20.9.16

JÁ COMEÇOU O NOVO ANO LECTIVO

Por A. M. Galopim de Carvalho

Sem problemas de maior aí está o novo ano lectivo e verifico com apreensão que os novos programas referentes aos 10º, 11º e 12º anos da disciplina “METAS CURRICULARES DE GEOLOGIA - Curso científico-humanístico de Ciências e Tecnologias”, cujas linhas gerais estão delineadas e que conheço no pormenor, elaborados por uma equipa a que, de facto, reconheço competência científica e pedagógica, continuam amordaçados, algures numa gaveta do Ministério…
Já o disse aqui, noutros escritos e onde quer que tenha sido ou seja chamado a falar, que o professor deve saber muito, mas muito mais do que o estipulado no programa da disciplina que tem, por ofício, de ensinar. E esse muito mais está na abrangência dos seus conhecimentos, não necessariamente especializados ou de ponta (indispensáveis no ensino superior), mas ao nível de uma sólida cultura científica e humanística. E isso vem de trás, da formação cívica que adquiriu, do modo como passou pela escola, pela universidade e do proveito que tirou desse privilégio, numa sociedade plena de desigualdades como tem sido a nossa. Mas esses conhecimentos, todos sabemos, estão ao seu alcance nas bibliotecas das escolas e outras e, agora mais do que nunca, na inesgotável, imediata e acessível via “on line”.

Para tal, os professores necessitam de tempo e, desgraçadamente, forçados a múltiplas tarefas paralelas do ensino, tempo é coisa que os professores não têm. Afigura-se-me, pois que, para além de uma necessária e profunda revisão de tudo o que se relacione com o ensino desta área curricular (e, certamente, de outras), há que libertar os professores de, praticamente, todas as tarefas que não sejam as de ensinar. Uma tal revisão, como já o afirmei, a começar nos programas, tem de repensar o complexo problema dos livros e outros manuais adoptados (que envolve interesses instalados), a formulação dos questionários nos chamados pontos de exame, sem esquecer a necessária e conveniente formação dos respectivos professores.

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2 Comments:

Blogger José Batista said...

Este comentário foi removido pelo autor.

20 de setembro de 2016 às 19:11  
Blogger José Batista said...

..."há que libertar os professores de, praticamente, todas as tarefas que não sejam as de ensinar".

Obrigado, Professor Galopim.

Aquela frase devia ser óbvia para todos, mas não é...

Também há muita gente, mesmo no Ministério da Educação (ou principalmente aí) que pensa (?) e afirma que os professores não devem ensinar. Devem, tão só, fazer com que os alunos "construam o seu próprio conhecimento". Nesse papel, os professores são facilitadores da auto-aprendizagem, a que chamam de "significativa".
Dizem eles. E ninguém os prende.

20 de setembro de 2016 às 19:13  

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