecção, respeito e liberdade de acção. Estava na sua mente recuperar e salvaguardar os privilégios do catolicismo, como Igreja do Estado, afastados pela Primeira República, tendo tido papel fundamental na assinatura da Concordata com a Santa Sé, em 1940, na criação da Acção Católica Portuguesa, visando a “recristianização” da sociedade, na obrigatoriedade do ensino religioso, na abertura de novos seminários e casas religiosas, bem como no desenvolvimento da imprensa católica.

Em 1936, com Carneiro Pacheco no Ministério da Educação Nacional (anteriormente chamava-se da Instrução Pública), reforçara-se o papel da escola no controlo ideológico e orientação política dos alunos, na prevalência do livro único, no culto das virtudes nacionalistas e no elogio da vida modesta e rural. O fervor patriótico e o cunho religioso enquadrados na ideologia oficial do Estado Novo estavam diluídos nas matérias curriculares, nomeadamente, na Leitura, na História e na Geografia, no propósito de, a partir dos bancos da escola, então com início aos sete anos de idade, estimular estas virtudes nos homens e mulheres do futuro.

Nestes anos, o ensino obrigatório ainda terminava com o exame da 3ª classe (3º ano, como agora se diz), certificado pelo diploma do “Primeiro Grau”, exigível, por exemplo, para ingresso nos lugares mais humildes da função pública, no comércio, como caixeiro, nos correios, como carteiro ou boletineiro e, até, para ser eleitor. Ler, escrever e contar era tudo o que, o cidadão comum necessitava para fugir à vida do campo, ao aprendizado artesanal ou oficinal e a outros trabalhos que apenas fizessem uso da força braçal. Esta habilitação mínima vigorou até 1956. A partir de então, a escolaridade aumentou para 4 anos, apenas para os rapazes. Só quatro anos depois, esta obrigatoriedade foi decretada para as raparigas.

Na Escola Primária, a pedagogia estava na ponta da régua, versão escolar da tradicional palmatória ou menina de cinco olhos. Com algumas professoras, as reguadas estalavam nas mãos das crianças “por dá cá aquela palha”, quer por motivos de disciplina, quer por erros nos ditados, nas contas e em quaisquer outras matérias. 

À margem da Escola Primária havia as chamadas “Escolas Incompletas”, criadas em 1930, mais tarde designadas “postos escolares”, com o propósito de combater o analfabetismo no seio de populações sem escola nem condições mínimas de fixar professores. Aqui o ensino era ministrado por “regentes escolares”. Na imensamente maioria mulheres, ganhavam metade do ordenado de um professor, bastava que possuíssem a 4ª, que demonstrarem ter bom comportamento moral e adesão ao regime e eram, de preferência, oriundas dos próprios locais.

A análise histórica da documentação permite verificar que, nesses anos, os professores, diplomados pelas Escolas Normais, foram sendo substituídos pelos regentes escolares, em especial nas aldeias e na periferia das cidades. A escolaridade obrigatória, como se disse, baixara para a 3.ª classe e as crianças estavam preparadas para trabalhar e ouvir o sermão do senhor padre aos Domingos.

Salazar procurou promover uma sociedade ruralista, dando relevo à família patriarcal e católica. No discurso de Salazar, proferido em 12 de maio de 1935, na sede da Liga 28 de Maio, em Lisboa, Salazar disse: «Oiço muitas vezes dizer aos homens da minha aldeia, «Gostava que os pequenos soubessem ler para os tirar da enxada». E eu gostaria bem mais que eles dissessem: «Gostaria que os pequenos soubessem ler, para poderem tirar melhor rendimento da enxada»

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6.10.25

CINEMA EM ÉVORA, NOS ANOS 30 e 40

Por A. M. Galopim de Carvalho

Lembremos, porque nunca é demais saber, que a palavra “cinema” radica no grego, “kinema”, que quer dizer movimento e que o termo “cinema”, que hoje anda na boca de toda a gente, é o encurtamento de “cinematógrafo”, a palavra usada ao tempo dos irmãos Auguste e Louis Lumière, franceses de origem, que, por volta de 1890, inventaram esta forma de registar o movimento através da fotografia.

Dizia o meu pai que “cinema é como se, numa fotografia, as pessoas se movimentassem”.

Na segunda metade dos anos 30, chegou a Évora uma furgoneta de cor vermelha mostrando, em grande tamanho e a branco aquele seu conhecido logotipo en que as palavras BAYER, uma escrita na horizontal e outra, na vertical, se cruzam a meio, na letra Y.

Percorrendo as ruas, anunciava que, à noite, na então praça 28 de Maio, hoje Praça 1º de Maio, frente ao portão do Jardim Público, haveria cinema, especialmente dedicado às crianças.

Sentados no chão, felizes, irrequietos e excitados pela perspectiva de vermos cinema, esperámos com impaciência o desenrolar do pano branco a fazer de “écran”, encostado à parte lateral da furgoneta, à nossa frente, e ao aprontar do projector manual, atrás de nós. Sem som e iluminadas pela “força” da bateria, as imagens de curtíssimas metragens de Charlot foram novidade, mesmo para muitos dos crescidos que nos acompanhavam. 

No Verão desses anos havia cinema na esplanada do então Hotel Alentejano, o antigo Palácio da Inquisição. Foi aí que, na companhia do meu pai, vi filmagens dos jogos olímpicos de 1936, em Berlim.

Não sei se mais cedo, mas, no Verão dos anos 40, havia cinema ao ar livre, na Praça de Touros e na esplanada do antigo quartel dos Bombeiros Voluntários, localizados onde hoje de situa o Tribunal. Na Praça de Touros, as pessoas finas tinham lugar na arena, com mesas, cadeiras e criados para lhes servirem cervejas, laranjadas ou pirolitos, refrescados em celhas com pedras de gelo e acompanhados de tremoços e “ervilhanas” (amendoíns). A malta assistia das bancadas, sendo que, à noite, o Sol ou Sombra das tardes da Festa Brava não contava para diferenciar o preço das entradas. O que contava era escolher ficar de frente ou de viés para o “écran”. Na esplanada dos Bombeiros, os que podiam instalavam-se nas “cadeiras” (daquelas de abrir e fechar, feitas de ferro e ripas de madeira.). 

Um aspecto igualmente importante na história da evolução sociológica da cidade é recordar que, nesses anos, o cinema, à semelhança dos cafés, era um lugar de homens, onde as mulheres só podiam entrar ao lado dos maridos, ou as filhas, na companhia dos pais.

Nesse tempo, em que os rapazes (nunca as raparigas) pré-adolescentes podiam brincar na rua e andar livremente por toda a cidade, e uma vez que os lugares no cinema não eram marcados e não havia classificação dos filmes por idades dos espectadores, qualquer criança podia entrar desde que fosse pela mão de um adulto. 

Foi assim que, pelos meus 11 e 12, me regalei a ver tudo o que era filmes, desde os “dramalhões” da época, como “Tortura da Carne”, com o Akim Tamiroff, aos de rir, com Abbott e Costello e Bucha e Estica, sem esquecer os do Tarzan, com Johnny Weissmuller, e os da Lassie. 

Muitas das minhas brincadeiras de rua tiveram inspiração nos “cobóis” do cinema desses anos. Tom Mix, Buck Jones e Ken Maynard corriam pelas ruas gritando “camones” e dando tiros com a boca. Foram anos de grande desenvolvimento na arte e na indústria do cinema, inclusivé em Portugal, mas não é meu propósito (porque me faltam conhecimentos para tal) falar do cinema que se fazia cá dentro e lá fora.

Que eu me lembre havia cinema aos Domingos e às Quintas-feiras. Lembro-me ainda que, nesses anos, em plena Guerra, a hora de Verão fora aumentada de mais uma hora do que o habitual, o que fazia com que as sessões ao ar livre tivessem de esperar pelo escurecer, o que só acontecia por volta das dez da noite. 

No Inverno e no tempo frio ou chuvoso tínhamos cinema no Teatro Garcia de Resende e no Salão Central Eborense, com matinés aos Domingos. Aí já os lugares eram marcados, pelo que a minha frequência às sessões da 7ª arte diminuíram consideravelmente.

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26.9.25

CONVITE

 

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9.9.25

SOBRE O GRANITO E A SUA ORIGEM, NUMA CONVERSA TERRA-A-TERRA.


Por A. M. Galopim de Carvalho

Já dissemos que não há um, mas sim, vários tipos de rochas a que o vulgo dá o nome de granito. 

Deixando este tema para outras conversas, comecemos agora por dizer que o termo granito, em sentido restrito, designa uma rocha plutónica (gerada em profundidade, na crosta), granular, rica em sílica (mais de 70%), com quartzo essencial, expresso e abundante (20 a 40%), e feldspato alcalino (ortoclase, microclina, albite). Como mineral ferromagnesiano contém, geralmente, biotite, sendo raros os granitos com anfíbolas ou piroxenas. Entre os seus minerais acessórios, destacam-se moscovite, apatite, zircão e magnetite. Esta rocha corresponde ao que, numa linguagem mais rigorosa, se designa por “granito alcalino”. O termo granito, atribuído ao italiano Andrea Caesalpino, surgiu em 1596, e radica no latim granum, que significa grão.

Imagine o leitor uma paisagem como a do norte de Portugal, essencialmente formada por granitos, xistos argilosos e grauvaques, na margem ocidental da placa litosférica euroasiática, à beira de um oceano (o Atlântico) que a separa de uma outra placa (a Americana).

Como é sabido, os agentes atmosféricos (a humidade, a água da chuva, o oxigénio e o dióxido de carbono do ar e as variações de temperatura) alteram (“apodrecem”) as rochas e é essa alteração, ou meteorização, que gera a capa superficial (rególito) que dá origem ao solo.

 

— E quais são os materiais desta capa de alteração e do respectivo solo? – Pergunta-se.

 

Restringindo a resposta ao local em questão, aos principais minerais destas rochas, e à situação climática que aqui exerce a sua influência, diremos que, no granito, o feldspato altera-se, transformando-se parcial e, de início, superficialmente, em argila. Alterando-se o feldspato, os restantes grãos minerais descolam-se uns dos outros e a rocha perde coesão (esboroa-se entre os dedos). Os grãos de biotite (uma mica contendo ferro) também se alteram e dessa alteração resulta o seu aspecto “enferrujado”, o que confere à rocha exposta as cores de castanho-amarelado, que contrasta com a cor da rocha sã, acabada de cortar. O quartzo não sofre qualquer alteração, o mesmo sucedendo à mica branca (moscovite) que apenas se divide em palhetas cada vez mais pequenas e delgadas. No xisto argiloso, que além de argila tem quartzo em grãos finíssimos, microscópicos (ao nível de poeiras), tem lugar a perda de coesão destes materiais. No grauvaque acontece outro tanto, com a libertação dos seus componentes arenosos (os mesmos do granito, mas muito mais finos). 

 

Podemos agora dizer que os rególitos e os solos desta região de Portugal têm uma fracção arenosa com quartzo abundante, algum feldspato, micas e um fracção argilosa ou barrenta que faz o pó dos caminhos, em tempo seco, e a lama, em tempo de chuva. Podemos igualmente dizer que, quando chove com certa intensidade, as águas de escorrência arrastam estes materiais, com suficiente visibilidade na componente argilosa em suspensão. Isso vê-se frequentemente nas enxurradas, nas águas barrentas dos rios e, até, no mar, frente às fozes desses rios.

As pedras (cascalho) vão ficando, em parte, pelo caminho, outras atingem o litoral e não passam daí. As areias enchem as praias, as dunas e o fundo rochoso da plataforma continental. As areias mais finas e as argilas, incapazes de se depositarem em mar de pequena profundidade, constantemente agitado pela ondulação, progridem no sentido do largo, indo depositar-se na vertente continental (onde ficam em situação instável). As muitíssimo mais finas, essencialmente argilosas, vão imobilizar-se mais longe, no fundo oceânico. Sempre que, por exemplo, um sismo abala a região, os sedimentos em situação de depósito instável na vertente desprendem-se, indo decantar sobre os já acamados no dito fundo.

Imaginemos que este processo (alteração das rochas, erosão, transporte e acumulação no mar) se repete ao longo de milhões de anos e que dele resultam alguns milhares de metros de espessura deste tipo de sedimentos. Imaginemos, ainda, que o mesmo se passa do lado de lá do Atlântico.

A tectónica global ensina-nos que este oceano, como todos os outros, ao longo da história da Terra, irá fechar-se. Isso terá como resultado o encurtamento do espaço coberto pelos ditos sedimentos que, à semelhança de um papel que amarrotamos entre as mãos, sofrerão enrugamentos, com “dobras” que vêm para cima, formado novas montanhas, e outras que vão para baixo, formando as “raízes” dessas montanhas.

 

É sabido que a Terra conserva grandes quantidades de calor no seu interior e que a temperatura aumenta com a profundidade, o mesmo sucedendo com pressão (dita litostática). Assim, dos sedimentos envolvidos nas citadas “raízes”, os mais superficiais ficarão sujeitos a pressões e temperaturas relativamente baixas, sofrendo ligeiríssima transformação (anquimetamorfismo), dando origem a rochas na fronteira entre as sedimentares e as metamórficas, como são o xisto argiloso, o grauvaque e, um pouco mais abaixo, a ardósia. Continuando em profundidade, com o aumento da pressão e da temperatura, mas sempre com transformações no estado sólido, formar-se-ão outras rochas francamente metamórficas, de graus progressivamente mais elevados, expressas na sequência: filádios ou xistos luzentes (uma vez que a componente argilosa se transformou em minerais que têm brilhos característicos, ”luzentes”, como a sericite, a clorite ou o talco), xistos porfiroblásticos, micaxistos e, ainda mais abaixo, gnaisses (estes representando o grau mais elevado).

 

A profundidades na ordem dos 30 quilómetros, a temperatura pode atingir os 800º C, e a pressão ultrapassar as 4000 atmosferas. Neste ambiente e na presença de água (toda a contida na composição das argilas) terá lugar a fusão dos minerais menos refractários (quartzo e feldspatos). Entra-se aqui no domínio do chamado ultrametamorfismo e o processo toma o nome de anatexia (do grego aná, novo, e teptikós, fundido), ou palingénese (do grego pálin, de novo, e génesis, geração), dando origem a migmatitos. 

Logo que a fusão seja total, entra-se no domínio do magmatismo, com a formação de um magma que, dados os materiais envolvidos, só pode ser de composição granítica, magma que, uma vez arrefecido e solidificado, gerará um novo granito. 

 

A história acabada de descrever nesta espécie de antevisão é a que julgamos saber contar relativamente à que, há pouco mais de 300 milhões de anos, deu origem à orogenia hercínica ou varisca e ao granito, ao xisto e ao grauvaque que nela se geraram e que marcam a paisagem do norte de Portugal. Do mesmo modo, esta história conta a de todas as paisagens afins do planeta, desde as mais antigas, com mais de 4000 milhões de anos, às mais recentes, com escassos milhões.

Relativamente ao granito, a mais importante rocha magmática que forma a “ossatura” dos continentes, sabemos que o primeiro resultou de um processo de diferenciação, lenta e complexa, de uma crosta primitiva, de natureza próxima da do basalto. Sabemos também que qualquer geração de granito tem, atrás de si, outro granito e que, muitos milhões e anos depois (400 a 500, em média), renascerá numa nova geração de granito.

 

Esta história é, afinal, a expressão (reconhecível ao nível das paisagens da Terra) do conhecido Ciclo de Wilson (do geólogo canadiano John Tuzo Wilson (1909-1993), relativo às sucessivas aberturas e fechos dos oceanos da Terra.

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Notas: 

Grauvaque – rocha sedimentar arenítica e coesa, gerada nos grandes fundos marinhos, a par dos xistos argilosos. Contém, sobretudo, quartzo (20 a 50%), feldspatos e micas. O termo foi introduzido na nomenclatura litológica, em 1789, por Lasius, e radica no alemão grauwacke, que significa pedra cinzenta.

Migmatito – rocha ultrametamórfica, gerada por anatexia, de que resulta uma composição granitóide, na qual uma parte foi fundida e outra, mais refractária, permaneceu no estado sólido. Situa-se na passagem das rochas metamórficas da catazona (como é o gnaisse) ao granito franco.

 

Na imagem: paisagem granítica na Serra da Gardunha.

 

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20.8.25

O FERRO (in "Nós e as Pedras", em preparação)


Por A. M. Galopim de Carvalho

O ferro (Fe), do latim "ferrum", com o mesmo significado, é um elemento químico metálico bem representado na Terra, abundante no núcleo, menos abundante no manto, menos ainda, mas suficientemente significativo (5%), na crosta. Tido por um dos pilares das sociedades envolvidas na Revolução Industrial, iniciada em Inglaterra, no século XVIII é um dos metais mais utilizados na sociedade humana, desde a Pré-história, tendo dado nome (Idade do Ferro) aos últimos tempos deste longo período da história do Homem, com início há cerca de 1200 a. C. 

De cor cinzenta-prateada, em superfície acabada de cortar, oxida facilmente, na presença do oxigénio do ar e, sobretudo, em ambiente húmido, formando ferrugem. É maleável e dúctil e tem boa condutividade térmica e elétrica.

É o principal componente do aço (liga de ferro com carbono) e o seu uso está em toda a parte, do mais simples e minúsculo prego, à mais importante viga em uso na construção civil. Está nos mais variados tipos e tamanho de motores, carrocerias e múltiplos equipamentos industriais e domésticos, entre agulhas de costurar, tesouras, grelhas do fogão e outras. Está nos carris dos muitos milhares de ferrovias que atravessam países de todo mundo, em máquinas e ferramentas de todas as indústrias e, até, em nós, como componente fundamental da hemoglobina, a proteína do sangue que transporta oxigénio, dando vida a todos os recantos do corpo. Fundamental à nossa existência, encontramo-lo, sobretudo, nas carnes vermelhas, fígado, leguminosas (feijão, lentilha), vegetais verde-escuros, com destaque para os espinafres.

O ferro, na Natureza, está presente em três óxidos (hematite, magnetite e goethite), num carbonato (siderite), dois sulfuretos (pirite e calcopirite) e diversos silicatos, entre biotite, anfíbolas, piroxenas e olivinas, apelidados, em conjunto, por ferromagnesianos.

Hematite (Fe₂O₃), um dos mais importantes dos seus minérios. A palavra vem do grego "haimatités", que significa "pedra de sangue", com raiz no termo "haima", que significa sangue. Utilizada como pigmento natural, conhecida como ocre vermelho. A variedade com brilho metálico tem o nome de especularite, do latim "speculum", que signific espelho.

Magnetite (Fe₃O₄), igualmente importante, foi um dos primeiros minerais observados com propriedades magnéticas naturais. Os gregos notaram esse comportamento nas "magnetis lithos" ou pedras da Magnésia, uma área da Grécia antiga (na Tessália), conhecida pela existência de pedras com propriedade de atraírem objectos de ferro.

Goethite (FeO(OH)) é um hidróxido e um dos minerais de ferro mais comuns à superfície Terra, geralmente formado por meteorização de outros minerais ricos em ferro. Ocorre geralmente em solos e crostas ferruginosas, sendo de destacar o chamado (ferro dos pântanos) de origem sedimentar, bem exemplificado em "la minette" (diminutivo de "mine", em francês) o minério de ferro da Lorena, no noroeste da França, de baixo teor. Utilizada como pigmento natural, conhecida como “ocre castanho” e tem interesse científico em áreas como paleoclimatologia e ciência do solo, por fornecer pistas sobre o ambiente de formação. O nome goethite é uma homenagem ao escritor e pensador alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1833), um importante autodidacta em mineralogia.

Limonite não é um mineral, é um termo genérico usado para designar uma mistura de hidróxidos de ferro, como goetite e lepidocrocite e, por vezes, argila, de cor amarelada a acastanhada. O nome radica no grego "leimon", que significa pântano. Isto porque a limonite é própria deste tipo ambientes húmidos, onde se forma como produto de alteração de minerais ricos em ferro.

Siderite (FeCO₃), o carbonato de ferro natural, é uma importante fonte de ferro, embora não tão tanto quanto a hematite ou a magnetite. Ocorre em filões hidrotermais de baixa temperatura e em depósito sedimentares, sendo comum nas formações ferríferas bandadas (Banded Iron Formations, BIFs). O nome vem do grego "sideros", que significa ferro.

Minerais ferromagnesianos são silicatos que contêm quantidades significativas de ferro (Fe) e magnésio (Mg). São, em geral, escuros, densos e têm elevada importância geológica, pois fazem parte da composição de muitas rochas ígneas e metamórficas, sendo essenciais para a compreensão da evolução magmática e da classificação das respectivas rochas. 

Entre os principais silicatos ferromagnesianos destacam-se: olivina, comum em rochas máficas e ultramáficas; piroxenas (como a augite), importantes em rochas basálticas e gabros; anfíbolas (como a hornblenda), presentes em rochas como o anfibolito e o diorito; Biotite, mica preta, comum em granitos e gnaisses

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