28.2.08

A Quadratura do Circo

O acto tão belo de ensinar
Por Pedro Barroso
FUI, NUMA OUTRA ENCARNAÇÃO que recordo com um misto de saudade e enfado, professor durante mais de uma vintena de anos. De tal vivência sobra a memória de alunos que se fizeram homens, e que ainda hoje me abraçam no reencontro de um passado que foi comum, embora vivido de lados opostos da cátedra.
Juntando essa experiência com o tempo de aluno - desde os seis anos até ao mais alto grau de licenciatura que a possibilitou - contarei, por alto, mais de quarenta anos a lidar em escolas várias, como aluno e como mestre. Creio que é tempo de ter as experiências digeridas e as andanças suficientemente aprofundadas. Nunca pensei, contudo voltar a falar de ensino com a seriedade e a amargura que vos trago hoje.
Foi um tempo em que se aprendia quando era mester de aprender. Tinha de se decorar a tabuada e aprender a fazer contas, coisa que hoje foi substituída pelas máquinas portáteis de calcular. Tinham de aprender-se os rios e os seus afluentes da margem esquerda e direita, as vias rodoviárias e ferroviárias, a História de Portugal nos seus falsos heroísmos, é certo, mas com um detalhe que abrangia o Gonçalo Mendes da Maia, o Fuas Roupinho, a Deuladeu Martins, o alferes Duarte de Almeida, o Decepado, os reis e seus cognomes, o mapa cor-de-rosa, o Teorema de Pitágoras, a construção do octógono, o SO4H2, enfim.
Tinha de aprender-se a convulsiva Revolução francesa, a geografia do mundo, os cristais e minerais, as línguas em uso, o desenho geométrico ainda a tira-linhas, compasso e outras palamentas rústicas convertidas hoje em ridículos objectos de museu. Liam-se «Os Lusíadas» e a lírica Camoneana; e Gil Vicente, Garrett, Júlio Dinis, Camilo, Eça. Obrigatórios.
Respeitavam-se os professores. Havia faltas de castigo, faltas de material e até faltas por atraso. Uma crueldade, talvez. Mas havia. E no fim perdia-se um ano por chumbar no exame, por mau aproveitamento ou por excesso de faltas. Inapelável.
Ninguém batia num professor; nem aluno, nem pai exaltado. Os conflitos e problemas eram tratados com Directores de Turma; e no caso de serem mais complicados, passavam ao Director de Ciclo, ao Vice-Reitor ou em última análise ao Sr. Reitor, última instância de decisão, autoridade e suposta equidade.
Sentíamos um ambiente de normal deferência, provocada por uma educação, talvez, demasiado acrítica. Eram tempos que não importa defender, sabemos. Mas em que uns aprendiam, outros ensinavam, e o mérito aos melhores reflectia-se, quase sempre - passem algumas embirrações injustas ou simpatias casuais, que sempre as houve - na classificação correspondente ao seu saber.
E afinal, deveria ser, até, um tempo doce e cândido, esse de estudar. Um tempo que se relembra, um dia, com saudade. O primeiro zero no ditado. O primeiro desenho de uma elíptica. O primeiro texto em inglês que se traduziu. O primeiro compasso solfejado sem erro.
Do mesmo modo, já jovem adulto, julgando saber tudo, tenho também igual memória da primeira aula que dei, da reacção dos alunos, da relação discreta e casual mas respeitadora com os pais.
Ao longo da vida, tal como todos nós, coleccionei conhecimento. Mas os trunfos e dados principais, as bases fundamentais do aprender a aprender, esses foram-me dados pela Escola. Por todas as escolas, em todos os escalões e importâncias.
Conheci o outro lado do ensino, como vos disse, na pele de professor efectivo dos Liceus.
Ora bem. Davam-se aulas. Essencialmente isso. O tempo que nos davam em que aparentemente não estávamos a trabalhar, estaríamos em casa a estudar, a preparar aulas, a ver pontos, a aprendermos e relembrarmos muitas vezes a matéria que a nós mesmos nos andasse distante, para melhor a podermos dar no dia seguinte. Ou a descansar de uma das mais duras profissões do Mundo. Que também pertence.
Nas reuniões de notas discutiam-se critérios e aproveitamentos. Nos exames examinava-se o que realmente aquele aluno sabia ou não da disciplina em questão. Uma vez por período escolar acertava-se o passo na matéria, para que uns professores não andassem demasiado depressa e outros demasiado devagar. Mas a actividade essencial de uma escola era o ensino. A transmissão. A aprendizagem. Havia que ensinar. Havia que aprender.
Hoje, vejo os professores mais desiludidos que nunca com a sua profissão. Todas as interferências do tecido social, das associações de pais, dos eventuais mecenas e das superiores e enfadonhas tarefas administrativas impostas, imiscuíram-se no ambiente escolar, ocuparam o tempo do professor e diminuíram o seu prestígio e determinância no acto educativo.
As reuniões preparam-se com mais reuniões. O aumentado tempo de horário de permanência na escola não proporciona nem o auto-estudo, o descanso, a renovação, ou a auto-formação essencial.
Atafulhados em papéis para preencher, parece que os professores têm de justificar ao Mundo inteiro as suas análises, as suas classificações e metodologias. A legislação não pára de nos surpreender. Numa versão peregrina de alguma cabeça delirante, uma proposta houve, não sei se ainda vigente, em que a Escola poderia passar a ser dirigida por um representante dos Encarregados de Educação, ou empregados de Secretaria, ou, até, pelo representante eleito do Pessoal auxiliar.
Cabeça semelhante às que, nada mais tendo para fazer, elaboraram o novo tipo de conceitos e designações gramaticais, de memória ainda fresca no ridículo de todos nós. Tanta produção de legislação apenas tem trazido o caos, nunca a liquidez, nem a simplicidade dos factos – Uma Escola é um local de ensino, e pronto.
No outro dia, junto de um ex-aluno meu, há muito tempo já, hoje, ele próprio, professor, colhi o desabafo em relação à sua evolução técnica pessoal de que quando tinha tempo ainda não sabia, e que agora, que ia sabendo, não lhe era dado tempo para desenvolver essas aptidões.
Os programas indulgentes criam alunos ignobilmente inaptos, leia-se analfabetos. E o país, enganado, julga ter o nível educativo em alta. Aferido em que bitola de qualidade? Ao quilo?
Os alunos são, aliás, bombardeados com currículos demasiado carregados - feitos para deslumbrar a Europa, talvez - e desajustados, sombrios, feitos de matérias para esquecer. No fim, um dia, brindam a uma licenciatura sem futuro nem cabimento e infelizmente, quantas vezes, acabam engrossando a lista nacional do desemprego.
A Escola assim tornou-se um massacre para os professores. Uma amálgama de créditos, neo-hierarquias, deveres e secretariado forçado em que quase se parece esquecer o acto maior de ensinar.
Em vez de alma e alegria vejo raiva surda, revolta e perplexidade nas escolas de Portugal. Violência. Abuso. Cansaço. Impotência. Tempo perdido.
Não haverá mão que aja? Não haverá consciência que pare para pensar?
*
Actualização 1 (CMR): ver post seguinte - prémio para o melhor comentário a esta crónica. Os que já foram feitos também serão considerados.
Actualização 2 (4 Mar 08): o comentário premiado foi o de "Anti-Eduquês", a quem se pede que, até às 20h do próximo dia 10, escreva para sorumbatico@iol.pt, indicando morada para envio do prémio.

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12 Comments:

Blogger homoclinica said...

Muito bem. Sobretudo a ideia, que inexplicavelmente desapareceu da cabeça destes governantes, de que
"Uma Escola é um local de ensino, e pronto."

Agora é tudo menos isso.
Que lindo futuro se está a preparar!
É só gestão. É só eduquês. É só economicismo.

As crianças não têm a obrigação de aprender. Andam na escola só para se entreter enquanto os pais trabalham.
Passam todos de ano e o governo mostra ufano os números do sucesso escolar.

Conheço pais que ameaçaram os filhos de lhes cortar a mesada se eles tiverem a triste ideia de quererem ser professores.

29 de fevereiro de 2008 às 10:47  
Blogger José Luiz Sarmento said...

Deixem os professores ensinar. Deixem os alunos aprender. Tão simples quanto isto.

29 de fevereiro de 2008 às 11:23  
Blogger rc said...

Tudo me parece andar de volta da exigência. Fez-se passar a ideia de que a exigência era sinónimo de totalitarismo, de brutalidade ou mesmo crueldade. Desse fantasma, deu-se início ao processo de desautorização dos professores, conferindo cada vez mais direitos, mas menos deveres, aos alunos.
Juntando a isto, a vontade cega de alcançar “números” próximos das médias europeias, percebemos porque hoje os alunos não chumbam por faltas, porque os professores estão atolados em burocracias para chumbar alunos, porque inclusive, se pretende avaliar os professores de acordo com o sucesso (na pauta não nos conhecimentos) dos seus alunos.
A exigência é uma miragem, o saber, um produto menor do sistema de educação.

29 de fevereiro de 2008 às 12:24  
Blogger Ana C. said...

Mais do que um comentário, um desabafo, arrepiantemente premonitório...

Sobre a avaliação dos professores... ou sobre um país em que o S do poder do presente acaba por se assemelhar a um S de poderes que julgávamos já passados!!!



Perguntem a qualquer professor digno desse nome se ele quer ser avaliado. E a resposta é SIM! Claro que sim! Mas qual é o bom profissional que investe na carreira e que quer ter o mesmo SUF automático num relatório para progressão na carreira que aquele que vê o ensino como uma forma de ganhar dinheiro "para os alfinetes"? Qual é o bom profissional que investe muito do seu tempo e da sua energia para querer depois ser "metido no mesmo saco" daquele que pouco ou nada faz??? Qual é o professor digno desse nome que gosta de ganhar o mesmo (ou ainda menos, se estiver num escalão inferior) do que aquele que é bem pior profissional do que ele?

Será este país tão estúpido e tão cegamente arrogante para achar que pode existir sem professores? Será este país tão estúpido para achar que a forma de limpar o ensino dos maus profissionais (que existem, claro que sim! E não contem comigo para ser corporativista...) é atacar todos os professores, atribuir-lhes as causas de todos os males da sociedade, desde os meninos que se drogam porque os professores faltam (ouvi isto da boca do senhor Albino, da Confederação de Pais) até aos de falta de produtividade do país? Será este país tão estúpido e tão arrogante que entenda poder não reconhecer as horas que os professores dedicam a preparar as aulas, a pensar em como “agarrar” aquele aluno que anda meio perdido, a telefonar vezes sem conta para os pais do outro miúdo que anda completamente desorientado, a gastar dinheiro do seu bolso em materiais de apoio, a levá-los a ver museus, teatros, exposições, conhecer coisas que muitos pais, confortáveis nos seus fins de semana de centro comercial, não estão para fazer? Já agora, para os que dizem que os professores só querem passear, pensem que o podemos fazer com os nossos filhos e amigos, sem ter que passar 12 horas fora de casa de um dia que, passado, na escola, seria de muitas menos e sem a responsabilidade de tomar conta dos filhos dos outros. Será este país tão estúpido e tão arrogante que esqueça que são os professores, como é, obviamente, sua função e responsabilidade, a dar a todos os alunos o melhor das ferramentas de que dispõem, sejam elas científicas, intelectuais, sociais, de cidadania e de tudo o mais que possam imaginar e entender necessárias?

Será este país tão estúpido e tão cegamente arrogante que não perceba que sem os professores que tentam tirar os miúdos do miserabilismo intelectual em que muitos vivem (independentemente da classe social) teremos cada vez mais uma escola de pobrezinhos onde, para não haver insucesso, devo partir daquilo que "a criança" é e sabe, descer ao encontro dos seus interesses, por causa do insucesso, etc, etc,etc... (como isto dá jeito aos donos dos colégios...)? Assim, ajudamos os pobrezinhos a cumprirem o seu (pré)desígnio na vida... Será este país tão estúpido que não perceba que sem os professores que se estão a borrifar para estes determinismos sociais e que tanto trabalham, se for essa a vontade do aluno, para ser médico o filho do cozinheiro como o deputado, teremos cada vez mais o país da elite, a quem tudo é possível, e o dos outros, fechados e condenados ao atraso e a perpetuarem o meio onde tiveram o azar de nascer?

Será este país de "professores de bancada" (pois, tal como no futebol, todos parecem saber mais do que é ser professor do que nós, pelos vistos os mais incompetentes do todos os profissionais deste país!) capaz de parar da gastar o tempo (tempo este em que muitos se poderiam dedicar, digamos, a educar os próprios filhos, a ir à escola saber deles, a dedicar-lhes tempo, sei lá...!) a fazer analogias entre as empresas privadas e os professores? Será este país tão estúpido e tão cego que não veja, nas empresas, as políticas de incentivo, os prémios de produtividade, os seminários de motivação, os telemóveis de serviço, os computadores da empresa para trabalhar em casa e, sem ir ao mais óbvio, os ordenados? Será este país tão estúpido que não entenda que os professores são profissionais qualificados, não têm o 9º ano nem tão só o 12º? Portanto, sejam pelos menos honestos (se não conseguirem ser inteligentes!) nas comparações.

Será este país tão estúpido e tão cegamente arrogante? Quantos de vós não devem muito do que são a professores que tiveram? Ou os vossos filhos?

Será o meu país tão cego e tão arrogante???

Assim, perguntem a qualquer professor digno desse nome se ele que ser avaliado... E ele responde-vos que SIM! O que não queremos mais é ser constantemente humilhados, culpabilizados, achincalhados, denegridos, tratados sem a consideração, o respeito e a inteligência que a minha profissão e o meu profissionalismo me concedem o direito de exigir!

E, citando Almada Negreiros:

UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!

... cada geração tem o Dantas que merece! Mas também tem nas suas mãos o poder de o reduzir à sua insignificância... Até porque do Dantas, o verdadeiro, o Júlio, não fora o testemunho/desabafo do Almada Negreiros, e já se teria dissolvido na poeira dos tempos...

5 de Junho de 2006

Ana Mendes da Silva, professora na Escola Secundária da Amadora

29 de fevereiro de 2008 às 15:25  
Blogger homoclinica said...

Por acaso já tinha reparado no texto do comentário anterior, que está publicado aqui http://educar.wordpress.com/2008/02/28/contributos-a-avaliacao-e-porque-a-queremos/ e por o achar tão bom o tinha já reproduzido aqui http://homoclinica.blogspot.com/2008/02/claro-que-sim.html. Não sei se quem assina é a mesma Ana que o colocou no comentário anterior...
Até já tinha enviado este texto por mail para alguns professores de bancada, que conheço, que continuam a afirmar, erradamente, que os professores rejeitam qualquer tipo de avaliação.

29 de fevereiro de 2008 às 16:13  
Blogger Musicologo said...

Depois de tudo o que já foi dito, e muito bem!, pela Ana, só tenha a acrescentar uma coisa a respeito do post de Barroso:

Antigamente tinha-se medo. A cultura era imposta pelo MEDO. Não se iludam. Quase nenhuma criança vai de bom grado para a escola às oito da manhã. Ela vai obrigada. E vai porque tem medo, porque lho mandam fazer. Uma vez lá chegada ela estava direitinha e aprendia e estudava porque tinha MEDO. Medo que lhe ralhassem, que lhe dessem com a palmatória, que os pais a castigassem quando chegasse a casa.

Isso pode assustar os nossos pedagogos e defensores das crianças apologistas que "não se faz mal aos meninos". Mas há alternativa? Claro que há, deixar a ditatura do medo de lado e deixar os meninos (que são conscientes e sabedores da realidade do mundo) decidirem por si mesmos o que fazer. Resultado:

Uma geração de amimalhados que não têm medo de nada nem de ninguém. Que não se esforçam para nada, porque não são castigados. Que não respeitam professores nem encarregados de educação, porque sabem que não sofrerão consequências. Uma geração que conseguiu virar pais contra professores em vez de os unir: se o pai bate, chama-se o serviço social para retirar a criança ao pai. Se o professor bate, abre-se-lhe um processo disciplinar porque é mau professor.

E o menino é sempre inocente e sagrado.

Quanta ilusão!

A reforma do ensino tem de se fazer pelas bases. BASES! E o problema principal, não está nos professores nem nos encarregados de educação enquanto tal. Está na forma como os meninos crescem na sociedade de hoje e a encaram enquanto tal.

Onde estão as regras?

Não digo que uma ditadura de Medo e pancada seja o ideal, mas já ficou provado - uma democracia ou até mesmo uma anarquia com as crianças, não funciona!

29 de fevereiro de 2008 às 16:30  
Blogger Anti_Eduquês said...

O autor tem toda a razão, é por isso que tenho denominado o monstro gigantesco e burocrático ministério da educação de ministério das actividades lúdicas, entretenimento e guarda de crianças e jovens, porque é disso que se trata.

A verdade é que, hoje, as escolas têm como missão alimentar e justificar a existência do monstro. E o monstro está completamente subordinado ao lobby das ciências da educação e ao "eduquês".

Os professores tudo devem fazer, especialmente trabalho de secretaria e se tiverem tempo podem leccionar...!

No entanto, desenganem-se aqueles que julgam que um dia o sistema de "ensino" devolverá às escolas e aos professores o seu verdadeiro objectivo - transmitir o conhecimento produzido pelas nossas gerações anteriores. É que aquilo que tem que ser feito é impopular e perigoso para a manutenção do poder seja qual for o governo.

Imagine-se o cenário de uma verdadeira reforma do sistema de ensino em Portugal.

Imagine-se a quantidade de eleitores furiosos com as seguintes alterações:
1. exames nacionais a todas as disciplinas no final de cada ciclo de ensino;
2. escolas e /ou turmas de nível, ou seja escolas e/ou turmas para alunos menos bons, para alunos satisfatórios e para alunos bons;
3. exames de escola de acesso às mesmas;
4. escolas dedicadas a cursos profissionalizantes.

Haveria manifestações em massa por parte de alunos e pais, a contestar estas medidas óbvias e necessárias para que o país se possa desenvolver no contexto actual de economia global em que a mão de obra e o conhecimento deixou se ser local e passou a ser global.

Haveria pressões, por parte das confederações patronais, uma vez que os pais teriam, forçosamente, que ter horários decentes para educarem os filhos.

Haveria pressões sindicais por acharem que se estava a construir uma escola que favoreceria a exclusão social.

E como os resultados só apareceriam a longo prazo, depressa o governo que tivesse a coragem de aplicar tais medidas desapareceria de cena.

Por isso aqui digo, mais uma vez, que o facilitismo defendido pelas “ciências” da educação e pelo “eduquês” constituem um discurso demasiadamente interessante para qualquer governo de qualquer cor partidária em Portugal.

Este discurso de facilidade para alunos e respectivas famílias é deveras tentador para a classe política uma vez que é populista, demagógico, de curto prazo e eleitoralista.

Por isso, considero que, por enquanto, não aparecerá nenhum governo a fazer aquilo que tem que ser feito neste sector.

Assim, continuaremos, todos, a assistir ao desgaste permanente da classe docente, à massificação de certificações que depressa deixarão de significar o que quer que seja para a sociedade, fazendo com que os diplomas tenham apenas interesse do ponto de vista legal.

Assim, continuaremos, todos, a assistir à transformação da escola pública numa espécie de escola para as classes menos abastadas financeira e/ou culturalmente, e ao aparecimento de escolas privadas de elite, cavando ainda mais as diferenças entre classes sociais em Portugal.

Portanto, tudo aquilo que as “ciências” da educação defendem – uma escola que sirva as classes sociais menos favorecidas poderem ascender socialmente – é inalcançável com a sua filosofia de educação contextualizada em vez de ensino a sério!

29 de fevereiro de 2008 às 18:16  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

O que sucede é que, na maior parte das situações, pode ser-se penalizado de imediato pelos actos errados (se roubar uma carteira no metro, posso ser preso; se em dia de tempestade sair sem guarda-chuva, molho-me; se atravessar a rua fora da passadeira, posso ser atropelado).

Mas na educação há um grande intervalo de tempo entre as causas e as consequências, e o Ser Humano tem tendência para "navegar à vista".

Os portugueses vão acabar a lavar os rabos dos estrangeiros que venham para cá passar os seus últimos dias.
Mas, nessa altura, já será tarde.

29 de fevereiro de 2008 às 18:27  
Blogger Nuno Sousa said...

Caro Carlos M. R.:

Já me questiono à algum tempo sobre de onde vem os livros que oferece?

Cumprimentos

NS

1 de março de 2008 às 02:49  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Nuno Sousa;

Os livros são quase todos ofertas - de editoras, autores, convidados, leitores, amigos, etc.

Há também alguns obtidos por troca, e ainda outros que tenho aqui repetidos e já não sei onde guardar...

1 de março de 2008 às 12:29  
Blogger Blondewithaphd said...

E por aqui se vê o descontentamento que grassa no sistema educativo português. Pergunta idiota de uma loura que de vez em quando pensa que sabe umas coisas: se eu vejo a decrepitude na educação, se eu noto a crescente e arrepiante nova iliteracia, se eu me apercebo que a classe docente é uma classe mártir porque é que quem de direito não nota?

Bolas, será assim tão difícil cercear os enviesamentos da educação em Portugal?

1 de março de 2008 às 23:27  
Blogger homoclinica said...

"...porque é que quem de direito não nota?"
Quem???
Quem não conseguiu acabar o curso no ISEL, (que tinha aulas noturnas, sim senhor, sempre teve e terá) e teve de ir faze-lo para uma universidadezita fácil e de amigos?
Que experiência tem de exigência e rigor no ensino e na avaliação?

2 de março de 2008 às 17:51  

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