23.3.13

«Só uma pessoa que não estiver no seu são juízo acha que está tudo bem»,

Por Antunes Ferreira 
CONTADO, ninguém acredita. E com carradas de razão: se não tivesse visto como vi e ouvido o que ouvi através da televisão poderia crer no que estava a acontecer. Logo me veio à lembrança o velho ditado que diz que com amigos destes mais vale ter inimigos. E Gaspar mudo e quedo, sereno e seráfico, aliás como lhe é habitual. De resto, não é só de hoje que todas as suas previsões falharam, falham e falharão, sem dó nem piedade.
Acabava justamente de receber há escassos minutos um mail de uma pessoa por quem tenho o maior respeito e que transcrevo abaixo em itálico, sem sequer lhe pedir a sua autorização. Isto porque hoje também já não há segredos… 
E que disse Paulo Portas? Este mimo: «Só uma pessoa que não estiver no seu são juízo acha que está tudo bem», afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros no debate na Assembleia da República, com o «otimista, professoral, inquestionável e indiscutível Gaspar» justamente a seu lado na bancada do Governo de onde Portas também apelou ao PS para mostrar um "realismo consensual". +++Ora bem, aqui vai o texto do mail acima citado: 
«Ano de 1993: com a economia portuguesa a ruir, um alucinado Braga de Macedo, então ministro das Finanças, foi à Assembleia da República gritar a plenos pulmões que o país era um oásis. Este sketch parlamentar resistiu à passagem do tempo. Quem não resistiu foi Braga de Macedo: após um breve compasso de espera, Cavaco "calçou-lhe uns patins"».
Mas, «quem era o homem que, em 1992, fez as previsões para Braga de Macedo? Um tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que chefiava o Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças, onde falhou ele nas previsões. Falhou em tudo na evolução da economia e na arrecadação das receitas fiscais. Veja-se: 
Gaspar previu um crescimento do PIB de 2% em 1993, mas a economia acabou por recuar 0,7%, ou seja, o pretenso oásis que Braga de Macedo anunciava, acabou numa recessão; o Orçamento do Estado para 1993 previa um encaixe à volta de 3.340 milhões de contos (16.660 milhões de euros) com as receitas correntes, mas houve necessidade de fazer um orçamento rectificativo que já estimava menos 364,7 milhões de contos (1,8 milhões de euros), porque a receita fiscal teve um desempenho bem pior do que se estava à espera.
Vinte anos depois, o tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que levou Braga de Macedo a estatelar-se contra a parede em 1993, não vos lembra ninguém? 
Já nem me lembrava!!
Mas olha que é o mesmo que estás a pensar!! 
Com o tempo, o homem não conseguiu aprender nada». 
Mas, há mais: nas intervenções finais no debate de urgência do PS, Portas, apelou ao PS para mostrar um «realismo consensual», num tom de aproximação aos socialistas (…) O líder do CDS-PP, concordou com o secretário-geral do PS, António José Seguro, na necessidade de criar um banco de fomento para estimular o investimento económico e acolheu outra proposta sobre créditos fiscais para pequenas e médias empresas também avançada pelo líder socialista. O ministro dos Negócios Estrangeiros sustentou que, nas negociações com a troica, deve conseguir-se a redução dos prazos dos reembolsos previstos para os próximos anos. E vincou a necessidade de diluir mais no tempo os cortes de quatro mil milhões de euros na despesa do Estado. «[É necessário] procurar a redução estrutural da despesa sem que a variável tempo seja um dogma e com escolhas económico-sociais ponderadas», afirmou Portas que tem nas mãos a tarefa de elaborar um guião dos cortes.
Na resposta, Seguro (que tem vindo a marcar passo, ou seja, como dizem os Brasileiros «faz que anda, mas não anda» e que parece esfregar os olhos sonolentos, ficar semi-acordado, meter a primeira e arrancar devagarinho, para tentar alcançar a enorme velocidade de corrida de um caracol, no seu melhor estilo) fez notar a diferença entre o discurso do líder do CDS e o do primeiro-ministro. O líder do PS acusou a maioria de demonstrar «posições híbridas, como um polícia bom e um polícia mau», E, como tal disse haver «um partido da coligação bom e outro mau».
Não é (ainda) a estória dos ratos abandonarem o barco quando este começa a afundar-se; mas, com mil demónios, é muito parecida. Até ao momento nada me consta de qualquer coisa que o senhor primeiro-ministro tenha acrescentado ou comentado. Lá dizia o nosso velho conhecido Fernando Ulrich: ai aguenta, aguenta. Se os sem famílias (sic) aguentam por que não havemos de aguentar?

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1 Comments:

Blogger Sepúlveda said...

Há uma razão pela qual os governantes antes de Sócrates se demitiam ou eram demitidos.
Não cumprir por incompetência não é admissível, nem que seja só à segunda vez. Deixar estar quem falha várias vezes permite que as falhas sejam propositadas como objectivo de finalidade obscura e não mandatada como "parece" o caso dos três governantes mais odiosos que temos, P.Coelho, Relvas e Gaspar.

Tirar as posses às pessoas ou levar muitíssimas ao estado de miséria ou indigência é criminoso e de punir, a não ser que de facto fosse real e verdadeiramente para evitar um mal maior ou a mais pessoas. Mas, ao contrário do anunciado inicialmente e que poderá ter dado alguma pontinha de esperança de capacidade deste governo ou pelo menos de vontade e boa-fé, o que tem sido revelado é que a ideia era fazer isto mesmo que não houvesse crise, "custe o que custar" (a muitos muito mais que a menos outros).

Fico sem saber até que ponto a incapacidade de Seguro enquanto oposição é cúmplice deliberada desta situação, se bem que em toda a oposição a aridez do campo das ideias alternativas é desesperantemente angustiante.
Quanto mais insatisfação houver quanto ao governo, melhor. Era bom é que não fosse também "custe o que custar".
Ninguém sabe quais os processos alternativos que defendem. Dizer que se defende que toda a gente seja feliz é fácil e nem precisa de ser verdade. É preciso é saber-se qual o plano para atingir esse objectivo. Será que vão conseguir evitar que o país quebre antes de (na cabeça deles) darem a volta à governação?

A sede popular de justiça ainda não se transformou em vontade de vingança mas por vezes parece que só se isto não acabar a bem é que pode alguma vez resultar em algo mais puro para um futuro melhor.

Tudo isto pode ser bastante óbvio e uma repetição do que se insinua mas não é dito abertamente; mas até os políticos devem ser considerados politicamente "inocentes" até prova em contrário. O problema que temos é que já temos as provas mas nada acontece.

24 de março de 2013 às 15:19  

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