A Mexer por Dentro
O NÚCLEO interior da Terra roda mais depressa do que o próprio planeta. Foi a essa conclusão que chegaram há pouco quatro sismólogos de dois centros de investigação norte-americanos. A notícia não é completamente inesperada.
Há muito que esta possibilidade era discutida, havendo dados apontando nesse sentido e dados contraditórios. O novo trabalho tem as honras de um artigo e de um comentário na "Science" (26 de Agosto, pp. 1357-60).
(Texto integral em «Comentário-1»)
Há muito que esta possibilidade era discutida, havendo dados apontando nesse sentido e dados contraditórios. O novo trabalho tem as honras de um artigo e de um comentário na "Science" (26 de Agosto, pp. 1357-60).
(Texto integral em «Comentário-1»)

1 Comments:
A MEXER POR DENTRO
Nuno Crato
O núcleo interior da Terra roda mais depressa do que o próprio planeta. Foi a essa conclusão que chegaram há pouco quatro sismólogos de dois centros de investigação norte-americanos. A notícia não é completamente Inesperada.
Há muito que esta possibilidade era discutida, havendo dados Apontando nesse sentido e dados contraditórios. O novo trabalho tem as honras de um artigo e de um comentário na "Science" (26 de Agosto, pp. 1357-60).
Saber que o núcleo interior sólido do planeta roda é importante para
perceber a dinâmica do nosso planeta. Mas tão interessante como isso ou ainda mais é ter uma ideia de como podem os especialistas medir uma velocidade de rotação de algo que está cinco mil quilómetros, ou mais, abaixo da superfície.
A resposta, como sempre ou quase sempre é dupla: com observação e com matemática. A observação, neste caso, é a das ondas de choque libertadas por sismos. Registando-as do outro lado do planeta fica-se a saber o tempo que
demoram a atravessá-lo. Sabendo, por observações há muito acumuladas, o percurso aproximado que fazem, podem medir-se as velocidades de deslocação ao longo das diversas partes do interior da Terra.
Depois, é preciso filtrar as observações de erros e de ruídos aleatórios de forma a isolar o sinal. Em seguida, condensar medidas diversas e compará-las. Depois, calcular correlações e estimar um número. São contas e
mais contas. E muito engenhosas.
Conclusão: em momentos diferentes as velocidades de propagação das ondas sísmicas através do núcleo sólido, cuja granulação não é completamente homogénea, foram diferentes. A explicação, filtradas outras interferências,
está na mudança de posição desse núcleo. A Terra está pois a mexer por dentro, mas apenas uns décimos de grau por ano em relação ao manto e à superfície. Até a precisão dos cálculos é impressionante.
(Adapt. do Expresso-Online)
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