28.5.09

Luz - LVIII

Fotografias de António Barreto - APPh

Prédio em Algés - Este é um prédio bem português! Feio. Coberto de “marquises”, um verdadeiro “ex-líbris” da arquitectura e da decoração doméstica nacional! Sem falar na roupa pendurada a secar ao sol, de que os portugueses tanto gostam e que os estrangeiros acham “very typical”! Mas que é simplesmente inestético e atrasado! (2006).

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5 Comments:

Blogger Tiago said...

"Roupa pendurada a secar ao sol"

Inestético, vá que não vá, se bem que é uma questão de opinião.

Agora porquê atrasado? É uma forma bastante útil de aproveitar a energia solar, o que me parece muito relevante no dias de hoje. Muito mais eficaz do que secar a roupa dentro de casa ou, pior ainda, numa máquina de secar.

28 de maio de 2009 às 11:31  
Blogger Carlos Portugal said...

O dr. Barreto sempre esteve afastado dessa coisa reles e própria de sopeiras e de pobres, que é a lida doméstica.
Ainda assim, deve gostar de vestir alva roupa bem engomada.
Será que o dr. Barreto manda a sua empregada deitar fora a roupa suja para que naõ ofenda a sua estética, quando for colocada a secar?
Será que defende o uso intensivo de máquinas de secar, com a sua indesejada factura económica, energética e ambiental?
Claro que nos países do Norte da Europa, devido ao seu clima, o saudável hábito de secar as roupas ao sol não é praticável e é por isso que surpreendemos os turistas dessas paragens, os tais "adiantados", fazendo fé no olhar sociológico do dr. Barreto.
Diriamos então - de acordo com o seu teor evolucionista - que, na selvajaria andaria tudo sem roupa, na barbárie (caso português) secaríamos a roupa ao sol; na civilização (de onde vem os turistas) a roupa é toda lavada seco, para não ofender os pruridos estéticos dos cidadãos "adiantados".
Dr. Barreto, deixe os pobres deste país usufruirem duma coisa que ainda não paga imposto - o maravilhoso sol de Portugal!
Ou será que quer impor um imposto europeu do "bom gosto", de acordo com os parâmetros estéticos dos países "avançados"? Nunca o pensei ver a defender um homo-europeus, dr. Barreto. O senhor tem sido um dos mais aguerridos defensores da liberdade e da identidade de Portugal. Não nos traia, agora, só porque não há estendais em Helsinquia. Ou será que já contraiu o vírus da primazia das aparências, cuja pandemia se encontra em progressão galopante, com o incentivo do fátuo presidente do conselho?



O prédio é horrível. Como a maioria absoluta do que se construiu a partir dos anos 60/70. Ou seja, quando começaram a surgir cada vez mais arquitectos.

Perdoe-me algum excesso de linguagem, que só se deve a alguma indignação por ter lido um comentário tão absurdo, exarado por uma pessoa que eu tanto admiro, há longos anos.
Decepcionou-me, dr. Barreto. E quando as pessoas que amamos nos decepcionam, reagimos sempre com mais coração do que razão.

28 de maio de 2009 às 13:45  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Veja-se, [aqui], como não é "obrigatório" que a roupa seja posta a secar da forma que mostra a foto de A. Barreto.

6 de junho de 2009 às 18:22  
Blogger Carlos Portugal said...

Que magníficos edifícios que Carlos M. Ribeiro mostra nas imagens. Até quando ainda teremos casas como estas que nos fazem amar Lisboa?
Quem me dera viver numa casa assim, de um tempo em que as casas tinham traseiras, em que todos os quarteirões tinham obrigatoriamente logradouro, imposto por motivos de segurança e salubridade.
Entretanto tudo mudou, a especulação imobilária tornou-se a mais importante actividade económica portuguesa e surgiram arquitectos que acham que Deus não é mais do que uma entidade secundária a quem foi dado o encargo de criar os homens para que estes possam povoar as casas que os arquitectos constroem.
A construção baixou em qualidade, os espaços foram reduzidos ao mínimo, os preços subiram ao máximo e a maioria dos portugueses vive em caixotes indignos, em apartamentos minusculos com paredes de "papel", que terá de pagar em prestações até ao fim dos seus dias.
Com o fim das traseiras acabou a socialidade dos vizinhos e as importantíssimas pequenas hortas e jardins que apenas sobrevivem nos mais velhos bairros lisboetas.
Agora os prédios têm quatro (4) fachadas e em cada um deles chega a viver mais população do que na maioria das aldeias de Portugal.
A sobreviver em espaços desumanos não é de esperar que as pessoas tenham comportamentos muito humanos. Até a etologia explica isso e seria importante que prestassemos mais atenção ao espaço para percebemos o comportamento das sociedades.
Afinal, talvez a única nota de humanidade dos horripilantes armários de betão seja a roupa pendurada nas janelas, desfraldada ao vento.
Peço desculpa ao Doutor Barreto pela agressividade desmedida das minhas palavras, pois sempre o admirei mais do que conseguirei expressar. Todavia, o que me parece um claro sinal de subdesenvolvimento não é tanto a roupa estendida, mas sim este tipo de arquitectura e de ordenamento do território que tem em Portugal o pior exemplo da Europa ( e talvez o pior de todo o mundo ocidental).
Apesar das melhorias em muitíssimos aspectos, a 3ª república parece ter assumido a missão de destruir o território da Pátria, com o concurso entusiástico das hordas de autarcas e demais apoiantes e financiadores partidários. Depois de dominar o Mundo e de o ter perdido, Portugal parece ter agora como maior ambição a destruição do seu próprio pequeno rectângulo. É um país a ferro (dos prédios) e fogo (das florestas)!
Acredito que o Doutor Barreto (nem o Eng. Medina Ribeiro) nunca tenha tido o infortúnio de viver num prédio como esse de Algés, a que chamo "favela de betão". Se tivesse tido essa pouca sorte saberia que nenhuma pessoa que sobrevive nesses armários de betão se sente satisfeita com o facto. Se tudo se reduzisse a uma questão de "bom gosto" seria muito mais fácil. Infelizmente não basta ter bom gosto, ter educação superior, nem - muito menos - ter um trabalho honesto. Em muitos destes prédios feios vive gente de bem, gente educada, gente honesta e trabalhadora, sem vícios nem desmandos, mas que se vê em dificuldades para pagar as contas da água, do gás e da electricidade, para cumprir o crédito da caríssimo e minúsculo apartamento e ainda para conseguir meter um pouco de pão na boca dos filhos.
Não posso aceitar que se tenham de considerar as pessoas "feias" só porque se viram obrigadas a morar num prédio "feio".
É por isso que as críticas ao pouco talento para decoração dos malogrados habitantes daqueles prédios que arrepiam o Doutor Barreto podem soar aos famosos "brioches" de Maria Antonieta.
Quem me dera não saber do que agora falo...

12 de junho de 2009 às 01:34  
Blogger Mg said...

Subscrevo este último comentário.
Esta "praga", infelizmente, não se resume a Lisboa: reproduz-se de forma homogénea por (quase) todo o Portugal.
É pena, mas é a realidade.

12 de junho de 2009 às 21:34  

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