11.8.09

Mr. Biggs

Por Joaquim Letria

RONALD BIGGS, o assaltante ao comboio-correio que durante 36 anos fugiu à polícia até se entregar, foi internado num hospital onde, aos 80 anos de idade, vai gozar a liberdade que lhe resta a sonhar com uma cerveja num “pub” de Margate.

Para a minha geração, este homem e o seu grupo foram uma lenda, capazes de, ao segundo, sem magoarem ninguém, numa verdadeira operação militar de comandos, assaltarem um comboio-correio que transportava o equivalente a 53 milhões de euros na moeda de hoje.

Biggs seria o Rocambolle de toda esta história, graças às suas fugas aventurosas pela Europa, Austrália e Brasil, mas o cérebro do assalto, atribuído a um francês da Resistência que reuniu a equipa, concebeu e coordenou toda a operação e cuja identidade ainda hoje se desconhece, perdura na admiração geral.
Biggs notabilizou-se por fugas organizadas e espectaculares que o mundo aplaudiu e por, a partir de 1970, aparecer no Rio de Janeiro onde faria filhos até o dinheiro se lhe acabar e ter de recorrer a exclusivos que os tablóides britânicos pagavam a peso de oiro, antes de em 2001, velho e arruinado, se entregar “para morrer em casa”.

Divertido, irónico, bem parecido, Biggs chegou a ser contratado pelo Estado do Rio de Janeiro para, num programa de rádio, ensinar os turistas ingleses a não serem vítimas dos ladrões.

Polícias respeitosos e ladrões sérios como estes, já não há . Que pena.

«24 Horas» de 11 de Agosto de 2009

Etiquetas:

5 Comments:

Blogger Karocha said...

Mas, não foi o roubo do século.
O roubo do século foi feito em filme em 2006 e chama-se "The Bank Job"

11 de agosto de 2009 às 22:44  
Blogger R. da Cunha said...

Concordo, hoje já não há ladrões sérios, daqueles que devolviam a carteira com os documentos. Eram de outra estipre. Quanto aos polícias, "vareia".

11 de agosto de 2009 às 23:17  
Anonymous Anónimo said...

Não sabia que existiam ladrões sérios.

11 de agosto de 2009 às 23:50  
Blogger R. da Cunha said...

Ó homem, em todas as "profissões" há gente com princípios e gente menos honesta, não é?

12 de agosto de 2009 às 01:05  
Blogger AF said...

Há diferenças entre estes ladrões e os gestores do Lehman Brothers, Merrill Lynch ou BPN (em que JL tanto gosta de malhar). Basta pensar no enquadramento legal; ou ter noção das proporções, sensibilidade estética ou sentido de humor.

Mas não se deixe um romantismo bacoco encobrir as semelhanças. Nenhum dos moços trabalhou arduamente para justificar aqueles ganhos, não foram robins do bosque modernos, não eram sequer idealistas transviados a procurar financiar uma causa; a sorte que tiveram não foi a da lotaria, foi a de não causar mortes.

E, at the end of the day, alguns poucos levaram para casa muito dinheiro que não mereceram, à custa de tantos outros e deixando ao Estado o pagar da conta.

12 de agosto de 2009 às 09:48  

Enviar um comentário

<< Home