27.10.08

Memória

Por Joaquim Letria
UMA DILIGÊNCIA que a Procuradoria Geral da República mandou arquivar e que dizia respeito ao pedido dum cidadão espanhol para que se investigasse a morte acidental dum irmão do rei Juan Carlos, quando os Bourbon residiam no Estoril, na década de 1950.
Esse pedido indicia que as coisas andam estranhas, em Espanha, onde o mediático juíz Baltazar Garçon anda agora a remexer nas ossadas dos mortos da guerra civil e da repressão da ditadura, apesar da democrática lei da amnistia de 1977.
Quando Franco morreu na cama, em 1975, e se produziu a exemplar transição democrática, ninguém em Espanha quis ver investigadas as violações dos Direitos Humanos nem que fossem condenados os verdugos da violência assente nos escombros duma guerra civil em que mais dum milhão de pessoas foram mortas.
Uma ditadura de 40 anos condicionou toda a evolução até à democracia. E isso também se aplica à memória colectiva dos povos de Espanha e à sua gestão em democracia, capaz de distorcer passados de tortura e morte com mais de 70 anos.
«24 Horas» de 27 de Outubro de 2008

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1 Comments:

Blogger O Puma said...

Meu caro

trate dos vivos

enterre os mortos

27 de outubro de 2008 às 23:22  

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