20.11.07

Porto Santo

Por Nuno Crato

Fachada da casa de Cristóvão Colombo
UMA DAS PINTURAS ANTIGAS de Cristóvão Colombo encontra-se num local inusitado. É uma casa antiga, provavelmente mais antiga que o célebre navegador. Felizmente, está hoje restaurada. Situa-se no centro de uma das cidades mais pequenas do país: Porto Santo.
Não se sabe ao certo se Colombo terá vivido nessa casa. A tradição local diz que sim, que foi aí que o descobridor residiu, provavelmente já casado com Filipa de Moniz, filha de Bartolomeu Perestrelo, primeiro Capitão Donatário da Ilha. Pode ter sido aí também que nasceu o seu filho Diogo, mas nada se sabe ao certo. Há mesmo quem defenda que Colombo teria nascido em Portugal. No seu conhecido romance «Codex 632» José Rodrigues dos Santos explora essa hipótese.
Também não se sabe ao certo se o navegador era parecido com a pintura que existe nessa casa, hoje transformada num pequeno, mas precioso museu. Ao lado dela, perfeitamente conservada, mostram-se reproduções de outras do mesmo navegador. São dez e quase todas diferentes. Colombo não poderia ter tantas faces.
O museu tem outros objectos que falam da ilha e das navegações. Numa sala anexa encontra-se um rico centro de documentação. Os textos que apresentam o museu são especialmente informativos. Não caem no erro habitual de dizer que Colombo estava isolado na sua convicção de que a Terra é esférica. Os Gregos tinham-no já mostrado e os cosmógrafos e homens cultos da época sabiam-no bem. Mas não acreditavam nos números em que o navegador dizia acreditar. Não acreditavam pois que ele pudesse alcançar a Ásia nas condições de navegação da época. Estavam certos, apesar de ter sido Colombo quem, estando errado, descobriu um continente. A essa sorte inesperada chama-se serendipidade.
«Passeio Aleatório» - «Expresso» de 17 de Novembro de 2007 (adapt.)

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2 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Algumas curiosidades:

* Cristóvão Colombo não fez só a viagem de 1492 que tanto o celebrizou. Fez mais três.

* Morreu convencido que tinha chegado às Indias.

* Foi o navegador Américo Vespúcio quem, mais tarde, se apercebeu de que Colombo tinha descoberto um continente novo.
Mesmo assim, parece estranho que tenha sido Vespúcio a dar o nome ao continente. Stefan Zweig atribui o facto a um mal-entendido tipográfico, num título.
Qualquer coisa do género:

«Relato da descoberta de um novo continente por Américo Vespúcio»

O título tem duas leituras...
O relato é que era de A.V., e não a descoberta.

* Luís de Albuquerque, no «Curso de História da Náutica», diz que Colombo atribuiu a Cuba a latitude de 42º (o dobro da real) devido ao aparelho usado (que descreve), que tinha uma graduação dupla...

20 de novembro de 2007 às 09:21  
Blogger Unknown said...

De referir que Cristóvão Colombo serve de mote para uma das iniciativas que mais destaque dá ao Porto Santo, o "Festival de Colombo", que tem lugar todos os anos, em Setembro, e que decorre durante uma semana. O ponto alto do Festival é a recriação do "desembarque de Colombo" e acompanhantes, no cais da cidade "capital" do Porto Santo, Vila Baleira, tudo como manda o figurino, com os participantes todos aperaltados à época, seguindo-se um desfile pelaa ruas da cidade, à luz de archotes.
Digamos que é um saudável contraste com aqueles tristes dias conhecidos como "as férias no areal", expoente máximo da "silly season" na Madeira, em que AJJ e "sus muchachos" se mudam, de armas e bagagens, para o Porto Santo, sendo o centro das atenção de tudo o que é órgão de Comunicação Social regional...

20 de novembro de 2007 às 18:38  

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