28.12.08

O MAIS RECENTE livro de José Saramago é divertido e interessante. Li-o de uma enfiada. No entanto, quando tropecei na 4ª palavra da 9ª linha da página 227 fiquei perplexo!
Que diabo! Tratar-se-á de uma gralha?! Ou não?
Quem decifra o mistério - a troco, p. ex., de um livro policial da colecção Vampiro?
NOTA: o livro é inspirado num acontecimento verídico: a viagem, em 1551, de Lisboa a Viena, de um elefante indiano enviado por D. João III. Uma semelhante, em 1513, levou um outro elefante a Roma, ao papa Leão X, a mando de D. Manuel I. Algumas páginas da crónica escrita por Damião de Góis, que referem a segunda, podem ser lidas [aqui].

12 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Como parece que está difícil, o prémio sobe para 2 livros (da mesma colecção)...

28 de dezembro de 2008 às 17:00  
Blogger carlos ponte said...

Gralha não será com certeza. A única gralha nas obras de Saramago está na "História do Cerco de Lisboa" e essa, foi lá posta propositadamente. Aqui o autor quer dizer tão só, "dura", "crua" realidade. Penso eu que ainda só li até à página 80.

28 de dezembro de 2008 às 18:01  
Blogger carlos ponte said...

Desculpem o duplicado. Não é trocadilho.

28 de dezembro de 2008 às 18:03  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Carlos Ponte,

(Eu apaguei o duplicado)

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Neste livro, há 2 pequeníssimas falhas de revisão: são hífens duplicados (como o que se pode ver na 6ª linha da pág. 230).
Não têm qualquer importância, mas mostra como podem suceder.

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A 1ª edição de «O Ano da Morte de Ricardo Reis» (salvo erro) tinha também um erro que foi corrigido nas seguintes:

A posição da proa dos barcos ancorados no Tejo estava ao contrário.

28 de dezembro de 2008 às 18:09  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Então aqui vai a frase em causa:

«No fundo, há que reconhecer que a história não é apenas selectiva, é também discriminatória, só colhe da vida o que lhe interessa como material socialmente tido por histórico e despreza todo o resto, precisamente onde talvez poderia ser encontrada a verdadeira explicação dos factos, das coisas, da puta realidade».

28 de dezembro de 2008 às 18:18  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Resumindo e concluindo:

Como, de facto, não é nada provável que seja gralha (puRa em vez de puTa), pergunto:
Alguém se opõe a que os livros policiais sejam enviados a Carlos Ponte?

São eles, e tendo em conta o tema:

«Crime no Jardim Zoológico» (de Carter Dickson) e «A Fera tem de Morrer» (de Nicholas Blake).

28 de dezembro de 2008 às 20:50  
Blogger Ana said...

Nada a opor...

28 de dezembro de 2008 às 22:32  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

OK, os livros já seguiram.

29 de dezembro de 2008 às 12:34  
Blogger carlos ponte said...

Obrigado!

29 de dezembro de 2008 às 12:54  
Blogger Mr. Shankly said...

A propósito da 2ª viagem relatada, de um elefante ao Papa Leão X, existe um excelente livro de Lawrence Norfolk, com o título "O Rinoceronte do Papa". Alguém me pode exlpicar se é gralha, liberdade ficcional...

29 de dezembro de 2008 às 15:10  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Nestas ofertas de D. Manuel ao papa, houve também um rinoceronte, imortalizado por A. Durer, e que morreu na viagem

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«Dürer desenhou um rinoceronte sem nunca na vida ter visto um rinoceronte. O episódio vem relatado na História de Lisboa, de Dejanirah Couto, e conta-se rapidamente.
O rei português D. Manuel I (1469-1521) gostava de fazer alarde do exotismo encontrado pelos navegadores portugueses no estrangeiro, chegando mesmo a ter por hábito exibir-se nas ruas acompanhado por um cortejo luxuoso que abria com cinco elefantes indianos, seguidos de um animal pouco conhecido e de aparência surpreendente que Afonso de Albuquerque lhe enviara: um rinoceronte.
Este rinoceronte enchia D. Manuel de orgulho. São conhecidos relatos de um certo combate que deveria ter-se realizado entre o rinoceronte e um elefante, se este último, assim que apenas avistou o primeiro, não tivesse desatado a correr, absolutamente descontrolado, desde o Palácio da Ribeira até ao Rossio, espezinhando aqueles que ousaram intervir. Por altura da partida de uma embaixada de Tristão da Cunha a Roma, D. Manuel, querendo a todo o custo impressionar o Papa, decidiu que tão maravilhoso animal tinha de fazer parte da comitiva.
Preso por uma corrente de ferro dourada e com uma coleira de veludo enfeitada de cravos e rosas, o rinoceronte embarcou com destino ao porto de Génova. A viagem, contudo, não correu tão bem como era desejado: o navio naufragou devido a uma tempestade.
O afogamento do animal não se revelou, porém, suficiente para desanimar totalmente a embaixada portuguesa. Segundo Damião de Góis, o corpo do animal foi recolhido junto à costa e empalhado. O Papa teve, assim, oportunidade de observar o que restava dele. Mesmo morto, o rinoceronte terá impressionado todos os presentes».

29 de dezembro de 2008 às 15:55  
Blogger carlos ponte said...

J'agora mais uma dica: no admirável "O Império dos Pardais" de João Paulo Oliveira a Costa, que aconselho vivamente, está uma descrição bastante pormenorizada do rinoceronte indiano de D. Manuel - o "ganda" - com relato da dita luta, etc.

29 de dezembro de 2008 às 18:12  

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