23.11.07

A Netcabo e a Staphylokokus

Hoje de manhã, ao abrir a página do SORUMBÁTICO, deparei-me com um grande aviso da Netcabo que me informava que eu havia sido identificado como spamer, na medida em que estava a enviar 1000 e-mails por minuto!
«E esta?! Decerto apanhei algum vírus!» - pensei eu, naturalmente preocupado. «Se calhar, não devia ter mudado do Panda (pago) para o Avast (gratuito!).
No entanto, pouco tempo depois, a mesma Netcabo pedia-me desculpa pelo engano, porventura inspirada na história que seguidamente se pode ler (*)...
-oOo-
A GLORIOSA STAPHYLOKOKUS, LDA.
NA REALIDADE, (pelo menos que eu saiba), não existe por aí nenhuma firma chamada Staphylokokus.
Mas sucede que, quando eu tenho de relatar factos embaraçosos passados com empresas minhas conhecidas, preciso de ter alguns cuidados – de contrário, arrisco-me a ter de responder em tribunal por atentados ao seu bom-nome, pois a liberdade de expressão tem alguma limitações, como toda a gente sabe. Além do mais, o que vou contar envolveu uma pequena marotice da minha parte que - embora com alguma vergonha, confesso… - passo a explicar em detalhe.

*
TODA A GENTE que tem correio electrónico já recebeu (e às dúzias, se não mesmo às centenas) estranhas mensagens alertando para terríveis perigos. São todas do mesmo género:
«Atenção!!! A Microsoft avisa! Se receber uma mensagem com um anexo intitulado A Bíblia dos Monges apague-a imediatamente! De contrário, o seu computador será destruído…», etc., etc.
Em geral, só varia o nome do tal ficheiro supostamente perigoso (havendo muitos outros - um que dá pelo nome de Life is Beautiful também está sempre a aparecer) e a mensagem, depois de descrever as incríveis desgraças que nos podem suceder se não acreditarmos nela, termina invariavelmente apelando para que avisemos este mundo e o outro, começando por todos os nossos amigos.
Na realidade, o melhor é avisar só os inimigos, pois trata-se dos famigerados hoax, ou vírus-peta (uma espécie de vírus-dos-pobrezinhos): embora não estraguem coisa nenhuma, atafulham as caixas-de-correio das pessoas crédulas - que, a avaliar pela quantidade de vezes que os recebo, são quase infinitas.
Ora sucedeu que, depois de apanhar com vários desses e-mails vindos da Staphylokokus, resolvi servir-me de uma variante para uma pequena marotice que só hoje confesso.

*
A HISTÓRA passou-se assim:
A Staphylokokus tinha-me dado um trabalho para fazer em casa; no entanto, devido à grande quantidade de encomendas que nessa altura me apareceram, acabei por me esquecer totalmente do compromisso assumido com ela.
Assim, quando, dias depois, a Dra. Geringonça (a Chefe dos Serviços de Informática) me telefonou a perguntar se ele já estava feito, fiquei sem fala; e, quando a recuperei, recorri à resposta habitual em casos semelhantes:
- Está quase, já não falta tudo… – respondi, sem grande convicção.
Como eu receava, ela não foi na minha conversa e, sem esconder o seu aborrecimento, informou-me, com maus modos, que contava receber o trabalho por e-mail nessa mesma tarde. Se assim não fosse – depreendia-se… – o nosso contrato cessaria de imediato.
E foi quando, bastante nervoso, me sentei ao computador para tentar fazer qualquer coisa, que tive uma ideia fabulosa: inventar um desses vírus-peta, para, graças a ele, bloquear os computadores da Staphylokokus e ganhar, com isso, o precioso tempo de que precisava para cumprir a minha parte do contrato.
A primeira ideia que tive para passar à prática essa pequena marotice implicava enviar para lá uma dessas mensagens que eles mesmos me tinham mandado, mas pensei que o melhor seria, já agora, introduzir algumas pequenas alterações, quanto mais não fosse no nome e características do suposto vírus.
E foi assim que alguns colaboradores da Staphylokokus receberam, pouco depois, um e-mail onde se podia ler, em grandes letras vermelhas:
«ATENÇÃO! A Microsoft avisa!!! Acaba de aparecer um novo vírus perigosíssimo!!! Se receber uma mensagem que tenha, em cabeçalho, a palavra SUBJECT ou ASSUNTO apague-a imediatamente!!! De contrário, o seu computador vai começar a deitar fumo e derreterá em menos de 5 minutos!!! Avise toda a gente, começando pelos colegas da sua empresa, pois o vírus propaga-se, de preferência, nos meios empresariais! E comece já por ver se esta mensagem está nas condições referidas!!!!».
Recostei-me para trás na cadeira e não precisei de esperar muito tempo até receber um telefonema da Dra. Geringonça:
- Espere, Jeremias! Não mande nada ainda! Estamos com um perigoso vírus nos computadores todos! Quando o problema estiver resolvido eu aviso-o!
Sorri, satisfeito, e foi nessa altura que me veio a inspiração que me faltava, e que me permitiu fazer o tal trabalho em pouco tempo. Depois, foi só esperar que a doutora me voltasse a telefonar, o que sucedeu ao fim do dia.
- Olhe, não mande nada ainda! Tivemos aqui um falso alarme de vírus, mas, quando já estava tudo esclarecido, o sistema voltou a encravar – é que as pessoas desataram todas a enviar umas às outras o aviso de que o vírus é falso, e está tudo outra vez num pandemónio!
Assim, e para não perder mais tempo (pois aproximava-se a hora de ver o futebol na televisão), acabei por tirar os ténis, calçar os sapatos novos, e ir lá pessoalmente levar o CD com o trabalho – cujo tema era… «Os falsos vírus».
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(*) Capítulo 10 do livro «Jeremias dá uma mãozinha», Plátano Editora. E-book disponível em formato PDF [aqui]

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2 Comments:

Blogger R. da Cunha said...

Bem "esgalhada", esta. Continua com a pedalada habitual na matéria!
NB - Cuidado com o virus "bom dia", que tem atafulhado a minha caixa nos últimos dias.

23 de novembro de 2007 às 19:18  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Quando se recebe um destes mails-de-terror, claro que é de desconfiar, pois em 99% dos casos são mentira.

Assim, e antes de se fazer a triste figura de divulgar um disparate, não custa nada espreitar em

http://hoaxbusters.ciac.org/

e, em "search", escrever as "palavras mágicas".

23 de novembro de 2007 às 19:37  

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