24.12.09

Passatempo «Os circunflexos e os perplexos»

O PASSATEMPO que hoje aqui se propõe terá uma primeira fase sob a forma de passatempo-relâmpago e outra que decorrerá durante 2 ou 3 dias. Para já, há dois prémios reservados, que se podem ver [aqui]:
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1ª fase: «A quem se devem as palavras que acima se transcrevem?» (As respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa). Actualização (12h26m): a resposta certa já foi dada, como se pode confirmar no link atrás indicado.
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2ª fase: Serão premiados os melhores comentários que sejam feitos a este assunto até às 20h do dia 26 (pelo menos). Cada leitor poderá concorrer quantas vezes quiser. De vez em quando serão afixadas pequenas 'dicas' para animar a discussão.

Actualização: o passatempo prolonga-se até às 20h de 28 Dez 09. Quem não tiver G-Mail pode enviar os seus comentários para sorumbatico@iol.pt

Actualização (20h34m): o júri decidiu atribuir o 1.º prémio a 'Mg' e o 2.º a Carlos Antunes'. Dado que os prémios são os livros indicados no link, 'Mg' poderá escolher o que quer, (tem 24h para o fazer), ficando o outro para C. A.

20 Comments:

Blogger Mg said...

Esse mesmo: o Ministro da Defesa, Augusto Santos Silva!

24 de dezembro de 2009 às 12:19  
Blogger JPN said...

Aproveito este espaço só para deixar uma palavra de boas festas a todos.

24 de dezembro de 2009 às 12:27  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Depois de agradecer os votos de JPN, que se retribuem, lá vai a 1ª dica:

Há 3 regras-de-ouro que as pessoas que têm visibilidade pública costumam respeitar:

1ª - Nem tudo o que se pensa se pode dizer.

2ª - Nem tudo o que se diz se pode escrever.

3ª - Nem tudo o que se escreve se pode publicar.

24 de dezembro de 2009 às 12:57  
Blogger João Rodrigues said...

Gostei do novo uso dos acentos circunflexos. Nunca me tinha lembrado de chamar isso às divisas dos sargentos e cabos. É mais uma ideia para ser usada em comédia. Aproveito também para desejar boas festas a todos como fez JPN.

24 de dezembro de 2009 às 14:31  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

E enquanto não vemos este ministro a fazer propaganda à Citroen, já não é mau.

24 de dezembro de 2009 às 15:29  
Blogger Carlos Antunes said...

Como afirmação tem até bastante graça.
É um desabafo descuidado por vir de quem vem, mas é no fundamental uma demonstração de humanidade.
Rimo-nos dele, pela maneira tão singela como se refere a um símbolo de patente, mas temos de admitir que a maioria de nós sabe ainda menos do que ele.
Claro que nós não temos responsabilidades e ele tem, afinal é o Ministro da Defesa.
Quanto a mim o que ele deveria ter feito era algo muito diferente, que não levaria a uma percepção dele como "peixe fora de água" no seu cargo.
Deveria ter admitido que não conhecia a correspondência dos símbolos às patentes, mas que não era por isso que não compreendia os preceitos que regem a vida e as necessidades militares.
"Os pormenores aprendo com o trabalho." seria o remate ideal.
Mas os políticos, sem as pessoas que lhes escrevam os discursos, são muitas vezes inconvenientes e demasiado sinceros.
Para mim, em particular, são nestes momentos que mais gosto dos políticos e nem levo a mal os "acentos circunflexos".
Claro que a malta do exército, pelo contrário, já é capaz de estar a levar as mãos à cabeça...

25 de dezembro de 2009 às 23:40  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

2ª dica

As principais ferramentas (humanas) de um ministro da Defesa são os militares.

Ora, se alguém contratar um artífice e vier a descobrir que ele ainda não sabe os nomes das ferramentas que usa, o que deve pensar dele?

28 de dezembro de 2009 às 11:49  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

3ª dica

Há muita gente que, devido à sua actividade profissional, teria obrigação de saber usar um computador - mas não sabe.

Desses, há alguns que até fazem gala da sua ignorância...

28 de dezembro de 2009 às 12:20  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

4ª dica

Não tendo feito a tropa, e tendo vindo da extrema-esquerda (MES), S. Silva parece sentir-se na necessidade de exibir uma espécie de anti-militarismo serôdio, como se isso fosse chic - um snobismo bem dispensável.

Acaba, em resumo, por demonstrar menosprezo por aqueles que estão sob as suas ordens, o que não parece ser muito apropriado nem sequer inteligente da parte de um gestor.

28 de dezembro de 2009 às 12:50  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

5ª dica

Os mais velhinhos talvez se lembrem da desabafo de Salgado Zenha dizendo, numa entrevista, que não percebia nada de finanças.

Daí não teria vindo mal ao mundo, se ele não tivesse sido nomeado, pouco depois (oh, malvada partida do Destino!)... Ministro das Finanças!

28 de dezembro de 2009 às 13:22  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

6ª dica

Quem nomeou Salgado Zenha nas condições atrás referidas seguiu a teoria moderna de que "qualquer gestor é capaz de gerir qualquer negócio".

Nem sempre é assim.

Embora não seja preciso ter sido sapateiro para gerir uma rede de sapatarias, é necessário saber alguma coisa do negócio de sapatos e não chamar "botas" a "chinelos".

--

Conheci uma empresa de engenharia electrotécnica que foi líder de mercado enquanto teve à sua frente engenheiros altamente qualificados e respeitados, e que "foi pelo cano abaixo" quando (após uma venda de acções) passou a ser gerida, de alto a baixo, por gestores que nem sequer sabiam o que era um Volt - nem queriam saber.

28 de dezembro de 2009 às 13:35  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

7ª dica

Quando, no já remoto ano de 1970, entrei para o Serviço Militar Obrigatório (Reserva Naval), a primeira coisa que tive de aprender foram os postos militares - não só da Marinha, como dos outros ramos da F.A., por causa das equivalências que era preciso conhecer e respeitar.

Seria impensável, p. ex., que alguém viesse a chamar "capitão" ao comandante de um navio.
Hoje, não só isso é possível por parte de um Ministro da Defesa, como é considerado, por alguns, como algo muito engraçado.

O tonto desprezo-chic pelos militares é tão idiota quanto é verdade que é a eles que a sociedade recorre quando está verdadeiramente aflita.

28 de dezembro de 2009 às 14:19  
Blogger Carlos Antunes said...

Gostei da ideia do artífice na 2ª dica mas acho-o errado para o caso.
Quantos artífices auto-didactas existem que não sabem, realmente, o nome das ferramentas?
E nem por isso deixam de ser os melhores.
Quantas pessoas aprenderam a cozinhar e não sabem o nome das receitas?
Acho que não é necessário saber o nome das ferramentas para se fazer um trabalho, como ao fim e ao cabo não é necessário saber a correspondência entre os símbolos e a posição hierárquica para organizar os recursos militares.
Saber que há 12 generais à disposição serve de muito nessa altura, saber se eles têm 2 ou 3 estrelas não serve de nada.
Mas, lá está, os generais preferiam certamente que a ignorância viesse disfarçada...
Pelo menos esperemos que ele aprenda depressa, senão os símbolos, as funções de cada posto!

28 de dezembro de 2009 às 16:06  
Blogger AMFreitas said...

Vindo este comentário de um ministro, perdão... de um subalterno, perdão... de um circunflexo, permita-me as seguintes observações:

Primeiro: As pessoas teem nomes!
Segundo: A disciplina e o respeito pelos outros vem de casa
Terceiro: Medir todos pela mesma bitola mesmo os "tirinhas"...

Este é o "Ministro da Administração Interna" parabéns pela sábia escolha de quem nos governa neste caso o Estrelinha já chamado no passado de Engenheiro

Cumprimentos
AMFreitas

28 de dezembro de 2009 às 17:41  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Carlos Antunes,

De facto... «Quantos artífices auto-didactas existem que não sabem, realmente, o nome das ferramentas?»

e, de facto, ... «Quantas pessoas aprenderam a cozinhar e não sabem o nome das receitas»

Só que isso é válido para AMADORES e BISCATEIROS, e não para profissionais de topo.

Retomando a minha comparação:
O que pensaria o Carlos se contratasse um PROFISSIONAL DE TOPO para lhe compor o carro e ele ainda andasse a tentar saber o nome das ferramentas, argumentando que tinha "muito jeito"?!
Eu, pelo menos, não o queria nem para mudar uma roda!

No caso de S. Silva, estamos a falar de alguém que está num posto alto da hierarquia do Estado e que, em relação às F. A., é um PROFISSIONAL DE TOPO.

A meu ver, não se pode comportar como "um curioso com jeito para a coisa".

--

NOTA: Não sou eu que faço de júri deste passatempo, pelo que as minhas opiniões (negativas em relação ao caso e à pessoa) não vão contar.

28 de dezembro de 2009 às 19:13  
Blogger Mg said...

O Ministro das Finanças deve saber de cor a tabela do Imposto do Selo?
O Ministro dos Transportes deve saber qual a marca predominante dos veículos que fazem transportes públicos?
A Ministra da Cultura deve saber de cor todos os estilos arquitectónicos dos imóveis que integram o Património Português?

Parece-me que não.

Ficava-lhes bem, é certo, mas parece-me que não, assim como não me parece que isso influa no desempenho das suas funções.

O “engraçado” nesta história, para mim, é ter sido Augusto Santos Silva a fazer o papel de “apanhado”. E logo Augusto Santos Silva!

Ele que está (ou estava, especialmente na última legislatura), sempre solicito para distribuir pancada e apontar defeitos alheios, apanhou-se agora no meio de uma fotografia em que o boneco, com um pouco de “fermento novelístico”, não ficou lá muito bem.

Se lhe fica mal dizer aquilo? Assim à primeira vista, fica!

Mas, caramba, no meio de tanta matéria e tanto dossier para estudar e para “agarrar pelos cornos” (no que respeita a cornos, aqui sim, Pinho esteve mal!), será que o não saber a que patente pertence o acento grave ou agudo é… grave?

Não é por aí que fico preocupado.

Claro está que as Forças Armadas não devem ter ficado nada contentes. Logo as Forças Armadas, onde a disciplina e o rigor impera.

Ver o seu Ministro cometer uma gafe desta envergadura deve ser motivo (estarei, eventualmente, a exagerar...) para vergonha e desonra.

Mas para o cidadão normal no que ao exercício das funções de Ministro diz respeito, sejamos realistas, mais estrela, menos estrela, mais tira, menos tira, nem aquece nem arrefece.

Dá para “cascar” no Ministro que está lá e que não percebe nada da coisa, dá para fazer umas linhas ou uns meio-minutos nos telejornais, mas o sumo que se extrai não é muito.

É quase como o outro, que um dia foi Primeiro-Ministro e que se viu grego para calcular quanto eram, salvo erro, 6% do PIB.

Ficou mal na “fotografia”? Ficou! Ainda hoje toda a gente se lembra e brinca com isso? Sim!

Mas terá sido esse um dos seus defeitos principais? Não! De todo!

Teve o azar de ter de fazer do pé prá mão, e “de cabeça”, uma conta com muitos zeros e não o conseguiu. Azar maior: a televisão registou!
Eu também registei, na altura, e registo agora. E um dia que veja o Ministro a saudar um pelotão irei imaginar que ele estará a pensar com os seus botões: “Gusto, pá, as estrelas são dos Generais, mas isso dos acentos circunflexos esquece, que são coisas que se te meteram na cabeça!”

E assim anda a “gramática” politica portuguesa: nuns dias, com acentos a mais, noutros, a menos…

28 de dezembro de 2009 às 19:23  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Pergunta 'Mg':

«O Ministro das Finanças deve saber de cor a tabela do Imposto do Selo? O Ministro dos Transportes deve saber qual a marca predominante dos veículos que fazem transportes públicos?
A Ministra da Cultura deve saber de cor todos os estilos arquitectónicos dos imóveis que integram o Património Português?»

-
O ideal, claro, era que as respostas fossem SIM. Mas, mesmo supondo que sejam NÃO, as comparações não são válidas, porque

ignorar que existem "sargentos e cabos" (em vez de "o pessoal subalterno dos acentos circunflexos" remete para um grau de ignorância tão básico que não me parece compatível com as funções em causa.

É como (para manter a comparação sugerida por Mg)...

... se um Ministro das Finanças não soubesse a diferença entre uma taxa, uma coima e um imposto

...se um Ministro dos Transportes não soubesse distinguir um autocarro de um eléctrico

ou

... se um Ministro da Cultura julgasse que Chopin tinha escrito concertos para violino.

28 de dezembro de 2009 às 20:14  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

... no entanto, mais grave do que a ignorância é o facto de o ignorante fazer gala dela - procurando, para mais, ser engraçadinho, sem sequer perceber que essas graçolas são ofensivas para os seus subalternos.

28 de dezembro de 2009 às 20:22  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Dentro de minutos será afixada a classificação em "actualização".

28 de dezembro de 2009 às 20:28  
Blogger Mg said...

Não querendo entrar nas intermináveis discussões como as que surgiram aquando da análise da questão do voto em branco vs abstenção, permita-me o seguinte comentário.

Saber a diferença entre uma taxa, uma coima e um imposto, e entre um autocarro de um eléctrico
é o bê-à-bá, para o Ministro da tutela, no primeiro caso, e para o comum dos cidadãos, no segundo.

Saber, de cor e salteado, a composição da Tabela Geral do Imposto do Selo já não o é, nem para um Ministro.

Do mesmo modo, e sob o ponto de vista da governação, não me parece obrigatório (e não estou a defender Santos Silva, note-se) que o Ministro tenha de saber na ponta da lingua a quem pertencem as estrelas (e as suas quantidades), os cometas, as tiras, os riscos, os acentos circunflexos ou os parentesis curvos.

Se lhe ficava bem saber isso, nesta altura do campeonato, ficava concerteza!

Que tal seja obrigatório e que influa directamente na sua actuação como Ministro, parece-me que não.

Qualquer dia, o pobre diabo (e lá vem novamente à baila a questão dos cornos...) até tem de saber quantas "mudanças" tem um submarino ou um avião de combate. ..

28 de dezembro de 2009 às 20:37  

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