Delongas
Por João Paulo Guerra
PELO MENOS 54 VOOS transportaram presos, arrebanhados dos seus países, através de espaço aéreo e território português. As facilidades foram tantas que - sabe-se agora - os carcereiros da CIA até estabeleceram bases de actuação em hotéis de cidades portuguesas, permitindo-se abdicar de elementares normas de secretismo. E talvez para "compensar" a rebaldaria face à ilegalidade e à desumanidade, Portugal encheu-se agora de picuinhas e implicâncias em relação a uma solução justa e humanitária.
Lá no fundo, muito provavelmente, "quem de direito" em Portugal entende mesmo que as pessoas presas por todo o mundo, levadas à força e mantidas sob sequestro em Guantanamo, sem acusação, torturadas e submetidas a toda a espécie de arbitrariedades, violências e vexames são potenciais e perigosos "terroristas", cujo lugar certo seria uma gaiola de aço em Guantanamo. Mas enfim, há que responder às brisas da História dando-se alguns ares. No domínio dos princípios, Portugal declarou-se rapidamente disposto a acolher prisioneiros libertados de Guantanamo.
O pior é quando se chega aos finalmente. São só entraves, dilações, entreténs, faz que anda mas não anda.
Autoridades que jamais assumiram a cumplicidade com a brutalidade dos novíssimos campos de concentração estão agora a delongar os trâmites do processo de acolhimento dos presos libertados. Na verdade, esta é a atitude mais coerente com os antecedentes. Depois de arquivar o crime, nada mais adequado que deixar prescrever a redenção.
«DE» de 29 Junho de 2009
Portugal está muito mais relutante a acolher prisioneiros libertados de Guantanamo, do que esteve em fechar os olhos ou até mesmo permitir o trânsito de voos da CIA com presos sem culpa formada para os campos de concentração americanos.
PELO MENOS 54 VOOS transportaram presos, arrebanhados dos seus países, através de espaço aéreo e território português. As facilidades foram tantas que - sabe-se agora - os carcereiros da CIA até estabeleceram bases de actuação em hotéis de cidades portuguesas, permitindo-se abdicar de elementares normas de secretismo. E talvez para "compensar" a rebaldaria face à ilegalidade e à desumanidade, Portugal encheu-se agora de picuinhas e implicâncias em relação a uma solução justa e humanitária.
Lá no fundo, muito provavelmente, "quem de direito" em Portugal entende mesmo que as pessoas presas por todo o mundo, levadas à força e mantidas sob sequestro em Guantanamo, sem acusação, torturadas e submetidas a toda a espécie de arbitrariedades, violências e vexames são potenciais e perigosos "terroristas", cujo lugar certo seria uma gaiola de aço em Guantanamo. Mas enfim, há que responder às brisas da História dando-se alguns ares. No domínio dos princípios, Portugal declarou-se rapidamente disposto a acolher prisioneiros libertados de Guantanamo.
O pior é quando se chega aos finalmente. São só entraves, dilações, entreténs, faz que anda mas não anda.
Autoridades que jamais assumiram a cumplicidade com a brutalidade dos novíssimos campos de concentração estão agora a delongar os trâmites do processo de acolhimento dos presos libertados. Na verdade, esta é a atitude mais coerente com os antecedentes. Depois de arquivar o crime, nada mais adequado que deixar prescrever a redenção.
«DE» de 29 Junho de 2009
Etiquetas: autor convidado, JPG
1 Comments:
Relutantes??!! Só cá faltava essa... Onde já se viu?
E daí, se calhar, até têm razão.
Querem-nos obrigar a fazer determinadas coisas sem primeiro terem a decência de se fazerem convidar, brindando-nos com a sua presença num chá das cinco nos Açores!
Vá, senhores. Conversem sobre o assunto. Se necessário for, eu ofereço as bolachinhas...
Enviar um comentário
<< Home