19.2.09

Pântanos

Por João Paulo Guerra
O general Garcia Leandro, na qualidade de presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo - OSCOT, deu a entender que a criminalidade económica-financeira "eclodiu" no final do ano passado pelo que vai ser a grande revelação da terceira exposição do Observatório, depois de análises anteriores terem detectado e quantificado a criminalidade violenta e o crime contra o património.
A VERDADE É QUE A CRIMINALIDADE económico-financeira é tão antiga que é mesmo anterior à velha moda dos colarinhos brancos. Em Portugal é antiquíssima e hoje será difícil aos limnólogos localizarem as origens exactas do pântano português.
É verdade que quem primeiro falou no pântano foi o engenheiro António Guterres. Disse em 2001, depois de perder as autárquicas, que se ia embora para evitar o pântano. Mas se algumas pantanosas figuras vêm dos tempos de Guterres, não é menos verdade que se revelam hoje paludosas criaturas anteriormente empantanadas, se não com a fama pelo menos com largo proveito. O pântano é riquíssimo em nutrientes e tem muitas outras vantagens: não passa nem exige facturas, não cobra IVA, não faz retenções nem pagamentos por conta, é discreto, surdo e mudo, não deixa rasto e tem canais de drenagem para ‘off-shores' pelo sistema de vasos comunicantes.
Claro que a podridão não será boa vizinhança. Mas, por definição, podridão é o estado do que é podre. Diferente será o podre do que é Estado e esse nem sequer tem cheiro. Pelo menos, as polícias e o Ministério Público por mais que cheirem não farejam nada que se veja. Quando muito, detectam alguma ventosidade que se ouça. Mas nesse caso há sempre a hipótese de as escutas serem consideradas inconstitucionais.
«DE» de 11 de Fevereiro de 2009
NOTA (CMR): Acerca das «investigações que andam ou não andam», vale a pena ler o post de João Gonçalves «Tens para a troca?».

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2 Comments:

Blogger Fartinho da Silva said...

São os sinais claros da queda iminente da 3ª República!

Não tenho qualquer dúvida em afirmar que ou as elites assumem as suas responsabilidades e governam o país ou algo de muito grave acontecerá e mais depressa do que se julga! A revolta está latente, o desespero é evidente, a fome começa a apertar para muito mais gente do que aquela que alguma vez se pudesse imaginar, este governo atiçou portugueses contra portugueses e a justiça é completamente incapaz de prender quem comete crimes relacionados com o tráfico de influências, nepotismo e corrupção!

Este filme já toda a gente o conhece, foi assim na queda na Monarquia, foi assim na queda da 1ª República... e, escusado será ter que lembrar os acontecimentos que se sucederam...

19 de fevereiro de 2009 às 19:06  
Blogger Táxi Pluvioso said...

Tenhamos esperança. Se a crise acabar com a economia, acaba-se também o crime...

20 de fevereiro de 2009 às 07:35  

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