22.7.05

Petição Contra a Extinção do Ballet Gulbenkian

Uma aventura em vários episódios
de um link maldito...

1º - A saga começou ontem, com a colocação aqui de um link para uma «Petição Contra a Extinção do Ballet Gulbenkian», o que desencadeou um violento protesto de uma leitora (como se pode ler em "Comentário-1").
Nesse seguimento, pedi opinião a outras pessoas que muito prezo, e elas confirmaram que o texto para o qual o link remetia não era muito feliz. Assim, o mesmo foi retirado desta página.

2º - Posteriormente, a pedido de várias pessoas (e especialmente para que se percebesse do que é que se estava a falar), resolvi afixar o polémico texto mas sem o link para o abaixo-assinado (está em "Comentário-4"),

3º - Finalmente (até ver...), e no seguimento de outros "comentários" que entretanto surgiram...
(Bem, mas o melhor é mesmo lê-los, para verificar que «o que vale é que um blogue é um organismo vivo!»)

20 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Quero manifestar o meu repúdio pelos termos desta petição. Chamam "carrascos" a quem fez mais pela cultura em Portugal do que qualquer governo? Insultam a Fundação depois de na mesma petição afirmarem que ela tem toda a legitimidade para fazer o que fez porque não é uma instituição de serviço público? Arre que é mesmo à portuguesa, caramba: recebemos milhões e milhões durante décadas e agora ferramos a mão de quem tanto deu a Portugal. Lamento que este blogue, que leio algumas vezes com gosto, faça eco de tamanha boçalidade. Já viram os termos soezes em que está escrito? E "por acaso" esquecem que a extinção do Ballet Gulbenkian abriu um programa fabuloso de incentivo aos bailarinos e cenógrafos, propondo-se a Gulbenkian a levar os nossos melhores profissionais da dança aos que há de melhor no mundo? O que os autores do blogue não queriam era perder uma data de tachos instalados. O que a FG vai oferecer é importante e muitíssimo válido. Tratem com respeito (se não quiserem tratar com gratidão) quem tanto deu aos nossos pais e também à minha geração (tenho 38 anos)! Tenham vergonha!

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Posted by Elsa to sorumbático at 7/22/2005 07:26:22 PM

22 de julho de 2005 às 21:22  
Anonymous Anónimo said...

Ó Sra. D. Elsa, este seu comentário é fogo!

(Está explicada a origem daquele grito "Ó Elsa!!!!")

E.R.R.

22 de julho de 2005 às 21:28  
Anonymous Anónimo said...

oh... agora fiquei com curiosidade de ler a petição.... até porque também já recebi mais que um mail a pedir para assinar e inclusive até uma mensagem no telemovel a pedir para passar palavra e mais não sei quê, mas ainda não me decidi a assinar nada, apesar de compreender muito bem a frustração de quem gostava que o ballet continuasse e eu própria sentir pena que acabe, apesar de não ser uma habituée ...

22 de julho de 2005 às 21:39  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

O texto (considerado menos "feliz") é o seguinte:

To: Conselho de Administracao da Fundacao Calouste Gulbenkian

Como público da dança e como portugueses, os abaixo-assinados vêm por este meio manifestar o seu total repúdio pela abrupta extinção do Ballet Gulbenkian – que se sente, na realidade, como um assassínio. É pouco, designar por “extinção” a morte repentina de um agrupamento em pleno vigor, com quarenta anos de história incomparável e seis estreias absolutas previstas para a temporada assim abortada. O nível do Ballet Gulbenkian, sem dúvida uma das melhores companhias de dança moderna da Europa, senão do mundo, nunca teve paralelo no nosso país, e os seus bailarinos e projectos continuavam a crescer e a evoluir. A cada ano de quatro décadas formou públicos e profissionais da dança, marcou percursos, renovou visões, elevou a vivência artística de um público limitado em opções e artisticamente subnutrido. Será que, numa conjuntura como a que vivemos hoje, podemos dar-nos ao luxo de perder tamanha jóia? Com uma vida artística instável e irregular, será justo roubar ao público nacional uma companhia de superação, de sublimação, da melhor arte que nos é dada a apreciar neste país culturalmente catatónico há demasiadas décadas? Será justo para com a memória de Calouste Gulbenkian desbaratar assim tão valioso labor de quarenta anos? Será civilização, cosmopolitanismo, modernidade, destruir o grande agrupamento de dança moderna de um país, sobretudo de um país como o nosso, tão faminto de referências e de uma vida cultural activa e regular?

Não é justo, excelentíssimos senhores. É, na nossa opinião, um crime cultural contra o país. Temos noção de que o BG não é uma instituição pública. Sabemos que a Fundação Calouste Gulbenkian é soberana nesta decisão. Mas quarenta anos de vida – e que vida – tornaram o BG património nacional. E o património nacional, manda a lei, a ética e o bom senso, deve ser defendido. Esta extinção não faz justiça ao Ballet Gulbenkian nem ao seu público. Não faz justiça a Portugal. Nem faz justiça à Fundação Calouste Gulbenkian, grande farol de um país culturalmente tacteante. Pedimos, por isso, que reconsiderem a vossa decisão. Sob pena de ficarem para a história – da FCG e de Portugal – como os carrascos de um membro insubstituível do panorama artístico nacional.

23 de julho de 2005 às 00:33  
Anonymous Anónimo said...

A Elsa disse no seu coment que o ballet foi substituido por um programa "maravilhoso", que iria levar os nossos bailarinos aos melhores do mundo. Não nego que existem excelentes bailarinos fora do nosso pequeno país, à beira mar plantado. Mas a verdade, é que também poderia ser o contrário. Estamos a menosprezar, alguns dos nossos melhorse projectos, este incluido, em prol, de uma pseuda-explicação. Sou uma aficionada de ballet há muitos anos. Já assisti a algumas coreografias da companhia em causa,e sinceramente não percebi o porque desta polémica. Parecia uma daquelas acções à la Santana Lopes (vindas do nada e para o nada).
Gastam-se rios de dinheiro mal gasto. E no que realmente interessa, poupa-se. :( Não haverá por aí mais algum estádio para construir?

23 de julho de 2005 às 07:29  
Anonymous Anónimo said...

caro sorumbático, obrigada por ter publicado o texto, que afinal até nem achei ofensivo. Realmente é um bocado exagero dizer "Sob pena de ficarem para a história – da FCG e de Portugal – como os carrascos de um membro insubstituível do panorama artístico nacional" ... até porque no nosso país ainda ninguém ficou para a história como carrasco (a não ser talvez salazar) porque a memória do nosso povo é curta e tolerante. Mas, tirando essa parte, que na realidade me parece francamente patética - ou pateta - acho que o texto tem toda a razão de existir.

23 de julho de 2005 às 09:13  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Deixemo-nos de paternalismos tontos:

Dado que os leitores deste blogue são, na sua grande maioria, pessoas cultas e crescidas (e as outras também não se interessam por este assunto), acho que o correcto é disponibilizar aqui o famigerado "link":

Quem quiser assinar, assine.
Quem não quiser assinar, não assine.

http://www.petitiononline.com/bg05ext/petition.html

23 de julho de 2005 às 10:15  
Anonymous Anónimo said...

Põe, tira, põe outra vez... viva o espírito do Sócrates!

23 de julho de 2005 às 20:29  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caro(a) anónimo(a)

Já para não citar Mário Soares ("Só os burros é que não mudam"), argumento em minha defesa o seguinte:

Já estava à espera dessa sua observação (apenas demorou MUITO!).
Mas sucede que há aqui uma subtileza da minha parte (pelo menos na forma tentada...):

É que, ao colocar o "link" na página principal do blogue, era estar a dizer claramente que concordava com ele.

Em "Comentários", e especialmente depois do que foi escrito por outras pessoas, isso já não sucede.

23 de julho de 2005 às 22:08  
Anonymous Anónimo said...

Passei por cá outra vez a ver como estavam os ventos. É que também já me mandaram o raio da petição, eles andam assanhados e sabem que cospem para o ar porque a FG não vai recuar nem um milímetero. Eu é que não quero ficar molhada com as baboseiras deles.

24 de julho de 2005 às 00:37  
Anonymous Anónimo said...

O Baile que os políticos estão a dar aos Portugueses já não chega ?

24 de julho de 2005 às 02:08  
Anonymous Anónimo said...

"Pedimos, por isso, que reconsiderem a vossa decisão".

Após o anteriormente escrito, e o que segue, a frase acima transcrita está desajustada. Devia ser qualquer coisa do género: "Exigimos veementemente,...,JÁ, seus..."

Na realidade, o texto está inadequadamente redigido: a FCG não é uma instituição pública que viva com o dinheiro dos contribuintes (ao invés, desde a sua criação sempre se substituiu ao Estado no apoio à cultura e à ciência).

Compreendo e comungo do desalento, mas não posso subscrever tal texto.

Ex-Bolseiro da FCG (n.º 113)

24 de julho de 2005 às 05:31  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Fazer abaixo-assinados é uma arte ao alcance de todos mas que só alguns praticam como deve ser.

Espero poder em breve publicar um "post" sobre esse assunto.

24 de julho de 2005 às 19:22  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Se um indivíduo se mete a fazer uma petição, «é claro que está muito chateado» (como diz o do anúncio), pelo que desata a escrever, nos «considerandos», tudo o que lhe vai na alma.

Em consequência disso, e ao escrever, porventura, MUITO mais do que o necessário, acaba por correr o risco de afastar pessoas que podiam estar de acordo com o espírito da petição em-si-mesma mas não se revêem nos seus termos - e o que era essencial acaba por se perder por causa do acesório.

Claro que é o que sucede neta Petição:
A autora descarrega a bílis (com razão ou sem ela - agora não vem ao caso), perde-se num labirinto de «prolegómenos», e gasta 2277 caracteres no que podia fazer com menos de 1000 e ganhando o dobro dos subscritores.

É que, como dizia um sábio, «Talento é a arte de simplificar».
Mas cada um sabe de si...

24 de julho de 2005 às 22:41  
Anonymous Anónimo said...

Moro a muitas centenas de Kilómetros da Gulbenkiam e cá na minha Vila devo ser um dos 2 ou 3 que já ouviram falar na dita cuja.
Cá não há Jet5, Jet6 e Jet7, já todos passamos para o Kapa1, isto é, já estamos fartos de todos aqueles que não conseguem público para assistir ás suas formas "superiores" de debitar "cultura", viverem à custa de subsídios, pagos pelos Kapa1. É no cinema é no Teatro é na Música, etc. Se não conseguem que o Público adira, fechem.
Isto em bom Português, o dos Portugueses de mãos calejadas, tem um nome que me abestenho de mencionar à semelhança da Gulbenkiam.

27 de julho de 2005 às 22:05  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Meu caro "Anónimo",

O assunto não é assim tão simples.

Em relação às actividades subsidiadas pelo Estado (ou seja, "por todos nós"), poderá, eventualmente dizer-se o que diz.
(É até muito vulgar argumentar-se que «não devíamos andar a subsidiar cinema e teatro que ninguém vê», etc).

No entanto, com a Gulbenkian, é totalmente diferente:

Trata-se de uma fundação com dinheiros próprios, e o que ela gasta não vem do Estado, nem dos espectadores nem dos contribuintes. Vem dos capitais próprios, legados pelo sr. C. Gulbenkian.

O que sucede é que esse dinheiro, apesar de ser muito, não é infinito, e quem o administra pode achar que deve "tirar de um lado para gastar noutro", e devem fazer isso muitas vezes.

No caso do ballet, o assunto só deu mais nas vistas por ser uma actividade apoiada há dezenas de anos.
Em Portugal, quando se falava de ballet pensava-se em Gulbenkian (e vice-versa).

28 de julho de 2005 às 09:15  
Anonymous Anónimo said...

A mensagem do Kapa1 merece três reflexões:
A primeira, de elogio pela jovialidade saudável com que ironiza sobre as classes pedantes das cidades (os Jet's).
A segunda de desacordo porque os espectáculos do Ballet Gulbenkian tinham imenso público, muitíssimo mesmo, e fiel. E quem diz o BG diz uma variedade de outros acontecimentos culturais que, felizmente, têm cada vez mais portugueses a participar com gosto. Portugal não é só feito de Vilas como a do Kapa1.
Terceiro, esta mensagem revela que é preciso vada vez mais descentralizar a cultura, levar teatro, bailado, música de qualidade, cinema, artes plásticas às Vilas como a do sr. Kapa1, ainda tão arredadas do que é moderno como se prova pelo que o dito sr escreveu. Ele não tem culpa, tem só mãos calejadas e espírito mal alimentado por culpa de não haver ainda uma verdadeira política de descentralização cultural no nosso país. Mas não há como ter confiança em melhor futuro para Kapa1.

28 de julho de 2005 às 12:41  
Anonymous Anónimo said...

Caro CPC
Apreciei o seu comentário, e creio que compreendeu em cheio a minha "irritação". De facto a Gulbenkian, para mim, não é uma desconhecida. Por razões profissionais, durante 30 anos, passei metade da minha vida em LX fazendo quase semanalmente centenas de Kms e naturalmente que tive,- sorte a minha -, a possibilidade de conhecer as actividades da Gulbenkian. O facto de ser uma entidade privada não invalida o meu descontentamento.
Pergunta-se:
Será que no espírito do Snr. Gulbenkian estaria a ideia de que os gastos da sua Fundação seria para gozo e alegria de meia dúzia de priveligiados, os tais do JET?

O Ballet na Gulbenkian representa o TGV ou OTA dos tempos actuais.

Afinal umas peças de teatro, daquele que toda a gente percebe, em visita pela província não ficaria mais em conta?
Com os excelentes actores que temos - e que não mendigam subsídios - não seria "distribuir" cultura?
Que eu saiba o La Feria não recebe subsídios de ninguém. Porquê? Porque não precisa. Porquê?

Kapa1

28 de julho de 2005 às 19:11  
Blogger Unknown said...

Tanta coisa, e ainda nem se descobriu as manobras que estão por de trás deste escândalo.
Mas lá que há outras coisas a fazer antes, há.
Desgraçados.
Desculpem não tenho tempo para ler os comentários sobre esta desgraça impensável.
Mas tenho confiança que Portugal se levante... e que há-de ter os seus grandes patinadores no gelo, como as maravilhosas russas que agora vão dançar.
E que a arte se levantará em Portugal, uma sua e própria, ao serviço do BVB

2 de fevereiro de 2014 às 22:02  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Natya,

Este 'post' tem quase 9 anos (!!!)
Ainda estará actual?

3 de fevereiro de 2014 às 08:40  

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