12.1.09

Camilo - Passatempo com prémio

NA MESMA LINHA dos passatempos com prémio que aqui se fizeram a propósito de Erico Veríssimo e de Eça de Queirós, aqui fica este, já anunciado há algum tempo:
Se tivesse de recomendar um livro de Camilo Castelo Branco a alguém que nunca tivesse lido nada dele, qual escolheria - e porquê?
O autor da melhor resposta que seja dada até às 20h da próxima sexta-feira, dia 16, receberá um exemplar de um clássico da literatura portuguesa, à escolha entre vários que, na altura, serão indicados.
Actualização-1 (16 Jan 09 / 21h27m): para a função de júri, convidei duas pessoas. Uma delas, já deu a sua opinião; aguardo agora a da outra, que chegará, possivelmente, só na próxima segunda-feira, 19. Vamos ter de esperar...
Actualização-2 (18 Jan 09/22h40m): um dos elementos do júri votou em Anjac e Alex-HAL. O outro votou exactamente nos mesmos, mas pela ordem inversa!
Assim, vão ser atribuídos os livros «Onde Está a Felicidade?» e «Vingança» (ambos de Camilo, como se sabe) por um critério muito simples: o primeiro, dos dois leitores, que afixar, em comentário, a sua preferência recebe esse livro. O outro leitor ficará com o outro livro. Obrigado a todos!

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10 Comments:

Blogger Ana said...

Se tivesse de recomendar um livro da autoria de Camilo Castelo Branco, seria certamente o Amor de Perdição, que pela sua simplicidade e harmonia, enfeitiça qualquer um que se atreva a lê-lo... Inclusivamente eu fui uma das vítimas do seu encanto. Todas as pessoas deveriam ler esta fabulosa obra, que tanto engrandece o nosso espólio literário! Entristece-me o facto de muitos portugueses apenas lerem literatura estrangeira (traduzida), quando na realidade temos óptimos escritores, nomeadamente, escritores que agora se revelam... Mas este foi apenas um pequeno desabafo! Se não valorizarmos a nossa cultura, quem valorizará?

12 de janeiro de 2009 às 22:25  
Blogger Alex HAL said...

A Queda de um Anjo.
Entre a obra de Camilo é um caso atípico mesmo que não demasiado distante da essência do que era a sua escrita.
De um ultra-romantismo moderado que introduz bem o que é o tom mais convencional dos restantes romances, é um livro de fina ironia, capaz de fazer rir em voz alta até os mais introvertidos.
Sobretudo se tiverem em conta a forma como o romance espelha ainda hoje a sociedade portuguesa (com as devidas distâncias, dado que é sobretudo um retrato histórico da decadência da época a que pertence).
Por tudo isto, é um romance capaz de seduzir mesmo os menos afoitos ao ultra-romantismo, pois surge temperado, assim seduzindo um leitor estreante que poderá depois seguir para Amor de Perdição ou Onde está a Felicidade?, obras mais características e igualmente brilhantes.

12 de janeiro de 2009 às 22:54  
Blogger António Viriato said...

Questão difícil de acometer, tão vasta e boa foi a safra novelesca de Camilo.

Entre «O Amor de Perdição» e «A Queda de um Anjo» hesito na eleição, porque depende do perfil do imaginado leitor.

Quase direi, por velhos cânones, que ninguém poderá ser considerado vero leitor nesta língua de Camões desconhecendo Camilo, salvo em razão da idade.

Os mais moços ainda poderão ousar alguma justificação; não, porém, por muito tempo.

Tendo estes especialmente em conta, talvez os aconselhasse a iniciarem-se pelo «Amor de Perdição», o grande romance da paixão imperiosa, como não haverá outro aqui na Península, como só Camilo saberia escrever, com força, ímpeto passional, ritmo, surpresa, tecendo drama intenso, tragédia mesmo, e tudo, tudo em português de lei, soberbo, majestoso, directo, prático, misturando o falar pitoresco do povo, com a erudição experimentada do filólogo, como poucos foram capazes de usar na escrita, antes e depois dele.

Quero crer que, ainda hoje, haja corações que se deixem comover, com os transes, com as penas de Teresa e de Simão.

14 de janeiro de 2009 às 00:05  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

... e o curioso é que o Simão do «Amor de Perdição» era um familiar do autor

E a quem diga que Camilo é chato, nada como recomendar o «Eusébio Macário» e a respectiva 2ª parte («A Corja»). É um fartote de rir. Aliás, Camilo escreveu-o(s) por "aposta" em como era capaz de fazer romances "abandalhados", a que chamava "facetos".

14 de janeiro de 2009 às 09:45  
Blogger gizmah said...

Eu não escolheria um livro conhecido dele. E a razão, essa é simples: eu iria aguçar a curiosidade e o gosto com um dos menos conhecidos dele, o que levaria de certo a pessoa a depois ir ler um dos mais conhecidos e falados.
Portanto aconselharia a uma pessoa romantica o "Amor de Salvação" que em toda a sua narrativa acaba por falar mais num amor de perdição entre Afonso de Teive e Teodora Palmira do que realmente em um amor de salvação, narrativa essa que é feita numa noite de Natal devido a um reencontro de 12anos entre os protagonistas que tinha sido prometidos em casamento pelas mães de ambos.
E a alguém que não fosse romantico mas que gosta de ler e procurar respostas em livros aconselharia o "Onde está a felicidade?", uma história de desgraças mas que acaba por demonstrar que a esperança nunca morre nem nas piores situações, porque uma moeda tem sempre o lado inverso.

A Felicidade? "Está debaixo de uma tábua, onde se encontram cento e cinquenta contos de réis"

14 de janeiro de 2009 às 19:24  
Blogger anjac said...

Na vastidão da obra de Camilo Castelo Branco, um dos principais autores do Romantismo português, a escolha recairia indubitavelmente sobre o seu romance mais célebre: “Amor de Perdição”.
Esta seria certamente uma leitura fascinante para quem se inicia na obra camiliana, pois ao longo deste romance o autor retrata, em tom trágico, as frustrações da busca da felicidade e do amor, temática sempre actual e com carácter identificativo, pois num ou noutro momento da vida, todos nós “sentimos na pele” a dor e a frustração de não encontrarmos o nosso lugar no amor… Todos nós sabemos como essa busca pode ser frustrante, pois mesmo quando os amados ficam juntos, muitas vezes isso é conseguido à custa de muito sofrimento (não tanto como o de Simão que “Amou, perdeu-se e morreu amando”) …
Por isso, ao lermos a história amorosa de Simão Botelho e Teresa Albuquerque que vivem um amor proibido e condenado pela rivalidade das respectivas famílias, acabamos por num ou noutro ponto reconhecermos a dor, a angústia e o sofrimento que um dia também vivemos e acabamos por sofrer com a tragédia que se abate sobre eles e que torna impossível a realização da paixão. Toda a história apaixona desde o primeiro momento, e o leitor acaba por viver o livro, envolvendo-se na avalanche de emoções que perpassam cada página.
Esta escolha atinge a sua plenitude quando somos confrontados com as cartas trocadas entre os dois jovens protagonistas apaixonados que estão incluídas no livro, e que intensificam o carácter passional e dramático da história.
Outro aspecto essencial, e não menos importante, será o facto de através deste livro ficarmos também a conhecer um pouco da vida pessoal do seu autor, que teve uma vida atribulada e passional, tipicamente romântica que serviu de inspiração às suas obras. O próprio Camilo, tal qual Simão de “Amor de Perdição” seguiu sempre os impulsos do coração e envolveu-se em peripécias várias, acabando mesmo por estar preso.
“Amor de Perdição” é por isso, na minha modesta opinião, uma obra-prima do Romantismo capaz de agradar aos mais jovens que estão na idade em que “o sangue novo atiça”, àqueles que se apaixonam, mas são vítimas dos obstáculos do amor e a todos aqueles que já viveram ou vivem a dor e o sofrimento provocados pelo amor.

14 de janeiro de 2009 às 19:55  
Blogger Musicologo said...

Eu recomendaria que lesse o primeiro capítulo do "Amor de perdição" e de "A queda de um anjo". Depois continuasse com qual gostasse mais. E estaria o isco lançado. Com sorte talvez acabasse por ler os dois...

16 de janeiro de 2009 às 19:54  
Blogger Tuga_man said...

recomendar um novo livro deste autor, recentemente saido, AVÓDEZANOVE E O SEGREDO SOVIÉTICO, que tal como o premiado retrata a Angola pós 25 de Abril e por outro felicitar o Editor Zeferino Coelho, grande responsável pela edição da obra do autor em Portugal.

16 de janeiro de 2009 às 20:00  
Blogger anjac said...

Muito obrigada pela atribuição do livro! Será que posso ficar com o livro «Onde Está a Felicidade?»?

Carla Simões

19 de janeiro de 2009 às 00:11  
Blogger Alex HAL said...

Calha bem anjac que esse já o tenho.
O Vingança pelo contrário não.

Um abraço!

19 de janeiro de 2009 às 09:00  

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