21.5.08

‘Boom’

Por João Paulo Guerra
Portugal vai ter até ao final do ano que vem mais 20 a 25 hospitais privados.
ESTA SERÁ A OFERTA do mercado privado para a procura criada pelo laborioso e sistemático desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde cometido por sucessivos governos, do partido X como dos partidos Y e Z. Em consequência de tais políticas há hoje um mercado de cerca de 1,7 milhões de portugueses que pagam para ter a saúde que os respectivos seguros lhes garante. Por exemplo: o seguro cobre a cirurgia, faça-se a cirurgia. Se não cobrir, cada um é livre de morrer à vontade e barato.
** Foi assim que, paulatinamente e perante a abstenção de todos quantos juraram defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, a saúde deixou definitivamente de ser “tendencialmente gratuita”. Isto significa uma revisão da Constituição à revelia das normas e procedimentos constitucionais previstos para alterar a lei das leis. Mas quem quer saber da Constituição e de veleidades “tendencialmente gratuitas” perante os milhares de milhões do negócio da saúde?
** Acontece que este ‘boom’ de hospitais privados está a colocar no horizonte um novo problema, para o qual os solícitos governantes e equiparados portugueses vão ter que arranjar solução. Dentro de quatro anos vão faltar os médicos para acompanhar o que o Diário de Notícias de ontem designava por “dinâmica da iniciativa privada”. Mas está bem de ver que solução vai ser encontrada: bastará desligar da máquina o moribundo SNS, desviando-lhe os recursos humanos e deixando-o entregue a uma dúzia de utopistas dispostos a tratar indigentes.
** É o mercado a funcionar. Como habitualmente com a mãozinha do Estado a dar o empurrão decisivo sem o qual a “dinâmica privada” não funciona.
«DE» de 21 Mai 08 - c.a.a.

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1 Comments:

Blogger Azul Diamante azul said...

Palavras para quê se já disse tudo.
Quem tem dinheiro vai ao médico quem não tem fica em casa.

Passei por aqui navegando ao acaso.

22 de maio de 2008 às 01:34  

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