1.4.16

Sem emenda - Terror!

Por António Barreto
Os atentados de Bruxelas trouxeram mais intranquilidade à Europa. E uma insegurança cada vez mais funda, a tocar no coração e nos ossos. Foram feitas milhares de declarações. Até agora, nada de novo. Mas três ideias merecem comentário. A primeira afirma que o terrorismo veio para ficar. Não sei se é verdade ou não. Mas sei que recuso admitir essa inevitabilidade. O Ocidente deve tudo fazer para erradicar o terrorismo e eliminar os terroristas. Sem cedência! Se não nos resignamos à ditadura, à desigualdade, à corrupção, à pobreza e ao analfabetismo, não vejo razões para o fazer ao terrorismo, forma superior de selvajaria! Apesar das declarações firmes, fica-se com a estranha impressão que os Europeus não desejam combater os terroristas. Não digo que tenham medo, mas parece que se resignam a viver com eles. Será que têm sentimento de culpa? Entenderão que os terroristas têm uma qualquer razão? Por terem sido pobres há três gerações? Colonizados há dois séculos? Derrotados há mil anos?

A segunda ideia sugere que o terrorismo é provocado pelas condições sociais. Diz-se que onde há pobreza, desigualdade e desemprego, há condições para surgir o terrorismo. Mais ainda quando se acrescenta a segregação nacional: desempregados e imigrantes. Parece que o terrorismo tem legitimidade social! Esta ideia é uma espécie de ortodoxia. Mas, com o terrorismo islâmico, não resiste à análise. Na Europa, na América e noutros continentes, não se conhecem terroristas nas comunidades africanas, latino-americanas, chinesas ou indianas. Também não consta que os bairros de pobres de Espanha, de Portugal, da Grécia e da Roménia sejam fonte de terrorismo.

Uma terceira ideia sublinha, como causa do terrorismo, a situação marginal em que vivem os imigrantes. A falta de respeito pelas tradições dos povos imigrados, muito especialmente muçulmanos, conduz ao sentimento de dignidade ferida, condição favorável à escolha da “carreira” de terrorista como modo de afirmação do seu orgulho. Há mesmo quem aluda às Cruzadas, ao colonialismo e à escravatura. Nada disto merece uma fracção de segundo de reflexão. Estamos perante propaganda e demagogia para crentes. As “feridas históricas” são argumentos baratos de oportunismo intelectual. Os que acreditam nesta argumentação poderiam também esperar pelas 70.000 virgens. Há dezenas de povos que foram vítimas do colonialismo e não se dedicam hoje ao terrorismo. Há dezenas de povos que estiveram, ao longo da história, sucessivamente dos dois lados, o dos que faziam escravos e o dos que eram escravizados. Em todos conhecemos hoje os interesses, os meios, a vontade de domínio e o desejo de independência. Isto é, a política! A história, em qualquer caso, é sempre um belo argumento, nunca é a razão.

O terrorismo é essencialmente gesto político e intenção política. A situação individual do terrorista é questão menor. Os mandantes são políticos. Os meios, o “cérebro”, a organização e o recrutamento são políticos, apoiados por Estados e redes poderosas de organização. Mesmo os factores religiosos, tão importantes para o terrorismo islâmico, são instrumentais. O espírito e o carisma servem ao recrutamento, mas a acção é principalmente política.

Os países ocidentais têm culpa de muitas coisas, mas o terrorismo, de que são vítimas, não é uma delas. O terrorismo islâmico tem os seus responsáveis. São Estados, partidos e famílias. Servem-se das condições existentes nos meios imigrados para recrutar soldados rasos. Mas estes não são os responsáveis. Os bairros segregados fabricam terroristas, não fazem o terrorismo. Já há quem diga que a culpa do terrorismo reside nas políticas e nos governos da direita. Se de alguma coisa os governos europeus são culpados será eventualmente de não ter melhores polícias. E de não ter mais coordenação antiterrorista entre as várias polícias. Essas, sim, são culpas nossas.

DN, 27 de Março de 2016

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2 Comments:

Blogger bea said...

Por acaso, ou não por acaso, também penso que os terroristas são recrutados entre os meios imigrados por alguma razão que está relacionada com a forma como são politicamente tratados. Não me interessa se pela esquerda se pela direita, mas faz-me mais sentido que as condições de vida deles piore se é a direita a ditar lei. Portanto,não concordo totalmente com a ideia de que só a falta de eficácia das polícias pode ser apontada.

E porém. Tenho idêntica convicção, os muçulmanos, sem querer segregá-los, precisam ser reeducados. Se recusam a reeducação, castiguem-se forte e feio. O país que os recebe, o mínimo que deles espera é que cumpram as leis por que se rege. E tem razão o autor, há tanto povo imigrado, de convicções religiosas tão diversas, e nunca se viu tal dissabor. É que alguma coisa nos muçulmanos não está bem. Parece ser o fanatismo de que há grande aproveitamento.
Não tenho pena dos terroristas. Não sinto culpa por eles. A Europa tem direito a viver em paz.

1 de abril de 2016 às 19:26  
Blogger ilha da lua said...

Não só a Europa. O mundo tem o direito a viver em paz. Seria lógico, que o avanço cientifico, tecnológico, a par da investigação sociológica e do pensamento filosófico, tornassem as sociedades mais avançadas, tolerantes e democráticas. Mas, o mundo caminha a duas velocidades. Os países democráticos e desenvolvidos receberam e continuam a receber gente de todos os credos e de todas as culturas. No entanto, tornaram-se de alguma forma laxistas no que concerne á integração dessas comunidades. Também faz parte do conceito democrático, que os imigrados respeitem as leis dos países onde escolheram viver. Não é o caso da grande maioria dos muçulmanos, que transportam consigo hábitos e tradições, profundamente antidemocráticas, que querem impor aos países para onde emigram. Há que reflectir sobre isto! Já não é uma questão de esquerda ou de direita. É uma questão civilizacional. Muitas vezes,me pergunto, porque razão essas comunidades não escolhem emigrar para países como por exemplo a Arábia Saudita?

2 de abril de 2016 às 14:41  

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