19.12.08

RECENTEMENTE, a propósito da crónica em que Alice Vieira se referia a Erico Veríssimo, o Sorumbático promoveu um 'passatempo com prémio' em que desafiava os leitores a escreverem algumas palavras acerca do escritor e da sua obra.
Hoje, deixa-se aqui um desafio semelhante, acerca de Eça de Queirós:
Se o leitor tivesse de recomendar um livro do autor de Os Maias a alguém que nunca tivesse lido nada dele, qual escolheria - e porquê?
O autor da melhor resposta que seja dada até às 20h da próxima quarta-feira, dia 24, receberá um exemplar de um clássico da literatura, à escolha entre vários que, na altura, serão indicados.
Actualização (27 Dez 08 / 10h50m): foi decidido atribuir o prémio a Manuel Pessanha. Obrigado a todos!

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10 Comments:

Blogger Luisa said...

Talvez pelo Conde de Abranhos. Não será dos mais marcantes, mas talvez seja dos mais hilariantes dos livros de Eça. Arrancar gargalhadas de sítios onde antes só existia a negatividade irritada do desprezo é obra que merece ser lida e vivida

19 de dezembro de 2008 às 18:12  
Blogger R. da Cunha said...

Também eu iria pelo Conde de Abranhos, pelo "desenho" dos personagens e, pela cáustica dos costumes e da política, será, talvez, a mais marcante na obra de Eça.

19 de dezembro de 2008 às 18:33  
Blogger R. da Cunha said...

Já vi português mais escorreito que o do meu comentário. Dá para entender?

19 de dezembro de 2008 às 19:23  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Aqui fica uma "dica":

E que tal fazer depender a resposta dos gostos da pessoa?

Se for 'snob', que tal «A Correspondência de Fradique Mendes»?

Se quiser uma comédia de costumes para ler numa noite, que tal «Alves e Cia»?

Se gostar de contos, que tal «Contos» ou «O Mandarim»?

Se gostar de aventuras, que tal a tradução de «As Minas de Salomão»?

Se gostou da Madame Bovary, que tal «O Primo Basílio»?

Se é dado a problemas teológicos, que tal «O Crime do Padre Amaro»?

Se prefere romances históricos, que tal «A Ilustre Casa de Ramires»?

E «Os Maias»? Ficarão para antes ou para depois de «A Relíquia» e « Cidade e as Serras»?

20 de dezembro de 2008 às 12:53  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Enviado por Rui Silva (por e-mail):
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Se tivesse que oferecer um livro de Eça de Queirós e, o seu destinatário fosse alguém que seguisse a actualidade do nosso país, em particular a sua política e os seus actores, escolheria uma colectânea de “As Farpas”. Trata um tema genérico mas desafiante que a todos interessa.


Nela Eça de Queirós e, naturalmente também Ramalho Ortigão, descrevem de forma sublime e superior a realidade da época que é, também, afinal a do nosso tempo.


Não será O livro do Eça mas, seguramente para quem nunca o leu, uma excelente introdução ao escritor e à sua escrita e, para além disso, uma maneira de actualizar conhecimentos sobre as gentes e maneiras de ser do nosso país.

20 de dezembro de 2008 às 22:17  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Nota / Comentário a Rui Silva

A nomeação de Eça de Queirós como cônsul em Havana levou-o a abandonar «As Farpas», que mantinha a meias com Ramalho Ortigão.
A parte escrita por ele foi publicada em 1890 com o título «Uma Campanha Alegre».

20 de dezembro de 2008 às 22:23  
Blogger Manuel Pessanha said...

O conselho a dar depende muito de quem seria esse tal que nunca tinha lido Eça e que o vai receber… Se for um adolescente com veia patriótica a contas com as dificuldades do secundário aconselho A Ilustre Casa de Ramires, leitura fácil de final feliz. Para um colega mais velho (ou talvez não) e mais cínico, O Mandarim e se ele apreciar leituras mais complicadas mas nem por isso menos divertidas, A Relíquia. O Primo Basílio serviria para dar ideias a uma dona de casa aborrecida e farta do marido (menos o seu final melodramático que já não se usa). Para um auto didacta anti clerical teria de ser, evidentemente, O Crime do Padre Amaro. Reservo Os Contos para alguma alma romântica (se ainda for possível encontrar alguma…). Ponho de lado toda a obra póstuma menos A Cidade e a Serra que aconselharia a alguém desiludido da vida mas com alguma esperança sem motivo e um pouco de sentido de humor para se rir de si mesmo. Ficam Os Maias para quem goste realmente de ler e, ao ler, de ir reencontrando, da vida a inutilidade do projecto e o inesperado da tragédia, e do mundo as gentes como nunca deixaram ou deixarão de ser. Desde o Dâmaso cobarde e mesquinho ao avô Afonso íntegro e vertical. Há lá de tudo, do tudo que nós somos, a começar pelos que deitam para o lixo o que a vida lhes poderia dar, se tivessem a coragem de a viver. Como o próprio Eg(ç)a e o Carlos…

21 de dezembro de 2008 às 17:28  
Blogger Mateso said...

Eça é e será sempre Eça... mas assim na conjunctura actual, na quadra que se avizinha, no na neblina de um inverno perdido nas serranias da infelicidade, escolheria sempre "A cidade e as Serras". O espirito português, tão nosso , e tão adaptado ao "turismo nacional", a nossa culinária já ancestral, provavelmente oriunda, da "canja ,Senhor.".. a tranquilidade frugal que os outros invejam e nós estamos a desbaratinar... por modos " globalizantes".. a paisagem... as gentes... e o perfume do arroz... tudo. Eça sempre. Um portento!

21 de dezembro de 2008 às 21:07  
Blogger anjac said...

Recomendar a um amigo um livro de um grande vulto da nossa literatura clássica como o foi e é ainda hoje Eça de Queirós, não é de todo uma tarefa fácil, e revela-se um grande desafio para alguém que é inevitavelmente uma grande apreciadora da sua obra.
Fazer juz ao nome do escritor através de um único livro é um pouco injusto, mas como sei que quem lê a obra queirosiana jamais esquece a sua escrita brilhante, recomendo a um amigo a leitura dos "Contos". Estes são o resultado da genialidade do seu autor e penso que é uma pena colocar de parte contos tão agradáveis como "Singularidades de uma rapariga loura", "Frei Genebro", "A aia"... em detrimento de obras queirosianas mais conhecidas e marcantes. Além disso, considero que este conjunto de contos têm a particularidade de agradar a miúdos e graúdos, independentemente dos seus gostos literários.

22 de dezembro de 2008 às 20:55  
Blogger Musicologo said...

Vou optar por uma resposta realista: as pessoas hoje em dia NÃO gostam de ler! (pelo menos os comuns mortais que conheço, não os intelectuais). Enfadam-se ao fim de pouco tempo, deixam os livros a meio e acham clássicos uma chatice. Assim me descreveram quase todos os meus amigos "Os maias". Que começaram a ler, viram que nunca mais se parava de falar da casa, casa, casa e ao fim de 30 páginas pararam.

Como combater isto? Com a dose certa. Começar com coisas pequenas. Assim sem dúvida que para quem nunca leu Eça, e se não leu é porque provavelmente nem está muito predisposto a ler, nada melhor que começar com um livro que se possa ler aos pedaços! Dá mais entusiasmo e pode ser que sirva de aperitivo para os calhamaços seguintes. Assim, sem dúvida que iria para "os contos".

24 de dezembro de 2008 às 13:39  

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