11.6.16

Sanções – ter ou não ter

Por Antunes Ferreira
Se ainda houvesse alguém que duvidasse quanto ao poder mundial das finanças elas desapareceriam como se fossem objecto de um passe de magia: o problema em discussão na capital belga sobre as eventuais sanções a Portugal e Espanha por causa de ambos os países terem ultrapassado o limite dos 3% dos respectivos PIBs é disso um bom exemplo. O “Pacto de Estabilidade e Crescimento” (PEC) foi mais uma invenção de Berlim na Europa. E os países “europeus” como é habitual seguiram o diktat germânico.
Hoje em dia os donos disto tudo na Europa são a chanceler alemã Fräu Angela Merkel e o seu sinistro ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, sentado numa cadeira de rodas, como um buda fascistoide. Este último é o paladino da aplicação imediata das sanções a Portugal e muitos mais o acompanham. O prato da “balança europeia” parece cair inevitavelmente para elas e anular o adiamento até este mês decretado pela Comissão. Este “acto de maldadezinha” (?) tem assim muitos defensores, mas também há quem o rejeite.
Naturalmente Portugal, um dos dois interessados de que não haja sanções reagiu a uma (?) voz contra elas. Desde o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa passando por António Costa e a “geringonça” até à Assembleia da República são os porta-vozes dessa reacção. Porém não estão sós: o presidente do Parlamento Europeu Martin Schultz, o secreta-geral da OCDE Angel Gurria são exemplos desse não às sanções. Marcelo Rebelo de Sousa tem vindo a multiplicar as suas afirmações sobre o tema e no dia de Portugal / de Camões ontem dividido e bem nas comemorações entre Lisboa e Paris, a segunda capital portuguesa na Europa, segundo o PR, o seu homónimo Hollande também terá apoiado o não.
Marcelo não gosta de Passos Coelho todos o sabem, as velhas quezílias a propósito de poder no PSD provocaram danos que nunca foram ultrapassados, nem sequer reparados. Quando o PR diz que há que esperar até às autárquicas, no fundo quer dizer que há que esperar que nas autárquicas Passos seja derrotado e caia. E Portas também não lhe cai bem,,, Pode dizer-se que o inquilino do Palácio de Belém fala demais e sobre temas que não lhe competem – é verdade.

Mas ele é querido do povo português, simpático, sorridente, fala bem e todos e misturando-se com os seus concidadãos, no polo oposto do seu antecessor o múmia de Boliqueime que quando abria a boca nem entrava mosca. A posição do Presidente, do Marcelo como se diz, quanto às hipotéticas e malfadadas sanções vai directa aos corações e aos desejos dos Portugueses. Também tem de se esperar pelo resultado deste braço de ferro.  

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2 Comments:

Blogger José Batista said...

Um bom texto. Parece-me muito lúcido.
Quanto a Marcelo (gosto de o tratar assim) fala muito, é verdade, mas eu prefiro-o assim. É "hiperfalador" e hiperactivo, o homem, mas para múmia, ainda por cima rancorosa, já bastou o anterior.
É que quem fala e actua mostra quem é e como é. Ora, convém que conheçamos o melhor possível o representante de todos nós. Que Passos Coelho o não grama é visível à légua, mas com isso poderá ele e podemos nós muito bem.

11 de junho de 2016 às 19:24  
Blogger Ilha da lua said...

Na verdade, penso que já ninguém ignora quem manda...E, quem manda não anda nada satisfeito com o optimismo contagiante do PR e do PM, e muito menos com as cores gritantes do governo...
Ainda por cima,o céu está azul, o calor começa a fazer-se sentir e o mar está tão perto...Isto é demais-pensam os que mandam-Não perdem pela demora!

12 de junho de 2016 às 00:27  

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