23.9.16

Saraiva & Coelho

Por Antunes Ferreira
Não li a obra obrada nem conto lê-la. No entanto, uma coisa creio que posso dizer a respeito dele: vai ser um best-seller. Infelizmente. O povo gosta das coisas que metam sexo e sangue. O Correio da Manha, a Sábado e a TVI são nisso peritos. Desta feita o sexo vence o alguidar. Como já perceberam trata-se do abjecto livreco do arquitecto José António Saraiva ex-director dos semanários “Expresso” e “Sol”. Que muita tinta tem feito correr neste pequeno rectângulo situado no sudoeste da Europa. E que vem dando dores de cabeça às agências de publicidade: o barulho que originou dispensa-as. Por mal dos nossos pecados.
Conheço este Saraiva de casa de seu tio José Hermano de quem era compadre, pois fui o padrinho do crisma do seu primogénito também José. Desde puto que se revelou um queixinhas, um cusco, um bajulador e um mentiroso – demasiadas “qualidades” juntas num gaiato de sete anos, mesmo para mim que tinha catorze. Por isso posso atestar o que aqui escrevo, dispensando porém a minha palavra de honra. Que o escroque não merece, nem nunca lha havia de dar.
O escarro intitulado “Eu e os políticos” é um chorrilho de perfídias, lama que Saraiva lança sobre pessoas cujas fotos aparecem escarrapachadas na capa, desde Mário Soares até António Costa passando entre muitos outros por Jorge Sampaio, Manuela Ferreira Leite, António Guterres, Santana Lopes e muitos outros. No centro dela – sintomático – há um buraco de fechadura querendo informar sem margem para dúvidas qual a metodologia utilizada na confecção da javardice.
Cada um sabe as linhas com que se cose e Saraiva sabe-as bem. É sua a escolha acanalhada. Diz que aborda a vida sexual dos escolhidos. O que já é reles; mas faz pior: põe na boca de pessoas já mortas afirmações por certo mentirosas que as falecidas citadas não podem desmentir ou defender-se – nem com uma mesa de pé-de-galo. O biltre sabe-se assim impune e escreveu certamente com os pés carregados de chulé as sacanices que me dizem recheiam o livreco. Em resumo, a juntar às outras “qualidades” também é cobarde.
Porém, como é sabido, toda a moeda tem duas faces: no caso presente o anverso é Saraiva e o reverso é Passos Coelho. Isto porque o (ainda) líder do PSD iria apresentar a obra convidado pela Gradiva editora do insulto. Um seu assessor declarou ao “Público” que “O Dr. Pedro Passos Coelho aceitou o convite mesmo antes de ler o livro. Este convite foi aceite tendo em conta a admiração que o Dr. Pedro Passos Coelho tem pela carreira e pelo papel que o arquitecto José António Saraiva desempenhou e desempenha no jornalismo português". De seguida, Coelho insistiu na sua decisão. "Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra".
Mas o “não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito” foi mesmo mandado para trás e dito por não dito e mandado às urtigas. Coelho veio dizer que já não apresentava a bosta. Vai, vai, não vai. Passos até parece um vaivém especial. Já se sabia que o homem era mentiroso e especialista em inventar; foi-se sabendo que era produtor da desgraça, promotor do alarmismo, em suma o velho/novo do Restelo, melhor dizendo da Rua de São Caetano à Lapa. Mas desta feita soube-se que era um perito em dar tiros no pé (dele), utilizando de preferência como arma um míssil intercontinental.

O (re)aspirante a São Bento, à austeridade e ao resgate assim não vai lá. Muita gente que o apoiou - e que o endeusou – já torce o nariz: se o gajo é capaz disto, é capaz de muito mais. E é.

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1 Comments:

Blogger SLGS said...

Aceito tudo o que diz em relação ao Saraiva, mais a mais dito por quem diz que o conhece tão bem. Eu, não o conheço, mas de maneira nenhuma me revejo num indivíduo que se atreve a ser autor de um livro com o conteúdo que aqui se diz e que, por outras vias, também me foi confirmado. Só muito baixo mesmo para se atrever a tal. Face ao que fica, não me é difícil acreditar naquilo que sobre o indivíduo diz.
No entanto, já não entendo o aproveitamento que faz para cascar no Passos Coelho. É verdade que, muito levianamente, se expôs ao garantir apresentar um livro que não tenha lido. Isto lembra a alguém? Erro crasso! Mas também é verdade que depois de o ler, creio eu, viu o erro em que tinha caído e arrepiou caminho. Fez muito bem. Reconheça-lhe o mérito e a coragem e deveria ter-se ficado por aqui. Mas não, aproveitou para bater mais e isso fica-lhe mal. Não sou advogado do Passos Coelho e senti, continuo a sentir na pele, a sua psico sobre a sua austeridade, mas cada coisa a seu tempo e no seu devido lugar.

23 de setembro de 2016 às 16:04  

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