15.2.11

O PS no «centro do centro» e a auto-reprodução das oligarquias partidárias

Por Alfredo Barroso

NA SUA CRÓNICA semanal publicada no DN em 1 de Fevereiro, Mário Soares considera ter chegado o momento para o PS «fazer uma reflexão aprofundada», com o objectivo de «dar um novo impulso à sua participação na vida política (independentemente do Governo), com mais idealismo socialista e menos apparatchiks, mais debate político e menos marketing, mais culto pelos valores éticos e menos boys que só pensam em ganhar dinheiro e promover-se».
A primeira reacção oficial da direcção do PS não se fez esperar, por via do inevitável José Lello, membro do seu secretariado nacional, que se apressou a desvalorizar as opiniões do principal fundador do partido: «O PS só tem uma única preocupação: governar o País e defender o País. É esse o nosso objectivo ideológico e é nisso que devemos concentrar-nos. Tudo o resto é secundário».
Antes de mais, duas observações de pura forma: «governar o País e defender o País», são duas preocupações e não «uma única»; e qualquer delas não é um «objectivo ideológico», mas sim político. José Lello tem de cuidar da gramática e recorrer mais vezes ao dicionário, porque a língua portuguesa é muito traiçoeira.
Depois, há que dizer que José Lello é assim uma espécie de «reflexo pavloviano» da oligarquia partidária que dirige o PS. Quando alguém bate com demasiada estridência no portão da sua quinta, Lello reage e ataca sem pensar, atirando-se cegamente às pernas de quem ele julga ser um intruso, e fica radiante quando lhe rasga as calças. (...)
Texto integral [aqui]

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6 Comments:

Blogger José Batista said...

E o PS parece ter-se tornado um partido de "Lellos".
"Lellizou-se"...
E até os que não víamos, de todo, como "Lellos", um Alberto Martins, um Francisco Assis, etc., passaram a não estranhar a companhia... Até parece que se dão bem com ela (nela?...)
Bem pode pregar Mário Soares, o qual, quando governou, também "Lellizou" alguma coisinha... E mais "Lellizou" quando esforçadamente tentou encaixar o seu filho ou no PS ou aqui ou ali, e, se para mais não deu, acabou (esperemos...) em deputado, lugar onde não destoa nada da imensa maioria...

15 de fevereiro de 2011 às 22:27  
Blogger Ribas said...

Tanto estudo dos politólogos para tirar conclusões que estão escarrapachadas na cara de todos. Basta ir aos cafés, para ouvir todas essas teses acerca da classe política.
Podiam os politólogos apresentar as “tais ideias” que dizem não existir na classe política. É isso que o povo espera deles e não apenas para que digam – com autoridade académica – aquilo que todos sabem e sentem na pele.

16 de fevereiro de 2011 às 10:04  
Blogger JARRA said...

Desculpe a abordagem, mas corre por aí na Internet que Rui Pedro Soares é familiar do Dr. Mário Soares. É verdade?

16 de fevereiro de 2011 às 10:12  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Jarra,

Eu também sou familiar de Álvaro Cunhal, do Fernando Medina (porta-voz do PS), etc.

Com o primeiro, nunca falei.
Com o segundo, falei menos de 30 segundos, no velório do pai.

Quero com isso dizer que o facto de se "ser familiar de..." pode importar pouco, nada ou muito.
Depende do facto de esse parentesco se traduzir (ou não) em vantagens (ou prejuízos).

16 de fevereiro de 2011 às 10:38  
Blogger Jorge Manuel Brasil Mesquita said...

Este comentário foi removido pelo autor.

16 de fevereiro de 2011 às 15:17  
Blogger JARRA said...

Caro CMR
Absolutamente de acordo que ser familiar não é crime.
Mas o que neste caso o esclarecimento pode ajudar, é a perceber a genealogia do favorecimento - porque no caso de RP Soares é público que houve favorecimento, o que não está ainda muito claro é porquê!
Quanto ao resto tenho Mário Soares como um estadista de boa memória - mas o que não o coloca acima de qualquer crítica!
Isso de se ter de nascer duas vezes para se ser mais honesto que ele, era outro!

17 de fevereiro de 2011 às 14:38  

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