6.3.05

Impostos, Imposturas e Impostores

Rábula 1: Todos nos lembramos que Durão Barroso prometeu, na campanha eleitoral, que baixaria os impostos. Uma vez eleito, fez exactamente o inverso - no que ficou para a nossa pequena-história como o paradigma das aldrabices dos políticos armados em chicos-espertos.

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Rábula 2: Depois de todos termos ouvido, na TV, Sócrates a prometer que não mexeria nos impostos, aparece agora o futuro ministro das Finanças a referir exactamente o contrário - ameaçando-nos com um remake de supremo mau-gosto da rábula anterior.

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Rábula 3: Poucos dias antes das eleições, Clara Pinto Correia afirmou, no «JN»:

«Escolher o próximo Primeiro-Ministro é como escolher entre a Pepsi-Cola e a Coca-Cola».

Ora, e acerca disso, passa-se uma coisa curiosa:

A maior parte dos entrevistados em inquéritos de preferência diz que gosta mais da segunda.

No entanto, se provarem ambas sem saberem qual estão a beber, preferem a primeira - o que prova que, DE FACTO, NÃO SÃO IGUAIS.

Também em relação ao desabafo de Clara Pinto Correia, esperemos que Sócrates nos prove que ela estava enganada - e que esta história dos impostos subirem não passa de uma esperteza-saloia... a ver se "COLA".

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Rábula 4: O certo é que Durão Barroso foi mais matreiro do que Sócrates, pois só procedeu ao aumento do IVA DEPOIS de se apanhar no governo.

Embora, possivelmente, pouco possa ser feito, o certo é que isto nos remete para uma velha história - supostamente passada com o nosso Rei D. Carlos:

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Estava Sua Majestade a visitar um manicómio, quando um internado se aproximou dele, muito respeitosamente, garantindo-lhe que estava óptimo de saúde - pelo que podia, e devia, sair dali.

O Rei interessou-se pelo caso, ouviu-o, e, entre muitas outras coisas, perguntou-lhe o que é que ele fazia antes de ser internado.

- Saiba Vossa Majestade que eu sou galo!

E, pondo-se de cócoras em cima de uma mesa, começou a cantar:

«Có-có-ró-co! Có-có-ró-co!».

O rei virou-lhe as costas e, rindo, só comentou:

- Cantaste a tempo!

Segundo me contaram, é daí que vem a popular expressão «Cantar-de-galo»...

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Este texto foi publicado também no «Diário Digital» de 8 de Março de 05 e transcrito n' A CAPITAL do dia anterior