30.4.06

NO SEU blogue «ABRUPTO», Pacheco Pereira tem publicado muitas dezenas de imagens interessantes sob o tema «O trabalho em...». A que se mostra em cima foi afixada ontem: o trabalho em Ruivães.

Ora, na referida fotografia sobressai, em fundo, um inestético poste de alta tensão; e é pena que isso não tenha sido referido, especialmente porque JPP muito tem falado - e bem - da degradação da nossa paisagem pelas torres das centrais eólicas.

De qualquer forma, e felizmente, os postes são estruturas fáceis de retirar quando, um dia, for economicamente possível substituir as linhas aéreas por cabos enterrados.

Aliás, um grande fabricante (a Pirelli) inclui na sua publicidade de cabos eléctricos um par de imagens como as que aqui se mostram, com a legenda:

«A poluição visual só terminará quando os seus responsáveis forem enterrados!»

5 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

NOTA: A poluição visual provocada pelas torres das eólicas ("moinhos") é reversível, pois trata-se de estruturas aparafusadas que, a qualquer momento, podem ser retiradas.

Nesse caso, restam apenas as sapatas de betão, pois até os acessos são quase sempre feitos em terra batida.

Resumindo: nada que se compare com as outras centrais (hídricas ou térmicas) - essas, sim, praticamente inamovíveis.

30 de abril de 2006 às 14:43  
Blogger Fernando Martins said...

Caro Medina Ribeiro:

Pois eu acho alg de quixotesco e bonito nos aerogeradores...

Quanto às Centrais Hídricas (vulgo barragens) convem esquecer que a maioria são feitas de enrocamento (pedras soltas e terra) e não duram para sempre...

30 de abril de 2006 às 21:03  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Fernando Martins,

Não falo de micro-hídricas (de alguns kW), mas sim de aproveitamentos como Alqueva, Castelo de Bode, Cabril, Miranda, Picote, Bemposta, Fratel, Belver, Crestuma-Lever, Régua, Aguieira, Torrão, Carrapatelo, Vilar-Tabuaço, Foz-Coa-a-morta, Pracana, Caldeirão, Alto-Rabagão, Paradela, Caniçada, Vilarinho-das-Furnas, Pocinho, Valeira... (*), que são de betão e do bom.

Mas não tenho nada contra isso! Trabalhei 29 anos com elas e gostei muito. As albufeiras podem até ser zonas muito agradáveis.
Só as referi por oposição à preocupação de JPP em relação aos aero-geradores.

Acresce ainda que a potência unitária destes geradores já vai nos 10 MW (tanto como o conjunto dos 20 do parque eólico de Vila do Bispo, p.ex.)

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(*) Mesmo as inúmeras mini-hídricas (Sta. Luzia, Sra. do Desterro, Sabugueiro, Balsemão, Terragido, Vale Soeiro, Montargil, Fráguas, etc. - para já não falar na Central de Ondas da Ilha do Pico - têm também betão com fartura (nas abóbadas, nas ensecadeiras, nas tomadas-de-água, nos canais, nos edifícios de comando, nas subestações...)

30 de abril de 2006 às 23:34  
Blogger Denudado said...

Prezado Carlos Medina Ribeiro, sendo o amigo um homem que exerceu a sua actividade profissional em áreas ligadas ao "ramo" da energia eléctrica, acredita sinceramente que será economicamente possível, algum dia, enterrar os cabos de alta e média tensão que cruzam este país?

Quanto às barragens de betão, estou completamente de acordo com o amigo. A mim, o que me espanta é a pouca quantidade de betão que é usada nas mesmas. Como é possível que paredes tão finas consigam reter uma tão grande massa de água?! Tiro o meu chapéu à Engenharia Civl portuguesa, que bem merece.

1 de maio de 2006 às 12:49  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

P: «será economicamente possível, algum dia, enterrar os cabos de alta e média tensão...?»

R: TODOS os cabos de 10, 15 e 30kV nas grandes cidades (portuguesas e não só) já são, e há muitos anos, enterrados.

Ligações como a da Inglterra à França também não são feitas em cabos aéreos...

O problema é, de facto, o preço, que tem essencialmente a ver com o isolamento (que, por sua vez, sobe com a tensão em causa).

A longo prazo, se os supra-condutores se vierem a massificar, o problema será resolvido (pois a energia é transmitida, neles, a baixa tensão).

Também o crescente congestionamento das zonas urbanas obriga, cada vez mais, ao enterramento dos cabos. Isso pressiona a investigação e o desenvolvimento de soluções mais económicas.

A crescente sensibilidade ecológica também vai nesse sentido.

Não será para hoje nem para amanhã, mas "a coisa" pode (e deve)melhorar.

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P: «Como é possível que paredes tão finas consigam reter uma tão grande massa de água?!»

R: As paredes das barragens não são tão finas como parecem (lá por dentro há, quase sempre, salas, galerias, etc).

Mas o mais importante é que a pressão não depende da quantidade de água mas sim do desnível montante/jusante.

O betão armado e a forma duplamente abobadada (na horizontal e na vertical) fazem o resto.

1 de maio de 2006 às 13:36  

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