19.7.13

Quem, primeiro: acordo ou Marreta?

Por Ferreira Fernandes
VOLTO ao touro frio, o Marreta, que pesa 500 quilos e tem um só corno. Apesar disso, há dias que ninguém dá com ele nas matas de Bustos, Aveiro. Antes, em maio, andou uma semana nos montes de Outeiro, em Viana, incógnito. Então, deve ter posto um traje de lavradeira e arrecadas de ouro nas orelhas para passar despercebido. Agora, se calhar, disfarça a comer ovos moles... 
O ponto a que eu quero chegar é que em Portugal é sempre difícil dar com alguma coisa. Se isso é com um touro, o que será com o acordo! Dir-me-ão, não é bem um touro, é um boi galego arraçado e tal... Justamente, o acordo também não é bem um acordo. Pró CDS e PSD é só para não parecer que fazem frente ao Presidente, para o PS é só para não parecer recusar o diálogo... Daí a minha simpatia pelo magote de jornalistas, ontem, à porta do Largo do Caldas, onde o acordo (e até talvez o não acordo) se escondia. Mas, viste-lo! Já nem se esperava algo com 500 quilos, um só corno e arrecadas, bastava uma palavrinha, mas nada... Saem delegações, entram delegações, e nem um indício. A dado passo, porém, um da casa, o ministro Mota Soares, que entrava, voltou para revelar aos jornalistas o seguinte: "Obrigado, por terem vindo." E entrou. Não temos acordo, mas estamos de acordo: somos um povo de bem-educados. 
Resumindo, o único que tem expectativas altas já disse: "Não pode ser um acordozinho!" Mas isso, em tamanho, vale o que vale, tendo sido Marques Mendes a dizê-lo. 
«DN» de 19 Jul 13

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1 Comments:

Blogger Agostinho said...

E esta: “somos um povo de bem educados”?!
Afinal eu, confesso, andava redondamente enganado. Dito por um ministro Mota não há lugar para dúvidas.
Se não fosse esta oportunidade criada pela crise e pelo Sr. Presidente não teria sido encontrado o mal da Nação: a nossa boa educação!
Uma das prioridades na reforma do Estado será mudar o nome do ministério do professor Crato para Ministério da Má Educação.
Quanto às negociações PSD, CDS e PS, podemos ficar todos descansados, incluindo os jornalistas: não vai haver acordo!
Alguém faz alguma coisa com a qual não concorda de livre vontade? Só se for obrigado, não é? O presidente vai “obrigar” alguém? Como?
A haver “acordozinho” para fotografia e telejornal, segundo diz o dr. Marques Mendes não serve. Não é isso que sucede há uma data de anos na União Europeia? Com uma frequência nunca vista, desde que o presidente Durão para lá foi, Graças a uma fotografia de um acordo?
Tudo faz de conta, virtual.

19 de julho de 2013 às 15:08  

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