24.10.05

Pirandello em Portugal...

A FLORESTA, em Portugal, arde e ninguém cumpre a lei no que toca às distâncias de segurança, limpezas, etc?
Calma! Há-de vir aí uma nova legislação, terrível!
(Porque não começamos por fazer cumprir a existente... ninguém o sabe dizer).

Em Espanha há uma lei do aborto semelhante à nossa.
Por cá, a lei não é cumprida?
Calma! Há-de vir aí uma nova legislação, só falta o referendo!
(Porque não começamos por fazer cumprir a existente... ninguém o sabe dizer).

E por aí fora, numa orgia de novas leis (que hão-de vir aí, um dia...) para disfarçar o óbvio: o Estado é impotente para fazer cumprir até mesmo a limpeza da Ribeira dos Milagres, pelo que a rapaziada ao seu serviço se entretém a enjorcar (ou apenas a prometer) novas e fabulosas legislações que - se alguma vez virem a luz do dia - terão a mesma eficácia e o mesmo destino que as anteriores e as actuais.

Mas é assim que a malta gosta, pelo que é assim que vai continuar a ser, e por muito tempo ainda.

Por sinal, esta triste realidade fez-me lembrar um conto de L. Pirandello intitulado «As surpresas da Ciência», em que se conta a história de uma terra onde não havia iluminação.
Para resolver o problema reuniram-se, uma bela noite, as forças-vivas lá do sítio, numa magna assembleia que teve lugar, como era hábito, à luz de candeias de azeite.
Mas, sendo os políticos locais pessoas de muitas falas e poucas decisões, a reunião prolongou-se por tanto tempo que o azeite se esgotou, pelo que teve de prosseguir à luz de ranhosas velas de estearina.


Por fim, e depois de muito pensar e deliberar, todos os presentes estiveram de acordo em que a electricidade, apesar de já estar disponível, não era solução que interessasse, pois haviam de vir, um dia, tecnologias infinitamente melhores.

Assim, ficou resolvido esperar até à chegada dessas novas soluções milagrosas... situação essa que, como facilmente se adivinha, ainda hoje é a que por lá se vive.

(Imagem env. por V. Coelho)

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Outro caso caricato é o do novo Código da Estrada, com as suas "pesadíssimas coimas":

É ver como os passeios continuam, na mesma, cheios de carros, como nas autoestradas se circula a velocidades de avião, etc., etc

Tudo coisas que o Código antigo já previa reprimir.
No entanto, a solução apresentada foi "parir" um novo Código. E ele aí está: ninguém o faz cumprir, ao de hoje como ao de ontem.

António Costa, glorioso M.A.I., bem pode "limpar as mãos à parede", como seu ar sempre satisfeito e com as suas polícias ineficientes.

D.Ramos

25 de outubro de 2005 às 09:16  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Pois, essa do Código da Estrada tb estive para referir, mas o texto já estava longo.

25 de outubro de 2005 às 09:20  

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