17.2.09

Fernando Namora - Passatempo com prémio

NO SEGUIMENTO dos passatempos que aqui se fizeram a propósito de E. Veríssimo, Eça, Camilo, Aquilino, R. Brandão e J. R. Miguéis, aqui fica este:
«Se tivesse de recomendar um livro de Fernando Namora a alguém que nunca tivesse lido nada dele, qual escolheria - e porquê?».
Os prémios, para as duas melhores respostas dadas até às 20h de 22 Fev 09, serão exemplares de «A Nave de Pedra» e de «As Frias Madrugadas», oferta da Livraria Santiago.
NOTA: os concorrentes a este passatempo deverão, também, enviar para sorumbatico@iol.pt a resposta à seguinte pergunta: «Qual a morada da livraria que oferece os dois livros referidos?»
Actualização (23 Fev 09/10h29m): o júri deu a seguinte classificação: António .. 5 pontos; Rosa Brava .. 3 pontos; Joana e Heresias ... 2 pontos cada. Como só há 2 livros para atribuir, serão enviados aos 2 primeiros classificados. Obrigado a todos/as!

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8 Comments:

Blogger António Bettencourt said...

Recomendaria que não perdessem tempo a ler Fernando Namora. É um escritor menoríssimo que nem uma nota de rodapé merece na Literatura Portuguesa. Mas, com muitos da sua geração, como era de esquerda, foi incensado. Hoje em dia, muito merecidamente, ninguém o lê. O seu sucesso e o seu enorme valor literário (sim, era o mais traduzido dos escritores portugueses, lembram-se?) duraram felizmente 6 meses de luto aliviado.

17 de fevereiro de 2009 às 18:17  
Blogger MTeresa said...

Recomendaria "Retalhos da vida de um médico". Médico de profissão Fernando Namora conhecia bem esta profissão e o lado humanista que ela carrega e que actualmente está em extinção! Vejam-se as urgências dos nossos hospitais ou as enfermarias lotadas!!

Este livro mantém-se incrivelmente actual.... relata as misérias humanas que existiam em Portugal nessa altura e que ainda existem nos nossos dias... A ler por quem se interessa por este lado humano na relação médico/paciente e que infelizmente se está a perder e temo que desapareça de um todo.... pois vai-se estudar medicina não porque se quer ajudar as pessoas mas porque dá muito dinheiro!!

18 de fevereiro de 2009 às 10:38  
Blogger ROSA BRAVA said...

Apesar do seu estilo literário nunca ter sido reconhecido, e digo isto porque não posso comparar Fernando Namora a Zézé Camarinha ou a Carolina Salgado,(conhecem???),sem qualquer dúvida que recomendo
" Retalhos da Vida de um Médico", uma obra que vale por todo o seu conteúdo prático, e pelos valores que encerra.
Numa época dificil, Fernando Namora transporta para o quotidiano de uma forma "graciosa" todos os conhecimentos que adquiriu para a prática da sua actividade. O facto de ser médico de província, imprime-lhe um carisma de abnegação e de paixão pelo que faz. É o que se designa na gíria o " vestir a camisola". Desprovido da matéria essencial (o dinheiro)ele lutava c/ parcos recursos para salvar os seus doentes.
Sendo a saúde um bem essencial, é hoje apenas privilégio de ricos.
Que falta nos fazem muitos "Fernando's Namora".
Recomendo vivamente para quem não conhece a história.

18 de fevereiro de 2009 às 13:30  
Blogger Carlos Antunes said...

Oh rosa brava, a ironia é bonita, mas tantas vezes mal usada...
Então o Namora, profundamente reconhecido entre portas e fora delas, não é estudado nas escolas com afinco porquê?
Será por ser um plagiador esquerdista a quem todos "lamberam o rabo" e só o Luiz Pacheco teve coragem de afrontar?

Se não vou tão longe como o AB é porque lhe reconheço como poeta açguma verve bem usada, como no Mar de Sargaços, a minha recomendação de onde tirarei um exemplo do poeta que chegou a ser, o melhor argumento para quando se quer recomendar um livro:

"Foi-se tudo
como areia fina escoada pelos dedos.
Mãe! aqui me tens,
metade de mim,
sem saber que metade me pertence.
Aqui me tens,
de gestos saqueados,
onde resta a saudade de ti
e do teu mundo de medos.
Meus braços, vê-os, estão gastos
de pedir luz
e de roubar distâncias.
Meus braços
cruzados
em cruz de calvário dos meus degredos.
Ai que isto de correr pela vida,
dissipando a riqueza que me deste,
de levar em cada beijo
a pureza que pariste e embalaste,
ai, mãe, só um louco ou um Messias
estendendo a face de justo

para os homens cuspirem o fel das veias,
só um louco, ou um poeta ou um Cristo
poderá beijar as rosas que os espinhos sangram
e, embora rasgado, beber o perfume
e continuar cantando.
Mãe! tu nunca previste
as geadas e os bichos
roendo os campos adubados
e o vizinho largando a fúria dos rebanhos
pela flor menina dos meus prados.
E assim, geraste-me despido
como as ervas,
e não olhaste os pegos nem as cobras,
verdes, viscosas, espreitando dos nichos.
De mão nua, entregaste-me ao destino.
Os anjos ficaram lá em cima, cobardes, ansiosos.
E sem elmos ou gibões,
nem lutei nem vivi:
fiquei quieto, absorto, em lágrimas
— e lá ao fundo esperavam-me valados
e chacais rancorosos.

Mãe! aqui me tens,
restos de mim.
Guarda-me contigo agora,
que és tu a minha justiça e o exílio
do perdido e do achado.
Guarda-me contigo agora
e adormece-me as feridas
com as guitarras do fado.

Mas caberá no teu regaço
o fantasma do perdido?"

Quanto ao romancista, chato como se escrevesse um relatório, mas do "Retalhos da vida de um médico", recomendam-se as ilustrações do Cambraia!

18 de fevereiro de 2009 às 14:30  
Blogger Heresias said...

Livro:Retalhos da vida de um médico. Porquê?
O médico João Semana, que vai de encontro ao povo, de outrora, não tem nada a ver com o médico de agora. (Re)lê-lo pode ser um exercício de humildade, que se recomenda a todos: pobres e ricos, velhos e novos, mulheres e homens, cristãos e pagãos, médicos e outros, etc....
Saudações

20 de fevereiro de 2009 às 18:44  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

E «A Casa da Malta», alguém leu?

21 de fevereiro de 2009 às 11:00  
Blogger Heresias said...

"A casa da malta"? Por acaso não. Mea culpa, mea culpa...

21 de fevereiro de 2009 às 15:19  
Blogger Unknown said...

O Trigo e o Joio

“Gostaria de vos contar coisas dessa gente. Coisas da vila, do Alentejo
cálido e bárbaro e dos heróis que lhe dão nervos ou moleza, risos ou
tragédia. [...] E gostaria de vos falar ainda dos trigos e dos poentes
incendiados, dos maiorais e dos lavradores, do espanto dos dias, do
apelo confuso da terra, da solidão.”
É assim que começa a minha obra favorita de Fernando Namora, e aquela que aconselharia todo os leitores.
O seu tom profundamente humano reflecte a sua actividade profissional, tantas outras vezes presente na sua obra. Este texto em particular desvenda-nos as lutas de um pequeno povo rural a debater-se, sozinho na sua pobreza, frente ao egoísmo e ao orgulho dos grandes proprietários. Denuncia problemas da condição humana, da situação económica, mental e moral, transformando-se em documento de uma realidade social.
O autor conta histórias de vidas simples, que têm como pano de fundo a luta trágica do homem com a natureza e com a sua natureza. Este “apelo confuso da terra” pode ser compreendido como a necessidade por parte do escritor, de regressar ao campo, em busca de um qualquer sentido perdido.
Leiam e não se arrependerão…

22 de fevereiro de 2009 às 16:42  

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