23.4.13

«Dito & Feito»

Por José António Lima
ANTÓNIO Pires de Lima apareceu, mais uma vez, no decurso da reunião do Conselho Nacional do CDS, no papel do irritante grilo falante de Paulo Portas para as questões do Governo e da coligação.
E qual foi o recado que veio desta vez transmitir? O desejo do CDS de que a substituição de Miguel Relvas por dois ministros fosse apenas «o primeiro acto de uma remodelação» mais alargada do Governo. Pires de Lima foi até mais longe, sugerindo que essa remodelação dê «outro peso à economia» e que isso «já só se fará se elevarmos o Ministério da Economia à categoria de Ministério de Estado, para estar no mesmo plano do Ministério das Finanças». O CDS, Portas e o seu boneco de ventríloquo não pecam pela modéstia das suas sugestões.
Significa isto que o CDS quer o Ministério da Economia numa remodelação já a seguir? Pretende o Ministério com a actual orgânica ou já subdividido? E quer ser ele próprio, Pires de Lima, conhecedor do mundo empresarial, a ocupar a pasta? Ou não está disposto a abdicar dos milhões como gestor privado pelos tostões de uma pasta governativa? Pode é estar a dar a Passos Coelho a ideia, numa futura remodelação, de entregar mesmo ao CDS o Ministério da Economia, comprometendo mais Portas com os deveres governativos e com o tão falado quanto longínquo crescimento da economia. Em qualquer dos casos, era bom que Portas e Pires de Lima pusessem fim a esta rábula de birras e gosto político duvidoso.
É claro que o CDS pode ter a sua opinião. Própria, distinta e livremente assumida. Mas, estando no Governo do país, seria natural dar a conhecer os seus insatisfeitos estados de alma com menos espalhafato público. E, sendo eleitoralmente o menor dos dois parceiros da coligação, seria curial alguma humildade e contenção que evitasse abusivas intrusões na esfera de competências do primeiro-ministro.
Acresce, finalmente, na situação de emergência a que o país chegou, que o CDS deve ser um elemento de coesão do Governo e não um potenciador de crises políticas. Como, irresponsável e infantilmente, parece cada vez mais tentado a ser. 
«SOL» de 19 Abr 13

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