30.5.15

A Irlanda e os casamentos gay

Por C. Barroco Esperança
A Irlanda foi, até há duas décadas, feudo do Vaticano. A IVG era interdita, mesmo em casos de violação, malformação do feto ou risco de vida da mãe. Em 1986, a proposta de eliminar a proibição constitucional do divórcio foi submetida a referendo e rejeitada. Só em 1995, uma emenda removeu a proibição, mas com restrições.
Só quando duvidou da virtude dos seus padres descreu do martírio do seu Deus.
 A violência dos conventos, cárceres privados para a defesa da integridade de heranças e punição de mães solteiras cujos filhos eram retirados para adoção, associada à hipocrisia do clero, aceleraram o processo de secularização do País que a religião mantivera unido.
 A pedofilia eclesiástica alastrou como nódoa imparável, sob a ocultação das dioceses e o silêncio receoso dos pais. Vários bispos defendiam os padres pedófilos e um, apoiante do celibato do clero, protegeu, com dinheiros da diocese, a filha que ocultava.
 No dia 22 de maio de 2015, 22 anos depois da despenalização da homossexualidade, o casamento gay foi referendado por mais de 60% de eleitores num país onde a influência da Igreja católica, embora em declínio, parecia forte. Foi aprovado em força (62%). O direito à diferença impôs-se à discriminação e ao preconceito. Venceu a modernidade e a Irlanda foi o primeiro país a abrir as portas aos casamentos gay pela via referendária.
 Segundo os exegetas, o Cânone 1331 do Direito Canónico – o Código Penal das Almas –, determina que «não podem casar, batizar-se e nem poderão ter um funeral religioso», os que votaram SIM, mas L'Osservatore Romano – o Correio da Manha do Vaticano –, disse que “Não há anátemas, mas antes um desafio a superar por parte de toda a Igreja”, e o Vaticano e o papa não reagiram oficialmente ao resultado do referendo irlandês. 
Desta vez não houve imagens de virgens a chorar lágrimas de sangue, como sucedeu em Oleiros, no primeiro referendo sobre o aborto, em Portugal. O próprio bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco disse que as lágrimas não eram humanas. E não eram, um bispo não mente. Frei Edmundo pôs a imagem da Virgem a chorar lágrimas de sangue... de pomba. Foi apanhado em flagrante. Tomou raticida mas não morreu. O raticida não mata ratos de sacristia.
 Acabaram as romarias e oferendas. Frei Edmundo, reincidente em milagres, acabou no Hospital de Sobral Cid, em Coimbra.
Ponte Europa / Sorumbático

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5 Comments:

Blogger opjj said...

Casamento é um macho e uma fêmea, fora disto, há indivíduos com paranóias.Trata-se d pares ou parelhas como para puxar carroças.
Onde está a normalidade um tipo a espetar outro tipo! Coisa mais aberrante e contra natura.
É muito chique e é tão bonito que todos desejam ter um filho gay e até todos querem ter um casamanto gay na família.
Como os valores são pisados!

30 de maio de 2015 às 13:26  
Blogger Carlos Esperança said...

opjj:

Durma tranquilo. O casamento gay não é obrigatório. De que tem medo?

30 de maio de 2015 às 13:59  
Blogger José Batista said...

Caro Carlos Esperança

Eu conheci esse senhor Edmundo, mas nunca falei com ele. Ao tempo ele desempenhava funções equivalentes a enfermeiro no centro de saúde da freguesia de Estreito, concelho de Oleiros. Não tenho lembrança de que alguém o tratasse por frei, mas não tenho certeza. Creio que as pessoas o tratavam por "senhor enfermeiro". Também recordo que era uma pessoa muito religiosa, sim.

30 de maio de 2015 às 19:28  
Blogger Carlos Esperança said...

Caro José Batista:

A imprensa da época referiu-o como fazendo parte de uma ordem religiosa e designou-o como frade e enfermeiro. Guardo registo disso num texto que então escrevi e de que me socorri para recordar o nome. Não posso, contudo, dizer que não tenha razão. Depois, falei com o psiquiatra que o tratou no Sobral Cid, um amigo meu de longa data. Abraço.

30 de maio de 2015 às 22:30  
Blogger Luis Filipe said...

Na verdade este referendo faz saber duas coisas, uma a de que os Irlandeses querem libertar-se desse garrote que foi a Igreja e a outra que optam pela felicidade deles.
Como diz O Carlos Esperança a um comentador, tem medo de quê.
Pessoalmente posso dizer que sou heterossexual, mas entendo que as pessoas possam ser felizes também assim e a vida é tão curta, não é? Porque não vivemos e deixamos viver?
Cumprimentos a todos
Luis

2 de junho de 2015 às 07:50  

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