6.11.20

O meu obrigado aos cómicos

Por Joaquim Letria

Fui jornalista muitos anos em todos os meios de comunicação, em muitos sítios e países. E trabalhei muito e profundamente nessa profissão fascinante que é a de dar a conhecer aos outros o que acontece e aquilo que eles devem e precisam de saber.

O esforço era igual em todo o lado, naturalmente, mas paciente, interessado, minucioso, rigoroso e no nosso espírito com o interesse de quem vai ler, ouvir ou ver o nosso trabalho para saber o que se passa.

Não tinha muito que saber, acho eu. Era, no fundo, apurar o que tinha acontecido a quem, onde, quando, como e porquê. E naturalmente, sempre que possível – e era sempre possível – enriquecer estes elementos essenciais com pormenores complementares de interesse. As regras há séculos que estão estabelecidas, ser breve para não maçar, ser claro para que gostem e entendam e bem escrito, ou bem dito, para que não esqueçam.

Ainda há pouco tempo tive ocasião de recordar estes elementos a ler um experiente jornalista, António Luís Marinho, que citava regras de Victor Hugo a Pulitzer, passando por Thomas Jefferson e outros mestres.

Marinho escrevia o seu artigo acerca deste tema porque, queixava-se ele, sabia mais coisas e conhecia mais pormenores e notícias no programa humorístico “Isto é Gozar com quem trabalha”do que propriamente nos telejornais ou reportagens televisivas. E eu concordo. Fiquei a saber melhor o que disseram no Congresso do Chega pelo programa humorístico do Ricardo Araújo Pereira do que nas diferentes coberturas jornalísticas onde me procurei informar.

Ainda bem que há cómicos que nos dizem o que se passa, porque os repórteres de hoje em dia não têm tempo nem condições, e os chamados seus chefes jornalistas estão a tratar da vidinha na intrigalhada interna das estações e nas guerras das audiências.  

Citação por citação, também vou fazer uma que era bom que quem brinca com as televisões se não esquecesse e a praticasse na sua simplicidade. O fundador da BBC e seu primeiro Director Geral, Sir John Reith, disse algo muito simples e nada difícil de cumprir, assim alguém o deseje. Definiu ele a televisão em geral, e a BBC em particular, como não apresentando dificuldades  em se cumprirem os seus objectivos. “Uma TV é para informar, formar e entreter”.

Vejam só as dificuldades de quem trabalha nos audiovisuais…

Publicado no Minho Digital

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1 Comments:

Blogger Dulce Oliveira said...

Rapazinhos engraçadinhos com trejeitos e sotaques esquisitos, passo
Não me arrancam sequer um esboço de sorriso e acho-os boçais e deprimentes

7 de novembro de 2020 às 14:04  

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