21.6.10

Um homem inteiro

Por Joaquim Letria

O MUNDO CHORA José Saramago. Portugal também se curva perante o seu prémio Nobel. Até arrependidos do PCP, que ele próprio desprezava, o elogiaram.
Destaco, porém, as palavras de homenagem de Mário Cláudio, um senhor e um escritor que se curva perante a memória dum par, José Luís Peixoto, Walter Hugo Mãe e João Tordo, três jovens que veneram a figura de Saramago, e Fernando Dacosta que recordou a elegância de Saramago no “Diário de Lisboa”, onde também o conheci.
O criador do cão das lágrimas era um senhor que levava pequenas notas sobre as edições Estúdio Cor, editora para a qual trabalhava. Conversávamos com brevidade na sala das visitas.
Reencontrá-lo-ia quando Lopes do Souto o foi buscar para editorialista anónimo que substituiu as “Notas do Dia” diárias de Norberto Lopes.
A última vez que o vi foi em Almada. Recordo-o em Espanha, muitas vezes na Madragoa e, em particular, num longo jantar de Verão na varanda do Grémio Literário.
Lembro o seu silêncio ao somar-se àqueles que estavam com Luís Francisco Rebelo, na Sociedade de Autores. Partilho a ideia de quem mais tempo e mais próximo dele esteve: Zeferino Coelho, seu editor português e seu verdadeiro amigo. Diz ele que “Saramago foi, sempre, um homem inteiro”. Foi sim senhor!
«24 horas» de 21 Jun 10

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2 Comments:

Blogger Bartolomeu said...

Penso que, a existência de José Saramago, foi utilizada por si, com o fim de se cumprir e não de cumprir, como o próprio algumas vezes afirmou.
Ontem, vi e ouvi Marcelo na televisão, expor acerca de Saramago, uma visão coincidente com a minha em variadíssimos pontos, sobretudo no seu relacionamento com a religião católica. A busca pela compreensão do divino e pela aceitação daquilo que de real existe na relação entre o homem e o cosmos, foram constantes na vida do Homem.
Em resposta a uma das cartas que lhe enviei, Saramago escreveu-me: «... o indizível da vida...»
É realmente esse indizível que comanda a vida dos homens, daqueles que não se deixam adormecer na berma da estrada e caminham ininterruptamente.

21 de junho de 2010 às 09:22  
Blogger GMaciel said...

Caro Joaquim Letria, Saramago fez-se - e fez-nos - maior, muito maior do que alguns gostariam.

21 de junho de 2010 às 21:45  

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