27.11.09

Os anos do cinema

Por Joaquim Letria

AQUI HÁ TEMPOS, José Vieira Mendes escrevia que faltam no parque cinematográfico português pequenos cinemas que “divulguem obras inovadoras, contemporâneas e de repertório, com uma programação de arte e ensaio, assente na qualidade, na diversidade e na independência”. Dizia ele que “com a facilidade que existe de ver cinema em casa e a dispersão do entretenimento doméstico, caberia a essas salas alternativas ajudar o espectador a tornar-se um cinéfilo exigente com sentido crítico”. Não posso estar mais de acordo.

José Vieira Mendes não tem idade para recordar, mas digo-lhe eu que só a rede de cinemas de bairro que havia em Lisboa, com os seus dois filmes e bilhetes baratos, dava uma ímpar cultura cinematográfica, mostrando filmes espanhóis, mexicanos, italianos, franceses, indianos, alemães, britânicos e americanos, base para os ciclos eruditos dos cineclubes e para as superproduções do Império, Monumental, São Jorge ou Tivoli. Não me cinjo ao Chiado Terrace, Paris, Europa, Lys, Jardim Cinema e outras glórias das salas de “réprise”. Falo dos “piolhos” de bairro, como o Campolide, o Imperial e tantos outros. Dezenas de filmes alternativos projectados diariamente. "Westerns”, drama, acção, guerra, amor, políticos, sociais, comédias, musicais, etc.. Obras boas, más, péssimas e assim-assim. Tudo à disposição. Que saudades!
«24 horas» de 27 de Novembro de 2009

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4 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

O cinema da foto (o Imperial, na R. Francisco Sanches, em Lisboa - que depois passou a chamar-se Pathé) chegou a ser bastante jeitoso, em termos de instalações.

Ainda me lembro que era possível ver 2 filmes por 7$50!

Nos anos "60", o CCUL (Cine-Clube Universitário de Lisboa) usou-o durante muito tempo.

27 de novembro de 2009 às 09:37  
Blogger SisinWah said...

Que saudades mesmo! Não só da qualidade e quantidade da oferta. Também de ir a pé ao cinemazinho do bairro ou, de resolver de repente ir ver um filme ou entrar no cinema sem se ter programado para ver o filme que se perdeu ou de que se ouviu falar tanto… Vivo no centro do Porto e para ir ao cinema tenho que me meter no carro, lidar com um trânsito tremendo e andar uma série de quilómetros para ir a um (grande) centro comercial nos arredores...

27 de novembro de 2009 às 09:39  
Blogger R. da Cunha said...

Tem razão o Joaquim Letria. No Porto também havia cinemas desses: o Águia de Ouro, o Odeon, o Olímpia, não falando no Cinema do Terço - a partir do início da Primavera e até ao Outono - sem cobertura, (mais tarde já com cobertura amovível) - onde se podia fumar, e até o Coliseu (no 'pontapé nas costas' pagava-se 3$50) e outros que não recordo. Já não falo no Trindade, no Rivoli ou S. João (e neste até havia uns bilhetinhos baratos, no 'capoeiro') e foi lá que descobri o Ingmar Bergam. Agora, no Porto não há cinema, só na periferia, sem lugar marcado, com pipocas e coca cola, que dispenso.

27 de novembro de 2009 às 19:48  
Blogger Historias, minha, tuas..nossas said...

Também èvora tinha na decada de 60 3 cinemas e depois os filmes percorriam as casas do povo do concelho.
Hoje a Capital de Distrito não tem nenhum, e como nos arredores não existe centro comercial a solução é ir até Arraiolos que é o que fica mais perto.
Estes são os tempos da não cultura!

29 de novembro de 2009 às 00:27  

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