18.11.08

Durão não desgruda

Por Alfredo Barroso
MÁS NOTÍCIAS para o futuro da União Europeia: os partidos de direita integrados no PPE (Partido Popular Europeu) ameaçam reconduzir José Manuel Durão Barroso no cargo de presidente da Comissão Europeia. Porventura com a honrosa excepção de Ângela Merkel, quase todos os dirigentes da direita europeia acham, como no velho e famoso anúncio da prevenção rodoviária, que «connosco o miúdo vai sempre atrás».
Infelizmente para o patriotismo bacoco dos «tugas» que nos governam, entre os quais se inclui o primeiro-ministro «socialista mas pouco» José Sócrates, a recondução de Durão Barroso será mais um sintoma de degradação e um sinal de decadência da UE. Ele é um símbolo vivo do pragmatismo sem princípios, sem ideias e sem ideais, que caracteriza esta geração de políticos europeus no poder. E é um dos exemplos mais flagrantes do oportunismo, da mediocridade e da incompetência na condução dos negócios públicos, tanto a nível interno (foi mau primeiro-ministro) como a nível supranacional.
Não são poucas as vozes que criticam o presidente da Comissão Europeia pela «falta de liderança, timidez e incompetência» na gestão desta grave crise económica e financeira. «O presidente incompetente da CE», como lhe chama sem pestanejar Joschcka Fischer, anseia por que lhe renovem o mandato graças à «inocuidade» e à «subserviência» que demonstra em relação aos seus «patrões» políticos. Para tanto, não hesitou em assumir o papel de «chevalier servant» de Nicholas Sarkozy, durante a presidência francesa ainda em curso, revelando total «inaptidão» para dar voz própria à Comissão Europeia.
É bom não esquecer que foram precisamente estas razões que levaram a direita europeia a escolhê-lo para o cargo, há cinco anos, porque não havia mais ninguém que aceitasse tal papel. E foi escolhido, note-se, depois de ter sofrido, em Portugal, uma esmagadora derrota nas eleições europeias (contra Ferro Rodrigues, sublinhe-se). Aproveitou, então, para se pôr ao fresco, dando o dito por não-dito. É hoje o único sobrevivente político da ignominiosa cimeira dos Açores, que ratificou a invasão do Iraque. Tony Blair e Aznar foram à vida (e que rica vida!). Bush júnior já está com os «patins». Só o nosso inefável Durão não desgruda. Está agarrado ao tacho como lapa à rocha. Uma vergonha!
NOTA: Esta e outras crónicas do autor estão também no seu blogue Traço Grosso.

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5 Comments:

Blogger mafegos said...

Infelizmente é a sina dos politicos portugueses pós 25 de abril,os tachos são para eles e para a familia.
Podia enumerar os politicos cujos filhos se meteram nas empresas públicas sem curriculo ,porque eram os filhos de "fulano tal"e que são da esquerda,mais propriamente do PS.
Não vamos falar da Universidade independente,onde muita gente do PS se formou?
Não vamos falar das fundações que se fizeram neste país e então que geitão fez ao PS aquela Macau.
Eu também queria ser presidente da cruz vermelha,mesmo que tivesse 80 anos,pois são uns bons milhares de euros por mês.São exemplos que nunca mais acabam.

18 de novembro de 2008 às 17:47  
Blogger Sepúlveda said...

Touché, Mafegos.
"Está agarrado ao tacho como lapa à rocha."
Até parece que está toda a gente a tentar tirá-lo de lá e ele é que nem mexe. A ele dá-lhe jeito... e a muitos outros também. Caso contrário, tinham-lhe metido os patins.

19 de novembro de 2008 às 18:49  
Blogger Fartinho da Silva said...

E o "PS"? Não tem nada a dizer? Prefiro um milhão de vezes Durão Barroso à frente da União Europeia ou de Portugal do que José Pinto de Sousa.

19 de novembro de 2008 às 18:55  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Entre Sócrates e Barroso, venha o diabo e escolha?
Claro! Mas não será isso uma falsa questão?
Estaremos fadados à escolha do mal menor?

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Quando um treinador pergunta (como Scolari fez): «Querem que a equipa ganhe ou que jogue bem?»
A resposta é simples: isso é uma falsa questão, pois o "ou" não é admissível. Os 'meninos' são pagos (e bem pagos) para fazerem as duas coisas.
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Lénine, um dia, respondeu a uma dessas falsas questões argumentando:
«Se alguém te perguntar se preferes ter os dois braços ou as duas pernas, o que é que respondes?»

19 de Novembro de 2008 20:35

19 de novembro de 2008 às 20:36  
Blogger Jorge Oliveira said...

Concordo com a observação do leitor Mafegos, ao recordar que também há muita gente “agarrada ao tacho” no PS, a família política do autor do artigo.

No entanto, o que está aqui em causa não é propriamente a aplicação do velho ditado do Frei Tomás (façamos como ele diz, não façamos como ele faz). Não é tanto a existência de gente agarrada ao tacho, que sempre haverá, mas sim a forma como aparecem os tachos, como são geridos e agarrados.

Do lado direito do espectro político, concretamente, do lado do PSD, os tachos resultam de improviso, inspiração individual e oportunismo.

Do lado esquerdo, concretamente, do lado do PS, os tachos são criados, geridos e distribuidos a partir de uma estrutura que superiormente dirige as operações.

Enquanto no PSD se observa a acção dispersa de uns quantos pilha galinhas, individuais ou reunidos em pequenos grupos (o caso BPN é sintomático), no PS tem-se a acção concertada de uma seita.

É esta diferença fundamental que dá ao PS a solidez que tem revelado, enquanto no PSD se observam os jogos de empurrão a que vamos sendo habituados.

Por exemplo e restringindo-nos a tachos internacionais, veja-se a diferença entre o caso de Durão Barroso, que actuou por oportunismo individual, e os casos de Ferro Rodrigues, António Guterres, João Cravinho, Jorge Sampaio, que revelam uma superior forma de planeamento e entreajuda de socialistas nacionais e internacionais.

Esta profunda diferença parece não ter sido ainda compreendida pelos estrategos (?) do PSD, razão pela qual andam por aí a penar, sem rumo certo e sempre à espera de uma vitória por falta de comparência do adversário.

20 de novembro de 2008 às 08:52  

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