10.10.26

“ANTES DOS CRAVOS” - Lançamento


Por A. M. Galopim de Carvalho

“ANTES DOS CRAVOS” surge num momento em que o panorama político de Portugal deixa muito a desejar, por culpa dos políticos (a quem o poder lhes foi entregue, "de mão beijada", pelos honrados "Capitães") que não souberam entender-se para que se cumprissem as "promessas de Abril". Tudo isto trouxe-me ao presente as minhas memórias como cidadão consciente do mundo à minha volta, digamos a partir dos 15 anos (em 1947). Até 1974, foram 28 anos de privação da liberdade, de vigilância e repressão políticas, receios de tudo e mais alguma coisa. Foi com este conjunto de lembranças de situações vividas e presenciadas a que acrescentei um manancial de elementos retirados criteriosamente da internet, que me sentei frente ao monitor.

Todos os meus leitores e amigos sabem que não sou historiador e que, portanto, me limito a abordar, com o rigor possível, as generalidades. Por outro lado, todos sabemos que conhecer as generalidades é melhor do que passar pelo mundo “de olhos fechados”. Foi isso que me motivou a escrever este livro. Todos os meus leitores e amigos sabem que gosto de ler, aprender e, sobretudo, comunicar o que vou aprendendo. Fui professor durante muitos anos, continuo a sê-lo, à distância, através da internet, e ficou-me o gosto compulsivo de aprender e ensinar. Dizem-me que comunico bem e com simplicidade, que torno fácil o que, à primeira vista, parece difícil, e eu sei que o faço com o mesmo cuidado e atenção com que, como académico, também fiz investigação científica numa área específica da Geologia. 

“ANTES DOS CRAVOS” expressão escolhida para título deste livro, é uma homenagem, a todos, os militares, dos solados aos oficiais superiores, incluídos na feliz e justa expressão “Capitães de Abril”. Este título assenta numa breve história que envolve uma cidadã de Lisboa, Celeste Martins Caeiro (1933-2024), de seu nome, empregada num restaurante da Rua Braamcamp. Este estabelecimento, inaugurado a 25 de Abril de 1973, festejava, nesse dia, um ano de abertura, pelo que a gerência planeara oferecer cravos às habituais e, na Rua do Carmo, com uma imensa coluna de militares armados, envolvidos numa multidão de povo, em êxtase de alegria, que, lenta e festivamente, iam abrindo caminho no sentido do Largo do Carmo. Impressionada e curiosa, perguntou a um dos soldados, o que se es muitas clientes. Em virtude do golpe de militar, o restaurante não abriu e o gerente disse às empregadas que levassem consigo os cravos, já que não poderiam ser distribuídos pelas ditas clientes. Ao regressar a casa, com um braçado de flores, Celeste deparou- stava ali a passar, ao que o militar terá respondido, sorridente, 

— Isto é uma revolução!

Celeste pôs-lhe um cravo no cano da espingarda, operação que repetiu até esgotar todos os que tinha consigo.

Já está disponível no site da Âncora Editora,

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