20.4.14

Maria Luís e Lima com açúcar e desafeto

Por Ferreira Fernandes 
Insistem muito comigo sobre o que faço: crónica ou coluna de opinião? Como prova de que não saberia fazer esta última, a minha resposta mais comum é: sei lá! Saberia lá eu citar Max Weber para explicar a decadência das coligações através de uma frase da ministra Maria Luís Albuquerque, à terça, prometendo "tributação sobre produtos que têm efeitos nocivos para a saúde", seguida do ministro António Pires de Lima, à sexta: "Não há taxa. É uma ficção, um fantasma que nunca foi discutido em Conselho de Ministros e cuja especulação só prejudica o funcionamento da economia"... 
Um colunista de opinião argumentaria sobre a contradição entre A (Albuquerque) e B (Lima) e mostrava como essas notícias confirmam o que já fora escrito por Bertrand de Jouvenel no magistral Essai de Politique Pure. Mas eu sou mero cronista, mais terra-a-terra. Sou colecionador de borboletas e o mais alto que vou nem sou eu, é a rede, caçando lepidópteros que voam por aí. O conflito no interior do Governo por causa das taxas sobre o excesso açúcar não me escapa, como não escapa aos opinion makers. Mas numa crónica (nas minhas, pelo menos) não se sobe acima da chinela. Lembro a taxa da Albuquerque só porque ela ilustra o sugar de néctar, tão próprio das borboletas. Lembro o suicídio da coligação de Lima, por evocar a vida efémera das borboletas. Se a vida (a crónica do quotidiano) fala por si, porque hei de eu aborrecer-vos com a minha opinião?
"DN" de 20 Abr 14

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1 Comments:

Blogger Agostinho said...

Pois é o Governo tem uma bicharada levada da breca. São melros, borboletas e outra bicharada volúvel que, mal larga a encomenda, levanta e regressa ao lugar recatado do poleiro, como se nada tivesse acontecido. O problema é deles dizem os ditos mas o inconseguimento é nosso.

20 de abril de 2014 às 23:16  

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