14.9.05

O Grande Circo

NO circo, por vezes, o apresentador proclama, acompanhado por um enervante rufar dos tambores: «Estimável público! E agora... mais difícil ainda!».

Ora, é nessa linha do «Mais difícil ainda!» que agora temos (após as nomeações de Armando Vara para a CGD, de Fernando Gomes para a GALP, etc) a criteriosa escolha de Guilherme d' Oliveira Martins, dirigente do partido do Governo, para a presidência do Tribunal de Contas - cujas funções são as que se sabe.

Em defesa disso, Alberto Martins argumentou, dirigindo-se a Marques Guedes:

«É lamentável e um défice de cultura democrática admitir que alguém por ser membro ou próximo de um partido é incapaz de exercer com isenção e imparcialidade as funções públicas».

Claro que isso é inverter completamente a questão, como já o fizera António Vitorino, na RTP, a propósito de outros "artistas": «Era só o que faltava que, lá por serem do PS, não pudessem ser nomeados para isto ou para aquilo!».

Que nos queiram comer por parvos, já não espanta - é uma espécie de direito divino a que todos os governos se arrogam.

O que admira é ver como o PS continua a dar rajadas de tiros nos pés como se fosse a coisa mais natural do mundo.

4 Comments:

Anonymous R.Mateus said...

Esta imagem dos caniches amestrados...

:)))

14 de setembro de 2005 às 20:59  
Anonymous Duarte said...

E o Sócrates ainda deve ter um bom "stock" de ursos amestrados prontos a saltar para a arena...

Infelizmente, o "eles são todos iguais" está a mostrar-se mais certo do que seria de desejar.

14 de setembro de 2005 às 22:14  
Blogger Pólux said...

Apetece-me evocar Camilo, em “Narcóticos”:
«Como eles são tantos que não há que estremá-los por excelirem uns entre os outros, chamamos-lhes simplesmente, e sem excelência… »
Bom, fico por aqui, porque o vocábulo é "pesadote":

Quis somente dizer que o conceito de parentela de certos partidos e partidários ultrapassa em muito o tradicional conceito de família. Senão, ouçamos a queixa de além-túmulo, de um dos maiores escritores, historiadores, sociólogos e economistas portugueses do séc. XIX:


Joaquim Pedro de Oliveira Martins na primeira pessoa - Historiador

(…)

Apesar de ser meu sobrinho-neto, Guilherme d’Oliveira Martins, o que foi Ministro, num ensaio biográfico que elaborou, recusou-se a seguir qualquer tipo de panegirismo ou de justificação sistemática para os meus erros e incoerências.

(…)

Se o meu sobrinho-neto tivesse traçado uma hagiografia ou um retrato intocável não quadrariam, porém, com a minha obra, a minha vida, a minha personalidade e a minha existência… Eu seria o primeiro a recusá-los – a honestidade sempre esteve na “massa do sangue” da nossa família.



Carlos Jaca, Professor de História, 09FEV2005.

15 de setembro de 2005 às 00:39  
Anonymous Bernardo Medina Moura said...

Pensei fazer uma comentário mais completo, mas acrescentar mais ao que já foi dito, pelo autor e comentadores deste blog não é necessario. Eles, governo, querem mesmo apelidar-nos de parvos? Só vai aceitando estas nomeações PATÉTICAS os PATETAS!

15 de setembro de 2005 às 09:45  

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