22.5.08

GÔÔÔÔÔÔÔ.....LO DE PORTUGA…..AAAAAAL!!!...

Por A. M. Galopim de Carvalho

SOU UM DOS MUITOS PORTUGUESES que acham que temos futebol a mais nos nossos media. Uns dizem que é o ópio do povo, outros comparam-no ao circo da antiga Roma. É claro que também se sabe que os jornais, as rádios e as televisões são operadores económicos que, como tal, visam o lucro e também, sejamos justos, assegurar o ganha-pão dos seus trabalhadores. Este belo mas nem sempre respeitável desporto vende bem e os três ou quatro diários, que dele vivem, rapidamente desaparecem das bancas. Às horas dos telejornais, toda a família se cala para ver os golos e ouvir os relatos ou comentários acerca de episódios e protagonistas dos subterrâneos do futebol. Nestes dias que antecedem o EURO 2008, a agitação nacional atinge o clímax e ninguém se importa com o desemprego, com o aumento do pão ou do leite, com os milhões gastos nos estádios vazios ou em saber quem vai ganhar as directas no PSD. Este viver colectivo, desinteressante e sem esperança, lembra-me, cada vez mais, um outro que vivemos, anos atrás, no tempo da ditadura, com a diferença de que o ópio de então era o óquei em patins.
** Montreux, Raio, Jesus Correia, Correia dos Santos, Emídio Pinto, Edgar e os irmãos Serpa, Sidónio e Olivério, vieram-me de jacto à memória, mais de meio século depois de, em família, ouvidos colados à telefonia, vibrarmos com os golos, sempre muitos, e as vitórias da Selecção Nacional, em relatos inflamados, onde as palavras corriam velozes e em aceleração ao ritmo das avançadas... - GÔÔÔÔÔÔÔ...LO!!!,... GOLO DE PORTUGA…AAAAAL!!!... – gritava, entusiasmadíssimo, o Artur Agostinho. Nesses anos, nas ruas, a garotada transformava ripas de madeira em sticks, e qualquer pedrinha lhes servia de bola. À hora dos jogos, quase sempre ao serão, Évora inteira recolhia a casa para mais um banho de auto-estima nacional, coisa rara entre nós, nessa época cinzenta e triste. Foram horas felizes numa cidade então sem futuro para os jovens da minha geração e condição, que levou muitos de nós a procurar outros horizontes.
** Mais tarde, um neto da minha tia (por afinidade) Maria Martinha, de São Manços, o nunca esquecido Livramento, reaproximou-me do hóquei em patins que, diga-se, foi a única modalidade desportiva que me tocou de muito perto, como espectador, claro, pois que a única que pratiquei foi o berlinde e, mesmo assim, perdia quase sempre, como dizia o saudoso Prof. Orlando Ribeiro, meu Mestre.
«FORA DE PORTAS – Memórias e Reflexões», a ser lançado na próxima Feira do Livro - Mai 08; as crónicas que o autor aqui afixa estão também disponíveis no seu blogue-arquivo Sopa de Pedras.

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2 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Aqui fica uma curiosidade:

Jesus Correia era, ao mesmo tempo, hoquista e futebolista - e MUITO bom, em ambas as actividades.

Quando, hoje, procurei uma imagem para ilustrar esta crónica, tive de escolher entre fotos dele a jogar futebol (pelo SCP) ou hoquei (pela Selecção Nacional)...

22 de maio de 2008 às 21:07  
Blogger Pena Escarlate said...

O jogo do pau!!...Nós na "Tribo" utilizamos mais as machadinhas, arcos e flechas contra os "caras-pálidas", que são os espanhois lá do sítio.

23 de maio de 2008 às 12:45  

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